DICA DO DIA

Hamilton e as crianças. É sempre muito legal, embora seja um filminho promocional etc. e tal.

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ENCHE O TANQUE

Paris, Avenue Kléber, 16º arrondissement, uma das 12 que saem do Arco do Triunfo. Abdul Ibrahim passou por lá, clicou e mandou a foto para o blog. Paris, como não amar?

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FOTO DO DIA

Há exatos oito anos, com vitória dominante no GP da Índia (lembram?), Sebastian Vettel conquistava, aos 26 anos, o tetracampeonato na F-1. Em 2013, ele venceu 13 das 19 etapas do campeonato, igualando o recorde de vitórias na mesma temporada de Michael Schumacher. Pelo percentual, porém, Michael ainda está na frente. Em 2004, quando ganhou 13, eram 18 as provas do calendário.

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SOBRE DOMINGO À TARDE

Público de 400 mil pessoas em três dias: a vida vai voltando, mas dá medo

ITACARÉ (mas tá valendo) – Escolhi a foto acima como a mais representativa do GP dos EUA pelo impacto que causa, depois de quase dois anos de pandemia, uma imagem com tanta gente junta, como antigamente. Isso num país em que boa parte da população se nega a tomar vacina. Dá um pouco de medo. Mas ajuda a lembrar como o esporte, qualquer esporte, depende do público para que o espetáculo seja completo.

E outro espetáculo foi esse aí embaixo…

Hamilton x Verstappen na largada: jogo duro de dois craques

A pilotagem precisa e sofisticada dos dois candidatos ao título de 2021 foi o que de melhor apresentou o GP dos EUA. Tivemos corridas melhores neste ano, sem dúvida. Mas acompanhar de perto a forma extraordinária desses dois moços é um privilégio. O nível de excelência de ambos beira o absurdo.

O mesmo pode-se dizer de suas equipes, embora muita gente defenda a tese de que a Mercedes errou ao não chamar Hamilton para os boxes logo depois que Verstappen parou, na 11ª volta. Pode ser. Um átimo de hesitação. Mas acho — apenas acho — que mesmo parando na volta seguinte, Lewis acabaria saindo atrás de Max e o “undercut” seria dado. Talvez voltasse um pouco mais perto. Mas ainda atrás. E, depois, acho — apenas acho — que a Mercedes respondeu com alguma criatividade ao deixar Hamilton oito voltas a mais na pista do que Verstappen após o segundo pit stop do holandês. Foi uma resposta à altura. E quase deu. O inglês abriu a última volta 0s8 atrás do holandês. Foi por pouco.

O NÚMERO DOS EUA

200

…pódios na F-1 alcançou a Red Bull com o primeiro e o terceiro lugares em Austin. Nas estatísticas da categoria, a equipe está em quinto lugar na quantidade de troféus, perdendo para Ferrari (777), McLaren (493), Williams (313) e Mercedes (257). Haja estante… Para lembrar, o primeiro pódio do time austríaco foi obtido por David Coulthard com um terceiro lugar em Mônaco em 2006.

Mais dois pódios para a Red Bull: 200 taças na galeria

O terceiro lugar de Pérez, além de ajudar a chegar no número redondo, foi muito comemorado pelo mexicano pela dificuldade que ele teve ao longo da corrida. Desde a primeira volta Checo ficou sem o líquido de hidratação que os pilotos consomem durante a prova. E, para piorar, acordou se sentindo mal, com diarreia.

Pérez teve um de seus melhores finais de semana no ano, embora não tenha incomodado Hamilton em nenhum momento. Mas andou bem nos treinos, não cometeu erros, chegou na frente de Bottas. Na comparação com o segundão da Mercedes, porém, continua atrás. Pérez fez 34,3% dos pontos da Red Bull até agora. Valtteri somou 40,2% de toda a pontuação do time alemão. Tem sido mais útil. Não por acaso, a Mercedes lidera o Mundial de Construtores com 460,5 pontos contra 437,5 da Red Bull.

ESTADOS UNIDOS BY MASILI

Sem disputa roda com roda lá na frente, alguns dos melhores momentos do GP dos EUA foram protagonizados pelos quarentões Kimi Raikkonen e Fernando Alonso. Nenhum dos dois pontuou. Mas foi divertido ver os velhinhos brigando como nos velhos tempos. Mais um golaço do nosso cartunista oficial Marcelo Masili!

Kimi x Alonso: disputa nostálgica dos quarentões

Continua muito boa a briga pelo terceiro lugar entre McLaren e Ferrari. Nos EUA, os italianos foram melhores: marcaram 18 pontos com o quarto lugar de Charlinho e o sétimo de Carlinhos. Os papaias fizeram 14, cortesia de Ricardão, quinto, e Orlandinho, oitavo. Norris vem tendo algumas atuações discretas, enquanto Daniel luta para se recuperar de um péssimo começo de campeonato. Nas últimas cinco corridas, o australiano fez 49 pontos. O prodígio inglês, 36.

Uma pequena galeria de fotos, agora — basta clicar em cada uma para ver em tamanho grande.

A FRASE DE AUSTIN

“Discutimos um ‘undercut’, mas parar na volta 11 ou 12 era muito cedo. Eles foram superagressivos no pit stop. Mereceram a vitória.”

Toto Wolff, chefe da Mercedes
Parada da Mercedes com Bottas: estratégia rival foi melhor

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

Vettel, décimo: valeu o esforço

GOSTAMOS do décimo lugar de Sebastian Vettel, depois de quatro corridas sem pontuar. Vamos dar uma moralzinha para o alemão. A Aston Martin não faz um bom campeonato, tem apenas 62 pontos, está em sétimo entre as equipes, mas o tetracampeão tem se esforçado para fazer o melhor possível. Largou em 18º, por causa da troca de motor. Tá bom, vai…

O Cadillac de chifres com Shaq: brega demais

NÃO GOSTAMOS do bizarro Cadillac chifrudo que levou Shaquille O’Neal com a taça até o pódio. “Americano sabe fazer espetáculo”, diz o clichezão repetido pela mídia toda vez que coisas grotescas como essa aparecem na TV. Eu acho que americano sabe fazer espetáculo jeca, isso sim. E digo mais: Shaq estava constrangido dentro dessa barca ridícula.

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WE ♥ RACE CARS

Mais francês impossível… Sabem quem é e quando, né?

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TEXANAS (3)

Verstappen: 18 vitórias, oito no ano

ITACARÉ (tenso!) – Max Verstappen confirmou seu favoritismo e venceu o GP dos EUA hoje em Austin. Mas foi com emoção. Lewis Hamilton terminou em segundo a apenas 1s3 do holandês, que ampliou sua vantagem no Mundial de seis para 12 pontos. Foi uma prova tensa até o final, com duas paradas para todo mundo, a Red Bull trocando pneus antes que a Mercedes nos dois pit stops e, por isso, terminando a prova com uma borracha bem pior que a do inglês. A estratégia agressiva valeu a pena. E a equipe austríaca comemorou uma vitória categórica de seu primeiro piloto e o terceiro lugar do outro, Sergio Pérez, chegando a 200 pódios em sua história na categoria.

Foi uma corrida boa, apesar de ter sido decidida nos boxes. Nem mesmo a cafonice da chegada do troféu num carro conversível com chifres, com Shaquille O’Neal de portador, arranhou a qualidade do espetáculo, que teve aulas de pilotagem dos dois primeiros colocados. Pérez, o terceiro, chegou mais de 40s depois deles.

Shaquille O’Neal com a taça no Cadillac chifrudo: breguice total

Com céu azul, sol e calor, 29°C, apenas dois pilotos largaram para a primeira etapa americana do Mundial com pneus macios: o ferrarista Carlos Sainz e o alphataurista Yuki Tsunoda. Primeira americana porque as próximas duas também são nas Américas, México e Brasil, é bom deixar claro. Diferentemente da maioria das corridas deste ano, a estratégia padrão para todo mundo seria de duas paradas, por conta das características do asfalto de Austin.

Hamilton largou muito bem subiu a ladeira como um raio e jogou duro na primeira curva, apesar da tentativa de Verstappen de manter a ponta. Nela, saiu da pista na curva 1 e só não perdeu o segunda posição porque quem estava por lá era o compañero Sergio Pérez, que tirou o pé e deixou o colega se aprumar. Um pouco mais para trás, as duplas de Ferrari e McLaren trocavam tinta numa briga que, até o fim do ano, vai valer o terceiro lugar entre as equipes. Russell foi quem mais lucrou na largada: de 20º para 13º, aproveitando uma ligeira confusão entre Stroll e Latifi. Mas ficou nisso e ninguém mais ouviu falar dele até o fim da prova.

Max aperta Lewis na largada: inglês jogou duro e assumiu a ponta

As primeiras voltas mostraram que o inglês teria enormes dificuldades para segurar a liderança até o fim. Seu carro, com pneus médios, não rendia bem. Verstappen se aproximava rápido e estudava a trajetória do rival. “O carro dele está escorregando muito”, avisou pelo rádio. Lewis se esgoelava para ficar na frente e Max apenas observava. Na volta 7, o mercêdico falou: “Ele está mais rápido que eu”. Ninguém respondeu. Lewis não conseguia abrir mais de 1s para o adversário, que só comboiava o #44 e de vez em quando piscava os faróis. Em terceiro, Pérez não ousava se aproximar dos dois.

Virou uma corrida de paciência para o holandês. Com um ritmo melhor, restava ao rubro-taurino esperar pelo momento dos pit stops para dar o bote. Os cálculos passaram a ser feitos nos boxes da Red Bull. Era preciso saber exatamente a hora de parar, principalmente levando em conta a posição em que o piloto iria voltar na pista. Cair no tráfego poderia ser fatal. E o time resolveu tomar uma atitude bem antes do previsto para dar o “undercut” em Hamilton.

Casa cheia em Austin: 400 mil pessoas em três dias

Na volta 11, Max parou. Colocou pneus duros e voltou em quinto, atrás de Ricciardo. O australiano não foi exatamente um aliado de Hamilton. Verstappen passou por ele sem dificuldades e partiu para cima de Leclerc, que antes mesmo de perder a posição foi para os boxes. Muito rápido com seus pneus novos, o holandês começou a tirar tempo em relação ao líder Hamilton. Na volta 13, a diferença era de 16s388. Se parasse naquele momento, Lewis voltaria atrás do rival. Parou na volta seguinte, a 14ª. E quando saiu dos boxes, estava mais de 6s atrás de Verstappen. O pulo do gato, ou do touro vermelho, estava concluído.

Os primeiros colocados foram se espalhando pelos 5.513 m do Circuito das Américas, que recebeu 400 mil torcedores em três dias de evento. Algumas disputas, é verdade, aconteciam no fundão. Alonso versus Raikkonen, primeiro, e versus Giovinazzi, depois, foi divertido. Valiam 10ª, 11ª e 12ª posições, nada muito honroso, mas Fernandinho reclamou que foi empurrado por Kimi, depois passou o italiano por fora da pista e deve ter soltado vários impropérios pelo rádio quando foi obrigado a devolver a posição. Mas o espanhol não se rendeu, partiu para cima de Toninho da Alfa Romeo e passou de novo.

Lá na frente, a diferença entre Verstappen e Hamilton se mantinha estável na casa dos 6s. Mas começou a cair na altura da volta 24, despencando perigosamente para 3s na volta 26. Avisado, Max voltou a acelerar, mas sem conseguir desgarrar do carro preto da Mercedes. Por isso, na volta 30, parou e colocou um novo jogo de pneus duros. Foi quando a equipe mandou o heptacampeão, de novo na liderança, socar o pé no porão para, em sua segunda parada, tentar voltar à frente de Verstappen. Mas ele precisaria construir mais de 20s de vantagem para isso. E o cronômetro, nessas horas, é cruel: Max estava 17s atrás, apenas.

Hamilton na segunda parada: só foi alcançar Max no fim

Hamilton foi ficando na pista, para ter pneus mais novos e talvez mais macios que Verstappen na fase final da prova. Era um jogo de xadrez e seria uma aposta interessante da Mercedes. Mas na volta 35 o #33 da Red Bull começou a virar tempos cerca de 1s3 por volta melhores que o inglês. Assim, nada de muito espalhafatoso foi tentado pelo time alemão. Lewis parou na volta 38 e colocou pneus duros, mesmo. Voltou em segundo, 8s5 atrás de Max, com uma borracha oito voltas mais nova. Era outra aposta: pneus em melhores condições para, quem sabe, se lançar a um ataque no apagar das luzes da corrida.

E as primeiras voltas de Hamilton com pneus novos foram bem promissoras. Na 42ª, a diferença já tinha caído para 5s. Na 44ª, 4s. Lewis fazia das tripas coração para se aproximar de Verstappen. Em algum momento seus pneus também perderiam rendimento, e era nisso que a Red Bull apostava para não levar nenhum susto no fim — assim como na competente gestão da borracha de seu garoto enxaqueca. Mas o inglês não desistia. A dez voltas do final, na 46ª, meros 2s8 separavam os dois pilotos.

Pérez, terceiro colocado: muito longe dos dois primeiros

Para quem está na frente, esse tipo de aproximação é um filme de terror. Na volta 49, a diferença caiu para 1s8. Verstappen passou a ver Hamilton no retrovisor. Era uma corrida à parte. O terceiro colocado, Pérez, estava mais de meio minuto atrás dos dois primeiros.

Christian Horner, chefe da Red Bull, dissera antes da corrida que o GP dos EUA seria decidido nas últimas cinco voltas, tipo um jogo de basquete que se resolve nos segundos finais. Tinha razão. Na volta 54, Hamilton se aproximou ainda mais, 1s1, deixando o público em pé no autódromo. Chegar é uma coisa, passar é outra, diria neste momento Galvão Bueno se ainda estivesse transmitindo F-1 pela TV.

Como previu Horner, ainda que Max tenha vencido, foi, sim, uma prova decidida no crepúsculo do espetáculo — salve, Fiori Gigliotti! Verstappen recebeu a quadriculada apenas 1s333 à frente do britânico, o que significa que qualquer errinho, dele ou da equipe, teria sido letal. Se ele espirrasse numa entrada de curva, perderia. Se um mecânico tivesse de coçar o olho num pit stop, idem. A precisão do time em toda a operação de troca de pneus e a maestria da pilotagem de Max definiram o resultado da corrida.

Pérez, Leclerc, Ricciardo, Bottas, Sainz, Norris, Tsunoda e Vettel fecharam a zona de pontos. Max foi a 287,5 pontos, contra 275,5 de Hamilton — que acabou fazendo o ponto extra da volta mais rápida. Foi a segunda derrota da Mercedes em Austin desde o início da era híbrida da F-1, em 2014. A outra aconteceu em 2018 para a Ferrari, com Raikkonen — seu último triunfo na categoria.

Verstappen chegou a 18 vitórias na carreira, oito no ano. É o favorito ao título? Faltando cinco etapas para o fim, 12 pontos não são de se desprezar… Sim, é favorito. Mas Hamilton crescendo no espelhinho de Max nas últimas voltas do GP dos EUA foi quase um recado. O cara não desistiu, não. Portanto, é melhor não vacilar. Ficou mais difícil, porém. E todo mundo na Mercedes sabe disso.

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MOTOLAND

Por essa Samson Schwalbe 1964 eu cometeria algum tipo de crime…

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TEXANAS (2)

Max P1, Checo P3: o alvo é Hamilton

ITACARÉ (dois contra um) – Max Verstappen fez uma pole importante, hoje em Austin. Basta lembrar que essa pista, na era híbrida da F-1, só havia visto poles mercêdicas — seis seguidas, desde 2014. Esse retrospecto fez com que nos últimos dias muita gente atribuísse a Hamilton um certo favoritismo para o GP dos EUA. As atividades texanas desde ontem não confirmaram isso. A Red Bull está bem forte. E não é só a pole do holandês que diz isso. O terceiro lugar de Sergio Pérez confirma a tese com eloquência. O mexicano, que vive se arrastando bem longe do parceiro, vive seu fim de semana de melhor desempenho no ano.

Lewis Hamilton, segundo colocado no grid, estará cercado pelos dois carros rubro-taurinos na largada para a 17ª etapa do campeonato. Checo será importante no início de corrida e já foi avisado de que sua missão é tentar colocar seu carro entre os de Verstappen e Hamilton, se possível na freada para a primeira curva, no alto da pirambeira que abre as voltas no belo circuito americano. Valtteri Bottas, que poderia acorrer em auxílio ao vice-líder do Mundial, não poderá fazer muito. Ficou com o quarto tempo na classificação, mas larga em nono porque perdeu cinco posições após a troca de componentes de seu motor.

Hamilton, segundo no grid: cercado de Red Bulls

O autódromo esteve cheio hoje, um sábado de sol e calor em Austin. As temperaturas oscilaram na casa dos 30°C e no finalzinho da classificação algumas gotas se insinuaram sobre as viseiras de quem ainda estava na pista, mas sem atrapalhar ninguém de verdade.

O Q1 apresentou algumas surpresas, como Charles Leclerc em primeiro com a Ferrari e Daniel Ricciardo em quarto com a McLaren. Hamilton ficou apenas em oitavo, 0s426 atrás do monegasco, enquanto Verstappen fechava a primeira parte da sessão em segundo, 0s199 atrás de Charlinho. Sem forçar muito. Stroll, Latifi, Raikkonen, Schumacher e Mazepin foram os eliminados — na rabeira, nada de muito novo.

Mercedes e Red Bull, como se imaginava, optaram pelos pneus médios no Q2, para com eles largarem amanhã. Max fez o melhor tempo, deixando Lewis em segundo a 0s333, uma diferença considerável. Ocon, Vettel, Giovinazzi, Alonso e Russell ficaram pelo caminho. O espanhol da Alpine tentou ajudar o companheiro com um vácuo camarada, mas não adiantou muito. Fernandinho largaria no fundo do pelotão, de qualquer forma, porque também trocou de motor. As duplas de Mercedes, Red Bull, McLaren, Ferrari e AlphaTauri passaram ao Q3.

A reação de Hamilton no Q2 deixou todo mundo animado, já que até ali Verstappen parecia ter a pole garantida. Mas o inglês não começou bem o Q3 e a primeira bateria de voltas rápidas terminou com Pérez, Max, Bottas e Lewis nas quatro primeiras posições. Os milhares de mexicanos no autódromo foram ao delírio com Checo.

A segunda volta rápida de Hamilton, porém, foi das boas: 1min33s199, jogando o britânico para a ponta da tabela. Mas Verstappen ainda tinha uma sobrinha. Cravou 1min32s910, baixando o tempo do rival em 0s209. Pérez acabou caindo para terceiro — foi o único que atribuiu a má volta aos breves pingos da chuva que se aproximava do circuito.

Bottas, Leclerc, Sainz, Ricciardo, Norris, gasly e Tsunoda vieram na sequência, mas como quatro pilotos sofrerão punições por troca de motor, o grid de verdade está do lado direito aí embaixo. Os tempos, na tabela à esquerda.

Foi a 12ª pole da carreira de Verstappen, nona neste ano. Acho que ele ganha de novo amanhã. Mas acho também que Hamilton pode dar algum trabalho. Acho que é uma corrida que vai se decidir nas primeiras voltas. Acho que Pérez não vai conseguir fazer grande coisa. Acho que Bottas vai lutar pelo pódio. Acho que muita gente pode ter problema com os pneus. Acho um monte de coisa, inclusive que está na hora de dormir!

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TEXANAS (1)

Pérez, P1 na no segundo treino da sexta: Red Bull se virando

ITACARÉ (sorry) – Pessoal, este “Texanas” é quase só para constar, porque daqui a pouco começa a classificação em Austin e até o terceiro. Acontece que ontem nos mudamos, eu ia escrever sobre o primeiro dia de treinos para o GP dos EUA após o “Fórmula Gomes”, mas a internet da nova casa deu uma rateada, não esperei voltar e acabei… dormindo, vejam só! Deu Pérez no segundo treino livre, para os registros. Ele também ficou com o melhor tempo do terceiro treino, já neste sábado, porque Hamilton e Verstappen tiveram suas voltas anuladas por excederem os limites da pista. Mas, ainda na sexta, é bom lembrar que o mais rápido do dia foi Bottas, pela manhã, com 1min34s874, 0s045 mais rápido que Hamilton e 0s932 à frente de Max. Os tempos de tarde não melhoraram.

Do dia #1 no Texas, destaque-se o dedo do meio que Verstappen mandou para Hamilton, a disputa juvenil entre os dois no segundo treino — com Max chamando Lewis de “idiota estúpido” –, a irritação do holandês com a equipe por tê-lo jogado na pista no tráfego (“Vou para os boxes, foda-se!”) e as trocas de motores de três pilotos: Bottas, Vettel e Russell. Como se nota, três mercedões, o que preocupa Toto Wolff nesta reta final do campeonato. Valtteri perderá cinco posições no grid porque não precisou trocar tudo — na Rússia já tinham mexido em parte da unidade de potência. Sebastian, da Aston Martin, e George, da Williams, largarão no fundo do grid.

Teve também a profusão de capacetes especiais para agradar os americanos, e alguns ficaram realmente lindos. Gostei muito dos de Norris, Russell, Bottas, Schumacher e Ricciardo — que podem ser vistos no link do Instagram indicado. Abaixo, a arte do finlandês da Mercedes, que anda todo espevitado depois que soube que iria mesmo embora da equipe. Ganhou até corrida…

Por fim, o calorão na casa dos 30 graus que pode ser problemático para os pneus, mas disso falarei mais tarde, assim como das novidades aerodinâmicas da Mercedes, que voltou a andar muito bem porque, sabe-se lá como, os caras conseguiram fazer com que a traseira abaixe nas grandes retas, diminuindo o arrasto aerodinâmico. Assim, reduzem o “rake”, que nada mais é do que a inclinação que se nota da frente para a traseira do carro.

E quem está estranhando a inscrição Acura em vez de Honda nos carros da Red Bull e da AlphaTauri, é que nos EUA a marca de luxo da montadora japonesa é muito popular e gasta os tubos em publicidade.

Por enquanto é isso. Depois da definição do grid, exatamente às 19h, tem mais um “Fórmula Gomes” e na sequência vem o textão tradicional do sábado. Estes próximos dias, até a instalação de tudo por aqui, serão meio erráticos. Não briguem comigo.

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40 & 30

ITACARÉ (redondas) – No dia 17, domingo, o primeiro título de Nelson Piquet na F-1, em Las Vegas, completou 40 anos. Hoje, quarta, 20, completam-se 30 do último de Ayrton Senna, em Suzuka. O último, também, dos oito títulos brasileiros na categoria.

Piquet e Senna merecem ser celebrados como grandes pilotos que foram. Nelson estreou em 1978 e parou em 1991. Ayrton começou em 1984 e foi até Ímola, 1994. Em 17 campeonatos — incompletos, porque em 1978 Piquet correu apenas cinco GPs e em 1994 Senna disputou três –, esses dois foram campeões ou vice em nove deles. Mais do que a metade. Piquet ganhou os títulos de 1981, 1983 e 1987 e foi vice em 1980. Senna levou em 1988, 1990 e 1991, ficando em segundo lugar em 1989 e 1993. Entre 1978, estreia de Piquet, e 1994, morte de Senna, os dois, juntos, venceram 64 corridas e fizeram 89 poles.

Eram, pois protagonistas.

E não se pode ser injusto e afirmar que foram os únicos. Antes deles houve Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace, um bicampeão e multivencedor, outro de enorme potencial cuja carreira foi tragicamente abreviada por um acidente de avião. Depois, Rubens Barrichello e Felipe Massa, o primeiro vice-campeão em 2002 e 2004, o segundo também vice em 2008. Juntos, fizeram 30 poles e ganharam 22 GPs. Rubens parou em 2011. Felipe, em 2017.

Pilotos brasileiros foram importantes e estão na história da F-1 em lugar de destaque. Com 101 vitórias, o país só perde para a Grã-Bretanha (304) e para a Alemanha (179) nas estatísticas. Em poles, também aparece em terceiro lugar com 126, atrás das mesmas Grã-Bretanha (288, sempre lembrando que nessa conta entram ingleses, escoceses e norte-irlandeses) e Alemanha (166). São 293 pódios, menos apenas do que britânicos (713), alemães (415) e franceses (308).

E por que isso acabou?

Noto que é pergunta recorrente a famosa “quando teremos de novo um brasileiro na F-1?”, ainda mais nos dias de hoje, em que há uma forte interação entre quem escreve/fala (eu) e quem lê/escuta (vocês) pelas redes sociais e plataformas de vídeo, áudio, sinais de fumaça e código Morse. Eu digo que não sei, e quanto à pergunta anterior — por que acabou? –, receio que aqueles que esperam uma resposta curta e rápida se decepcionem. Mas se quiserem pular os próximos parágrafos todos, gigantescos, para ler a conclusão inapelável na última frase deste textão, fiquem à vontade.

Há muitos fatores envolvidos. A falta de categorias de base é apenas um deles, com o desinteresse das montadoras instaladas no Brasil que entre as décadas de 70 do século passado e a primeira do século 21 patrocinaram e promoveram campeonatos. Falo de Fórmula Vê, Super Vê, F-Ford, F-Chevrolet e F-Renault. Há também a óbvia popularização do automobilismo a partir das conquistas de Emerson, que aconteceram quando a F-1 passou a ter transmissão ao vivo pela TV. Elas foram atraindo mais jovens para o esporte, começando no kart, e da quantidade saiu qualidade.

Havia, da mesma forma, uma estrada mais ou menos clara e compreensível para se chegar à F-1: kart, alguma categoria nacional de monopostos, o salto para algo semelhante quase sempre na Inglaterra, depois a F-3 Inglesa, a F-3000 e, finalmente, o topo. Quem fosse capaz de subir esses degraus com bons resultados acabaria chegando lá, até porque a fama que o Brasil construiu, de fabricar bons pilotos, era sólida e bem reputada. “É a água que eles bebem”, disse um belo dia Jackie Stewart.

O caminho percorrido por Fittipaldi, Piquet e Senna — verdade que Ayrton pulou uma etapa, saindo do kart direto para os carros na Inglaterra, sem correr de carros no Brasil — servia como modelo e a molecada por aqui procurava reproduzi-lo. Muitos conseguiram. Foram 32 os pilotos brasileiros que disputaram ao menos um GP de F-1, e a lista dos que percorreram roteiros parecidos com os dos três campeões é vasta: em ordem alfabética de sobrenome, Rubens Barrichello, Enrique Bernoldi, Raul Boesel, Luciano Burti, Cristiano da Matta, Lucas di Grassi, Pedro Paulo Diniz, Christian Fittipaldi, Mauricio Gugelmin, Tarso Marques, Felipe Massa, Roberto Moreno, Felipe Nasr, José Carlos Pace, Nelsinho Piquet, Antonio Pizzonia, Alex Dias Ribeiro, Ricardo Rosset, Bruno Senna, Chico Serra, Ricardo Zonta… Não há como negar que o sucesso do trio alavancou também o interesse de patrocinadores, que investiram muito dinheiro para terem seus nomes associados aos de possíveis futuros campeões. Apoio empresarial local, nesse período, não faltou. Famílias ricas bancando os rebentos, tampouco. Jovens que se valeram do sobrenome para abrir portas, idem.

Isso para não falar da numerosa turma que bateu na porta da F-1, chegando à F-3000 e à GP2, e alguns deles poderiam ter avançado; se não aconteceu, foi porque o funil é estreito, e em algum momento é preciso somar talento a dinheiro e a oportunidade e a alguma sorte para vingar. Nomes? Mário Haberfeld, Ricardo Maurício, Ricardo e Rodrigo Sperafico, Bruno Junqueira, Gil de Ferran, Jaime Melo, Marcelo Battistuzzi, Marco Campos, Paulo Carcasci, Maurizio Sala… E tem ainda a galera que desistiu da Europa e foi acelerar na Indy, como Hélio Castro Neves (ainda era separado), Tony Kanaan, André Ribeiro… Sem esquecer de João Paulo de Oliveira, que depois de vencer a F-3 na Alemanha em 2001 se mudou para o Japão, onde corre até hoje com enorme sucesso.

O que acontece hoje, 30 anos depois da última conquista brasileira na F-1, é conjuntural e circunstancial. Aquele caminho retilíneo — kart/formulinha/Inglaterra/equipe pequena/equipe grande — não existe mais. Não que ele fosse fácil. Era também cheio de obstáculos, mas pelo menos havia alguma lógica nele. Como há, por exemplo, no futebol até um jogador se profissionalizar. Não é mais assim. Claro que o sucesso de um conterrâneo ajuda a estimular o esporte num país. As conquistas de Michael Schumacher abriram a trilha para Timo Glock, Nick Heidfeld, Heiz-Harald Frentzen, Nico Hülkenberg, Nico Rosberg, Ralf Schumacher, Adrian Sutil, Sebastian Vettel. Daí saíram dois campeões, Rosberguinho e Vettel. O mesmo se aplica à Inglaterra de hoje por causa de Lewis Hamilton. Ou alguém acha que Lando Norris e George Russell saíram da costela de Adão? Não, eles têm em Hamilton uma inspiração desde que saíram das fraldas. Lewis está lá desde 2007.

Mas há fatos que contrariam a tese de que um campeão puxa outros dentro de seu país. A Espanha é um exemplo — Fernando Alonso fez sucessores? A França, outro. O enorme sucesso de Alain Prost não resultou numa geração vencedora para cantar a Marselhesa. Alain parou em 1993. Depois disso, Olivier Panis ganhou uma corrida em 1996. E um francês só voltaria a vencer um GP no ano passado, com Pierre Gasly em Monza. Foram 24 anos de fila. Mas, antes dela, houve, sim, um programa bem desenvolvido com a participação de empresas francesas que deu numa turma muito boa. René Arnoux, Patrick Tambay, Jean-Pierre Jabouille, Patrick Depailler, Jacques Laffite, Didier Pironi e o próprio Panis foram filhotes de investimentos de Renault, Elf, Michelin e S.E.I.T.A. (antiga fabricante estatal dos cigarros Gauloises e Gitanes) no automobilismo nos anos 70. Que se saiba, ninguém na França pretende fazer algo parecido de novo. E o mesmo acontece no Brasil.

Assim, pode-se dizer, sem muito medo de errar, que se aparecer um brasileiro bom de novo, será por acaso. Como Guga foi um acaso no tênis, como Isaquias Queiroz é um acaso na canoagem, como Rebeca Andrade é um acaso na ginástica. E isso tem acontecido no mundo em muitos esportes. Alguns países, claro, investem pesado em certas modalidades e conseguem produzir atletas excepcionais. Outros não têm política esportiva nenhuma e vivem desses acasos.

No automobilismo, mais ainda. Não há investimento de governos em corridas de automóvel em lugar nenhum — exceto para fazer autódromos nababescos, mas isso virou coisa de países como China, Arábia Saudita, Catar. Nem tem de haver. Os tempos são outros. A indústria automobilística já foi mais relevante para a economia e também para o desenvolvimento de novas tecnologias. Carros hoje são vilões da humanidade, depois de terem representado para a mesma humanidade o sonho de liberdade, de viajar, desbravar territórios, chegar mais rápido aos mais longínquos lugares. Não dá para apontar o dedo para algum país no globo terrestre, hoje, e dizer: aqui há uma escola de automobilismo, daqui sairão campeões. Porque não há, simplesmente. Alguém afirmaria que Max Verstappen é fruto do fortíssimo automobilismo holandês? Claro que não. Nem tem automobilismo na Holanda, o páis é pequeno, não cabem autódromos, as pessoas andam de bicicleta e tamancos. Verstappen é um acaso; por acaso é filho de pilotos e por acaso é muito bom. Há outros filhos de pilotos que não guiam nada, então nem ao DNA se pode atribuir seu talento. Aliás, se fosse parecido com o pai, Max jamais teria chegado à F-1.

O acaso, creio eu, vai determinar o surgimento dos novos grandes pilotos no futuro. É evidente que países com maior cultura automobilística tendem a produzir mais gente. A Inglaterra é assim. Vira e mexe aparece alguém bom, da mesma forma que o Brasil produz mais bons jogadores de futebol do que, sei lá, a Coreia do Sul. Há também o investimento pesado de empresas, como a Honda e a Toyota, que há anos tentam emplacar japoneses nas categorias de ponta. Há os astros da Nascar, que nascem e morrem nos EUA, mas não dariam certo em outros países pela característica muito particular do automobilismo que praticam. Nada, porém, garante que o próximo grande campeão não possa nascer na Islândia, ou em Papua-Nova Guiné.

Resumindo (para os que pularam essas reflexões e vieram para a última frase), o sucesso do Brasil na F-1 acabou porque as coisas acabam. É isso.

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1:25:58

BEM, MERDINHAS (41)

Hoje falamos mais um pouco do GP dos EUA, das últimas declarações absurdas do capiroto e do morcego que entrou no meu quarto!...

57:24

FÓRMULA GOMES: GP DOS EUA, DIA #3

Verstappen vence em Austin em corrida perfeita da Red Bull e abre 12 pontos sobre Hamilton no Mundial. Mercedes errou a estratégia? Ainda dá para o inglês? Tudo sobre o GP dos EUA!...