DICA DO DIA
Hoje faria 100 anos José Froilán-González. Foi com ele que a Ferrari ganhou seu primeiro GP, em Silverstone/1951. O pessoal do “Futebol Portenho” mandou este depoimento emocionante daquele que entrou para a história da F-1.

Hoje faria 100 anos José Froilán-González. Foi com ele que a Ferrari ganhou seu primeiro GP, em Silverstone/1951. O pessoal do “Futebol Portenho” mandou este depoimento emocionante daquele que entrou para a história da F-1.

Mais um (uma?) SUV elétrica saindo do forno surfando na onda de carrinhos do passado. Agora é a Renault. Vai usar até o nome. O Renault 4, o de verdade, é meu último sonho de consumo.


SÃO PAULO (quando o agro é pop mesmo…) – Mais uma peça deliciosa da história contada pelo Jason Vôngoli acompanhada da boa notícia: a Massey Ferguson está trazendo para o Brasil alguns exemplares da série especial que reproduz o lendário MF 35x, em produção há 67 anos. E que já foi, vejam vocês, feito pela Vemag. Antes dos DKW.

A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (ganhar duas vezes é mais legal) – Aí em cima, o momento de maior tensão de Sergio Pérez na corrida de ontem. A distância que ele deixou para o safety-car. Por conta dela, maior do que dez carros, levou 5s de punição. Quase perdeu a corrida. Ainda bem que conseguiu abrir 7s5 na quadriculada. Seria muito injusto. O mexicano é um piloto irregular. Tem sido discreto, para dizer o mínimo, nesta temporada. Porque a comparação é cruel, com um companheiro de equipe muito, muito acima da média. Mas, às vezes, Checo vai muito bem. Foi o caso, em Singapura.
O NÚMERO DE MARINA BAY
22
…pontos fez a McLaren com o quarto e o quinto lugares de Norris e Ricciardo. Igualou seu desempenho do fim de semana de Ímola, o melhor na temporada até aqui. Como a Alpine zerou, a equipe papaia voltou ao quarto lugar entre os construtores, com 129 pontos. Os franceses, que também não pontuaram em Monza, têm 125. Nas últimas três provas, a McLaren fez 34 pontos contra apenas dez da Alpine. A briga está boa.
Vamos às contas. Verstappen tem 341 pontos e ainda há 138 a disputar em cinco corridas. A saber: 5 x 26 (vitória mais ponto extra da melhor volta) + 8 (vitória na Sprint de Interlagos). Assim, apenas dois pilotos ainda têm chances matemáticas de alcançar e passar o holandês. Leclerc, com 237, pode chegar a 375 se fizer todos os pontos possíveis nos últimos cinco GPs. Pérez, com 235, iria a 373 com esse aproveitamento de 100%. Russell, quarto colocado no Mundial, só pode alcançar 341 e perderia para Max no número de vitórias. Portanto, está fora da briga matematicamente.
Para Verstappen ser campeão em Suzuka sem ter de pensar muito nos resultados dos outros, basta vencer e fazer o ponto extra da melhor volta da corrida. Se conseguir, vai a 367. Mesmo que Leclerc fique em segundo no Japão e faça todos os pontos restantes nas outras quatro provas, com Verstappen zerando em todas, atingiria os mesmos 367 e, da mesma forma, seria derrotado nos critérios de desempate.
A diferença do piloto da Red Bull para o monegasco da Ferrari, hoje, é de 104 pontos. Para seu companheiro Pérez, de 106. Depois de Suzuka haverá mais 112 pontos em jogo. Se Max sair do Japão com diferença igual ou maior do que 112 em relação aos seus dois mais diretos perseguidores, acaba domingo que vem. Deu para entender, né?
A FRASE DE SINGAPURA
“Eu já perdi 60 pontos este ano por problemas de confiabilidade no carro.”
Fernando Alonso
O espanhol da Alpine, em seu 350º GP, abandonou com o motor quebrado. Bateu o recorde, mas saiu de Singapura decepcionado. Fazia uma boa prova, andando entre os primeiros. Estava em sexto quando abandonou, na volta 21.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS de ver Daniel Ricciardo fazendo uma boa corrida de novo. Ele não terminava entre os cinco primeiros desde o GP da Arábia Saudita do ano passado. De quebra, a McLaren ainda comemorou o quarto lugar de Lando Norris. Foram bem, os meninos de laranja.


NÃO GOSTAMOS do resultado final da Mercedes, que tinha Lewis Hamilton em terceiro no grid e terminou apenas em nono. George Russell, que teve problemas nos freios no sábado, teve de largar dos boxes e acabou fora da zona de pontos. A equipe desperdiçou uma boa chance de pódio. Lewis cometeu alguns erros e George arriscou os pneus slicks, sem nada a perder, e não deu certo.
A torcida para que o título venha em Suzuka, palco de decisões históricas. É disso que falamos hoje no portentoso portal. Para ler, aqui.


SÃO PAULO (e é hoje) – Sergio Pérez foi o nome da noite de domingo em Singapura. O mexicano largou em segundo, assumiu a liderança nos primeiros metros da corrida e foi assim até o final, ainda sob ameaça de uma punição pelos comissários esportivos por possíveis infrações numa entrada de safety-car. Foi sua segunda vitória no ano, quarta na carreira. E a terceira em pista de rua – venceu também em Baku e Mônaco, no passado. Cruzou a linha com 7s5 de vantagem sobre o segundo colocado, o que lhe garantiu a vitória mesmo com a punição de 5s (ele não manteve a distância mínima para o safety-car na volta 36 antes de uma relargada). A Ferrari fechou o pódio com o pole Charles Leclerc e Carlos Sainz. O líder do Mundial, Max Verstappen, terminou em sétimo. Assim, não garantiu o título matematicamente. Tem 341 pontos, contra 237 de Leclerc e 235 de Pérez.

A prova começou com 1h05min de atraso por causa das fortes chuvas que deixaram a pista completamente encharcada perto do horário original da largada. Quando a água parou de cair, foi preciso esperar para que o asfalto secasse pelo menos um pouco para começar a corrida.
Mesmo com condições bem melhores do que na hora do temporal, foi preciso largar com pneus intermediários. Havia poças em alguns trechos, o spray seria um fator extra de dificuldade e a iluminação artificial só pioraria as coisas. Resumindo, a expectativa quando os 19 carros alinharam – Russell largou dos boxes – era de um festival de rodadas, erros, batidas, escapadas, abandonos, bandeiras amarelas e possíveis surpresas. Corrida de sobrevivência.
Pérez largou muito bem assumindo a ponta quando as luzes se apagaram. Leclerc não teve tempo nem de pensar. Seu companheiro Verstappen, em compensação, despencou de oitavo para 12º. Na hora, desconfiei: será que não trocaram os pilotos?
Maldade à parte, a verdade é que mesmo na liderança e sem água na cara o mexicano não conseguiu abrir de Leclerc no início. O monegasco se mantinha a menos de 1s de diferença, ameaçando dar o bote a qualquer deslize do Red Bull #11.

Max, lá no fundão, começava uma recuperação. Na quarta volta, estava em nono. Mas a distância para a ponta era gigantesca, mais de 20s. Incrivelmente ninguém bateu ou rodou nas primeiras voltas, apesar do piso escorregadio e traiçoeiro. Nem nas seguintes. E as posições se acomodaram com diferenças grandes entre os carros. A exceção era Verstappen, que tinha de escalar o pelotão. Mas tinha dificuldades. Cada ultrapassagem era um parto da montanha.
A primeira treta da corrida aconteceu no fundão, entre Latifi e Zhou. O canadense bateu no chinês de forma grotesca. Não teve nada a ver com chuva, pista molhada, estrelas no céu. Barbeiragem pura, mesmo. O piloto da Alfa Romeo abandonou. O canadense furou o pneu, tentou seguir, mas também deixou a corrida. E tome safety-car, na sétima volta. Verstappen estava 38s atrás do líder, em nono. À sua frente, Vettel. Foi bom para ele. Max deveria mandar panetones para Latifi todo fim de ano. Dos bons, não daqueles com marca de supermercado.
O pelotão se juntou enquanto o carro de Zhou era retirado da pista. Ninguém ousou trocar pneus – a única parada foi de Magnussen, com um pedaço da asa quebrado. A relargada aconteceu na volta 11. Pérez, Leclerc, Sainz, Hamilton, Norris e Alonso eram os seis primeiros. Max passou o alemão da Aston Martin e foi para oitavo. Aqueles 38s para o líder viraram 8s graças ao safety-car. Gasly foi fácil de passar, afinal a equipe é do mesmo dono. Não ofereceu nenhuma resistência. Assim, antes de fechar a 11ª volta o holandês já estava em sétimo. O próximo alvo era mais, digamos, duro de roer: Alonso.
Na frente, Pérez tentava se descolar de Leclerc e só pela altura da 20ª volta conseguiu abrir mais de 2s sobre a Ferrari #16. As primeiras posições se mantinham e ninguém atacava ninguém. Mesmo Verstappen, perseguindo Alonso, não fazia menção de tentar uma ultrapassagem. A prova entrou num ritmo de espera pelos primeiros pit stops sob a interrogação: será que já dava para colocar pneus slick?

Na volta 21, tristeza para Alonso. O espanhol, que chegou ao recorde absoluto de 350 largadas, quebrou – facilitando a vida do líder do campeonato, que subiu para sexto. A direção de prova acionou o safety-car virtual. E George Russell foi o primeiro a colocar pneus para pista seca – compostos médios. Estava lá atrás, não tinha muito a perder.
Duas voltas depois a luz verde apareceu e a prova foi retomada sem que ninguém mais arriscasse alguma traquinagem pneumática. Um novo safety-car virtual foi acionado na volta 26 quando Albon espetou o muro e perdeu o bico. Deu ré, foi para os boxes e abandonou. Ninguém parou. Um caboclo tirou o bico quebrado da pista e a corrida foi reiniciada. Na 28ª foi a vez de Ocon parar, com o motor estourado. Outro safety-car virtual, desta vez mais demorado. Enquanto a pista não era liberada, Hamilton, em quarto, e Sainz, em terceiro, ficaram se provocando. Na volta 30, luz verde de novo.
Sem poder usar a asa móvel, vetada em condição de chuva, ninguém arriscava muito. Lewis atormentava o espanhol da Ferrari e Verstappen, em sexto, fazia o mesmo com Norris, em quinto. Foi quando Hamilton errou, na volta 33. Bateu de leve, danificou a asa dianteira, perdeu contato com Sainz. Manobrou e voltou justamente entre a McLaren de Lando e a Red Bull de Max, em quinto.
A pista estava secando. Gasly foi para os boxes e colocou pneus slick médios. Os tempos de Russell, que tinha feito o mesmo voltas antes, começaram a melhorar. Foi a senha. Leclerc entrou e colocou pneus para pista seca, caindo para terceiro. Hamilton também parou, trocou pneus e bico. Todo mundo começou a parar. Na 36ª volta, o líder Pérez tirou os intermediários. Sainz veio em seguida. Depois, Verstappen.

Mas nem todo mundo conseguiu se manter na pista com os novos pneus. Tsunoda bateu logo depois de sair dos boxes e o safety-car de verdade foi chamado à lida. Como a turma da frente já tinha parado, ninguém aproveitou a neutralização do carro de segurança. Pérez seguia na liderança, com Leclerc, Sainz, Norris, Verstappen e Ricciardo nas seis primeiras posições. Hamilton, por causa da parada mais lenta, caiu para nono. Pelo rádio, pediu desculpas ao time. “De boa, jovem, faz parte, hashtag tamojunto”, respondeu seu engenheiro Bono Vox.
O safety-car saiu quando o número de voltas originais, 61, já tinha ido para o espaço e o cronômetro regressivo foi acionado com 35min para o tempo limite de duas horas de prova. Verstappen, assim que viu a luz verde, perdeu a paciência e foi para cima de Norris. Passou direto e saiu da pista. Arregaçou os pneus na freada, não bateu em nada e voltou em oitavo, à frente de Hamilton. Teve de visitar os boxes mais uma vez para colocar pneus novos, porque os outros ficaram quadrados. Caiu para 12º.
A prova se arrastava em sua meia hora final quando, do nada, Leclerc decidiu atacar Pérez pela vitória. Ele percebeu que o carro do mexicano começou a perder rendimento. Se pudesse ouvir o rádio da Red Bull, ficaria ainda animado. O piloto da Red Bull começou a relatar problemas de todas as ordens. Foi na mesma hora em que a direção de prova liberou o uso da asa móvel. Brigas à vista, enfim!

E é preciso que se diga. A perseguição de Charlinho para cima de Checo foi bonita. Pérez se mantinha impassível, enquanto o monegasco se esgoelava com o carro rabeando para todos os lados. Durou umas cinco voltas. Até que o mexicano conseguiu se descolar um pouco do carro vermelho, abrindo mais de 1s de vantagem e se livrando da ação da asa móvel.
Verstappen voltou à zona de pontos a 14min da quadriculada ao passar Bottas. Como já estava de pneus macios, tinha o melhor ritmo de todos na corrida. Partiu para cima de Gasly e subiu para nono. Estava se divertindo.
Faltavam 10min quando a Red Bull avisou Pérez, pelo rádio, que ele estava sendo investigado por uma suposta infração sob regime de safety-car. “O quê?”, perguntou. A equipe confirmou e solicitou a gentileza ao piloto de enfiar o pé no acelerador para tentar abrir pelo menos 5s sobre Leclerc, caso recebesse uma punição de tempo – o normal, nesses casos. Charlinho recebeu a mesma informação e a ele foi solicitada a gentileza de não deixar Pérez abrir mais do que 5s.
Justiça seja feita, Pérez foi muito bem. A 1min28s do fim, conseguiu os 5s que precisava. Mais atrás, no meio de um sanduíche de Vettel e Verstappen, Hamilton errou e caiu para nono, perdendo a posição para o holandês. A diferença do líder para Leclerc subiu para mais de 7s, para não ficar nenhuma dúvida. Aplausos, porque mereceu.

Pérez, Leclerc, Sainz, Norris, Ricciardo, Stroll, Verstappen, Vettel, Hamilton e Gasly pontuaram. Seis pilotos abandonaram o GP de Singapura, 17º da temporada. “Foi sua melhor corrida!”, vibrou o chefe da Red Bull, Christian Horner, ao cumprimentar o vencedor pelo rádio. Depois, foi ao pódio receber o troféu com seu pupilo.
A decisão do título ficou para Suzuka, domingo que vem, ou além. Max tem 104 pontos de vantagem sobre Leclerc e 107 em cima de Pérez. Faltam cinco etapas, uma delas com Sprint, em Interlagos — minicorrida que dá oito pontos ao vencedor. Se o holandês sair do Japão com 112 pontos de vantagem sobre o vice-líder, acabou. Outra conta fácil: se vencer com melhor volta, já era. Agora, é só esperar.
O moço aí embaixo se torna, amanhã, o piloto com mais largadas na história da F-1: 350. Tem 41 anos, dois títulos mundiais, 32 vitórias, 22 poles, 98 pódios. E vibra desse jeito com um quinto lugar no grid.


SÃO PAULO (da mais louca alegria) – Charles Leclerc ganhou uma pole de presente hoje em Singapura. Um erro de cálculo da Red Bull – falo da quantidade de combustível no tanque do carro de Max Verstappen – ajudou o monegasco a conseguir, pela nona vez no ano e 18ª na carreira, a posição de honra num grid. O holandês, líder do Mundial, ficou apenas com a oitava posição no grid. Sergio Pérez, seu companheiro rubro-taurino, estará na primeira fila ao lado de Charlinho.
Com essas posições de largada, é difícil acreditar que o título possa ser decidido amanhã matematicamente. Para que isso aconteça, Verstappen precisa vencer a corrida e torcer para que Pérez chegue de quarto para trás e Leclerc termine em oitavo ou pior. A decisão deve ficar mesmo para o Japão.

A chuva deu uma bagunçada na classificação, porque a pista não secou totalmente depois das pancadas que ensoparam a cidade-estado do sudeste asiático ao longo do sábado. A terceira sessão de treinos livres, por sinal, teve só meia hora de duração porque o asfalto estava muito molhado e os boxes foram abertos apenas quando a direção de prova achou que as condições eram minimamente aceitáveis para a prática do automobilismo de competição.
Na hora de definir o grid, parte do circuito estava bem úmida. Por isso, a primeira escolha dos pilotos foi pelos pneus intermediários no Q1. E os tempos registrados nem foram tão ruins, já abaixo dos 2min. E caindo rapidamente, porque um trilho menos molhado começava a se formar na medida em que os carros faziam o trabalho de secagem. Mas alguns trechos muito escorregadios inibiam qualquer pensamento um pouco mais tentador sobre o uso de pneus slicks.

Verstappen fechou a primeira parte da classificação em primeiro com 1min53s057, seguido por Hamilton, Leclerc, Pérez, Sainz e Russell nas seis primeiras posições. Os eliminados foram Bottas, Ricciardo, Ocon, Albon e Latifi. Teve gente que decepcionou. O francês da Alpine foi um deles – Alonso ficou em nono. O finlandês da Alfa também – Zhou terminou em décimo. O resto, inclusive Ricciardo, normal. O australiano está demitido da McLaren e, sinceramente, vê-lo nessas corridas finais pelo time papaia tem sido melancólico. Melhor fariam todos se chegassem a um acordo que permitisse a Oscar Piastri estrear já, para pegar cancha e começar 2023 mais bem preparado.
As coisas não mudaram muito no Q2 e os pneus intermediários foram, novamente, mandatários. Só que quando faltavam 5min para o encerramento da segunda parte da classificação, Alonso entrou no rádio e sugeriu pneus para pista seca. Acho que estava zoando. A Alpine ficou discutindo a questão e enquanto não resolvia nada a dupla da Aston Martin foi na onda de Fernandinho e colocou pneus macios. Zhou fez o mesmo. A aposta, porém, não se pagou. Nenhum dos três melhorou seus tempos. Leclerc terminou o Q2 na frente com 1min52s343, seguido por Hamilton, Verstappen, Pérez e Alonso – que não arriscou os slicks. Foram degolados Russell, Stroll, Schumacher, Vettel e Zhou.
Russell? Pois é, Russell. Ninguém entendeu nada, o moço não costuma parar por aí em classificações. OK, a eliminação se deu por 0s006, quase nada. Mas não passou. E não teve desculpinha. “Sorry guys”, disse Jorginho pelo rádio. Gosto muito de “sorry guys”. É sempre um troço sincero. Exceto em 2008 lá mesmo em Singapura. Vocês sabem do que estou falando.

O fracasso dos que arriscaram slicks no Q2 não intimidou os que passaram ao Q3. Oito dos dez – as exceções foram Tsunoda e Magnussen – espetaram pneus lisos macios para pista seca e foram à luta. A primeira volta de todos foi, digamos, de reconhecimento. Era preciso tomar algum cuidado porque alguns pontos dos 5.063 m do traçado ainda tinham água.
Hamilton bateu o cronômetro em 1min53s082 na sua primeira volta boa. Tsunoda, com intermediários, ficou 2s088 atrás, provisoriamente em segundo. Magnussen, o outro que saiu com pneus para pista molhada, nem completou a volta e trocou para macios lisos, também. Aí os tempos começaram a cair. Alonso superou Hamilton, foi superado por Leclerc, que por sua vez foi batido por Lewis Todos dando mais de uma volta com o mesmo jogo de pneus. E tudo num intervalo de segundos. A pista melhorava nitidamente, secando cada vez mais.
Hamilton se segurava em primeiro com 1min51s019 a menos de 2min do encerramento da classificação. Sonhava com sua primeira pole no ano. Mas nada estava garantido. Alonso entrou na casa de 1min50s e tomou a ponta dele. Leclerc, na sequência, baixou para 1min49s412.

Então apareceu Verstappen na TV, com uma volta muito boa nos dois primeiros trechos. Aí ele tirou o pé. Viu que a pista estava melhorando e decidiu abrir outra volta perto de zerar o cronômetro para fazer um daqueles tempos que humilham os rivais. Não sei ainda de quem foi a decisão – se dele, ou da equipe.
Seja como for, não deu muito certo. Nessa volta modelo “vamos-amassar-todo-mundo”, ele já tinha 0s903 de vantagem sobre Leclerc na segunda parcial quando a Red Bull mandou que ele voltasse para os boxes. Charlinho, já fora do carro, só comemorou.
Max entrou no rádio disparando impropérios. “Que que é isso? O que vocês fizeram? Quem é esse padre?”, gritava. “Falamos depois”, ouviu da chefia. “As regras foram assinadas por todos. Vamos respirar.” O time explicou depois que, se ele fechasse a volta, não teria combustível suficiente quando retornasse aos boxes para que fosse feita a fiscalização de praxe da FIA – é preciso tirar uma amostra de um litro do tanque para análise, e se não houver o bastante o peso da borduna é implacável: desclassifica e pronto.
Pérez dividirá a primeira fila com o monegasco da Ferrari, com um tempo apenas 0s022 pior que o da pole. Hamilton, 0s054 atrás, ficou em terceiro. É a melhor posição de largada do heptacampeão no ano. Sainz, Alonso, Norris, Gasly, Verstappen, Magnussen e Tsunoda fecharam o grupo dos dez primeiros.

Ao contrário de outras corridas em Singapura, essa de amanhã não está definida por causa da pole, não. Aqui vale lembrar que em oito das 12 edições da prova – realizada pela primeira vez em 2008 e pela última, em 2019 – o vencedor foi o pole-position. Isso só não aconteceu em 2008 (pole de Massa, vitória de Alonso, vocês sabem como), 2012 (pole de Hamilton, vitória de Vettel), 2017 (invertido, Vettel na pole, Hamilton em primeiro) e 2019 (Leclerc largou na frente e Vettel ganhou pela última vez na carreira).
É que Charlinho não ganha faz tempo, desde a Áustria. A Ferrari em ritmo de corrida é pior do que em classificação. Terá a seu lado no grid um carro da Red Bull, equipe que venceu as últimas cinco etapas do campeonato. Verdade que com outro piloto, mas o carro é o mesmo. Pérez pode sonhar, claro. Hamilton, em terceiro, está com apetite e, vou dizer, até tem chance de vitória. E sempre há um Verstappen. Mesmo em oitavo no grid, não se pode descartá-lo mesmo em uma pista travada e ruim para ultrapassar como a de Marina Bay. Ele já fez coisa mais difícil neste ano.
A corrida começa às 9h amanhã. Dá tempo de ver, tranquilamente, e sair para votar. E cravar 13 com força para mandar essa turma de zumbis de volta pro esgoto. Já deu.
Enquanto a classificação não começa… Como sempre: quem, quando, onde, como, por quê?

Mil Milhas de 1989, a última no circuito antigo de Interlagos. Precioso, isso. Sobre a corrida, informações básicas aqui.
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