SÃO PAULO (clap, clap, clap pra vocês) – Minha proverbial desatenção impediu algo mais majestoso, mas fuçando nas configurações do blog descobri que o “Gira mondo” de hoje foi a milésima postagem do Blig do Gomes desde que ele foi ao ar, às 14h58 do dia 5 de dezembro do ano passado.
Mil posts, como se diz. Mil assuntos diferentes, mil coisas.
Não tinha idéia do que nasceria deste negócio no dia em que procurei o iG para sugerir meu ingresso tardio naquilo que o Juca Kfouri chama de blogosfera.
Mas vi sentido em fazê-lo, para ter um lugar, ainda que virtual, onde pudesse registrar minhas anotações sobre a vida e o mundo, que é, afinal, o que faço aqui.
O primeiro blogueiro a deixar um comentário continua frequentando este espaço. Foi o Pedro Jungbluth, assumindo a bandeira das Kombis e desejando boa sorte.
Depois deles vieram outros, dezenas que se transformaram em milhares. Muitos silenciosos, que apenas lêem, outros ativos, participantes, agentes desta pequena história cibernética.
Que, para minha satisfação, foi além disso e passou a ser uma história real. Graças a este blog, pessoas se conheceram, se reencontraram, se tornaram amigas, trocaram experiências, memórias, e-mails e telefones, pessoas reviraram antigos álbuns de fotos, mataram saudades, não tiveram vergonha de dizer que estas letrinhas aqui jogadas ao vento lhes arrancaram um sorriso, um suspiro ou uma lágrima.
Desenterramos fotos e vídeos, nos emocionamos por muito ou por pouco, nos desentendemos e nos entendemos, redescobrimos sentimentos e sensações.
Não me sinto responsável por nada, sou apenas um irrelevante jornalista escrevinhador que gosta de carros e de corridas, e que senta a bota num adorável e miserável DKW que se arrasta, embora orgulhoso, pelo asfalto de Interlagos. Nada mais, nada além disso, e não estou fazendo tipo, nem quero confetes.
Aqui, graças a vocês, revelaram-se casos esquecidos em gavetas das lembranças distantes, paixões juvenis, intimidades, amores. Discutiram-se temas os mais variados, política, economia, literatura, cotidiano, gastronomia, futebol, tragédias, quase tudo, ou quase nada, tanto há para dizer e para discutir numa era como a que vivemos.
Muitas vezes, no entanto, há o silêncio. O silêncio da contemplação de uma imagem amarelada, de cenas de um passado distante, ou da reflexão sobre algo que alguém aqui escreveu. São mil assuntos e milhões de pensamentos, e esses, nem todos foram registrados por escrito, ficaram guardados com quem viu, contemplou ou refletiu.
Se o blog encerrasse suas atividades agora, teria cumprido seu papel, e eu me sentiria satisfeito. Sempre disse, ou se não disse pensei, que a opacidade do meu ofício jamais deveria me agoniar desde que eu soubesse que um dia, uma vez que fosse, uma palavra que escrevi tenha significado algo para alguém, nem que para uma única pessoa. Terei servido para alguma coisa se um dia alguém pensou em algo que saiu dos meus dedos e neurônios. Ou se sorriu, ou se tirou os olhos da tela ou do papel, e por um décimo de segundo olhou para o nada e se perguntou alguma coisa.
Mil posts, mil coisas que não durarão mil anos, mas que de alguma forma fazem me sentir útil.