TÁ ACABANDO (1)

Sainz, o mais rápido da noite: pista foi secundária hoje

SÃO PAULO (mais dois dias e fim) – O campeonato está resolvido. Termina domingo ou na semana que vem no Japão, e por isso é preciso procurar assuntos paralelos no paddock. Foi assim o primeiro dia de atividades de pista em Singapura. O tema do fim de semana: teto de gastos.

A conversa é que a FIA analisou as contas das equipes e descobriu que teve gente que extrapolou. O teto é de US$ 140 milhões por ano. Alguns salários não entram nessa fatura. Nunca entendi como a FIA controla isso. A coisa mais fácil do mundo, numa estrutura gigantesca como a de um time de F-1, deve ser ocultar gastos ou manipular números. Será que tem de apresentar nota fiscal de guardanapo e papel toalha? O preço do amendoim do motorhome é tabelado? Não tem ninguém trabalhando em casa, recebendo por fora de empresas associadas? O que impede a Mercedes-fábrica-de-carros de usar equipamentos, pessoal e material em Stuttgart a serviço da Mercedes-equipe-de-corridas e não declarar nunca essas despesas? Afinal, a FIA não fiscaliza a Mercedes-fábrica-de-carros. O que impede a Red Bull, na Áustria, de ter um escritório de design e engenharia nas suas instalações de produção de bebidas trabalhando para a filial inglesa que disputa campeonatos de F-1? Afinal, a FIA não fiscaliza fábricas de bebidas. O que impede a Renault de manter um grupo de estudos e produção em São José dos Pinhais como linha auxiliar da Alpine? Afinal, a FIA não fiscaliza linha de produção de Kwid. Quais, exatamente, os gastos que são monitorados? E como? Eu, sinceramente, não acredito num controle tão rigoroso assim. Mas vá lá, o teto existe, a FIA finge que é rigorosa e a F-1 finge que acredita.

Toto Wolff, da Mercedes, tem sido o mais linguarudo nestes dias, apontando o dedo para a seu principal adversário. Segundo ele, a FIA vai revelar que uma equipe gastou um pouco mais do que poderia no ano passado e outra estourou o orçamento com gosto. A primeira seria a Aston Martin. A segunda, a Red Bull. Isso teria consequências por três anos, por seus cálculos. “A gente está usando umas peças velhas, não desenvolve o carro como gostaria, e se alguém gastou mais no ano passado isso teve efeito nesta temporada e terá na próxima”, acusou.

Punições estão previstas, mas ainda não está claro o que pode efetivamente acontecer com quem torrou mais do que deveria. “Há juízes para isso”, disse Wolff. “Vamos ver o que será feito.”

Como disse, é o assunto do fim de semana. Mas é nebuloso, bem nebuloso.

À pista, agora.

Os tempos do segundo treino: Ferrari começa bem

O último GP em Singapura aconteceu em 2019 e foi vencido por Sebastian Vettel, na Ferrari. Foi a última dele na carreira. Em 2020 e 2021 não teve corrida, por causa da pandemia. Um alívio para os pilotos, porque fisicamente essa prova é muito desgastante — calor e umidade, piso ondulado, muitas curvas (23) e poucas retas; mesmo de noite, cansa pacas.

Não foi muito diferente hoje, com os termômetros na casa dos 29°C. Mas também não é o fim do mundo. Em Sepang era pior. Tinha tudo isso, mais um sol desgraçado. Eles são atletas, aguentam.

A Ferrari começou melhor e fez 1-2 com Sainz e Leclerc. A Mercedes, que tem alguma esperança de pódio nessa pista, ficou em terceiro e quinto. Mas os pilotos não saíram muito felizes de seus carros. Muito instáveis, quicantes (o revisor do computador me diz que a palavra “quicantes” não existe; fico imaginando o que sofreria esse revisor com Guimarães Rosa), desequilibrados. Verstappen, que pode ser campeão domingo, parecia com preguiça e deu apenas oito voltas.

Verstappen soltando faísca: poucas voltas

Para conquistar o bi por antecipação, Max precisa vencer em Singapura. Se também fizer a volta mais rápida, é campeão se Leclerc terminar de oitavo para trás e Pérez, de quarto para trás. Vencendo sem a melhor volta, Verstappen passa a régua no título com Leclerc em nono ou pior e se Pérez não chegar ao pódio. Russell e Sainz também têm possibilidades matemáticas, mas para que elas se convertam em esperança de verdade é preciso que Verstappen, Leclerc e Pérez serem abduzidos por venusianos por dois meses, pelo menos.

(Apenas para ajudar a fazer as contas, há 164 pontos em jogo nas seis etapas restantes do campeonato: 26 por corrida — vitória e melhor volta –, mais oito pela vitória na Sprint de Interlagos. Assim, de Max, líder com 335 pontos, a Sainz, quinto com 187, todos possuem chances teóricas. Hamilton, o sexto com 168, já não pode mais alcançar o líder.)

O momento pirotécnico da noite de sexta-feira no circuito de Marina Bay foi o pequeno incêndio na caixa de ar do carro de Pierre Gasly. Um mecânico da Aston Martin, na garagem vizinha, ajudou a apagar o fogo. A AlphaTauri disse que não foi nada grave e o francês voltou à pista logo depois.

Falando nele, a imprensa francesa garante que na semana que vem, antes da corrida de Suzuka, a negociação com a Alpine estará encerrada — talvez já tenha sido — e o piloto será anunciado como novo companheiro de Esteban Ocon no time azul. Para seu lugar, a AlphaTauri trará Nyck de Vries. Sobrarão, pois, duas vagas abertas para 2023: uma na Williams e outra na Haas.

A definição do grid singapúrico acontece amanhã às 10h.

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LEMBRANÇA ALEATÓRIA

SÃO PAULO (fez mais…) – O blogueiro Fábio K. me mandou o recorte. Vejam a data. Foi a primeira entrevista do Schumacher à imprensa escrita brasileira. Publicada há exatos 31 anos, em 29 de setembro de 1991. Foi no fim de semana do GP da Espanha, em Barcelona.

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DICA DO DIA

A menção ao Moskvich no último “Cars & Girls” suscitou o envio, nos comentários, de mais uma peça maravilhosa escrita pelo Jason Vôngoli, o maior historiador da indústria automobilística mundial. O texto é sobre a quase vinda dos carros soviéticos para o Brasil. Espetacular.

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LEGIÃO URBANA

Não se vê fácil por aí. Só saiu em 1992. Argentino, quatro portas, rodas especiais, aerofólio, um luxo só. A foto é horrível, tirei dirigindo, tinha um poste na frente, mas o Guarujá está lindo, e o azul é de uma nobreza arrasadora.

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ENCHE O TANQUE

Roma, enviada pelo Wagner Ribeiro. Blogueiros que lembram do blog quando estão no exterior sempre têm prioridade por aqui!

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CARS & GIRLS

SÃO PAULO (eu teria) – Alexandre Neves manda e informa: “Segundo consta esta é a atriz inglesa Julie Desmond promovendo o carrinho soviético Moskvich-427 no Auto-Show de Paris em 1971”. Em plena Guerra Fria. Não creio que carros russos, hoje, fossem bem recebidos no Ocidente. Mas vale o registro. Moskvich é o tipo de carro que nunca veio para o Brasil, ao contrário dos Lada, por exemplo. Há alguns nos EUA. Qualquer hora dessas vamos atrás de um…

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OS GRANDES IDIOTAS

SÃO PAULO (monte de lixo) – Lucas di Grassi, Nelsinho Piquet e Enrique Bernoldi estão entre os pilotos que fizeram comentários numa postagem de João Paulo de Oliveira no Instagram. JP, sem precisar dizer uma palavra, transforma a arminha bolsonarista feita com os dedos no L de Lula. Tem sido um hit das redes sociais: trocar a violência pelo amor, a barbárie pela civilização, as trevas pela esperança.

João Paulo, que vive no Japão há duas décadas, é o único piloto brasileiro de renome que compartilha os ideais progressistas. Ou, em português bem claro: é o único que, politicamente, não é um escroto de merda. E se tem mais algum, por favor que se apresente. Será uma alegria conhecê-lo.

Sim, porque são escrotos de merda os três supracitados. Di Grassi o chamou de “doente mental”. Os outros dois, com sua proverbial capacidade intelectual, reagiram com “kkkks” ou emojis. Bernoldi tentou escrever algo. Saiu algo de teor incompreensível. São incapazes de formular uma frase, um raciocínio, um pensamento. Uns boçais.

Assim como formado por boçais é boa parte do universo do automobilismo no Brasil. Quase a totalidade — as exceções sabem quem são e não precisam de defesa pública. Basta ver quem entrou no perfil de JP para vomitar sua bestialidade e ignorância. E quando falo de “universo do automobilismo”, me refiro a pilotos, ex-pilotos, donos de equipe, pintores de capacete, narradores, comentaristas, repórteres, jornalistas em geral, e uma enorme parcela dos torcedores, fãs e admiradores de corridas.

O bolsonarismo serviu para escancarar a imbecilidade. Essas pessoas não têm mais vergonha de expor o quão idiotas são. Havia algum pudor, antes. Se sentiam constrangidas quando revelada sua burrice, vulgaridade, despreparo para viver em sociedade. Como encontraram alguém semelhante que virou presidente de um país, se sentiram à vontade para mostrar com orgulho que são tão cretinos quando seu líder. Destamparam o esgoto e vieram à luz, fedendo.

Voltarão ao esgoto domingo.

Quanto aos pilotos, os citados, causa espécie ouvir de alguém que bateu o carro de propósito para salvar o emprego, e de outro que jogou o seu em cima do adversário para ser campeão, falar em qualquer coisa que remotamente lembre ética.

Não bastasse o caráter lamentável, são péssimos esportistas. E que não se enganem: ninguém os respeita. Ninguém.

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MEIA-DÚZIA

SÃO PAULO (já, já) – A F-1 confirmou hoje que no ano que vem teremos seis finais de semana de GP com Sprint Races. São as minicorridas de 100 km aos sábados, que estrearam no regulamento de 2021 com a realização de três delas — em Silverstone, Monza e Interlagos. Nesta temporada já foram duas, em Ímola e na Áustria. A próxima será em São Paulo. Segundo a Liberty, dona da categoria, os fãs gostaram e pronto.

Não se sabe, ainda, quais serão os GPs que terão as provas curtas em 2023. Nos próximos dias a informação será divulgada. A pontuação — 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 para os oito primeiros — está mantida. E, também, a regra que determina a formação do grid de domingo a partir do resultado da corridinha de sábado. Na sexta-feira, uma sessão de classificação formará o grid da Sprint e também definirá quem é o pole-position oficial do GP, mesmo que o cara não ganhe no sábado e não largue na pole no dia seguinte. Para efeitos estatísticos, o mais rápido da sexta inclui uma pole-position nos seus números, como já está acontecendo neste ano.

Outro anúncio feito hoje: a pré-temporada de 2023 será de três dias, 23, 24 e 25 de fevereiro. Será realizada no Bahrein, onde no dia 5 de março começa o campeonato.

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N’UOL

A temporada de 1952 foi a última da F-1 sem vitória de piloto ou equipe do Reino Unido. Foi quando Elizabeth se tornou rainha. Isso pode acontecer de novo, 70 anos depois. É o tema da minha coluna uólica desta semana. Pode ser lida aqui.

A rainha na McLaren: desde a coroação, britânicos sempre venceram
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FOTO DO DIA

Banco feito, falta só marcar a data para o primeiro treino. Que vai acontecer até o fim da temporada, claro. Menos em Interlagos, onde tem Sprint.

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