NAS ASAS

O engolidor de carros.

O engolidor de carros.

SÃO PAULO (cinza como nunca) – O noticiário de hoje na Europa dá conta de que Daniel Ricciardo já foi avisado pela McLaren que seu contrato será prematuramente encerrado e que ele será dispensado da equipe para a chega de Oscar Piastri. Nada foi confirmado ainda, mas na página do Twitter do piloto, naquilo que a gente chama de “bio”, consta apenas: Formula 1 driver from Australia. Nenhuma menção à McLaren, exceto pela pequena inscrição na camisa que ele veste na foto do perfil. A foto acima é de um pôr-do-sol. Não sei se estava assim antes.
Seja como for, é bem provável mesmo que a McLaren já tenha avisado que ele não fica e que a esta altura do campeonato estejam sendo negociados os termos de sua saída. Que, muito provavelmente, vai se dar em direção à Alpine, equipe que defendeu em 2019 e 2020 sob a rubrica amarela da Renault. Não haverá grandes impedimentos à sua volta — até porque o time, neste momento, não teria ninguém melhor para o lugar.


O que é triste nesse caso todo é como Ricciardo foi tratado. No dia 13 de julho, em meio aos rumores sobre sua dispensa, ele publicou um texto garantindo que ficaria no time papaia, que estava comprometido quem lhe pagava os salários, admitindo que as coisas não andavam muito bem, mas que ele ainda tinha muito gás e muita coisa por fazer.
Aparentemente, a McLaren negociou Piastri às suas costas. Dizem que o papel de Andreas Seidl, chefe de pista da equipe, foi essencial nas conversas com o jovem — ironia do destino — australiano campeão da F-2 no ano passado. Seidl foi chefe de Mark Webber na Porsche entre 2014 e 2016 no WEC. Webber é empresário de Piastri. Na França, o dirigente deu entrevistas a todo mundo no grid jurando que o piloto ficaria onde estava até o fim de seu contrato. A proximidade entre ele e Webber teria facilitado as coisas.
Digo tudo isso no condicional porque faltam, claro, manifestações oficiais das partes envolvidas. É assim na F-1, nada de novo. O que torna a situação de Ricciardo ainda mais cruel. Fritado há meses, tem sido humilhado pelo silêncio público da McLaren. OK, ele vem mal no campeonato, não consegue entregar os resultados que o time precisa, mas não custava nada um pouco de honestidade e sinceridade nessa hora. Uma boa conversa, um acordo decente — mesmo que o desfecho fosse esse.
Ricciardo é melhor do que vem mostrando. Merecia mais consideração.
Um passeio pela arqueologia dos videogames de F-1, para vocês que gostam dessas coisas.
É lindo o amor de um homem por um carro. (Obrigado pela dica que me deram na “live” de hoje.)
SÃO PAULO (moleque da paz) – Depois do terremoto de ontem no mercado de pilotos, com as idas e vindas — longe de terminarem — entre Piastri, Alpine & agregados, o dia amanheceu hoje na F-1 com o aviso nas redes da Williams: “Anúncio oficial às 15h”. No caso, para nós tabajaras, 11h. Não que se esperasse muita coisa, mas quem sabe um segundo piloto…
Bom, foi apenas a confirmação de Alexander Albon, 26 anos, para mais algumas temporadas, num contrato, como gostam de dizer, “multianual”.
O melhor, mesmo, foi o que Albon colocou na sua conta no Twitter:
I understand that, with my agreement, Williams Racing have put out a press release this afternoon that I am driving for them next year. This is right and I have signed a contract with Williams for 2023. I will be driving for Williams next year.
— Alex Albon (@alex_albon) August 3, 2022
😂 let’s gooo @williamsracing 💪 pic.twitter.com/NNljcXOieE
Depois do chiste, Piastri tuitou pela primeira vez desde ontem. Mandou parabéns para o colega.
Sobre o tailandês, faz um campeonato honesto na Williams, com três pontos marcados até agora — um décimo na Austrália e um nono em Miami. Todos conhecem sua trajetória: Toro Rosso e depois Red Bull em 2019 — naquela fase em que nas hostes energéticas troca-troca era algo muito comum –, Red Bull de novo em 2020, exílio no DTM em 2021 e realocado na F-1 neste ano, ainda sob contrato rubro-taurino.
Até hoje se questiona muito a decisão da Red Bull de dispensá-lo ao final de 2020, depois de um aceitabilíssimo sétimo lugar no Mundial com pontos em 12 das 17 etapas e dois pódios — terceiros lugares em Mugello e no Bahrein.
Albon é bom piloto, bom menino e merece estar onde está.

Logan Sargeant, 21 anos, foi confirmado para fazer o primeiro treino livre do GP dos EUA, em outubro, pela Williams. Terceiro colocado na atual temporada da F-2, será o primeiro norte-americano a participar de um fim de semana de GP desde Alexander Rossi, que disputou a última de suas cinco corridas na F-1 em 2015 no Brasil, pela Marussia. Sargeant nasceu em Fort Lauderdale, na Flórida. A turma da F-2 está se virando…
A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (dá tempo, ainda) – Aconteceu tanta coisa ontem e hoje na F-1 que a gente mal lembra do GP da Hungria. Mas nosso rescaldão nunca falha. Como imagem do domingo, fico com a desolação de Leclerc, que continua até agora sem entender por que a Ferrari colocou pneus duros em seu carro no segundo pit stop. A equipe foi a grande derrotada do fim de semana. E virou motivo de chacota…
O gráfico abaixo mostra as posições de pista de cada um ao longo da movimentadíssima corrida magiar. Acompanhem as linhas de Leclerc. Notem como ele liderava numa posição quase confortável até a segunda parada. Depois, foi um desastre.

HUNGRIA BY MASILI

Nosso cartunista oficial Marcelo Masili finalmente desvendou como a equipe italiana define suas estratégias de corrida. Genial.
“Foi problema mais de ritmo do que de estratégia”, defendeu-se o chefe Mattia Binotto. “A estratégia do Carlos foi a mesma que a do Hamilton e não funcionou. O carro é que não funcionou.” OK, é uma explicação. De fato, a Ferrari não andou bem, o frio dificultou o aquecimento de seus pneus, o favoritismo evaporou no asfalto gelado de Hungaroring num fim de semana em que só fez calor mesmo na sexta-feira. Depois, o caos: chuva no último treino livre, temperaturas baixas até o domingo.
Mas o que ninguém entende é a falta de confiança no seu principal piloto. Leclerc foi assertivo: “Eu disse que os pneus médios aguentavam mais, a gente não precisava parar naquela hora”, contou. “Não sei qual foi a lógica que eles seguiram.”
Até agora, nenhuma cabeça rolou em Maranello.
O NÚMERO DA HUNGRIA
10º
…lugar a posição no grid de Verstappen, que venceu a prova. De suas 28 vitórias, foi aquela em que largou mais atrás. Antes, sua pior posição de largada em corridas que venceu havia sido um quarto lugar. Isso aconteceu quatro vezes: na Espanha/2016, na Áustria/2018, no GP do 70º Aniversário em Silverstone/2020 e na Arábia Saudita/2022. Largar em décimo e vencer não é fácil em momento algum da história. Os últimos que conseguiram, antes de Verstappen: Ricciardo (Azerbaijão/2017), Gasly (Itália/2020) e Hamilton (Brasil/2021).

Detalhe que passou despercebido em meio à festa do holandês: ele correu sério risco de não terminar a corrida, se não tivesse tido um problema no… sábado! Na última volta de classificação, Max perdeu potência e nem conseguiu fazer tempo — o que explica sua décima posição no grid. Christian Horner, o chefe da Red Bull, revelou que o motor de sábado, pelos cálculos da equipe, quebraria se rodasse mais 12 km. Por isso, componentes foram trocados de um dia para o outro — dentro do limite que evitasse punições.
Decisões rápidas e precisas foram a chave para a oitava vitória de Verstappen no ano. Uma delas, a de largar com pneus macios. A ideia inicial era ir de duros, estratégia clássica para quem larga a trás e estica o primeiro stint. Eram os macios que estavam calçados nos dois carros do time quando eles foram para o grid. Ambos disseram que a aderência era baixíssima. Se com os macios estava daquele jeito, com os duros seria uma tragédia. Mudaram tudo que haviam pensado e foram com os mais aderentes, mesmo.
Nem precisa dizer que acertaram na mosca.
A FRASE DE BUDAPESTE
“Se não fosse o problema da asa móvel no sábado, eu teria largado na primeira fila. E lutaria pela vitória. Nosso último stint foi muito especial.”
Lewis Hamilton

Parece bem claro que a Mercedes já não é aquela coisa claudicante e complicada das primeiras corridas do ano. Hamilton foi o segundo colocado e Russell terminou em terceiro. George fez a pole, a primeira de sua carreira. Nas últimas seis etapas, os prateados somaram 170 pontos, contra 135 da Ferrari. Em pódios, 11 para os alemães, dez para os italianos. Lewis levou um troféu para casa nas últimas cinco provas.
Os números estão aí embaixo. Alguém duvida que os mercêdicos ultrapassarão os ferraristas na reta final do campeonato?


A Red Bull não precisa se preocupar com nenhuma das duas e vai para as últimas nove provas do Mundial com a tabela debaixo do braço e fazendo contas. As prioridades agora são outras. Nesta terça-feira, a equipe informou que estendeu o acordo de assistência técnica que tem com a Honda até o final de 2025. Os japoneses, inexplicavelmente, resolveram deixar a F-1 no fim do ano passado. Cederam seus motores ao time austríaco e, através de sua subsidiária HRC (Honda Racing Corporation), se comprometeram a tocar produção e manutenção por dois anos, 2022 e 2023. Afinal, a Red Bull não tem experiência ou tecnologia para fabricar motores. Foram alocados equipamentos e funcionários junto ao time para que o parceiro não ficasse na mão.
Com esse novo acordo, é bem provável que a marca Honda volte a aparecer com algum destaque nos carros da Red Bull e da AlphaTauri nos próximos três anos. Hoje, há apenas um discreto adesivo da HRC no capô. A partir de 2026, já está certo um acordo entre a Red Bull e a Porsche para quando passar a valer o novo regulamento de motores da categoria. Até lá, pode ser que a Honda decida fornecer suas unidades de potência para quem se interessar.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS muito, demais mesmo, de ver Nicholas Latifi liderando a folha de tempos num treino oficial. Foi na terceira sessão livre, sábado de manhã, com chuva. E o cara enfiou 0s661 no segundo colocado, Charles Leclerc! É para imprimir, emoldurar e pendurar na parede. Mas…

NÃO GOSTAMOS de vê-lo em último grid algumas horas depois. A vida é muito cruel nessa tal de Fórmula 1.
I understand that, without my agreement, Alpine F1 have put out a press release late this afternoon that I am driving for them next year. This is wrong and I have not signed a contract with Alpine for 2023. I will not be driving for Alpine next year.
— Oscar Piastri (@OscarPiastri) August 2, 2022
SÃO PAULO (vixemaria!) – Enquanto escrevíamos um tratado sobre a promoção de Oscar Piastri a titular da Alpine em 2023, o indigitado piloto corria para o Twitter para postar a mensagem acima: “Soube que, sem meu consentimento, a Alpine publicou um press release no final da tarde de hoje informando que eu pilotarei para eles no próximo ano. Isso está errado e eu não assinei contrato com a Alpine para 2023. Eu não serei piloto da Alpine na próxima temporada”.
Fogo no cabaré! O cara não faria isso se não tivesse algo muito amarrado para o ano que vem. McLaren? É a única possibilidade, já que as negociações com a equipe inglesa estavam em andamento, como informado no post abaixo. A propósito, esqueçam o post abaixo!
Agora vamos esperar pela tréplica da Alpine. A coisa, realmente, está feia. O último post da equipe no dia foi esse aí embaixo. Depois dele, o mais sepulcral silêncio.
2023 driver line-up confirmed: Esteban Ocon 🤝 Oscar Piastri
— BWT Alpine F1 Team (@AlpineF1Team) August 2, 2022
After four years as part of the Renault and Alpine family, Reserve Driver Oscar Piastri is promoted to a race seat alongside Esteban Ocon starting from 2023. pic.twitter.com/4Fvy0kaPn7
Algumas observações, no entanto, se fazem necessárias antes de nos acomodarmos na poltrona com o saquinho de pipoca na mão.
Piastri e seu manager Mark Webber podem estar cometendo um grande erro. Qual é exatamente o grande poder sedutor da McLaren? A equipe tem um piloto sob contrato, Daniel Ricciardo, até o fim de 2023. Se alguém tiver prometido esse carro ao jovem Oscar para já, omitiu o fato de que isso só vai rolar depois de muita briga. O colega Fábio Seixas, em seu blog, escreve que o australiano poderia ter acertado uma transferência para a equipe laranja para ser piloto de testes/desenvolvimento/reserva no ano que vem, assumindo como titular em 2024. É uma possiblidade.
Mas quem garante? A McLaren, semanas atrás, anunciou a contratação de Álex Palou, espanhol da Indy. E mencionou a F-1 no pacote, ainda que vagamente. O piloto, num movimento parecido com o de Piastri, aproveitou o ensejo pada desautorizar comunicado oficial publicado momentos antes por sua atual equipe, a Ganassi, informando que ele permaneceria no time por mais uma temporada. O caso vai para os tribunais.
E faz sentido ficar mais um ano parado, esperando um carro que nem sabe se virá, tendo a chance de correr já no ano que vem? Numa equipe que, inclusive, está na frente da outra na classificação? Sim, a Alpine está melhor em 2022 que a McLaren: 99 x 95 para os franceses na briga pelo quarto lugar entre os construtores.
E é o caso de perguntar: que zona é essa, McLaren? A equipe hoje atua na F-1, na Indy, na Extreme E e estará no próximo campeonato da Fórmula E. Quer abraçar o mundo. Andou testando Colton Herta, dia desses. Prometeu o mesmo a Pato O’Ward — Zak Brown, o CEO do grupo, é americano e está atirando para todos os lados, especialmente na direção de pilotos dos EUA. Quem garante que essa suposta promessa a Piastri não tenha sido feita também aos outros? Alguém aí está sendo enganado.
Trocar um assento certo na Alpine por algo duvidoso na McLaren me parece burrice. Webber e Piastri teriam começado a conversar com o time inglês alegando, ainda segundo a coluna de Seixas no UOL, o descumprimento de determinadas cláusulas contratuais entre o piloto e a Alpine. Esta, quando oficializou sua dupla para 2023, listou tudo que tem feito pelo australiano nos últimos anos, como se dissesse: olha aqui, estamos cumprindo que prometemos. Quem está dizendo a verdade?
O comunicado emitido hoje pela Alpine não continha, como é praxe nesses casos, nenhuma declaração do piloto — na linha “estou muito feliz com a oportunidade de realizar o sonho de correr na F-1, sempre me senti em casa aqui, é como uma família para mim” etc. Foi estranho, e a ausência das aspas de Piastri foi notada por muita gente. Deu a impressão de que a equipe se apressou em tornar público algo que, por alguma razão, não estava ainda sacramentado. Mas o que explica fazer um negócio desses sem ter plena certeza de que não haverá contestação? Será que ninguém lá dentro percebeu que havia alguma ponta solta nesse novelo?
Por sua vez, o que teria levado Webber e Piastri a assinarem algo com a McLaren pelas costas da Alpine, como se supõe que tenha acontecido? Algum respaldo haveria de ter. Estavam irritados porque a Alpine negociava com Alonso? Só souberam disso agora? A equipe perdeu algum prazo para lhes dar uma resposta sobre 2023?
As conversas sobre a permanência do espanhol no time francês eram públicas. Não seria mais sensato esperar que elas fossem concluídas para, então, tomar alguma decisão? Será que Webber não sabia que a Alpine oferecia apenas um ano de contato a Alonso, algo que o bicampeão não aceitaria? Não era mais fácil falar com Fernandinho, seu amigo de noitadas de pôquer em tempos imemoriais?
O que, afinal, a McLaren colocou na mesa diante de Piastri que possa tê-lo tentado tanto, a ponto de abrir mão de uma possibilidade iminente de ser titular na Alpine?
São perguntas que, nas próximas horas, serão respondidas. Tem muita gente devendo explicações depois de uma terça-feira quente como hoje. O que temos, até agora, é uma equipe mergulhada em constrangimentos — perdeu Alonso sem saber, anunciou um piloto e foi desmentida pelo próprio logo depois –, um veterano humilhado sem abrir a boca — Ricciardo, porque se Piastri tem algo com a McLaren é para o lugar dele –, um garoto que nunca disputou um GP recusando um bom cockpit de titular para 2023 e um time que não foi citado por ninguém, mas está claramente por trás disso tudo.
E nós aqui, comendo pipoca!

ALERTA – ATUALIZADO ÀS 15H, 25 MINUTOS DEPOIS DA PUBLICAÇÃO ORIGINAL: Oscar Piastri acaba de tuitar em sua conta que NÃO VAI CORRER PELA ALPINE NO ANO QUE VEM! Detalhes no próximo post! Dito isso, tudo que foi escrito abaixo é verdade. Ou, pelo menos, era até a negativa do piloto. Mas vou manter publicado, para que no futuro a gente se lembre de como este novo mundo é estranho: uma equipe do tamanho da Alpine vem a público de manhã para anunciar uma nova dupla de pilotos. Um deles, um estreante há quatro anos sendo preparado pelo time. Sonho de qualquer moleque. Poucas horas depois, o mesmo piloto nega que tenha assinado um contrato e vai além: afirma que NÃO VAI CORRER pelo time. Tudo pelo Twitter. Sem que ninguém dê as caras para que possa ser questionado por aquilo que um dia a gente chamou de imprensa. Loucura total.
SÃO PAULO (rapidinho) – Não demorou nada. Pouco mais de 24 horas depois de saber que Fernando Alonso estava de saída para a Aston Martin, a Alpine fez valer o contrato que tem com o australiano Oscar Piastri até o fim de 2024 e confirmou o menino como titular no ano que vem. Campeão da F-3 em 2020 e da F-2 em 2021, Piastri, 21 anos, está há quatro sob o chapéu da Renault, dona da Alpine.
Foi um pouco tensa a negociação nas últimas horas porque, como revelou o chefe da equipe, Otmar Szafnauer, vazaram informações sobre uma possível conversa de Piastri com a McLaren. À frente dela, o agora empresário do piloto Mark Webber. Tudo porque Webber sabia que a Alpine contava com a permanência de Alonso, e não queria que Piastri ficasse mais um ano na geladeira sem correr.
O time francês até estudava alternativas para manter o pupilo em atividade, como alocá-lo numa provável vaga na Williams — que deve se abrir com a saída de Latifi. Mas ele não queria um time fraco e desinteressante. Assim, de olho num possível expurgo de Daniel Ricciardo da McLaren — o que no fim das contas não deve acontecer –, foi falar com a equipe papaia.
Mas tudo se resolveu sem que ninguém precisasse perder o emprego. Szafnauer justificou a escolha de Piastri — de resto, mais do que óbvia — dizendo que não faria sentido a Alpine investir tanto tempo e dinheiro na formação de um piloto para entregá-lo de mão beijada a outra equipe. E existia esse risco, se os alpinos não arrumassem um carro para ele em 2023.
Oscar é um menino prodígio que na temporada passada da F-2 ganhou cinco provas, fez cinco poles, subiu ao pódio 11 vezes e pontuou em 19 das 23 corridas de um campeonato confuso, de rodadas triplas e grids incompreensíveis. Era sua estreia na categoria. Foi imediatamente promovido a piloto reserva da Alpine neste ano.
Até o fim do campeonato, é provável que o time azul coloque Piastri para participar de treinos livres no lugar de Alonso, que não está saindo exatamente sob aplausos da companhia, muito pelo contrário. Szafnauer disse que só ficou sabendo da debandada do espanhol ontem de manhã, pela imprensa. E que até domingo o bicampeão lhe garantia que não tinha assinado com ninguém. O dirigente confirmou que Fernando queria um contrato longo, e que a equipe oferecera apenas um ano de extensão, com opção para mais um. Na Aston Martin, ele deve ficar dois anos, com possibilidade de um terceiro. Foi isso que mais pesou na decisão do bicampeão mundial de ir embora quase sem dizer adeus.
As conversas entre Piastri e McLaren foram minimizadas por Szafnauer. “Demos a ele muitos quilômetros de testes, foi promovido a piloto reserva, tem trabalhado no simulador. Eles [piloto e empresário] podem conversar com quem quiserem, claro, mas estamos cumprindo todas nossas obrigações contratuais. Inclusive para que ele corra em 2023”, falou antes do anúncio oficial.
Agora ele vai correr em 2023. Onde a Alpine queria, ainda que tudo tenha sido precipitado pelo acordo entre Aston Martin e Alonso. E, convenhamos, numa ótima equipe para começar a carreira.

SÃO PAULO (faz sentido) – Foi logo cedinho, pela manhã, que o anúncio surpreendente piscou nas telas dos celulares. Fernando Alonso assinou com a Aston Martin para o lugar de Sebastian Vettel. A surpresa foi mais pelo momento em que a informação saiu, quatro dias depois de o alemão avisar que iria se aposentar, do que pela notícia em si — normalmente maturada durante alguns dias até vir à tona em forma de um comunicado de imprensa.
É que Alonso fazia parte de todas as listas de candidatos à vaga desde quinta-feira passada, depois da despedida instagrâmica de Vettel. Embora estivesse negociando a permanência na Alpine, seu nome foi incluído na relação de possíveis substitutos assim que Sebastian falou tchau. Eu achava que o escolhido seria Nyck de Vries, pela relação da Aston Martin com a Mercedes e tal. Mas Alonso, se a gente olhar bem, faz todo sentido. É experiente e midiático, algo que a equipe precisa — com dois pilotos medíocres, ninguém mais iria olhar para seus lindos carros verdes. E tem mais um negócio que ajuda. Se Lance Stroll andar atrás dele, normal; é um bicampeão do mundo, afinal de contas. Se andar na frente, ótimo; o garoto mostra que não é apenas o filho do dono e tem lá seu valor.
E por que o espanhol não ficou na Alpine? Primeiro, Otmar Szafnauer, que assumiu como chefe da equipe neste ano, não foi o responsável pela sua contratação. Aliás, veio da Aston Martin… É aquela coisa de querer colocar o dedo em tudo e desfazer o que já estava feito. Depois, o time francês topava conversar apenas se ele aceitasse um contrato de no máximo um ano, e Fernandinho queria mais. Na equipe inglesa, o contrato que lhe foi oferecido é aquele padrão da F-1: dois anos, mais um de opção. Em terceiro, vai ganhar um bom dinheiro. Ele sabe que pilotos com seu perfil não são fáceis de achar — por “perfil” entenda-se: rodado, famoso, talentoso, em boa forma física, sem barriga proeminente, com currículo vencedor. Assim, certamente pediu um bom ordenado, com vale-transporte e tíquete-restaurante inclusos, além de um bom plano de saúde.
Por fim, a Alpine estava numa sinuca de bico com Oscar Piastri. Investiu um punhado de euros na formação do australiano, que ano passado ganhou o título da Fórmula 2. Levou-o para a F-1 na condição de piloto reserva, mas se não o colocasse para correr em algum lugar em 2023 estaria sujeita a perder o controle sobre sua carreira. A McLaren já andou ciscando ali, a Williams também. Assim, vai promovê-lo a titular na próxima temporada, ao lado de Esteban Ocon — que é jovem, 25 anos, mas calejado; estreou em 2016, tem 105 GPs no lombo, uma vitória, longa trajetória com a marca francesa, condições de tocar o barco.
Para Alonso, uma Alpine ou uma Aston Martin, nessa altura da vida, são mais ou menos a mesma coisa. A primeira ele conhece do avesso, foi onde conquistou dois títulos em 2005 e 2006, saiu, voltou, saiu de novo, voltou outra vez. Mas percebeu que a nova gestão não morria de amores por seus longos cachos castanhos nem por seus bonés Kimoa (nome horrível, tá doido…), e não estava a fim de esquentar o banco por um ano para um jovenzinho como Piastri chegar com o pé na porta em 2024. Se fazem tanta questão, peguem agora e não encham, deve ter pensado.
Apaixonado por velocidade e gasolina — nos dois anos em que ficou fora da F-1 foi correr na Indy, no WEC, no Dakar… –, El Fodón queria, mesmo, ficar na categoria numa posição de algum destaque, ainda que apenas internamente num time, e não no Mundial propriamente dito. Não há dúvidas de que será a grande estrela da Aston Martin, mesmo a equipe não sendo protagonista do campeonato. A Alpine também não é, e nada indica que de uma hora para outra será vencedora e campeã. A tendência é ficar mais ou menos onde está, pontuando com frequência, beliscando aqui e ali um resultado surpreendente — como a vitória de Ocon na Hungria no ano passado. Do ponto de vista técnico e de perspectiva de resultados, é quase trocar seis por meia dúzia.
A equipe inglesa vem mal das pernas nas últimas duas temporadas, mas em 2020, apenas dois anos atrás, foi a terceira força do Mundial — punida com perda de alguns pontos pela FIA por copiar componentes da Mercedes, acabou o campeonato em quarto. Com a troca de nome, os esforços concentrados na construção de uma nova fábrica e a reestruturação sempre necessária depois que foi comprada por Lawrence Stroll, o pai de Lance, era natural que tropeçasse no início da nova vida. A Aston Martin tem estrutura e grana para voltar a andar direitinho. Nesse sentido, Alonso não perde muita coisa. Se não der certo, paciência. Para que não o acusem de “tomar as decisões erradas”, um mantra que é frequentemente associado ao asturiano, terá sempre na ponta da agulha o discurso pronto: foi para ajudar a construir uma equipe que, no futuro, tem ambições de brigar na frente.

Com Alonso fechado, o grid de 2023 vai-se formando. Piastri não deverá demorar muito para ter seu nome anunciado pela Alpine. A Williams tem uma vaga aberta com a provável saída de Latifi. Albon já foi extraoficialmente confirmado para continuar no ano que vem. Logan Sargeant, norte-americano de 21 anos, é candidato à outra vaga, já que faz parte do programa de jovens pilotos do time. Está na F-2, ocupa o terceiro lugar no campeonato pela Carlin, já ganhou duas corridas neste ano e é bem promissor. Se a Williams optar por um novato, não fará sentido escolher alguém que não seja o rapaz em quem tem investido tempo e dinheiro nos últimos anos, mesmo se ele não conquistar o título da categoria de acesso. Se decidir colocar alguém com alguma cancha, deve ser De Vries, cujo passe pertence à Mercedes. Ele está na Fórmula E, mas os alemães encerram sua participação no campeonato elétrico neste ano. É um nome a ser considerado também, claro.
Na Alfa Romeo, o primeiro carro para 2023 é de Bottas e Zhou não tem motivo nenhum para não ficar. A AlphaTauri ainda não confirmou quem vai ocupar o segundo cockpit — o primeiro é de Gasly –, mas se resolver dispensar Tsunoda, a Red Bull tem uma legião de pilotos na F-2 prontos para entrar pela porta de Faenza: Ayumu Iwasa, Liam Lawson, Dennis Hauger e Jehan Daruvala já estão com suas senhas na mão. Por fim, a Haas: tem contrato com Kevin Magnussen e deve renovar com Mick Schumacher, que tem o apoio da Ferrari e está bem estabelecido na categoria.
Isso nos leva às inevitáveis perguntas sobre Felipe Drugovich. Mesmo se conquistar o título da F-2 neste ano — lidera com 21 pontos de vantagem sobre o francês Théo Pourchaire –, o brasileiro não vai estar na F-1 no ano que vem como titular. O máximo que pode almejar neste momento é um lugar como piloto de testes — ou de “desenvolvimento”, como se diz hoje. O problema de Drugovich é que já está em seu terceiro ano de F-2. Se for campeão, pelas regras não pode mais disputar o campeonato. O que significa que se quiser correr de alguma coisa, terá de ser em outra categoria. Caso contrário, ficará na geladeira como Piastri neste ano. A diferença é que o australiano foi para o freezer com contrato com uma equipe de F-1, algo que Drugovich não possui. E deve estar tentando.
Onde, sinceramente não sei.
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...