FINALMENTE

ID Buzz: a nova Kombi, elétrica e… convencional

SÃO PAULO (imbrochável ou imbroxável?) – Este blog nasceu em 2005 e uma das primeiras campanhas que abraçou, quando blogs tinham alguma leitura, foi em prol dos motores VW a ar, cuja extinção a montadora anunciara pouco antes. As Kombis seriam os últimos veículos equipados com eles, que passariam a ser substituídos pelos 1.4 a água do Fox. Era uma brincadeira a campanha, claro, inspirada em um blog, aí sim, famoso, do jornalista Ricardo Feltrin — o “Ooops“, ainda no ar, mas receio que abandonado por seu criador. Feltrin foi meu colega de “Folha” e é colunista do UOL, escreve sobre TV, mas naquela época travava uma cruzada em defesa dos patos.

Faço a introdução apenas para justificar o peso que darei à informação que segue, ainda que tardia, sobre o lançamento, enfim, da sucessora da Kombi. Depois de vários protótipos apresentados pela VW — todos eles mostrados aqui ao longo dos últimos anos –, finalmente a empresa chegou à versão que já está começando a circular na Europa. Essa da foto aí no alto. Chama-se ID Buzz. E é elétrico, claro. Ou seria elétrica? É o ID Buzz ou a ID Buzz? Menino ou menina?

Fiquemos com o feminino. E vamos adotar “Nova Kombi”, para não entristecer os empenhados engenheiros e projetistas da VW. Porque, desde o início, a tarefa que receberam foi mesmo a de fazer uma nova Kombi, uma releitura da Velha Senhora, do Pão Pullman, da Kombosa velha de guerra que nasceu lá na década de 40, chegou ao Brasil nos anos 50 e saiu de linha no final de 2013. A Kombi é uma instituição, um verdadeiro ícone da indústria automobilística mundial — não preciso ficar aqui repetindo todos os clichês usados por escribas apaixonados quando se metem a falar dela. Um ícone tão… icônico quanto o Fusca, que a VW já tinha recriado ao lançar o New Beetle primeiro e, depois, colocando no mercado o mais robusto, parrudo e potente Beetle — ambos fizeram algum sucesso e foram recebidos com, vá lá, alguma simpatia pelos fuscólogos do planeta.

O problema é que não sei se a gente deve olhar para esse carro aí em cima como uma releitura da Kombi, mesmo. Porque é… um carro! Um carro que lembra vagamente, nas formas, a van da Volkswagen. Van, ou furgão, ou perua, o que vocês quiserem; a Kombi não se encaixa numa categoria específica do mundo automotivo, exceto no segmento de… kombis, claro. Mas é isso. Lembra apenas vagamente. E só.

O rascunho de Ben Pon: versão romântica do nascimento

A historiografia da Kombi aponta como seu criador o comerciante Ben Pon, que representava a marca na Holanda. Foi ele o primeiro a rascunhar numa folha de papel, diante de dirigentes da VW, um veículo que pudesse levar carga montado sobre a plataforma e a mecânica do Fusca, com o motorista sentado sobre o eixo dianteiro. Não tem nenhuma mentira aí, mas o episódio é apenas a parte mais saborosa de sua gestação. Talvez o tal desenho nem tenha sido tão importante assim na decisão da VW de produzir o utilitário, como defendem alguns autores da vasta literatura especializada sobre a história da fábrica de Wolfsburg.

Quem fez a nova Kombi elétrica não sei, e duvido que teremos, no futuro, algum relato tão romântico e delicioso sobre seu nascimento como a fábula do holandês Ben Pon. Pelo que vi nas fotos deste site aqui, trata-se de um carro com dois bancos na frente, três atrás e um porta-malas. Como qualquer SUV. Um Nissan Livina é parecido. A Picasso da Citroën é até mais distinta no design. Sem querer ofender, haverá até quem a compare a uma Zafira.

A nova Kombi não é feita para levar carga. Os bancos traseiros não podem ser removidos. Tem portas dos dois lados. Não sei se dá para ficar de pé atrás. Não há maneira de montar uma máquina de caldo de cana nela. Nem instalar um fogão, uma pia e um chuveiro. Pendurar uma arara com roupas de brechó. Carregar uns vasos com espadas-de-são-jorge, bromélias ou suculentas. Estender um toldo e fritar pastel, nem pensar.

É possível que novas versões sejam lançadas para outros usos no futuro, mas por enquanto o ID Buzz é só um automóvel para cinco pessoas com um belo kit multimídia no meio do painel, montado sobre uma cama de baterias. Simpático, sem dúvida — as duas cores, né? Que seja visto, pois, apenas como o que é: uma homenagem.

Kombi é outra coisa.

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FOTO(S) DO DIA

Amarelo é a cor que a Ferrari escolheu para correr em casa nos seus 75 anos. Um pouco no carro, tudo nos macacões.

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CARROS QUE EU GOSTO

Qualquer VW quadradinho dos anos 80 com esses faróis e essas rodas.

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FOTO DO DIA

Nyck de Vries confirmado pela Aston Martin para o primeiro treino livre de Monza, sexta, com o carro de Vettel. Será o terceiro TL1 do holandês no ano, pela terceira equipe diferente. Ele andou de Williams na Espanha e de Mercedes na França.

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N’UOL

O texto desta semana no acarinhado portal é sobre o abraço de Fernando Alonso e Lewis Hamilton, respondendo 15 anos depois a uma pergunta que fiz a ambos numa coletiva em Interlagos. Para ler, basta clicar aqui.

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ORANGE JUICE (3)

Delírio laranja: segunda vitória de Verstappen em casa

SÃO PAULO (não é fraco, não) – Max Verstappen ganhou de novo, como se
previa. Foi um passeio em Zandvoort, embora tenha tido alguns sobressaltos
provocados por terceiros. Mesmo com eles, o holandês ganhou em casa pelo
segundo ano seguido. Foi sua décima vitória no ano, 30ª na carreira. George
Russell e Charles Leclerc completaram o pódio. O #1 da Red Bull ampliou ainda
mais sua vantagem na classificação, subindo para 310 pontos contra 201 de
Leclerc e Pérez, que dividem a vice-liderança.

O título está assegurado e resta, agora, apenas aplaudir Verstappen e ficar
esperando que a conquista se confirme matematicamente. Com tranquilidade, o
piloto disse que a vitória não foi tão fácil como pode ter parecido. “Foi uma
corrida complicada, safety-car, safety-car virtual, tivemos de tomar decisões
rápidas, mas felizmente fizemos tudo certo. Meu carro estava muito bom e
consegui uma boa relargada no final. Foi um fim de semana incrível”.

E vamos à corrida, então!

Largada em Zandvoort: nenhum incidente no início

Verstappen, que não é bobo nem nada, largou de pneus macios para garantir um
bom salto na hora em que as luzes se apagassem. Ele e a maioria. Seis dos 20
optaram pelos médios, prevendo uma primeira parada tardia: Hamilton, Russell,
Norris, Schumacher, Albon e Magnussen.

Max não deu sopa para o azar e apontou seu carro para o lado interno da
primeira curva assim que a largada foi autorizada. Isso lhe permitiu manter a
liderança sem maiores problemas. As primeiras posições foram mantidas com uma
ou outra troca um pouco mais atrás – Russell e Schumaquinho, por exemplo, foram
ultrapassados; George se recuperou rápido.

Para o holandês, era importante abrir mais de 1s em cima de Leclerc, o
segundo colocado, rapidamente. Isso para que o monegasco não tivesse a chance
de abrir sua asa para tentar uma ultrapassagem. Missão dada, missão cumprida.
Em cinco voltas, ele já tinha 1s3 sobre a Ferrari #16.

A prova acontecia com uma condição climática diferente da dos últimos dias,
sem sol e com temperatura na casa dos 22°C – contra os 27°C de sexta e sábado.
Isso fazia alguma diferença na gestão da borracha. Mas como dizem sempre os
pilotos, era igual para todos.

Na volta 13, Alonso deu uma pista do que outros poderiam fazer dali em
diante. Parou e colocou pneus duros pensando em apenas uma parada – e como a
Pirelli levou a gama mais resistente a Zandvoort, esse duro aí não é força de
expressão, não; um chute nele quebra o pé.

A parada de Sainz: faltava um pneu

Lá na frente, Sainz foi o primeiro a parar, na volta 15. Pérez veio junto
com ele. Para variar, a Ferrari se atrapalhou. Desta vez, não na estratégia,
mas na parada. Simplesmente estava faltando um pneu. Sim, o mecânico
responsável pelo traseiro esquerdo não estava ali quando o carro parou. De
repente, apareceu de dentro dos boxes. Sainz voltou à pista em 11°, depois de
um pit stop desastroso.

Leclerc parou na volta 18. Desta vez, todos estavam com seus pneus a postos
e a parada foi rápida. Verstappen, pelo rádio, dizia à equipe que sua borracha
estava OK. Mesmo assim, foi chamado na 19ª volta. Como os demais que largaram
de macios, colocou compostos médios. Hamilton, então, assumiu a liderança, com
Russell em segundo e Max em terceiro.

Não demorou muito para Verstappen alcançar Russell. Na volta 26, os dois
ingleses da equipe prateada eram os únicos que não tinham feito pit stop,
ainda. E o líder do campeonato já estava a 1s2 de Jorginho. Na volta 28, passou
pela Mercedes #63 sem nenhuma dificuldade. Hamilton, o líder, estava 3s à
frente.

A única dúvida que cabia àquela altura era saber se a dupla do time alemão
tinha uma estratégia diferente, de apenas um pit stop, contra o padrão de dois
do resto. Por isso para Verstappen era importante passar ambos na pista. Se
recolocando em primeiro, estariam todos no mesmo barco até o fim da prova,
precisando de pelo menos mais uma troca cada.

Nem deu tempo de atacar Hamilton, porém. O heptacampeão parou na volta 30,
colocou pneus duros e ficou claro que a ideia da equipe era mesmo de economizar
uma parada. Lewis voltou em quinto e Verstappen reassumiu a ponta. Russell
repetiu, duas voltas depois, o que fizera seu companheiro. Voltou em quinto, 7s
atrás do #44.

A corrida não era grande coisa depois de cumprida a primeira metade de suas
72 voltas. O pit stop atrapalhado de Sainz o afastou da luta pelo pódio,
abrindo caminho para a Mercedes de Hamilton chegar pelo menos em terceiro.
Pérez, com o outro carro da Red Bull, chegou a atrapalhar Lewis por uma volta
inteira quando foi alcançado pelo inglês, que acabou passando na volta 37 –
Checo ainda tinha de fazer uma parada, endureceu de pirraça e também para que a
liderança de Verstappen não fosse ameaçada quando ele parasse pela segunda vez.

Hamilton antes da largada: otimismo até para vencer

Quando Russell chegou, Pérez não endureceu nem perdeu a ternura. Foi
ultrapassado sem esboçar reação. Como Leclerc, o segundo, teria de fazer um
segundo pit stop, o plano da Mercedes de levar seus dois carros ao pódio
parecia ao alcance das mãos – ou dos pés, no caso, de Lewis e Russell.

Havia até alguma esperança de vitória para Hamilton, caso a segunda parada
de Verstappen, sei lá, fosse feita por apenas um mecânico. Mas aí entrou na
pista o Sobrenatural de Almeida. Na volta 46, Tsunoda parou o carro reclamando
pelo rádio que um pneu estava solto. A equipe devolveu que não tinha nada solto
e ele voltou à corrida, entrou nos boxes e apertou foi o cinto de segurança.
Foi quando Leclerc parou pela segunda vez e colocou pneus duros para a reta
final da prova.

Mas Tsunoda continuava tumultuando a brincadeira. Saiu dos boxes, avisou que
tinha algo errado em seu carro e parou no acostamento. E o safety-car virtual
foi acionado, começando a mexer na corrida. Verstappen foi chamado
imediatamente pela Red Bull e colocou duros. A Mercedes se viu obrigada a mudar
sua estratégia para dois pit stops, convocou seus dois pilotos para os boxes e
colocou neles pneus médios.

Faltavam 23 voltas para o fim e a nas quatro primeiras posições estavam
Verstappen, Hamilton, Russell e Leclerc. Max tinha 12s9 de frente para Lewis.
Os dois pilotos da Mercedes tinham pneus mais macios que os do holandês, mas
teriam de operar algum tipo de milagre para alcançar o #1. Na verdade, o
safety-car virtual atrapalhou os planos dos alemães – que perderam o bônus de
um pit stop a menos.

Pista liberada, bandeira verde na volta 50, a diferença de Max para Hamilton
caíra para 12s. O holandês perdera tempo no retorno à pista e na administração
da velocidade controlada sob safety-car virtual, mas ainda estava sossegado.
Aí, na volta 55, Sobrenatural de Almeida de novo: Valtteri Bottas quebrou e
parou o carro no fim da reta dos boxes. Um safety-car seria mandatório. Demorou
uma volta inteira para a direção de prova acioná-lo. Verstappen correu para o
box, porque se o pelotão se juntasse ele teria pneus piores que os de Hamilton
na relargada. Colocou pneus macios, aquele jogo novinho que sobrara de ontem.
Caiu para terceiro, atrás da dupla prateada, com 15 voltas para o fim. E a
melhor borracha possível para atacar os dois.

Para facilitar a remoção do carro de Bottas, o safety-car liderou o pelotão
por dentro dos boxes na volta 58. Russell aproveitarou que estava por ali e
trocou de pneus pela terceira vez. Colocou macios. Hamilton manteve a ponta,
mas Russell perdeu uma posição e Max subiu para segundo.

Os abandonos de Tsunoda e Bottas acabaram amassando o roteiro rascunhado
para o GP da Holanda, levando pilotos e equipes a tentarem o que fosse possível
em termos de estratégia de pneus com paradas extras e escolhas diversas. A
relargada aconteceu na volta 60 e Verstappen não perdeu um segundo sequer. Mal
viu as luzes verdes, mergulhou para cima de Hamilton e passou, para retomar a
liderança. O povo nas arquibancadas delirou.

Lewis é quem estava em maus lençóis. Com pneus médios, via pelo retrovisor
três carros com borracha mais macia se aproximando: Russell em terceiro,
seguido pelas duas Ferrari de Leclerc e Sainz. Pelo rádio, o heptacampeão praguejava.
Naquele momento, ninguém entendia por que a Mercedes não trocou seus pneus para
macios, também. Virou uma presa fácil para todos que pararam.

Russell passou pelo companheiro na volta 64. Lewis continuava xingando todo
mundo pelo rádio. Numa tradução livre, dizia: vocês me foderam! Na volta 66,
quem passou Hamilton foi Leclerc. E Sainz, o quinto, foi avisado de que seria
punido com 5s porque a Ferrari o liberou de forma perigosa após o pit stop. Um
dia glorioso para o time italiano – nunca se errou tanto em tão pouco tempo.

As voltas finais foram apenas protocolares. Verstappen venceu com um pouco
mais de trabalho do que gostaria, mas não deixou escapar o favoritismo
construído a partir da pole. Russell foi o segundo e Leclerc terminou em
terceiro, fechando o pódio. Hamilton, Pérez, Alonso, Norris, Sainz (já com a
punição), Ocon e Stroll fecharam a zona de pontos. Alonso e Russell foram dois
que chegaram bem à frente de onde largaram. Merecem aplausos. Mas se é para
tirar o chapéu para alguém, que seja para o menino Verstappen e sua equipe.
Depois de oito anos apanhando da Mercedes, a Red Bull virou o jogo de vez. E
pode levar tempo para acabar com a festa dessa turma.

Verstappen e a Red Bull: dupla imbatível em 2022

 

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ORANGE JUICE (2)

Mais uma na conta: 17 poles na carreira, quatro na temporada

SÃO PAULO (a hora dele) – Max Verstappen, a fórceps, fez a pole para o GP da Holanda confirmando sua superioridade abissal no Mundial de F-1 deste ano. Foi sua quarta na temporada e 17ª na carreira, o que o coloca entre os 20 maiores “polemen” da categoria, ao lado de Jackie Stewart nas estatísticas. Seu tempo foi apenas 0s021 melhor que o de Charles Leclerc, da Ferrari, que larga em segundo.

É um grande passo para vencer de novo em casa e fazer mais uma festa diante de seus torcedores. Que, claro, foram ao delírio nas velhas arquibancadas de Zandvoort, tingidas de laranja e encharcadas de cerveja.

Festa nas arquibancadas: todo mundo de laranja

O verão ainda sorri para a Europa e foi com sol e temperatura lambendo os 27°C que começou a classificação nos Países Baixos. Como a Ferrari repetira no último treino livre seu bom desempenho de ontem, os já conformados torcedores vermelhos esperavam pelo menos uma pequena alegria no sábado holandês.

Mas o adversário seria duro… O povo no circuito vibrou pela primeira vez no dia quando Verstappen, no Q1, fez sua primeira boa volta da classificação com 1min11s317. O primeiro embate com os carros vermelhos foi amplamente favorável ao piloto da Red Bull. A primeira volta rápida de Sainz foi 0s450 pior que a de Max e a de Leclerc, 0s808. Charlinho se aproximou logo depois, mas ainda ficou atrás, uma diferença de 0s126.

A dificuldade de todos, na primeira parte da classificação, era fazer uma volta limpa. Como a pista é curta e estreita, a todo instante os pilotos encontravam tráfego pela frente – ou alguém saindo dos boxes para aquecer pneu, ou alguém voltando, depois de fazer tempo. Nesse tipo de circuito, é inevitável ser atrapalhado em algum momento quando está todo mundo fazendo a mesma coisa.

Fumaça na pista: sinalizadores atrapalharam o treino

Ao final do Q1, Max se manteve em primeiro e Hamilton, 0s014 atrás, terminou em segundo. Algumas surpresas houve, não se pode negar. Tsunoda foi o terceiro, a 0s110 do holandês. Norris ficou em quinto. Stroll, em sétimo. E Albon, em décimo. Os eliminados foram Bottas, em franca queda na segunda metade do campeonato, Magnussen (errou na sua volta rápida), Ricciardo (melancólico, seu desempenho), Vettel (outro que no fim da volta escorregou na areia e se deu mal) e Latifi (o de sempre).

O Q2 mal tinha começado e uma bandeira vermelha foi acionada. Alguém jogou um sinalizador no meio da pista, daqueles que soltam fumaça – laranja, claro. O único prejudicado foi Albon, que já tinha entrado na pista e gastou um jogo de pneus à toa.

De quebra, alguns pombos à beira do traçado deixavam os pilotos espantados com sua coragem columbina. Por eles passavam voando os carros, mas permaneciam ciscando as aves, sem nenhuma afetação. Um fiscal de pista foi convocado para espantá-los, sem muito sucesso.

Os pombos: sem medo de carros velozes passando perto

Reiniciados os trabalhos, Verstappen foi logo para a pista e quebrou o cronômetro pela primeira vez no fim de semana, entrando na casa de 1min10s. Sendo preciso, 1min10s927. Isso com um jogo de pneus macios usados — o que lhe garantiu um novinho para amanhã que pode ser muito útil. Lewis, mais uma vez, chegou perto do holandês, a 0s148 de distância. A Ferrari, estranhamente, não repetia o rendimento dos treinos livres. Faltando dois minutos para o fim do Q2, Sainz era o sétimo e Leclerc, o nono. Então, os vermelhos acordaram. Ambos melhoraram bem seus tempos e o espanhol fechou o segundo segmento da classificação com o primeiro lugar, 1min10s814. Russell também deu um salto à frente e ficou em segundo, 0s010 atrás da Ferrari #55. Verstappen caiu para terceiro e Leclerc ficou em quarto.

Os degolados foram Gasly, Ocon, Alonso, Zhou e Albon. Stroll, Schumacher e Tsunoda, os três últimos classificados para o Q3, acabaram sendo os destaques do dia na “F-1 dos outros” – desbancando não só seus companheiros de equipe, como também a dupla da Alpine, que decepcionou.

Schumacher no Q3: boa atuação do alemão da Haas

Verstappen foi o primeiro a ir para a pista no Q3. Parecia que a intenção era estabelecer a altura do sarrafo, deixando para os demais a tarefa de superá-lo. Fez sua volta em 1min10s515, a melhor do fim de semana até então. Pérez, seu companheiro, fechou a sua logo depois e foi 0s562 mais lento. Desafio aceito, Leclerc foi para cima do tempo de Max e conseguiu batê-lo: 1min10s456, uma volta excepcional, 0s059 melhor que a do líder do Mundial. Hamilton e Sainz vieram a seguir, com Pérez em quinto.

A briga na segunda bateria de “flying laps” ficaria restrita à Ferrari #16 e ao Red Bull #1, com uma remota possibilidade de serem incomodados por Sainz e Hamilton, que vinham bem desde o início do dia. O monegasco fizera sua última pole na França. Max, uma corrida antes, na Áustria – em Spa registrou o melhor tempo, mas perdeu posições por troca de motor e a primeira colocação no grid foi herdada por Sainz.

Com menos de três minutos para a quadriculada, Leclerc e Verstappen voltaram à pista. Charlinho espremeu tudo que seu carro podia entregar e fez um temporal, 1min10s363. Max vinha logo atrás, cravou o pé no porão e bateu o tempo do rival: 1min10s342, meros 21 milésimos de segundo à frente do piloto do time vermelho. Sainz, com uma volta muito boa, fechou a classificação em terceiro a apenas 0s092 da pole.

O grid em Zandvoort: três primeiros muito próximos

Se alguém atrás deles tinha esperança de melhorar algo, ficou na intenção. Porque Pérez rodou em sua volta causando uma bandeira amarela e todos tiveram de tirar o pé. Hamilton ficou em quarto, seguido pelo mexicano e, depois, por Russell, Norris, Schumacher, Tsunoda e Stroll. “Mudamos muito o carro de ontem para hoje”, disse o pole-position, que ontem teve dificuldades nos dois treinos livres. “Fazer a pole aqui é incrível.”

Verstappen é o franco favorito à vitória, que pode ser desenhada a partir da largada. Saltando na frente, dificilmente alguém vai conseguir impedir sua décima vitória no ano. “Foi muito perto. Max fez um trabalho muito bom. Nosso carro foi melhorando e no Q3 estávamos perto da Red Bull. Mas a gente precisa fazer uma boa largada”, admitiu Leclerc.

Capacete como o do pai: cores que nunca andaram tão bem

Max está usando um capacete parecido com o de Jos Verstappen neste fim de semana. Com o pai, os torcedores holandeses nunca tiveram muitos motivos para festejar alguma coisa na F-1. Com o filho, é só alegria.

O GP da Holanda começa amanhã às 10h e terá 72 voltas. Mas às 19h estaremos em nosso modesto canal no YouTube para falar da classificação de hoje e de outros assuntos aleatórios. Como, por exemplo, a vitória da Lusa sobre o São Caetano no Canindé, para onde vou agora. Apareçam!

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ENCHE O TANQUE

Mais uma colaboração de blogueiro batendo perna por aí… Agora foi a vez do Guilherme Pineschi:

Caro Flavio, envio-lhe, em anexo, fotos de um posto de gasolina localizado a uns 20 minutos da borda sul do Grand Canyon. Ele fica, mais exatamente, em Williams (Arizona), e possui, além da loja de rochas, joias e fósseis, um interessante conjunto de esculturas metálicas homenageando o Velho Oeste. Moro na cidade de Quebec, mas estava de férias em Phoenix, palco da F-1 em 89, 90 e 91.

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ORANGE JUICE (1)

Piastri: fim da novela com anúncio da McLaren

SÃO PAULO (enfim) – A notícia do dia em Zandvoort veio pouco antes do início do segundo treino livre de hoje para o GP da Holanda. O CRB, que não é o Clube de Regatas Brasil de Maceió, mas sim o Conselho de Reconhecimento de Contratos da FIA, informou em breve comunicado que o “único contrato válido é aquele firmado entre McLaren e o sr. Piastri, assinado em 4 de julho de 2022”, e que o jovem australiano vai defender o time papaia em 2023 e 2024. Pouco depois, a McLaren oficializou sua dupla para 2023 com ele e Lando Norris.

Era esperado. A Alpine já não contava com o piloto e agora terá de lamber suas feridas: perdeu Alonso para a Aston Martin e não conseguiu reter o menino em quem investiu alguns bons milhares de euros desde 2020, quando ele disputou — e ganhou — a F-3; no ano seguinte, levou também o título de F-2. Pior foi constatar que quando perdeu Alonso já tinha perdido Piastri. E, aparentemente, não estava sabendo de nada.

A novidade no comunicado do CRB foi a revelação da data de assinatura do contrato entre Piastri e McLaren: 4 de julho, um dia depois do GP da Inglaterra, um mês antes de Alonso se pirulitar para correr no lugar de Sebastian Vettel na Aston Martin, anúncio feito pelo espanhol no dia 1º de agosto — segunda-feira após o GP da Hungria. Na terça, dia 2, a Alpine promoveu Piastri a titular. Uma hora e meia depois, o australiano de 21 anos avisou que não ia defender a equipe francesa coisa nenhuma. O “não” no meio da fuça deixou o time azul desnorteado.

O que se depreende disso tudo é que o estafe de Piastri, capitaneado pelo ex-piloto Mark Webber, não estava satisfeito com a indefinição da Alpine em relação ao seu futuro. Prometera a ele um carro para 2023, mas seguia negociando com Alonso. Considerando que a Alpine não estava cumprindo o que afiançara ao rapaz, Webber foi atrás de opções e o ofereceu à McLaren, sabendo que Ricciardo estava pela bola sete. Esta, por sua vez, assinou com ele sem definir a situação de Ricciardo, com quem tinha contrato válido para o ano que vem. Foi meio no estilo “garante o moleque aí que com Daniel a gente resolve depois”.

Ricciardo, no dia 13 de julho, em meio aos boatos sobre sua saída da equipe inglesa, fez um post de Instagram garantindo que estava comprometido com o time e que seguiria normalmente em Woking na próxima temporada. Levou uma rasteira. Nove dias atrás, rescindiu o contrato e levou uma bolada calculada em 10 milhões de euros, segundo as últimas informações — a negociação começara na casa dos 20 milhões de dinheiros europeus.

A disputa entre Alpine e McLaren por Piastri foi parar no CRB, que começou a analisar os dois contratos na segunda-feira. Hoje, o órgão informou sua decisão. A Alpine engoliu o choro. “De nossa parte, o assunto está encerrado e em breve anunciaremos nossos planos sobre pilotos para a próxima temporada. Por enquanto, vamos nos concentrar na corrida da Holanda”, disse a equipe pelo Twitter.

Os tuítes da equipe francesa: Piastri se vai e caso encerrado

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Piastri agradeceu a todos que estão com ele desde o início de sua “jornada” que começou com as primeiras aceleradas num kart, 12 anos atrás, “incluindo meus colegas da Alpine”. O ideal para ele, agora, seria começar a trabalhar com a McLaren imediatamente. Poderia até fazer dois treinos livres de novatos em duas sextas-feiras, por exemplo. Mas duvido que a Alpine vá liberá-lo. Não vai deixar o moço nem comer papaia até o dia 31 de dezembro. Se aparecer com camiseta cor de laranja, é capaz de ser processado.

E o que será do time que pertence à Renault? Até outro dia, eu acreditava numa troca pura e simples: Piastri vai pra lá, Ricciardo volta pra cá. Acredito até que seria uma opção razoável. O australiano cheio de dentes é experiente, está longe de ser mau piloto, conhece a equipe (que defendeu em 2019 e 2020), arrisca até um “bonjour” com algum sotaque. Mas, pelo jeito, a Alpine tem outras ideias para seu segundo carro. Neste momento, está tentando convencer a Red Bull a liberar Pierre Gasly, ainda que ele e Esteban Ocon não sejam propriamente os melhores amigos, daqueles que dividem um croque-monsieur no fim da noite e um crêpe au Grand Marnier de sobremesa, seguido de um café bem forte e um Gauloises Caporal para encerrar a noite estourando o peito e cantando “Je t’aime moi no plus” abraçados.

Lá no fundo, atrás do mato, tem uma Alpine: equipe corre atrás de piloto

Neste momento, tem muita coisa acontecendo no mercado de pilotos. Ricciardo quer continuar correndo e está de conversinha com a Haas, que não tem mais nenhuma obrigação de segurar Mick Schumacher — já que seu contrato de aprendiz com a Ferrari será encerrado no fim do ano. O filho do heptacampeão mundial anda se insinuando à Williams, que não deve renovar com Nicholas Latifi, mas segue ligado no que pode acontecer na Alpha Tauri se Gasly sair. O time-satélite da Red Bull, por seu turno, flerta com Colton Herta, de olho na simpatia do mercado norte-americano. Helmut Marko, o velho do rio da fabricante de energéticos, falou que não vai se opor a uma saída de Gasly “se todas as condições forem atendidas” — por “condições” entenda-se alguma compensação financeira, já que Pierre tem contrato para 2023. “Sei que é um sonho dele correr por uma equipe oficial francesa”, assentiu. Sobre Schumaquinho, foi mais direto: “Mick não faz parte dos nossos planos. É júnior da Ferrari, nunca negociamos com ele. Temos nosso próprio programa de pilotos. Claro que preferimos nosso pessoal”. Herta, porém, faz: “Ele é bom, fez um teste na McLaren, mas não vamos entrar em detalhes agora, melhor esperar para ver o que acontecer”.

E tem mais gente que ainda não sabe o que vai fazer em 2023, como Yuki Tsunoda e Guanyu Zhou — ambos esperam continuar onde estão, mas nunca se sabe… Fato é que todo mundo que tem alguma ambição para 2023 precisa se mexer. E isso inclui, claro, Felipe Drugovich. O brasileiro está prestes a conquistar o título da F-2 (fez mais uma pole hoje, a quarta na temporada) e com tanto entra-e-sai à vista pode ser que sobre espaço para ele. Nem que seja como piloto reserva, o que já seria alguma coisa.

Ferrari em primeiro e segundo: bom começo na Holanda

Na pista, a novidade hoje foi o mau dia de Verstappen e da Red Bull diante da enlouquecida torcida holandesa que encheu as arquibancadas do rudimentar — e adorável — circuito de Zandvoort. O líder do campeonato teve um problema de transmissão logo no início do primeiro treino e praticamente perdeu a sessão. No segundo, ficou em oitavo, 0s697 atrás do mais rápido do dia, Charles Leclerc.

O monegasco da Ferrari fez a melhor volta da sexta em 1min12s345, com seu companheiro Carlos Sainz em segundo a 0s004 de distância e Lewis Hamilton em terceiro a 0s072. Norris, Russell, Stroll, Alonso, Max, Ocon e Ricciardo fecharam a turma dos dez mais velozes. Sergio Pérez, com o outro carro da Red Bull, ficou apenas em 12º.

Animada estava a Mercedes. “Muito melhor que em Spa”, aliviou-se Russell. “O carro se comporta muito melhor aqui”, concordou Hamilton, que domingo passado zerou pela primeira vez no ano. A equipe espera repetir um desempenho semelhante ao que teve na Hungria, onde ficou em segundo e terceiro. O desenho de Zandvoort ajuda.

O grid será definido amanhã com a classificação marcada para as 10h de Brasília. A corrida, domingo, começa também às 10h e terá 72 voltas. As duas sessões de hoje aconteceram com tempo firme, sol e calor, e um ou outro incidente ligado ao tráfego na pista muito estreita do autódromo holandês. Nada muito sério.

Verstappen: quebra na transmissão e dia ruim em casa

Séria, mesmo, está ficando a negociação entre Red Bull e Porsche para 2026. Numa longa entrevista à Sky da Inglaterra, Christian Horner mandou vários recados à montadora de Stuttgart. A parceria proposta pelos alemães é de compra de metade da equipe de F-1 que pertence à companhia austríaca. Até aí, tudo bem. Mas aparentemente a Porsche quer alguma ingerência na parte técnica do time, o que a Red Bull não vai aceitar. “Sempre fomos independentes, isso está no nosso DNA. Somos uma equipe de corrida, uma organização que não opera corporativamente. Isso é um pré-requisito absoluto para qualquer um que quiser se juntar a nós”, falou. “O tempo dirá se abraçaremos um parceiro nesse programa [de fabricação de motores, o que a Red Bull começou a fazer usando a base deixada pela Honda], ou se continuaremos por conta própria. Eles vão ter de decidir se querem se juntar a nós na nossa festa. Terão de aceitar nossos termos e nossa cultura.”

Ou seja: se os germânicos quiserem chegar cheios de planilhas, procedimentos, “compliance”, roupinha engomada e corte de cabelo padrão, serão rechaçados sem muito papo. Aqui é Red Bull, mano. Com uísque e uma pedra de gelo.

Combinação que até dá para engolir. Ainda mais se ganhar corridas e campeonatos.

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FOTO DO DIA

Alonso se desculpou com Hamilton, chamou o ex-companheiro de “lenda do esporte” e ganhou um boné autografado. Tudo em paz entre os dois campeões.

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POR QUE AMAMOS UM LOGAN (BEM, MERDINHAS #257)

O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...

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CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)

Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...