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Como sempre, sem muitas dicas. A única: a foto é de Le Mans. A ficha completa vocês é que me dão.

Como sempre, sem muitas dicas. A única: a foto é de Le Mans. A ficha completa vocês é que me dão.

Fábio FC mandou, Fernando de Noronha. Em 2030, como a ilha pretende ter emissão zero de carbono, todos os veículos por lá serão elétricos. E esse posto, provavelmente, desaparece. Será?

SÃO PAULO (corram!) – O Corcel II nasceu como “Projeto Onça” na Ford em meados dos anos 70. A história desse carro que vendeu mais de um milhão de unidades (incluindo a primeira versão, erroneamente chamada de “Corcel I”) está no nosso vídeo de hoje da Gomes’ Garage. E o que é melhor: esse exemplar — LDO, 1979, com 53 mil km — pode ser seu! Para saber como, é só clicar aqui. Para assistir ao vídeo, abaixo.
Leclerc teve um dia de Senna em Paul Ricard. Coluna semanal do portentoso portal está no ar. Tem de clicar neste link aqui.


SÃO PAULO (já era) – Max Verstappen venceu o GP da França sem muita dificuldade em Paul Ricard. A maior ajuda que o holandês recebeu foi de seu principal adversário no Mundial: Charles Leclerc. Líder da corrida desde o início, o monegasco bateu sozinho na 18ª volta e abandonou. Assumiu o erro e foi dormir 63 pontos atrás de Max na classificação. Não se perdoou: “Se eu continuar a cometer erros assim, não mereço ser campeão”. O holandês da Red Bull venceu pela sétima vez no ano, 27ª na carreira. Ao lado de Jackie Stewart, colocou-se na oitava posição entre os maiores vencedores da história.
Não foi um GP excepcional, principalmente porque Charlinho saiu da briga muito cedo. Não deu tempo de saber se a estratégia da Red Bull funcionaria, fosse nas paradas para troca de pneus, fosse no acerto do carro, muito veloz nas retas e um pouco menos nas curvas. No fim das contas, serviu para Verstappen dar um enorme passo rumo ao bicampeonato. A equipe voltou a vencer depois de duas derrotas para a Ferrari, na Inglaterra e na Áustria. Está disparada na frente tanto no Mundial de Pilotos quanto no de Construtores.
Lewis Hamilton e George Russell fecharam o pódio, no mais alvissareiro domingo da Mercedes no ano, com duas taças para a estante. O heptacampeão mundial conseguiu, da mesma forma, seu melhor resultado na temporada.


E vamos à corrida.
Bottas, Gasly e Sainz foram os três que optaram pelos pneus duros na largada, sob um calorão de 31,5°C, com 51° no asfalto, cenário muito semelhante, em termos climáticos, aos de sexta e sábado. Os demais foram de médios.
Leclerc saltou bem quando as luzes vermelhas desapareceram do semáforo, numa largada limpa e sem incidentes. Verstappen foi junto e segurou a segunda colocação. Hamilton passou Pérez e pulou para terceiro. Alonso, grande largador, saiu de sétimo para quinto. Magnussen, lá do fundão, ganhou nada menos do que oito posições e na segunda volta estava em 12º. Stroll, de 15º para décimo, também merece uma citação elogiosa.
Com exceção de uma rodada de Tsunoda, nada de mais sério aconteceu nos primeiros metros do GP francês. Mas teve consequências, claro: Ocon, considerado culpado, levou 5s de punição; Yuki, coitado, caiu para último.

Muito rapidamente Leclerc e Verstappen se descolaram do resto do pelotão, fazendo uma corrida à parte. Na quinta volta, a diferença de ambos para Hamilton, em terceiro, já esbarrava nos 5s. Pérez, colado no inglês, fustigava o Mercedão #44.
O carro de Max era claramente veloz nas retas, mais ainda com a possibilidade de abrir a asa móvel. A primeira ameaça de ultrapassagem aconteceu na sexta volta. “Olha eu aqui!”, dizia Verstappen no retrovisor de Charlinho. E começou a desferir uma série de jabs no monegasco, se me permitem a comparação da corrida a uma luta de boxe. Nenhum, no entanto, muito eloquente.
Convinha olhar também para a outra Ferrari, a de Sainz, que largara em penúltimo e na volta 8 aparecia em 13º. Com os pneus mais duráveis, teria a chance de se colocar nos pontos quando começassem os pit stops.
Mas voltemos à ponta.

Com 9 voltas, Hamilton já respirava em relação a Pérez, abrindo quase 2s de vantagem sobre o mexicano. Uma parada isolada aconteceu: Magnussen, trocando seus pneus médios por duros. Max seguia perseguindo Leclerc, sempre com menos de 1s separando os dois, asa abrindo e fechando, o piloto do carro vermelho se mantendo à frente sob a constante intimidação do holandês.
Mas os ataques não aconteciam da forma como desejariam os fãs mais sanguinários. A Red Bull dava a impressão de que deixaria para tentar a ultrapassagem na troca de pneus, deixando para a Ferrari a prerrogativa de escolher quando parar. Foi um momento da prova em que não havia brigas, mas perspectivas de: de Russell com Pérez, por exemplo; de Max com Leclerc, em algum momento; de Sainz pelos pontos, zona na qual entrou na volta 13 ao ultrapassar Stroll. A corrida acalmou.
Mas foi por pouco tempo. Os pneus começaram a dar sinais de esgarçamento por conta da temperatura e do tempo de vida de cada um. Verstappen desgrudou um pouco da Ferrari para poupar os seus. Era preciso ter paciência para preparar o bote. A janela de pit stops se aproximava.
E foi Verstappen o primeiro a parar, na volta 17. Colocou pneus duros e voltou em sétimo, atrás de Norris. A troca foi rápida, 2s4. Sem perder muito tempo, Max passou pela McLaren e viu pista limpa à frente para começar a descontar a diferença virtual para Leclerc. “Acelera!”, disse a Red Bull pelo rádio. Mas nem precisou.



Na volta 18, Charlinho bateu. Sozinho. Charles, Charles… Hamilton, líder por alguns segundos, correu para os boxes. Pérez e Russell, também. Alonso, idem. O safety-car entrou na pista. Líder? Verstappen, já de pit stop feito, lindo, perfumoso e de borracha nova, sem ter mais motivo algum para se preocupar.
A batida do monegasco foi, digamos, agônica. Pelo rádio, o time perguntou se ele estava OK. O piloto falou algo sobre o acelerador. E deu um berro gutural. Depois, tudo que se ouviu foi sua respiração ofegante. Explicações, mais tarde. E quando vieram, foram singelas: “A primeira impressão é que foi erro meu, mesmo. Perdi a traseira. Sei lá”.
A menção ao acelerador remeteu ao problema que Leclerc teve na Áustria, no final da corrida — o pedal travava. Mas a equipe explicou depois. Quando a mensagem de rádio foi ao ar, ele tinha engatado a marcha-à-ré e percebeu que o acelerador não respondia. “Foi uma questão técnica, um sistema de segurança, um negócio meio complexo de explicar. Não teve nada a ver com o acelerador. Foi um genuíno erro do piloto. Acontece”, explicou Mattia Binotto, chefe ferrarista, enquanto o piloto se autoimolava pelos microfones.

A relargada aconteceu na volta 21 com Verstappen, Hamilton, Pérez, Russell, Alonso e Sainz nas seis primeiras posições. O espanhol da Ferrari tinha uma situação interessante, já com pneus médios novos contra duros de todos os outros. Enquanto o pau comia lá dentro, Leclerc voltava aos boxes de carona sem tirar chinfra numa lambreta. Adentrou a área de box com o macacão arriado, mas ainda de capacete, escondendo a frustração no rosto.
Sem ser incomodado por Hamilton, que não tinha carro para isso, Max foi embora. Na mesma hora, Sainz, em quinto, foi avisado de que seria punido com 5s porque, em seu pit stop, os mecânicos o liberaram após a troca de forma perigosa – quase bateu em Albon, que vinha entrando nos boxes.
Assim, na metade da corrida tudo parecia definido em favor da Red Bull e do campeão mundial. Sua maior preocupação dali em diante seria administrar bem a borracha e, se possível, garantir o pontinho extra da melhor volta da prova.
Na volta 30, Sainz assumiu a quarta posição em cima de Russell. Era o que restava de esperança para a Ferrari fazer algo num domingo trágico em termos de luta pelo título – possibilidade distante que se tornou remota. E o duelo Ferrari x Red Bull, de verdade, só foi acontecer na volta 37, e com os segundos pilotos das duas equipes. Carlos, depois de muito remar, chegou em Pérez e foi em busca do terceiro lugar. “Não consigo passar”, resmungou pelo rádio. A equipe devolveu: “OK, então vamos para o plano D”. Não se sabe qual era esse plano, mas o fato é que na volta 41 Carlos atacou o mexicano, tentou duas vezes, e na segunda passou. Logo depois, parou, pagou a punição, colocou pneus médios novos e voltou em nono.


Russell, que acompanhava o embate de perto, se animou e foi para cima de Pérez, também. Levou um chega-pra-lá de Checo, que foi para fora da pista, voltou na frente e deixou no ar a possibilidade de punição. Jorginho ficou irado, fez toda uma peroração radiofônica sobre ética, esportividade, o papel dos espanhóis na colonização do México, Emiliano Zapata e o sargento Garcia. E voltou à carga sobre o mariachi rubro-taurino quando Toto Wolff entrou no rádio e lhe deu uma dura. A direção de prova achou que foi tudo normal e não aplicou penalidade nenhuma a Pérez. Segue o jogo, diria Milton Leite.
Com borracha novinha, Sainz foi à luta. Passou Ricciardo, Ocon, Norris e Alonso sem dificuldades, escalando o pelotão até o quinto lugar. De quebra, roubou o ponto extra da melhor volta de Verstappen. Russell seguia em sua cruzada sobre Pérez como se buscasse o último prato de guacamole do planeta.
Houve um sustinho para Verstappen a três voltas do final, quando Zhou quebrou. Um safety-car, ali, poderia mudar o destino do GP da França. Mas, corretamente, apenas o safety-car virtual foi acionado para que a Alfa do chinês fosse retirada da pista. Tudo muito rápido, bandeira verde na volta seguinte, tchau e bênção. No caso, tchau para o dorminhoco Pérez e bênção para o esperto Russell, que deu um bote digno de Juma Marruá e passou o mexicano. Dois carros da Mercedes no pódio. Toto foi à loucura.

Depois da prova, Pérez explicou que houve duas mensagens de fim de safety-car virtual, o que a FIA confirmou, por um pequeno erro técnico. Ele achou que seria na curva 9. Foi na 12. Se atrapalhou. “Dormiu. Deve ter tomado muita tequila ontem à noite”, rosnou, com sua conhecida elegância, Helmut Marko, guru da Red Bull.
Verstappen recebeu a quadriculada com mais de 10s de vantagem sobre Hamilton, o segundo – o inglês, em seu 300º GP, subiu ao pódio pela quarta vez seguida, quinta no ano. Na salinha pré-pódio, desabou no chão. “Estou morto!”, falou. Tinha ficado sem água durante a corrida. Jorginho foi o terceiro, seguido por Pérez, Sainz, Alonso, Norris, Ocon, Ricciardo e Stroll na zona de pontos.
Com os 63 pontos que abriu sobre Leclerc na classificação, Max foi para casa com as duas mãos na taça, ainda que faltem dez corridas até o fim da temporada. É que a Ferrari tem ajudado. E quando não é a equipe que faz besteira, é o piloto.
Hoje à noite, a partir das 19h, falaremos disso tudo no “Fórmula Gomes”, lá naquela plataforma de vídeos chamada VocêTubo.

SÃO PAULO (a lógica, deu ela) – Charles Leclerc cumpriu com perfeição o roteiro escrito para o GP da França pelo menos até o sábado. Fez uma pole-position previsível e, se sair falando por aí que foi suada, alguém haverá de rebater: sim, mas só por causa do calor. O favoritismo da Ferrari numa volta rápida tem sido bastante evidente nesta temporada. Foi a sétima pole de Charlinho no ano, 16ª na carreira. Em 2022, o time italiano conseguiu oito das 12 poles possíveis.
Agora, na corrida…
Bem, na corrida, amanhã, as coisas podem ser diferentes. É o que espera do fundo do coração a Red Bull, que fez segundo e terceiro no grid com Max Verstappen e Sergio Pérez. O time aposta no ritmo de prova para esfriar o ímpeto ferrarista. A equipe vermelha vem de duas vitórias seguidas e está doida para derrubar os prognósticos favoráveis aos rubro-taurinos na luta pelo título. Se vencer de novo, consegue. “Mas seremos dois contra um no domingo”, falou o chefe dos energéticos, Christian Horner — aka “Buziner”. Se referia à ausência da outra Ferrari na briga, já que Sainz terá de largar do fundo do pelotão.

As condições climáticas no sábado foram muito parecidas com as do dia anterior, termômetros rondando os 30°C e asfalto tórrido na casa dos 55°C. O favoritismo de Leclerc à pole tinha sido colocado em dúvida depois do terceiro treino livre, que teve Verstappen na frente. Mas logo em sua primeira volta no Q1 o monegasco entrou na casa de 1min31s — precisamente 1min31s727 — pela primeira vez no fim de semana, e deu uma piscadinha dentro do capacete.
Verstappen até se aproximou, com uma volta 0s164 menos rápida — para não ter de dizer “mais lenta”, o que seria um despropósito. Sainz foi o último do quarteto que vem dominando o campeonato a fazer uma volta rápida. Ficou em terceiro, a 0s570 do companheiro. Volta desnecessária, imaginaria alguém, porque o espanhol acabou tendo tudo trocado no motor e teria de largar na última fila, ao lado de Kevin Magnussen — que fez o mesmo. Ambos, porém, foram avançando na classificação e tiraram o doce da boca daqueles que normalmente andam no fundão e torciam para que ficassem parados nos boxes, punidos que estavam. No caso de Caaaaaarlos, o objetivo era bem específico: dar u’a mão a Chaaaaarles.

Nos últimos dois minutos do Q1, nada menos do que 17 carros foram para a pista. Só a dupla da Ferrari e Lando Norris ficaram nos boxes, vendo tudo pela TV com um ventilador na cara — o inglês da McLaren estava sossegado em quinto, assim como Leclerc e Sainz.
Schumacher, Vettel, Magnussen, Albon e Tsunoda foram os que se safaram da degola num primeiro momento, com boas voltas. Mas o alemão da Haas, que tinha subido para décimo, perdeu sua melhor volta por ter excedido os limites da pista. Foram eliminados Gasly, Stroll, Zhou, o já citado e desafortunado Schumaquinho e Latifi — inamovível da lanterna.
O mais decepcionado era o francês da AlphaTauri, que foi bem ontem nos treinos livres mas, em casa, acabou ficando fora do Q2 diante de seus torcedores. O carro piorou do nada e ele mesmo não sabia explicar por quê.

As primeiras voltas do Q2 tiveram as cores da Red Bull. Max virou 1min31s990, com Pérez 0s130 atrás. Chaleclé fez um tempo discreto, a 0s597 do neerlandês — ou país-baixense, já que agora querem que a gente chame a Holanda de Países Baixos, MAS EU ME RECUSO! Sainz, sim, foi quem fez uma voltaça logo depois: 1min31s081, 0s909 na frente de Verstappen. Era um sinal do que a Ferrari seria capaz de fazer logo depois, uma espécie de “alerta de pole” para o Q3 — havia uma sobrinha de desempenho ali, estava na cara.
Os últimos instantes do Q2 foram de tensão para alguns pilotos, que não podiam errar nada em suas voltas derradeiras, incluindo a dupla da Mercedes. Leclerc se aproximou do companheiro e fez o segundo tempo, 0s135 menos rápido. Depois, briga de foice no escuro. Os tempos foram caindo como peças de dominó numa troca frenética de posições. Os dois punidos, Sainz e Magnussen, avançaram de novo, ocupando vagas no Q3 que poderiam ficar com potenciais excluídos. Imagino a raiva dos que quedaram pelo meio do caminho. E esses foram Ricciardo (de novo), Ocon (mais um francês desiludido), Bottas, Vettel e Albon.

A primeira bateria de voltas rápidas no Q3 teve “empate técnico”, por assim dizer: 1min31s209 para Leclerc, ridículos 0s008 de diferença para Verstappen. Sainz foi para a pista, mas não fechou volta. Solamente percorreu parte dos 5.842 m do circuito para oferecer, gentilmente, um vácuo ao companheiro. Regalo que Max não recebeu de Pérez, por falta de sintonia da Red Bull ou, talvez, por desprezo voluntário do líder do campeonato, que não costuma pedir ajuda de ninguém para arrumar suas meias na gaveta.
O papel do espanhol na classificação, como já dito, era claro: ajudar Leclerc. Aliás, ele contou depois da sessão que tudo tinha sido combinado internamente desde tempos imemoriais. “Como já estava decidido que eu ia perder posições no grid, antes mesmo de chegarmos aqui o plano era esse: levar meu carro ao Q3 e dar um vácuo para ele. Não chegamos a treinar isso na pista, mas sabíamos como fazer e deu tudo certo.”
A ordem de saída dos boxes na segunda jornada de “flying laps” foi idêntica à primeira, com Sainz puxando Charlinho e Checo apartado de Verstappen por quilômetros de asfalto. O engenho da Ferrari funcionou à perfeição, o que é singular quando se considera o tanto de bobagem que o time já fez neste ano. Sugado por Sainz, Leclerc fechou sua volta em 1min30s872. “Grandíssimo, Carlos! Grande, Carlos!”, disse pelo rádio, agradecido.
Verstappen, sem vácuo de ninguém, ainda melhorou seu tempo e ficou em segundo — a 0s304 do monegasco, com 1min31s217. Pérez foi o terceiro, 0s463 atrás. Dividirá a segunda fila com Hamilton, o quarto. Norris, Russell, Alonso e Tsunoda os seguiram, até o oitavo lugar. Apesar do papel de “vácuo-man”, Sainz não fechou volta cronometrada, assim como Magnussen. Ricciardo e Ocon herdarão nona e décima posições no grid.

A corrida, amanhã, começa às 10h e terá 53 voltas. Palpites? Bom, o meu tem sido o mesmo desde o início da semana: Verstappen leva. Aliás, ele acha isso, também. “Temos mais velocidade em reta do que eles. Isso vai ser importante amanhã”, disse. A chefia confirmou: “Nossa visão desta prova é um pouco diferente da que Ferrari tem. Eles estão com mais asa, mais pressão aerodinâmica, fazem algumas curvas bem… Nós temos a velocidade nas retas. Veremos.”
Ui, veremos! Parece o Alcides ameaçando o Joventino! Mas Horner tem razão. A estratégia dos líderes do campeonato vem sendo desenhada desde sexta, com ótimas chances de dar certo. Já que uma pole para Leclerc eram favas contadas, a Red Bull queimou todo seu fosfato refletindo sobre como lograr êxito na travessia dominical.
Falaremos disso às 19h no meu empoeirado canal iutúbico, em emissão ao vivo, via Embratel.

SÃO PAULO (tem de ver isso daí) – A Ferrari saiu na frente na França, mas não quer dizer que vá chegar na frente. Pelo menos é isso que espera a Red Bull, depois dos primeiros treinos em Paul Ricard, abrindo a segunda metade do campeonato. Os dois carros vermelhos ficaram em primeiro e segundo na escaldante sexta-feira da Riviera Francesa. Carlos Sainz fez 1min32s527 na sua melhor volta. Charles Leclerc virou 0s101 mais lento. Max Verstappen foi o terceiro, a distantes 0s550 do espanhol.
Sainz já sabe que perderá dez posições no grid amanhã porque a equipe precisou trocar a central eletrônica de seu motor após o princípio de incêndio que ele sofreu na Áustria. Assim, Charleclé se torna automaticamente o favorito à pole na sessão que começa às 11h deste sábado, pelo digníssimo horário de Brasília. O time dos energéticos não tem grandes ilusões na classificação. A Ferrari, para uma volta, tem um carro muito rápido. O negócio é apostar na corrida.

Fez muito calor no sul da França nesta sexta, mas um pouco menos do que se esperava — o verão europeu tem castigado algumas regiões com temperaturas que superam os 40°C. Mesmo assim, a segunda sessão livre foi realizada sob um sol inclemente de 30,5ºC, com o asfalto borbulhando a 56°C. No primeiro treino, os termômetros bateram em 31,3°C, com um pico de 59°C no asfalto. Leclerc fechou essa sessão com o melhor tempo, 1min33s930, 0s091 à frente de Verstappen. E duas surpresas deram as caras: Pierre Gasly em quinto e Alexander Albon em oitavo.
Nyck de Vries, que substituiu Hamilton na abertura dos trabalhos em Paul Ricard — todo piloto terá de eleger uma corrida para ceder o carro a um novato num primeiro treino livre este ano –, ficou em nono. O holandês hoje defende a Mercedes na Fórmula E. Na temporada passada, foi o campeão. Mas não sabe o que fará em 2023, já que a montadora alemã vai deixar a categoria elétrica. Toda sua estrutura foi vendida para a McLaren, que resolveu disputar o campeonato.

Lewis assumiu o carro no segundo treino, mas esteve longe de ser protagonista, jogando um pouco de água no chope da esperançosa Mercedes. Ficou em quinto, 0s990 atrás do monegasco. Seu companheiro George Russell foi o quarto, a 0s764 da melhor Ferrari. Os italianos dominaram mesmo o dia e esperam manter o bom momento na temporada. Afinal, venceram as últimas duas etapas, em Silverstone com Sainz e n’Áustria com Leclerc.
Gasly voltou a andar bem no TL2 (detesto esse negócio de “TL”; TL para mim é isso aqui) e ficou em sétimo. Lando Norris, em sexto, e Kevin Magnussen, em oitavo, surpreenderam. Quem decepcionou foi o outro rubro-taurino, Sergio Pérez, em décimo. “Ele está experimentando umas coisas”, falou, enigmático, o falante Christian Buziner, chefe da Red Bull.

Agora, algumas caixinhas, para não perder o hábito… O incrível degradê é cortesia de nosso departamento de artes gráficas.
100 ANOS – Sim, sei que o passeio de Vettel com um carro de 100 anos foi ontem, mas me sinto na obrigação de dizer (e mostrar) um pouquinho mais. As fotos são ótimas, estão na galeria abaixo e é só clicar nelas para vê-las em tamanho família (se quiserem saber de onde vem a expressão “tamanho família”, cliquem no link).
ERVILHA – O carro é um TT1 feito em 1922, apelidado de “Green Pea”, ervilha. Foi pilotado por Louis Zborowski na primeira corrida disputada pela Aston Martin, no circuito de Estrasburgo, na França — uma pista de 13,4 km de extensão, em 60 voltas; corridinha básica de 800 km. O outro Aston Martin, TT2, foi tocado por Clive Gallop. Os dois eram ingleses e ambos abandonaram. Venceu um cabra italiano de Fiat.
ÉLÉGANCE – Deliciem-se, especialmente com a felicidade estampada nos olhos de Vettel e dos mecânicos. Além da elegância de todos… Ah, o outro sorridente na carona é Johnny Herbert. E as fotos em preto e branco são da corrida de 1922.











LONGA HISTÓRIA – Paul Ricard voltou ao calendário da F-1 em 2018, depois de uma ausência inexplicável da França no Mundial que durou dez anos. O circuito recebeu a categoria pela primeira vez em 1971 e, nos anos 70 e 80, revezou-se com Clermont-Ferrand e Dijon como sede do GP francês. Engatou uma sequência maior entre 1985 e 1990, sendo substituído, depois, por Magny-Cours. A corrida deste fim de semana será a 18ª da F-1 no autódromo.
SÓ ESCOLHER – A pista tem nada menos do que 247 layouts possíveis, e 64 deles podem ser molhados artificialmente. Dá para montar traçados que vão de 800 metros de extensão até 5,86 km. O da F-1 tem 5.842 m. Entre 1986 e 1990, usou-se uma versão bem curta, de 3.813 m.

ESQUENTA – O asfalto é muito escuro, o que ajuda a reter o calor. Liso e homogêneo, também, embora haja uma ondulação desconfortável entre as curvas 4 e 5, trecho que ganhou uma ligeira inclinação no ano passado. São 15 curvas, seis para a esquerda e nove para a direita. As áreas de escape gigantescas foram feitas com uma mistura de asfalto e tungstênio. As faixas azuis e vermelhas, muito porosas, reduzem bastante a velocidade dos carros. As vermelhas mais do que as azuis.
LOOOONGO – O pit lane de Paul Ricard tem 424 m de extensão e é o terceiro mais comprido do calendário. Só perde para os de Ímola e Silverstone. São 25s de tempo perdido para percorrê-lo à velocidade permitida nos boxes. Ano passado, Verstappen venceu com duas paradas.
ACELERA – Uma volta em Paul Ricard exige dos pilotos 65% do tempo com o pé cravado no acelerador. Quando se transfere esse cálculo para a extensão da pista, essa taxa sobre para 74%.

PARA LEMBRAR – O grid do GP domingo terá dois franceses, que orgulhosamente encherão o peito para cantar a Marselhesa. Mas dificilmente conseguirão algo que faça a torcida delirar ao final da prova e encher a cara de Ricard com gelo e água. Nada parecido com o melhor resultado do país na história, que aconteceu há exatos 40 anos. Em 25 de julho de 1982, lá mesmo em Paul Ricard, os quatro primeiros colocados eram franceses. Melhor ainda: a dobradinha foi de um time francês. René Arnoux venceu com seu companheiro Alain Prost em segundo, ambos da Renault. A Ferrari fez terceiro e quarto com Didier Pironi e Patrick Tambay. De quebra, Jean-Marie Balestre era o presidente da FIA.
Hamilton disputa neste final de semana seu 300º GP. Desde a estreia, em 2007 pela McLaren, só perdeu uma corrida, o GP do Sakhir, em 2020, porque estava com Covid. Vai entrar no clubinho dos que já entraram na casa de três centenas de largadas, ranking liderado por Kimi Raikkonen (349), seguido por Fernando Alonso (344), Rubens Barrichello (322), Michael Schumacher e Jenson Button (306 cada). Um dado curioso: todos esses, depois do 300º GP, não venceram corridas.
Ontem, em entrevista, o inglês disse que seu maior adversário nessa longa caminhada foi Alonso, com quem dividiu o teto da McLaren em 2007. O espanhol ficou só um ano na equipe inglesa e voltou à Renault em 2008, emburrado com a equipe. Pelo time francês, foi bicampeão em 2005 e 2006. Na Ferrari, depois, obteve três vices, em 2010, 2012 e 2013. Está em vias de renovar com a Alpine. Faz 41 anos daqui a uma semana e diz que ainda tem gás para mais algum tempo.
Outro que declinou alguma vontade de permanecer na F-1 foi Vettel. Seu contrato com a Aston Martin termina no final do ano e ele já está negociando a renovação por pelo menos mais uma temporada.

Para amanhã, não se deve esperar nenhuma estripulia da Red Bull, que anda preocupada, mesmo, é com o desgaste de pneus que a pegou de calças curtas na Áustria. É provável que Leclerc faça a pole sem grandes dificuldades, com Verstappen em segundo no grid. Domingo, nas 53 voltas da corrida, o líder do campeonato joga suas fichas num ritmo forte e constante, que já mostrou hoje quando treinou de tanque cheio e pneus mais duros. Mesmo assim, a degradação da borracha o preocupa. “Temos algum trabalho pela frente, mas acho que estaremos bem”, disse o holandês.
São temas trepidantes que trataremos mais tarde, às 19h, no famosíssimo “Fórmula Gomes”, programa campeão de audiência (minúscula) no YouTube. Apareçam lá!
Quando penso nos EUA, lembro dos Grumman LLV do serviço postal, com volante do lado direito. Foram projetados para passar 30 anos na lida. Agora vão comprar 50 mil elétricos de outra empresa. O mundo está acabando.

Vettel só se divertindo. Agora, com um Aston Martin 1922…

Adriano Andreoli mandou. Exposto em Florença. Lindão!

O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...