FOTO(S) DO DIA

Como não registrar as vitórias de Rafael Câmara na F-2 em Barcelona (sua primeira) e da Toyota em Le Mans? Imagens de um domingo inesquecível para o brasileiro e para o trio Conway/Kobayashi/De Vries do Corollão #7!

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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

As lágrimas de Hamilton no pódio: vitória diferente

SÃO PAULO (rapidinho) – Em 1996, na Bélgica, Michael Schumacher venceu sua segunda corrida pela Ferrari. A entrevista coletiva depois do GP era meio zoada. Hoje tem sofazinho e tudo. Naqueles tempos os três primeiros colocados, antes de falarem com a imprensa, passavam pela “unilateral” imediatamente após a cerimônia do pódio. Era uma salinha com três cadeiras atrás de uma minúscula bancada, uma câmera e um entrevistador anônimo. Ele fazia uma ou duas perguntas básicas para cada um e depois pedia que fizessem breves resumos da corrida em suas línguas nativas. Esse material era gravado e distribuído para as agências internacionais e para emissoras de TV do mundo inteiro. Depois seguiam para a sala de imprensa, onde seriam metralhados pelos jornalistas sob o comando do inglês Bob Costanduros, que abria a entrevista com uma pergunta para cada e depois passava a palavra aos colegas.

(Bob é um querido amigo. Também tinha carros antigos. Por anos, muitos anos, foi o entrevistador oficial da F-1. Educado, polido, não entrava em divididas. Deixava as perguntas incômodas para a gente. Funcionava perfeitamente. Bob era, também, dono de alguns carros antigos. A gente falava bastante sobre eles. Me achava louco sempre que eu contava que tinha comprado alguma jabiraca nova. Não sei por onde anda. Espero que esteja bem.)

Terminada a coletiva, que teoricamente era reservada para o que se chamava de imprensa escrita — jornais e revistas –, ainda havia tempo para ir até a mesa onde ficavam os pilotos e acionar nossos gravadores para pegar umas “sonoras”, como dizíamos. Não havia o cercadinho de hoje, por onde todos passam e são obrigados a dar uma palavrinha para os microfones credenciados. Está fácil, atualmente. Antes era meio no corpo a corpo. Mas, pelo menos, éramos todos jornalistas. Não havia influencers ou produtores de conteúdo.

Volto a Schumacher em Spa, 1996. Acabou a coletiva, ele se sentou numa cadeira na extremidade da sala de imprensa para atender os italianos. Eu estava sempre entre eles. Aí fiz uma pergunta qualquer e quando ele começou a responder tocou o telefone celular da Stefania, a assessora de imprensa que gravava tudo — e se casou alguns anos depois com Maurizio Arrivabene, que chegou a ser chefe da Ferrari; antes, era diretor da Philip Morris. Ela passou o telefone para Schumacher, que pediu desculpas pela interrupção e atendeu. Não deu para saber quem era do outro lado da linha. Sorrindo, disse “obrigado” várias vezes — em inglês — e se despediu com um “ciao”, devolvendo o aparelho para a Stefi. Aí retomou a entrevista. “Do que eu estava falando?”, perguntou. “De como é diferente ganhar um GP de F-1 pela Ferrari”, ajudei — tinha feito alguma pergunta nessa linha. Michael, então, falou: “Em qual outra equipe o presidente da empresa te liga quando você ganha uma corrida? Era o presidente no telefone”, revelou. Luca di Montezemolo, no caso. “Em nenhum outro lugar é assim. Isso aqui é muito especial.”

Michael estava em sua primeira temporada pela Ferrari. Ficaria em Maranello até 2006, 11 campeonatos inteiros. Deixou o time depois de 72 vitórias e cinco títulos mundiais. E, até o fim, repetiria a cada vitória: isso aqui é muito especial.

As lágrimas de Hamilton ontem no pódio de Barcelona dizem a mesma coisa.

Quem não ficou nada contente com o desfecho do GP da Catalunha foi Toto Wolff. O chefe da Mercedes falou que “não dá para quebrar um carro numa corrida e outro carro na seguinte”. “Ou a gente termina as provas com os dois andando, ou não se vai a lugar nenhum. Estamos devendo.”

Toto ainda reclamou da briga interna entre George Russell e Kimi Antonelli. “Perdemos uns quatro ou cinco segundos nessa história. Isso ajudou a Ferrari a fazer funcionar sua estratégia de três paradas. E também erramos na nossa estratégia, dois pit stops foi um erro e eles mostraram isso.”

Isso porque a equipe ganhou seis das sete corridas até aqui… E fez todas as poles.

Mas o dirigente tem razão numa coisa. A falta de confiabilidade de seu equipamento custou, no mínimo, alguns pódios. Russell quebrou quando liderava o GP do Canadá. Kimi pifou ontem quando estava em segundo. Os dois abandonos tiveram origem parecida: problemas elétricos nao especificados.

Russel x Antonelli: perda de tempo e de pódio

Antonelli estava 66 pontos à frente de Hamilton na tabela. Agora tem 41 de vantagem. Russell descontou 18 pontos na sua luta inglória para alcançar o coleguinha. Não bastasse o trampo de ter de recuperar o que perdeu nas últimas cinco provas, George agora tem de se preocupar com a Ferrari. “Eles estão chegando”, disse.

Não divido as mesmas preocupações. Acho até que a equipe italiana pode ganhar mais algumas corridas no ano. Mas lutar pelo título não me parece ser algo no horizonte.

E espero estar enganado, porque se isso acontecer este pode ser um campeonato épico — apesar do regulamento esdrúxulo de motores.

O NÚMERO DA CATALUNHA

2

…pilotos, apenas, pontuaram em todas as etapas deste Mundial: Hamilton e Pierre Gasly. O francês da Alpine não marcou na prova principal do GP de Miami, mas aquele fim de semana teve Sprint e ele chegou nos pontos na minicorrida. Gasly está em oitavo no campeonato com 41 pontos em sete etapas. No ano passado inteiro fez 22. Em 2024, 42. Tem sido um dos destaques da temporada.

Duas punições foram aplicadas após a prova. Uma teve consequências: 10s para Franco Colapinto, da Alpine, por desrespeitar bandeiras amarelas. Caiu de oitavo para décimo. E Antonelli levou 5s por sair dos limites da pista quatro vezes. Mesmo abandonando, Kimi completou mais de 90% das voltas, e por isso teve uma classificação final — e não um “DNF”, sigla para “did not finish”. Assim, 5s foram acrescidos ao seu tempo total de corrida. Não mudou nada, claro, e ele ficou em 16º, formalmente. Mas poupou o piloto de ter de pagar o pênalti na corrida seguinte, com perda de posições no grid.

E mais dois números importantes envolvendo Hamilton e a Ferrari após a corrida na Espanha: o inglês se tornou o 41º piloto a vencer um GP pela equipe de Maranello e o time chegou a 249 vitórias na F-1.

A FRASE DE BARCELONA

“Obrigado por me fazerem lembrar de quem eu sou.”

Hamilton se dirigindo aos fãs e à Ferrari
Ferrari: 249 vitórias, a primeira com Hamilton

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da (vá lá) Racing Bulls, que pela segunda corrida seguida colocou seus dois pilotos nos pontos. Liam Lawson foi o oitavo e Arvid Lindblad, o nono. A filial da Red Bull já tem 41 pontos neste ano. A esta altura do campeonato, em 2025, eram apenas dez.

NÃO GOSTAMOS… de ver a Audi mais uma vez andar bem nos treinos livres e sair sem nenhum ponto da corrida. Gabriel Bortoleto largou mal e perdeu cinco posições assim que se apagaram as luzes vermelhas. Culpou o turbo que não encheu. Chegou em 11º. Já com Nico Hülkenberg as coisas foram mais… exóticas. Na 30ª volta da corrida, atrás de Lawson, levou uma chuva de brita numa das últimas curvas do circuito. Uma pedrinha bateu no acionamento externo do extintor de incêndio e desligou seu carro. Ele entrou nos boxes, no embalo, e de lá não saiu mais.

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SAGRADO CIRCUITO (3)

Hamilton festeja sua 106ª vitória, primeira pela Ferrari

SÃO PAULO (histórico) – Sir Lewis Carl Davidson Hamilton ficou 686 dias sem saber o que era vencer na F-1. Um jejum incomum. Afinal, ele é, faz bastante tempo, o piloto com o maior número de vitórias na categoria. Foi no fim de outubro de 2020, em Portugal, no meio da pandemia, que se tornou o maior de todos ao vencer pela 92ª vez, superando Michael Schumacher.

De 2007, quando estreou pela McLaren, a 2021, ano em que perdeu o título para Max Verstappen na última corrida do ano, venceu GPs em todas as temporadas das quais participou. Aí passou em branco em 2022 e 2023 na Mercedes, primeiros anos de um novo regulamento da categoria, com carros que, definitivamente, não combinavam com seu estilo de pilotagem. Muitos lhe deram como acabado. Então, no começo de 2024, avisou à equipe, onde estava desde 2013, que ao final daquele campeonato iria mudar de endereço.

Sua saída para a Ferrari foi das mais rumorosas transferências da história da F-1. Na despedida da Mercedes, venceu dois GPs, na Inglaterra e na Bélgica. Este, o de Spa. Há exatos 686 dias.

Hoje, ganhou de novo. Trinta anos depois de Michael Schumacher ganhar pela primeira vez com a Ferrari. Na mesma pista. E vinte anos depois de sua vitória em Mônaco na GP3, sob a chefia de Frédéric Vasseur — atual comandante do time de Maranello.

Hamilton venceu o GP de Barcelona-Catalunha, que chamamos apenas de GP da Catalunha neste blog, e pela primeira vez escalou o mais alto degrau do pódio vestindo vermelho. Foi muito emocionante. Chorou bastante, sorriu mais ainda. Ganhou a prova aos 41 anos, cinco meses e sete dias de vida. Desde o GP da Austrália de 1994 que um quarentão não vencia na F-1. Naquela ocasião, Nigel Mansell, fazendo um frila para a Williams, venceu em Adelaide aos 41 anos, três meses e cinco dias de idas e vindas pelo planeta. (A propósito: hoje em Barcelona Alexander Albon se tornou o piloto com mais GPs disputados pela Williams, 96, superando justamente Mansell. Por isso correu com um capacete inspirado no do “Leão”.)

A vitória de Hamilton veio numa corrida muito interessante, embora menos fértil em ultrapassagens do que se poderia imaginar neste ano de baterias e motores elétricos e papagaiadas mil criadas pelas novas regras. Não faz mal. Foi um GP daqueles que enxadristas adoram, com estratégias de pneus determinando o resultado final. No caso, três paradas para a Ferrari de Hamilton, duas para a Mercedes, que era favorita até para uma dobradinha – o time alemão venceu as seis corridas anteriores do campeonato e tudo indicava que manteria a invencibilidade, com George Russell na pole e Kimi Antonelli na terceira posição do grid.

Quando as mantas térmicas foram retiradas dos pneus para a volta de apresentação em Barcelona, notou-se que o pessoal do Departamento de Estratégias de Merda da Ferrari estava de folga. A surpresinha: Hamilton estava de macios. Apenas sete dos 22 no grid fizeram a mesma escolha. A ideia de Lewis (e dos demais) era saltar bem na largada, com maior aderência, mesmo sabendo que o primeiro pit stop teria de ser feito muito cedo por causa do alto nível de degradação da borracha no circuito catalão e do forte calor na região – 30°C, com 50°C no asfalto. Os pneus macios estavam nos carros de Hamilton, Verstappen, Nico Hülkenberg, Franco Colapinto, Carlos Sainz, Esteban Ocon e Sergio Pérez. Lance Stroll e Fernando Alonso foram de duros. O resto, incluindo Russell e Antonelli, de médios.

Hamilton à frente de Kimi: estratégia de três paradas

Mas, pelo menos na largada, não deu muito certo o projeto ousado da Ferrari. Russell largou muito bem e manteve a ponta. Lewis, apesar da borracha gosmenta, ficou onde estava, em segundo. Os cinco primeiros colocados no grid mantiveram suas posições originais. E dois pilotos largaram muito mal: Isack Hadjar caiu de sexto para 14º e Gabriel Bortoleto despencou de 12º para 17º. Da turma que estava entre os dez primeiros, Charles Leclerc foi o melhor, pulando de décimo para sétimo.

George abriu mais de 2s sobre Hamilton em quatro voltas. Suas intenções eram óbvias: abrir, abrir e abrir. Porque em algum momento, imaginava, seu companheiro de equipe iria superar Hamilton para ocupar o segundo lugar. E tudo que ele não queria era ver o rostinho angelical do falso anjo pelo retrovisor. Pelo rádio, inclusive, ouviu-se uma espécie de murmúrio do piloto inglês nas primeiras voltas da corrida: “Vade retro, Satána. Nunquam suade mihi vana. Sunt mala quae libas. Ipse venena bibas”. “O que é isso?”, perguntou Toto Wolff ao engenheiro. “Acho que é latim”, respondeu o funcionário da equipe.

Na volta 12, como se esperava, Hamilton parou pela primeira vez. Colocou pneus duros e caiu para sétimo. Pouco antes, Leclerc havia ultrapassado Oscar Piastri com vigor e disposição. Para evitar problemas, na volta seguinte George parou também. E, como Lewis, optou pelos pneus duros para seu segundo stint. Voltou à pista à frente do ferrarista, o que naquele momento era o que mais importava. Seria uma corrida de muitos pit stops.

Antonelli, com a parada de Russell, assumiu a ponta. “Si vis pacem, para bellum”, escutou-se no rádio do inglês assim que saiu dos boxes. “Que diabos ele falou?”, perguntou Toto ao engenheiro. “Me parece latim de novo”, intuiu o engenheiro, sem entender direito. E chutou: “Se olhar nosso pace, tá bonito”. O que deixou Toto satisfeito. Kimi também trocou seus pneus logo e voltou onde estava antes, atrás de Hamilton. Com os primeiros pit stops, Leclerc assumiu a ponta. Atrás dele, Russell, Hamilton, Antonelli, Lando Norris, Verstappen e Piastri. Era a volta 16. Charlinho parou na seguinte e logrou manter-se à frente do australiano da McLaren. George, então, reassumiu a ponta. “Amat victoria curam”, balbuciou, pelo rádio. “O que ele está falando?”, insistiu Toto, intrigado. “Pelo que entendi, mandou enfiar a vitória naquele lugar”, tentou traduzir, um pouco envergonhado, o engenheiro. “Ele tá meio mordido.”

Na volta 20, Russell tinha 2s sobre Hamilton, que por sua vez abrira 5s sobre Antonelli, o terceiro. Norris, Verstappen, Leclerc, Piastri, Arvid Lindblad, Hadjar e Liam Lawson ocupavam as dez primeiras posições. Desses, Verstappen tinha pneus médios. Os outros, duros.

A corrida entrou num período de monotonia. Nem as ultrapassagens iô-iô, que este que vos bloga achou que seriam frequentes pelas características da pista, aconteciam. Antonelli, em terceiro, forçava um pouco o ritmo para chegar em Hamilton. Na volta 25, a diferença caíra para 2s2. A equipe avisou Russell que, em breve, Kimi iria passar Lewis. “Corvus oculum corvi nor eruit”, respondeu George. “O que ele disse?”, questionou Toto, demonstrando alguma irritação. “Nada muito importante, alguma coisa sobre usar óculos nas curvas”, inventou o engenheiro, que na escola tinha aprendido um pouco de francês e nem se lembrava direito, porque passava as aulas olhando para as pernas da professora. De latim, mesmo, não sabia nada.

Lewis fez sua segunda parada na volta 28. Colocou pneus médios. Voltou em sétimo e sua estratégia era clara: três pit stops. Para funcionar, teria de recuperar terreno, chegar à ponta e abrir um montão do segundo colocado para poder parar a terceira vez e buscar a vitória com pneus novos na parte final da corrida. No papel, OK. Mas teria de combinar com os russos (deem um Google, não vou explicar o que quer dizer essa expressão; Russell está falando em latim o tempo todo e vocês não reclamaram, então não encham).

Kimi assumiu o segundo lugar. A diferença dele para Russell era de apenas 2s7. O pesadelo começou. Na volta 30, 1s1. George começou a pegar tráfego e o amiguinho satânico chegou de vez.

O primeiro ataque aconteceu na volta 33. Russell se defendeu. Antonelli, como diz Edgard Mello Filho, babava na gravata. A Mercedes pediu para os dois segurarem a onda porque quem vinha atrás, especialmente Hamilton, tinha estratégia diferente. O ferrarista fazia tempos de volta muito bons e diminuía a distância para a dupla.

George foi chamado para os boxes na volta 37. Colocou pneus duros para ir até o final. Kimi parou na volta seguinte. Voltou à frente de Norris, mas atrás de George. Hamilton assumira a liderança, mas teria de parar de novo. O que não era necessariamente ruim. Perderia a ponta, sim, mas faria a parte final da prova com pneus novos, podendo atacar os mercêdicos – isso se os dois não se matassem antes.

Na volta 41, porém, sua vida ficou mais fácil. Alonso parou seu calhambeque na curva 9 e a direção de prova acionou o safety-car virtual. Hamilton teve tempo de ir para os boxes no período de neutralização. Deu muita sorte. Matou seu terceiro pit stop de graça. Voltou em primeiro com pneus novos e, assim que saiu dos boxes, a prova foi retomada. A Ferrari, surpresa!, foi muito precisa no chamado. Na volta 43, Hamilton, Russell, Antonelli, Norris, Verstappen e Leclerc eram os seis primeiros. A vantagem de Lewis sobre George era de 2s6. Kimi vinha 1s5 atrás do companheiro.

O rádio da Mercedes tentou dar uma animada em Russell: “Temos 24 voltas pela frente, essa é sua corrida, vai lá, quebra tudo, arrebenta a boca do balão!”, mandou o engenheiro. Em resposta, ouviu: “Hoc non pereo habebo fortior me”. “Hein?”, falou Toto. “Tenho de ser forte como o Pereio”, arriscou o engenheiro. “Quem é o Pereio?”, perguntou Toto. “Um ator, mas depois eu explico”, pediu o rapaz, ocupado com cálculos e dados. Wolff deu um Google. “Eu te amo”, disse. “O quê?”, espantou-se o engenheiro, com um quê de esperança. “O filme. O filme que esse Pereio fez”, explicou Toto. O engenheiro, então, se perguntou o que estava fazendo ali num domingo de sol e calor na Catalunha quando poderia estar numa praia de nudismo tomando um mojito e fumando um baseado. “Preciso repensar a vida”, disse para si mesmo.

Faltando 20 voltas, com um ritmo muito forte e felicíssimo com a possibilidade de vencer pela primeira vez com a Ferrari, Hamilton já abrira 5s para Russell. Na volta 50, a diferença subira para 8s3. George estava derrotado. Para piorar, Antonelli avisou pelo rádio que tinha carro, motor, velocidade e vontade de passar o parceiro. Até porque Norris estava nos seus calcanhares. Segundo, terceiro e quarto colocados estavam separados por 2s. Hamilton sumira na frente, com mais de 10s de vantagem.

Nas últimas dez voltas, Lewis lembrou aquele piloto da Mercedes que dominou a categoria entre 2014 e 2020 – com exceção de 2016, quando perdeu o título para Nico Rosberg. Mais atrás, o drama era mesmo de Russell. Na volta 61, a cinco do final, no fim da reta dos boxes, Kimi atacou e passou na curva 1. George tentou dar o troco na curva seguinte, mas não conseguiu. Antonelli foi embora. Seu mundo caiu.

Mas por pouco tempo. Na volta 62, o carro de Kimi foi ficando lento, lento, lento… E apagou. “Ut sementem feceris, ita metes!”, gritou Russell pelo rádio. “O que foi agora?”, assustou-se Toto. “O cimento é duro pra quem mete a face nele”, traduziu o engenheiro, já mais desenvolto na interpretação do idioma, percebendo que podia dizer qualquer merda que o chefe aceitaria como verdade. “É um ditado popular”, explicou. Estava chutando de novo, claro. Safety-car virtual acionado. No mesmo momento, Leclerc, sexto colocado, ficou sem direção hidráulica e foi para os boxes. Abandonou.

A bandeira verde foi mostrada na volta 65, com Lewis 20s à frente de Russell, segundo de novo. E o ferrarista desfilou toda sua alegria na última volta para vencer de novo na F-1, chegando a incríveis sete triunfos em Barcelona, um recorde histórico. O pódio foi fechado com Norris em terceiro. Verstappen, Piastri, Hadjar, Pierre Gasly, Lawson, Lindblad e Colapinto terminaram nos pontos. O argentino foi o oitavo, mas tomou um pênalti de 10s por não reduzir a velocidade sob bandeira amarela e caiu para décimo. Bortoleto foi o 11º.

Grazie a tutti, não posso agradecer o bastante! Estou muito orgulhoso, amo minha família, amo vocês! Forza Ferrari!”, vibrou Hamilton pelo rádio. O primeiro piloto a abraçá-lo no Parque Fechado foi Antonelli. Emocionado, Lewis se agachou antes da pesagem e respirou fundo. Recebeu depois os cumprimentos de Norris, Russell e Verstappen. Abraçou longamente Vasseur, que o levou para a equipe italiana. Estava todo mundo feliz pelo veterano heptacampeão. A Ferrari não vencia um GP desde o México em 2024 com Sainz.

E como a Terra não gira, capota, Rosberg, seu antigo inimigo – talvez único na longa carreira –, foi o entrevistador oficial pós-corrida. Dez anos antes, os dois quase se pegaram em Barcelona depois de um acidente que deu a Verstappen sua primeira vitória na F-1. “Ganhar pela Ferrari é especial”, falou Hamilton. “É diferente. Desde criança me imaginava vencendo com esse carro. Tomara que seja a primeira de muitas.”

O pódio britânico: orgulho do rei…

No pódio, Hamilton vestiu um gorrinho para cobrir os longos cabelos que, em Barcelona, não estavam penteados em cuidadosas e lindas tranças. Vibrou como poucas vezes. Não sabia se chorava ou se sorria. Olhava, com ternura, os mecânicos cantando o hino da Itália. Foi bem bonito. E um pódio totalmente britânico depois de muito tempo. O último fora no GP dos EUA de 1968 com Jackie Stewart, Graham Hill e John Surtees.

O único com o semblante fechado na entrega dos troféus era Russell. Ele sabia que não tinha muito para comemorar. É verdade, a diferença dele para Antonelli na classificação teve queda razoável, de 68 para 50 pontos. Descontou 18, não dá para reclamar. Mas Hamilton, vice-líder desde Mônaco, abriu mais um pouco. Tem 115, contra 106 dele, Russell – Kimi ficou com 156.

O problema, mesmo, e por isso Russell não esboçou nenhum sorriso rasgado, é que seu companheiro iria chegar na frente dele de novo. Só não chegou porque quebrou. O inglês não está sabendo lidar direito com a situação.

E o campeonato é entre eles, apesar da linda vitória de Hamilton em Barcelona.

E ele, o anjinho do pau-oco, está na frente. Bem na frente. E guiando melhor. Bem melhor.

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SAGRADO CIRCUITO (2)

SÃO PAULO (tá vivo) – George Russell evitou uma nova botinada de Kimi Antonelli e larga na pole amanhã para as 66 voltas do GP de Barcelona-Catalunha, doravante chamado, neste blog, por decisão puramente pessoal e arbitrária, de GP da Catalunha. Porque é ruim repetir Barcelona o tempo todo. Nem em Barcelona é, essa corrida. Desde 1991 a gente fala errado. A pista fica numa cidadezinha chamada Montmeló, meio feiosa. Tipo Osasco, assim – mas não do mesmo tamanho, que Osasco é enorme e se orgulha de seu cachorro-quente monumental, e em Montmeló nem tem onde comer cachorro-quente. É uma cidade-dormitório, com algumas indústrias e galpões e uma igrejinha. Não tem nem dez mil habitantes, nenhuma agência do Bradesco, nem loja das Pernambucanas. Granollers, do outro lado da pista, é mais bonitinha e tem um bom restaurante onde, uma vez, nos sentamos com o pai do Jenson Button para tomar umas cachaças, que ele era bom disso.

Divago.

George Russell, eu dizia, fez a pole e, pelo menos até amanhã, recuperou um pouco da confiança em seu taco, fortemente abalada nas últimas cinco etapas do Mundial, todas vencidas pelo fedelho bolonhês que em agosto faz aniversário e pediu de presente um álbum da Copa e um Labubu. O inglês precisava de um resultado desses. Nova pancada poderia ter consequências graves, como abandonar a carreira e fugir para o Nepal sem celular.

Foi a terceira pole de Russell no ano e décima na carreira. Seu sábado se tornou ainda melhor ao final da classificação porque Antonelli ficou só em terceiro no grid e pela primeira vez no ano não estará na primeira fila. À frente dele se classificou Lewis Hamilton, que vive bom momento na Ferrari. Vem de dois segundos lugares em Montreal e Mônaco e pela primeira vez larga na primeira fila vestindo o macacão vermelho. Ao lado de Kimi, na segunda fileira, estará Lando Norris, da McLaren. Gabriel Bortoleto, brasileiro da Audi, ficou em 12º.

Vamos ao relato do sábado, porque daqui a pouco tem jogo e, como bom marroquino, preciso me preparar.

Como Russell vinha sendo mais rápido que Antonelli desde ontem, resolveu sair atrás do italianinho no Q1, para não ser copiado pelo moleque. Dona Veronica ligou para Toto Wolff. “Por que ele não ajuda meu filho? É mais velho, tem obrigação de ensinar!”, berrou, em italiano. Toto, que nasceu na Áustria, não fala direito o idioma. “Sì, signora”, respondeu. “Sì? Sì o quê? É o Piastri falando? Faça o que tem de ser feito, signore Toto!” “Sì, signora”, disse de novo o chefe da Mercedes, cobrindo o bocal do telefone com a mão e comentando com o engenheiro, baixinho: “Ainda estou no primeiro ano, mas estou aprendendo: signora é mulher, signore é homem. Pasta é macarrão e pizza é pizza, mesmo”

Russell fez uma volta melhor que Antonelli na primeira saída, coisa de 0s3 de diferença, mas quem começou bem o sábado foi Hamilton, cravando 1min15s625 em sua primeira volta rápida. Superou o inglês por 0s092 e pulou para primeiro.

Ninguém precisava gastar muitos pneus no calorão de 31 graus em Barcelona – 50°C no asfalto –, ou Montmeló, porque lá na rabeira as duplas de Cadillac e Aston Martin estavam pré-eliminadas, com seu desempenho, às vezes, constrangedor. Alguém da Haas e da Williams iria se juntar a Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Fernando Alonso e Lance Stroll. Nos últimos minutos do Q1, os 11 primeiros estavam parados nos boxes, sem risco algum de eliminação.

Russell ainda no treino livre: décima pole na carreira

No final, Hamilton, Russell, Charles Leclerc, Antonelli e, oh!, Nico Hülkenberg foram os cinco primeiros. Bortoleto passou em 14º, mas sem riscos. Esteban Ocon, Alexander Albon, Pérez, Bottas, Stroll e Alonso foram degolados. Como previsto no parágrafo anterior – creiam: escrevo enquanto as coisas acontecem –, um alguém da Haas e um alguém da Williams se juntaram aos pré-eliminados. No caso, foram Ocon e Albon. Chamou a atenção, de qualquer forma, a ridícula dupla martiniana atrás dos estreantes cadiláquios. Uma situação triste para Alonso, último no grid. Treze anos atrás, na mesma pista, o asturiano ganhava um GP pela última vez, com a Ferrari. Desde o GP da Inglaterra de 2024 ele não era superado por Stroll em um grid de largada – 42 corridas. Andam falando que El Fodón de la Última Posición pode voltar à Alpine, que será rebatizada como Gucci (“Alpine” fica junto no nome, mas sei lá…), no ano que vem. Não sei direito de onde saiu tal boato, mas duvido. Puro palpite: ele pendura as sapatilhas no final desta temporada. Alonso não é Brad Pitt. E a F-1 não é filme sobre F-1. As coisas acabam. É preciso saber a hora de tirar o time de campo, sem mágoas ou ressentimento.

Na abertura do box no Q2, Antonelli saiu na frente de Russell outra vez. Tocou o telefone de Toto Wolff, que atendeu fazendo voz de gravação: “Diga seu nome e o país de onde está falando”. Ao que dona Veronica gritou: “Signore Toto! Questa è uma gravazione della Embratel brasiliana! No sono troccia!”. Não sei se é assim que se escrevem essas coisas, mas é como entendi e estou apenas transcrevendo. Toto desligou, assustado.

Barcelona é daquelas pistas que vão melhorando com a borracha, e o começo do Q2 mostrou isso claramente. Max Verstappen, Leclerc e Russell se alternaram na primeira posição. George fez 1min15s228, deixando Chaleclé e Kimi para trás, mas bem próximos: 0s053 para o monegasco, 0s067 para o líder do campeonato. Verstappen ficou depois deles. Até ali as coisas caminhavam dentro do planejado para o #63, que não suportaria nova derrota para o filho de dona Veronica.

Ainda na primeira bateria de voltas rápidas do Q2, os dois carros da Audi estavam fora dos dez primeiros, apesar dos bons resultados nos treinos livres. Teriam uma segunda chance. Novamente, a turma lá da frente poderia ficar na garagem sem medo. As diferenças de tempo para a zona de eliminação eram bem grandes. Mas tinha gente graúda correndo algum risco, como a dupla da McLaren, que por via das dúvidas foi buscar tempo para se garantir.

No final, nenhuma grande zebra, apesar de uma queda dupla da Alpine, que faz um bom campeonato. Arvid Lindblad, Bortoleto, Franco Colapinto, Pierre Gasly, Oliver Bearman e Carlos Sainz foram para o chuveiro mais cedo. Avançaram, pela ordem, Russell, Leclerc, Antonelli, Norris, Hamilton, Verstappen, Oscar Piastri, Liam Lawson, Isack Hadjar e Hülkenberg. A Audi, pelo menos, levou um carro ao Q3.

Para Russell, fazer a pole era mais do que uma questão de honra. Representava um recado: ainda estou aqui. (Já usei o título do filme outras vezes em textos anteriores. Mas como o blog não é mais lido por ninguém, só eu lembro; então posso usar quantas vezes quiser.)

Chaleclé: oh, dia, oh, vida!

Começa o Q3, Piastri faz uma volta boa, Verstappen vem logo atrás dele, mas faltando 8min30s para o final, bandeira vermelha na tela e agitada pelos fiscais: uma pancada forte de Chaleclé na curva 4, uma curva rápida de raio longo para a direita. Ele perdeu a traseira do carro, foi para a brita e bateu de frente na proteção de pneus. Tirando sua autoestima, ninguém saiu ferido. No momento da interrupção, Oscar tinha 1min15s176, o melhor tempo do fim de semana até então. Max estava 0s152 atrás. Eram os únicos com tempos registrados.

Bandeira vermelha em classificação trava o cronômetro. Quem estava na pista fechando volta, porém, gastou borracha à toa. Eram sete pilotos – fora Leclerc, que bateu. Teriam de fazer suas primeiras voltas rápidas com pneus usados quando os boxes fossem reabertos, ver o que dava, correr para a borracharia, colocar pneus novos e ir à luta de novo. Não daria tempo de respirar. Alguns iriam direto para uma volta só, com pneus novos. Piastri e Verstappen estavam um pouco mais sossegados.

Pouco mais de dez minutos depois da batida de Charlinho, a sessão recomeçou. Antonelli foi o primeiro a abrir volta: 1min15s414 o tempo dele. Russell fez 1min15s145 logo em seguida, assumindo a ponta. Hadjar e Hamilton fizeram voltas bem discretas com os pneus usados e se colocaram em quinto e sexto. Norris, Lawson e Hülkenberg deixaram para o fim, uma volta só com pneus novos e ponto final.

O grid de Barcelona: primeira fila com Hamilton de Ferrari

O braço de ferro final entre Antonelli e Russell foi bem legal. Voltas abertas, era setor roxo pra cá, setor roxo pra lá. Kimi fez 1min14s998, primeiro a baixar de 1min15s. E George, na sequência, cravou 1min14s679 – 0s319 melhor que o garoto imberbe com acne, uma bela volta. Ufa, suspirou o britânico, já imaginando o que dona Veronica diria a Toto Wolff. Ainda faltava um candidato, porém: Hamilton. Abriu bem a volta, fez uma segunda parcial promissora, mas bateu a ampulheta 0s064 atrás de Russell, na segunda colocação. Kimi ficou em terceiro. Norris, Verstappen, Hadjar, Piastri, Lawson, Hülkenberg e Leclerc fecharam os dez primeiros.

“Primeiros”, reforçando: primeira vez que Antonelli ficou fora da primeira fila no ano; primeira vez de Hamilton na primeira fila com a Ferrari; primeira pole de Russell na Espanha.

E primeira chance de George de salvar o campeonato.

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SAGRADO CIRCUITO (1)

Norris: supresa com a McLaren em primeiro

SÃO PAULO (e ainda não terminou) – A notícia mais importante da sexta-feira em Barcelona não teve nada a ver com o que aconteceu em Barcelona — no caso, Lando Norris fechando o primeiro dia de treinos livres para o GP da Catalunha em primeiro.

A notícia, mesmo, tem origem no domingo passado, em Mônaco. A Alpine, que tinha pedido revisão das punições a Pierre Gasly, ganhou no tapetão. E com justiça. O francês tinha cruzado a linha em terceiro no Principado. Mas tinha dois pênaltis de 5s para pagar por excesso de velocidade nos boxes. Com os tempos corrigidos, caiu para sétimo.

Eu achei que não ia dar em nada. Mas deu. A Alpine apresentou à FIA provas de que a medição do ponto de entrada no pit-lane até o ponto determinado para calcular a velocidade estava errada. Uma diferença de 77 cm. A FIA mede a velocidade no pit-lane com aquela fórmula clássica, que a gente aprende na escola: velocidade = espaço/tempo. Não é propriamente um radar como os que a gente vê nas ruas e estradas.

Gasly em Mônaco: terceiro na pista, terceiro no tapetão

Gasly tinha sido flagrado, nessa medição, a 60,1 km/h e a 60,4 km/h. Com a revisão, essas velocidades caíram para menos de 60 km/h. O francês disse, em Mônaco, que seu pódio fora “roubado”. Recuperou o terceiro lugar e festejou muito hoje pela manhã em Barcelona. Quem estava à sua frente até o sétimo lugar caiu uma posição. O resultado de Monte Carlo, pois, ficou assim (em negrito, os que foram afetados pela mudança):

  1. Kimi Antonelli
  2. Lewis Hamilton
  3. Pierre Gasly
  4. Isack Hadjar
  5. Oscar Piastri
  6. Liam Lawson
  7. Arvid Lindblad
  8. Alexander Albon
  9. Esteban Ocon
  10. Fernando Alonso

A pontuação do campeonato também muda, claro, mas em posições intermediárias. Não se preocupem muito com isso. Mercedes, Red Bull e McLaren estudam recursos contra a alteração do resultado. Explica-se. Alguns pilotos dessas equipes também foram punidos com 5s pelo mesmo motivo que Gasly, como Oscar Piastri e George Russell. No caso rubro-taurino, o protesto seria contra a perda do pódio de Hadjar. Franco Colapinto e Lewis Hamilton também foram punidos, mas como a revisão não muda em nada suas posições finais, o assunto está encerrado em relação a eles.

E por que só o caso de Gasly foi revisto? Primeiro, porque a Alpine foi ligeira e entrou com o pedido imediatamente depois da corrida. E, diligente, foi armada com provas. Depois, porque o francês não pagou os pênaltis na hora, como fizeram os demais — perdendo 5s parados nos boxes. Pierre só levou o acréscimo de tempo, algo que pode ser revertido. O que aconteceu na pista, aí não dá para voltar atrás. Como calcular o que seria da corrida de Russell, por exemplo, se ele não levasse um drive-through no final como consequência por não ter pagado o pênalti no pit stop?

Não tem jeito. A FIA pediu desculpas, assumiu o B.O., mas é difícil mudar algo agora. A Alpine foi diligente, provou seu ponto de vista e tinha como recuperar as posições perdidas depois da bandeira quadriculada. As demais não têm o que fazer, a não ser mostrar sua contrariedade com a entidade.

O erro de medição no pit-lane é meio ridículo, para uma categoria tão cara e sofisticada quanto a F-1. Mas acontece. Não sejamos tão rigorosos.

A Barcelona, agora.

O dia foi de sol e calor na região do autódromo de Montmeló, que a partir de agora não recebe mais o GP da Espanha, mas sim o de Barcelona-Catalunha. Poderiam chamar só de GP da Catalunha para simplificar as coisas, mas vá lá. Tanto faz. Essa prova, a partir do ano que vem, passa a revezar com o GP da Bélgica no calendário. O GP da Espanha será o de Madri, cuja pista estreia nesta temporada, em setembro.

O primeiro treino livre teve essa turminha da pesada aí em cima, no lugar dos titulares de Ferrari (Hamilton), McLaren (Norris), Cadillac (Sergio Pérez), Mercedes (Antonelli), Red Bull (Hadjar), Williams (Albon) e Audi (Nico Hülkenberg). Já tem alguns anos, a regra: cada titular tem de ceder seu carro duas vezes por temporada em treinos livres a pilotos novatos. Alguns times começaram a ticar a obrigatoriedade em Barcelona, pista que todo mundo conhece de cor e salteado.

O destaque foi o estoniano Paul Aron, sexto com a Audi. Leonardo Fornaroli, atual campeão da F-2, também andou direitinho e ficou em quinto. Luke Browning, da Williams, nem conseguiu sair dos boxes, coitado. O carro apresentou um problema elétrico. George Russell, com 1min16s363, foi o primeiro colocado na sessão.

Embora Norris tenha feito o melhor tempo do dia, 1min15s426, o grande vencedor da sexta-feira foi Russell. Em baixa depois das cinco sapatadas seguidas que tomou de Antonelli, o inglês conseguiu ficar bem à frente do italiano na folha de tempos. Segundo colocado atrás de Norris, a meros 0s009 de distância, George colocou 0s580 em cima de Kimi, que teve algumas dificuldades no único treino que fez.

É uma chance de começar a se recuperar no campeonato. Com 68 pontos de déficit para o companheiro de equipe, Russell não pode mais se dar o luxo de levar outra pancada. É verdade que a McLaren, meio que do nada, apareceu como possível adversária na pista catalã. Mas sua prioridade é andar na frente de Antonelli. Se tiver só um banheiro disponível no motorhome (ainda chamo os prédios das equipes de motorhomes, sorry), é ele quem tem de fazer xixi primeiro. Quando chegam as macarronadas no almoço, tem de ser dele o primeiro prato. Se estiverem dividindo quarto de hotel, o primeiro a entrar no chuveiro.

A gracinha do dia foi essa toalha aí em cima com a inscrição “To Kimi, not Kim”. Parece que tem algo a ver com uma bobagem qualquer sobre a toalha que Antonelli deveria usar antes do pódio em Mônaco e que foi tomada emprestada pela suposta namorada de Hamilton, Kim Kardashian. Confesso que não dei maior importância ao episódio. Mas, hoje, qualquer bobagem vira “conteúdo”. Está registrada a nova toalha.

Mais importante que a toalha foi a definição do regulamento de motores para os próximos dois anos. Hoje 53% da potência gerada vem do motor a combustão e 47% dos componentes elétricos. No ano que vem essa proporção será de 58% a 42% e, em 2028, 60% a 40% — com os motores a combustão ganhando mais protagonismo. O fluxo de combustível será aumentado em 5% em 2027 e em 13% em 2028.

É um começo.

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ENCHE O TANQUE

Esse leitor costuma me mandar fotos aleatórias de postos de gasolina na Europa. É meio misterioso, não se sabe onde vive. Mas está sempre por perto de onde tem corrida. O que se sabe é que costuma rodar bastante pelas bandas do Mediterrâneo. Tenho curiosidade para saber qual o carro que usa nessas andanças. A mensagem dele está entre as fotos.

Salve Flavio. Mais um posto para sua coleção. Parece abandonado, mas não é. Fica na GI-623, pouco antes de chegar na AP-7 (também conhecida como Autopista del Mediterráneo) na região de l’Empordá, na Espanha. E segue o jogo! Abraço, JRD

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FOTO DO DIA

Hoje, 10 de junho, me lembra Edison Guerra (na foto, está ao meu lado de pulôver vermelho sobre camisa branca), faz exatos 20 anos do primeiro Farnel de Interlagos. Foi quando reunimos leitores do blog para ver o DKW #96 no nosso campeonato de clássicos, que não lembro exatamente como se chamava naquele ano. Apareceram mais de 400 pessoas. Alguns estão na foto, os leitores mais assíduos do blog na época — não dizíamos “seguidores”. A maioria desapareceu deste espaço. Alguns morreram, já, como o Roberto Brandão, um querido. O Edison está sempre em Interlagos. Os “matuzas”, como se autodenominavam os leitores um pouquinho mais velhos, sumiram pelo mundo. E aqui não há mágoa ou ressentimento. É apenas a vida. Foram anos incríveis, de verdade.

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SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Toto Wolff e Kimi Antonelli: pai e filho

SÃO PAULO (e vem mais!) – Parecem, como diz a legenda, pai e filho. Toto Wolff foi questionado no ano passado por ter promovido Kimi Antonelli a titular da Mercedes, sobretudo na temporada europeia, entre os GPs de Ímola e da Itália, com aquele pequeno hiato canadense — que no calendário deste ano não existe mais, já que puxaram Montreal para perto de Miami. Em nove GPs, o italianinho fez três pontos. Eles vieram de um décimo lugar na Hungria e um nono em Monza.

No Canadá, é verdade, Kimi foi ao pódio, seu primeiro na F-1. Mas, na Europa, soçobrou. E a escolha de Toto foi colocada em dúvida. O menino, afinal, tinha só 18 anos. Não passou nem pela F-3. E iria substituir o maior de todos, Lewis Hamilton. A carga não seria pesada demais para o garoto que tinha um ursinho de pelúcia no quarto?

Em nenhum momento, porém, o homem-forte da Mercedes cogitou voltar atrás. Insistiu. Deu a Kimi todo apoio possível. Agiu como um pai bondoso e paciente, mestre e guru.

Domingo, em Mônaco, Antonelli ganhou sua quinta corrida consecutiva, a primeira da Mercedes desde 2019 com Lewis Hamilton, naquela prova emocionante pouco depois da morte de Niki Lauda. É o virtual campeão de 2026 depois de meras seis etapas.

Toto acertou e não foi pouco.

E o que, afinal, está acontecendo com George Russell, que começou o campeonato tão bem e, de repente, despencou num abismo que parece não ter fundo? As duas últimas etapas foram trágicas para o inglês. Ele marcou apenas oito pontos, da Sprint canadense. Antonelli fez 56. A diferença que o italiano tinha sobre o companheiro quando assumiu a liderança do Mundial, no Japão, era de nove pontos. Três corridas depois, passou para 68.

Como desgraça pouca é bobagem — acho que escrevi isso domingo –, George ainda perdeu a vice-liderança do campeonato para Hamilton, que cravou dois segundos lugares seguidos.

Não sei o que está acontecendo com Russell. Nem ele sabe. Falou vagamente sobre uma melhor adaptação de Antonelli aos novos carros da F-1, lamentou os dois GPs sem marcar pontos e atirou nos ombros do jovem parceiro a responsabilidade de ser campeão.

Mas garantiu que não jogou a toalha.

A FRASE DE MONTE CARLO

“Não vou desistir. Acredito em mim e sei do que sou capaz.”

George Russell

Seja lá do que for capaz, Russell precisa parar de dar bobeira, como no pit stop em que não pagou o pênalti de 5s por excesso de velocidade nos boxes. Tinha de entrar gritando para ninguém encostar em seu carro.

OK, entendo que naquela hora é difícil pensar em tudo. Para isso tem a equipe. Mas se não tivesse de fazer um drive-through depois, por conta da falha em cumprir a punição, Russell teria chegado em terceiro. Um pódio que não lhe faria mal algum. Seria um recadinho a Antonelli e, no limite, a ele mesmo: ainda estou aqui.

Pobre George. Não está mais ali.

18 pontos para a VISA etc.: grandes atuações de seus jovens pilotos

Com o quinto e o sexto lugares de Liam Lawson e Arvid Lindblad, a Pode Pagar com Pix? marcou 18 pontos no fim de semana, mesma pontuação da Ferrari. E menos que a Mercedes, apenas, que fez 25 da vitória de Antonelli. O time de Faenza foi o único a colocar dois carros na zona de pontos em Mônaco. E seus meninos conseguiram as melhores posições em GPs de suas curtas carreiras.

O resultado levou a filial da Red Bull a 39 pontos, só dois atrás da Alpine. É a briga pela quinta colocação no Mundial, conhecida também como “a melhor das outras”.

O NÚMERO DE MÔNACO

9

…equipes pontuaram no GP de Mônaco: Mercedes, Ferrari, Red Bull, McLaren, Débito ou Crédito?, Alpine, Williams, Haas e Aston Martin — esta última saindo do zero. Apenas Audi e Cadillac não marcaram. O time das quatro argolas foi mal, mesmo. Mas sua coleguinha americana, também estreante, sentiu o gostinho doce de um décimo lugar de Sergio Pérez, que seria uma merecida recompensa pelo trabalho duro de seu pessoal até aqui (Valtteri Bottas à parte, já que o finlandês não parece muito a fim de ralar o joelho). Pena que o mexicano levou uma punição por posicionar seu carro fora do lugar na segunda largada. Já tinha feito o mesmo na primeira. Outra chance dessas, sabe-se lá quando aparece. E Pérez mostrou que é, mesmo, bom piloto de rua.

Cadillac sentiu o sabor de um pontinho com Pérez; com Bottas, nada

O GP de Mônaco teve 8,3 pontos de média no Ibope em sua transmissão pela TV Globo em sinal aberto. A transmissão em si, como escrevi domingo, foi uma porcaria. Mas essa audiência foi a maior para um GP de F-1 no Brasil desde 2020. Portanto, maior que todas as registradas pela Band(eirantes) entre 2021 e 2025, período em que a emissora do Morumbi deteve os direitos de transmissão da categoria para o país.

É o que a Liberty quer. Se o narrador está num estádio de futebol em Cleveland e a comentarista-repórter atropela o ex-piloto que faz piada sem graça no estúdio, pouco importa aos donos do negócio. E também não importava que o narrador anterior fosse um sujeito chegado a declarações transfóbicas em redes sociais, ou que passasse metade das corridas mandando abraços para advogados.

O que vale são os números. Esses, a Globo entrega.

PROTESTO – A Alpine não se conformou com os dois pênaltis para Pierre Gasly, que totalizaram dez segundos acrescidos ao seu tempo total de prova. O francês cruzou a linha em terceiro e, depois de aplicadas as multas, caiu para sétimo. “Sonho com um pódio aqui desde criança e quando consigo, me roubam”, choramingou o piloto. O time pediu revisão nas medições de excesso de velocidade nos boxes. Vários pilotos tomaram pênaltis iguais. A explicação: quase todos cortam ligeiramente caminho na entrada do pitlane, encurtando a distância entre os pontos de medição. A velocidade dos boxes em Mônaco é de 60 km/h. Dos cinco punidos na corrida, quatro foram registrados a 60,1 km/h. Gasly foi pego a 60,1 km/h na sua parada e a 60,4 km/h quando os carros passaram por dentro dos boxes atrás do safety-car enquanto removiam o carro batido de Charles Leclerc. O pedido de revisão não vai dar em nada.

ADUO – Vocês vão ouvir bastante esse negócio nos próximos dias, especialmente da boca dos eruditos produtores de conteúdo que não sabem distinguir uma biela de um mancal. Trata-se do acrônimo para Additional Development and Upgrade Opportunities, ou “Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização”, em bom português. É o mecanismo que a FIA criou para que as fabricantes de motores possam fazer algumas modificações em seus V6 a combustão — os elétricos estão fora dessa brincadeira — caso seja constatada uma diferença de potência muito grande em relação ao motor mais potente de todos. E o mais potente de todos, por incrível que pareça, foi o Ford. Assim, os demais fabricantes (Audi, Mercedes, Ferrari e Honda) terão a chance de trocar alguns componentes, usar mais tempo de dinamômetro e gastar mais dinheiro para tentar melhorar seus produtos, aproximando-os da potência medida nos motores da Red Bull e de sua filial de bandeira VISA. Mas não se empolguem. Não vai mudar nada na relação de forças da temporada. Tem muita gente falando demais sobre o que não entende. Não é porque será incluída no ADUO que a Ferrari vai começar a voar de um dia para o outro. Nem a Audi. Nem ninguém.

Audi: ADUO não vai fazer o carro voar de um dia para o outro

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… do terceiro lugar de Isack Hadjar, apesar dos chiliques pelo rádio — que fazem parte de seu show desde os tempos da F-2. O franco-argelino conseguiu seu primeiro pódio pela Red Bull depois de enfrentar diversos problemas no carro, o maior deles uma perda de potência que, se tivesse ocorrido em outra pista, tê-lo-ia jogado para a última posição. Mas, em Mônaco, eu de Gol bolinha não seria ultrapassado por Antonelli.

NÃO GOSTAMOS… dos freios de Charles Leclerc, que fizeram o monegasco reclamar a corrida inteira pelo rádio até bater no muro da Antony Noghès, praguejando contra o equipamento. A Brembo, que faz os freios de muita gente no grid, se apressou em divulgar comunicado no domingo mesmo, se dizendo “surpresa” com as críticas. “Trabalhamos com a Ferrari há 50 anos”, informou o texto da fabricante italiana. Charlinho falou que, quando bateu, só o freio da roda esquerda dianteira estava funcionando. Atrás, nada. Na dianteira direita, “um pouco”. O piloto garantiu que vai solucionar o problema em Barcelona, usando a mesma configuração de freios de Hamilton. Circulou por aí a “informação” de que o inglês usa discos de freio da Carbon Industrie, a fornecedora da Mercedes, com quem trabalhou por mais de 15 anos. É pouquíssimo provável que esses boatos correspondam à realidade. Os sistemas são complexos demais para se imaginar um freio com pinças e pastilhas Brembo e disco feitos pela CI. Seria como ter um bloco de motor Audi com virabrequim da Ford. As coisas não funcionam assim na engenharia de alto nível.

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AGENDINHA CATALÃ

E vamos à próxima! É semana do GP de Barcelona-Catalunha, domingo no circuito de Montmeló, pertinho da capital catalã. Nome novo, porque a corrida de Madri passa a ser chamada de GP da Espanha a partir deste ano, segundo o site oficial da F-1. Atenção ao horário do FÓRMULA GOMES no sábado, dia de jogo do Brasil na Copa. Começa mais cedo, às 17h!

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ZEBRINHA RAMPANTE (3)

Antonelli: genial da primeira à última volta

SÃO PAULO (gostamos) – O caos nem sempre é duradouro. Pode acontecer do nada, a partir de algum evento inesperado. O Big Bang, por exemplo. O Universo estava lá, quietinho, o Nada Absoluto, quando uma faísca detonou o processo. Isso foi há alguns bilhões de anos. Vivemos no caos até hoje, vejam só.

Numa corrida de Fórmula 1 meio chata, como estava sendo o GP de Mônaco hoje, o caos foi desperto de seu sono preguiçoso de domingo por causa do asfalto na curva Antony Noghès.

O circuito idealizado por Antony Noghès: não mudou muito

(Primeiro parêntese. Curva em Mônaco tem nome, então que se explique direitinho cada uma, na medida em que elas forem sendo citadas. Antony Noghès foi justamente o cabra que criou a corrida, em 1929. Amigo da família real monegasca, concebeu também o famoso Rali de Monte Carlo, em 1911. E foi ele o inventor da bandeira quadriculada que é usada até hoje para encerrar provas automobilísticas. Morreu em 1978, aos 87 anos, e virou nome de curva em 1979. Antes, aquele ponto do circuito se chamava Curva do Gasômetro, o que é bem mais charmoso.)

Estávamos a 18 voltas do final quando Lance Stroll bateu na Antony Noghès. Tratando-se de Stroll, nada demais. Ele bate de vez em quando, estava lá atrás, azar. Mas mexeu na corrida, claro. Até ali, Kimi Antonelli liderava com 40s de vantagem para o segundo colocado, Lewis Hamilton, da Ferrari. A diferença, construída ao longo de seis dezenas de voltas, seria dizimada pela entrada do safety-car. Muita gente parou para trocar pneu. O líder, inclusive.

Caos na Ferrari: pit stop duplo acaba com corrida de Leclerc

E foi quando o caos acordou. Primeiro na Ferrari. Charles Leclerc, terceiro colocado, era o segundo, na prática. Porque Hamilton carregava uma punição de 5s por excesso de velocidade nos boxes. Foram muitas, as punições, e elas serão listadas ao longo deste longo texto. A Ferrari, inexplicavelmente, chamou Leclerc junto com Hamilton. Atrás, ele teve de esperar o companheiro pagar o pênalti antes de trocar seus pneus. Quando voltou à pista, continuava atrás e Lewis não teria mais os 5s para pagar.

O caos também visitou George Russell. Como Hamilton, tinha um pênalti. No pit stop, a Mercedes, inexplicavelmente, não pagou a multa. Ele seria punido com um drive-through mais tarde que o jogaria de terceiro para 12º na classificação final. O caos. Caos para Pierre Gasly, da Alpine, herói acidental da prova que recebeu a bandeira quadriculada em terceiro, mas recebeu duas punições de 5s e caiu para sétimo. Motivos: excesso de velocidade nos boxes (primeira) e não cumprimento do pênalti quando passou pelos boxes (segunda). Coitado. “Passo a vida me preparando para este momento, sonho com isso desde criança, me fodo a vida inteira nesta merda e me roubam um pódio”, desabafou o francês. “Estou devastado.” A Alpine entrou com um protesto junto à FIA pedindo revisão das punições.

Era pouco? Nada. Ligadaço nas paradas, o Caos, que agora recebe um C maiúsculo, jogou Leclerc no mesmo muro da Antony Noghès quando o safety-car deixou a pista no final da volta 65. Novo safety-car, claro, enquanto o piloto da casa praguejava pelo rádio e maldizia seus freios. Mas a batida no mesmo ponto em que Stroll havia beijado a proteção chamou a atenção dos comissários da corrida. Que notaram, ali, um certo esfarelamento do asfalto. Então, decidiram interromper a prova a dez voltas do final. Bandeira vermelha, todos nos boxes e vamos ver o que faremos.

Depois de meia hora a corrida foi retomada. Uma nova largada com todos parados e a conclusão do GP com alguma ação do Caos, ainda – como, por exemplo, empurrar Nico Hülkenberg em cima de Carlos Sainz e aplicar 10s de multa ao alemão da Audi, que tinha terminado na zona de pontos, mas dela saiu. Outra de Caos, este caótico agente do caos: colocou Sergio Pérez, que fazia uma prova gloriosa com o carro da estreante Cadillac, fora de posição no grid. Quando a corrida terminou, o mexicano foi elevado à décima posição após a punição a Hülkenberg. Uma façanha equivalente a escalar o K2 sem botas e luvas. Mas, investigado, acabou perdendo a colocação. Tomou 10s de punição e caiu para 15º. Fernando Alonso, com o pior carro da história da F-1, foi alçado ao 10ª lugar e fez seu primeiro ponto no ano.

Pouco? Vocês que pensam… Caos, durante a bandeira vermelha, incitou mecânicos da Red Bull a mexerem no carro de Isack Hadjar. Mexe, mexe ali! Mas não pode!, alegaram os mecânicos. Mexe, rapaz, não dá nada, ninguém tá vendo! Estavam vendo. Hadjar chegou em terceiro. Pódio, seu primeiro pela equipe. Também caiu na malha fina das investigações. Poderia perder o troféu, o que seria muito doloroso para um rapaz que fez a corrida todo com seu motor de Corcel falhando, sem potência. No final das contas, os comissários decidiram não punir o piloto porque a Red Bull os convenceu de que os mecânicos, alertados pelos fiscais, reverteram o que quer que tivesse sido mexido no carro de Hadjar.

Caos estava dormindo na hora da bandeira vermelha causada pelo asfalto porque havia fracassado em sua primeira ação dominical, a saber: empacar o carro de Max Verstappen, segundo no grid, ali mesmo na largada. Segundo seus planos diabólicos, alguém iria acertar o carro do holandês, parado na reta, causando um gigantesco acidente, se possível, com vítimas fatais. Não aconteceu nada, todos desviaram e Caos ficou irritado. Não vou fazer mais nada e foda-se, disse, falando sozinho. Vou tirar uma soneca.

Hamilton, Antonelli e Hadjar: no pódio com o príncipe

Este texto já vai à lonjura e ainda não disse quem ganhou a corrida, mas creio que todos já o sabem. Antonelli foi o vencedor, e vamos esgotar neste parágrafo as informações básicas decorrentes de sua vitória. São cinco seguidas em seis etapas do Mundial, façanha inédita: nunca um piloto venceu suas cinco primeiras corridas de forma consecutiva. Outra: desde 2020 que um piloto da Mercedes não ganhava cinco seguidas. Foi Hamilton, nos GPs de Eifel (Nürburgring), Portugal (Portimão), Emilia-Romagna (Ímola), Turquia e Bahrein. Ano de pandemia, algumas dessas provas não fazem mais parte do calendário, mas Turquia e Portugal vão voltar. Kimi fez a pole, a melhor volta e ganhou de ponta a ponta, liderando todas as voltas. Isso aí se chama Grand Chelem (continuo sem saber que diabos quer dizer “chelem”), ou Grand Slam (o que é “slam”?). Aos 19 anos, é o mais jovem a conseguir o feito. É também o mais jovem vencedor de GPs em Mônaco. O resultado — vitória, segundo lugar de Hamilton e zero ponto para Russell – eleva sua liderança no campeonato a 156 pontos, contra 90 do novo vice-líder, Lewis. George está 68 pontos atrás, com 88, e podem esquecer a disputa pelo título, Kimi será o campeão, e será merecidíssimo. A Mercedes segue invicta em 2026: seis corridas, seis poles e seis vitórias.

Voltemos ao caos de Caos.  

Na largada, como dito, Verstappen ficou ancorado no lugar. Por sorte ninguém bateu nele, o que levou Caos a tirar uma soneca. Sem Max para incomodar, Antonelli partiu sozinho, trazendo os dois carros da Ferrari com ele. Ganhou a corrida ali. O holandês da Red Bull entrou no rádio e perguntou: “O que eu faço?”. O engenheiro pediu que ele levasse o carro para os boxes. O piloto o fez, trocou de roupa e foi para casa.

Kimi na ponta: Grand Chelem aos 19 anos

Em quatro voltas, Kimi já tinha 3s5 sobre Hamilton, o segundo. Leclerc, Hadjar, Russell, Oscar Piastri, Gasly, Lando Norris, Liam Lawson e Alexander Albon eram os dez primeiros. O francês da Alpine foi o único a ganhar posição na pista, passando Lando na subida para o Cassino, manobra belíssima e rara. O resto se posicionou em fila indiana depois de desviar de Verstappen, que puxou o carro para a esquerda e ficou torcendo para não ser acertado por algum desavisado chucro. Pelo rádio, antes de perguntar o que fazer, aproveitou e xingou muito pelo Twitter (alguém se lembra dessa frase?). Xingou o carro e a equipe, bem entendido.

Até a volta 15, pouca coisa aconteceu. Alguns pilotos pararam para fazer logo a troca de pneus, como a dupla da Aston Martin, que trocou médios por macios na terceira volta, e mais Esteban Ocon, Gabriel Bortoleto, Oliver Bearman e Hülkenberg (que colocaram duros). O alemão da Audi estava bem posicionado, em 12º, e perdeu apenas duas posições. O chamado da equipe para o pit stop precoce foi esperto. Poderia dar certo, ao final da corrida, para colocá-lo nos pontos se ele não ficasse preso no tráfego em algum momento. Outro que parou foi Pérez, punido por ter estacionado o carro fora de posição na hora da largada. Da primeira largada. Teria problema semelhante na segunda. Quanto a Bortoleto, largou dos boxes depois de ficar apenas em 16º no grid, porque a Audi teve de solucionar problemas hidráulicos no automóvel percebidos quando levava o carro para o alinhamento.

Lá pela 20ª volta Hadjar, em quarto, começou a reclamar pelo rádio que seu carro estava ruim: pneus, freio-motor, primeira marcha, ar-condicionado, kit multimídia e vidro elétrico não funcionavam. “Vai explodir alguma coisa!”, gritava. Colado nele, Russell esboçava tentativas de ultrapassagem. Como não dava, ficou esperando a explosão prevista pelo franco-argelino.

Hadjar, com todos seus problemas, virava voltas cerca de 2s piores que as dos três primeiros colocados, deixando Russell desesperado. Na volta 28, o piloto da Red Bull estava quase 30s atrás de Leclerc, o terceiro colocado. Falando dos três primeiros, esquecidos a esta altura, cumpre informar que todos desfilavam tranquilamente pelas ruas de Mônaco separados por distâncias intransponíveis: Kimi em primeiro 12s à frente de Hamilton, Hamilton 3s à frente de Leclerc.

Lewis parou na volta 29 e colocou pneus duros. Voltou ainda em terceiro, já que a vantagem para Hadjar era gigantesca. Na volta 32, sem ter o que fazer, a Mercedes chamou Russell para os boxes. Colocou pneus duros e voltou em oitavo. Foi uma boa ideia – e óbvia. Teria pista livre para descontar o tempo que perdera na caça a Isack, que quando fizesse seu pit stop fatalmente voltaria atrás.

A Red Bull respondeu na volta seguinte chamando Hadjar, mas o tempo que George ganhou naquela volta de saída dos boxes foi o suficiente para ganhar a posição do piloto da Red Bull. No mesmo instante, a direção de prova informou que Hamilton seria punido com 5s em seu tempo total de prova porque excedeu a velocidade limite de 60 km/h nos boxes. Poderia comprometer sua posição em relação a Leclerc no final. Teria de descontar o pênalti na pista. O monegasco parou na volta 35 e quando retornou à pista estava mais de 10s atrás do companheiro.

O líder Antonelli parou na volta 37. Se quisesse comer um Crêpe Suzette (o original, com Grand Marnier), daria tempo. Tinha um ano de vantagem sobre Hamilton, o segundo colocado. Russell, seu atormentado parceiro, também foi punido com 5s por excesso de velocidade nos boxes. No seu caso, não teria grandes problemas porque Hadjar, que vinha atrás dele, estava muito longe, cada vez mais. Mas, como já sabemos, o Caos intercedeu e o pagamento da multa, para George, foi… caótico.

Na volta 43, Russell colou em Norris, que ainda não tinha parado. A McLaren pediu ao inglês para segurar o ritmo de modo a permitir que Piastri, que estava em quarto, pudesse parar e voltar na frente do inglês da Mercedes. Que, claro, reclamou pelo rádio. “Vejam, ele está me bloqueando! Propositalmente andando devagar para favorecer seu companheiro de equipe nascido na Austrália, ex-colônia de nosso reino. Enxergo ressentimentos históricos, aí. Seria algo relativo a…” Nesse momento Toto Wolff o interrompeu e avisou, com algum enfado: “Você já passou ele, George”. De fato, na volta 45, dentro do Túnel, Lando reduziu a velocidade. A equipe o chamou para os boxes para abandonar. Tinha algum problema na bateria, relatado algumas voltas antes no rádio pelo próprio piloto.

Piastri parou na volta 50 perdendo duas posições, para Russell e Hadjar. George tinha de abrir mais de 5s sobre o francês porque havia uma punição a pagar. E Hamilton, segundo, precisava fazer o mesmo sobre Leclerc. A tarefa de Lewis era mais complicada. O monegasco, àquela altura, estava menos de 5s atrás do inglês. Gasly, Franco Colapinto e Piastri, a exemplo de Hamilton e Russell, também foram punidos com 5s por excesso de velocidade no pitlane. Muito esquisito. Era muita gente levando multa pelo mesmo motivo.

Na volta 56, Antonelli colocou uma volta sobre Russell, o quarto colocado. Há algo de humilhante, nisso. Naquele momento, apenas os três primeiros colocados estavam na mesma volta. Leclerc já andava perto o bastante de Lewis para garantir o segundo lugar com a correção dos tempos.

E foi então que, na volta 60, Stroll bateu na Antony Noghès, a última curva do circuito, também conhecida como 19 pelos insensíveis que preferem números a nomes. O safety-car foi acionado. A vantagem de 40s que Antonelli tinha sobre Hamilton evaporou. A Ferrari chamou o inglês para os boxes. Leclerc veio junto. Não fez o menor sentido. Como Lewis pagou seu pênalti nos boxes, Charles voltaria atrás dele sem ter a vantagem dos 5s. Ficou, justificadamente, pistola. Xingou muito no Twitter.

Muita gente parou e colocou pneus macios para a parte final da prova. Antonelli foi um deles, para se defender do previsível ataque de Lewis na relargada. Nessas paradas, Russell perdeu a posição para Hadjar. Desgraça pouca é bobagem.

O safety-car saiu da frente do pelotão no final da volta 65. Mas nem deu tempo de relargar. Entrando na Antony Noghès, novamente ela, a curva 19, Leclerc bateu. Desgraça pouca é bobagem também para ele, já prejudicado pelo caos que é o Departamento de Estratégias de Merda da Ferrari. Novo safety-car. O monegasco entrou no rádio e disse: “Não vou assumir essa culpa! Esses freios de merda!”, esbravejou. OK, fiquemos com sua palavra. Pódio perdido. Charlinho chegou nos boxes cuspindo marimbondos.

A direção de prova seguia mandando informes sobre punições: Russell não pagou os 5s no pit stop, investigado; Gasly passou do limite de velocidade de novo, investigado. E, então, a mensagem mais bombástica: bandeira vermelha na volta 68, corrida interrompida!

Por quê? Oh, por quê?, todos se perguntavam. Não era só levantar a Ferrari de Leclerc com a grua e mandar para o ferro-velho?

Acordaram o Caos, deu nisso.

Todos foram para os boxes. Antonelli, Hamilton, Hadjar, Russell, Gasly, Piastri, Lawson, Arvid Lindblad, Albon e Sainz eram os dez primeiros no momento da interrupção. Alguns, como Russell, Gasly e Colapinto, tinham pênaltis a pagar. Hadjar e Hamilton estavam sendo investigados por possíveis irregularidades sob safety-car. Eram 16 os pilotos na pista, com seis fora: Leclerc, Stroll, Norris, Oliver Bearman, Valtteri Bottas e Verstappen.

O motivo da paralisação, logo ficou claro, foi o fato de o asfalto na curva 19, justamente onde Stroll e Leclerc bateram, estar se desmanchando. O trecho fora recapeado recentemente – um remendo vulgar e grosseiro, provavelmente feito pela mesma empresa que presta serviços à prefeitura corrupta de São Paulo, que usa o dinheiro do contribuinte para financiar o filme do Saco de Bosta.

Esfarelando, o asfalto deixava pedriscos na superfície e, provavelmente, foi o motivo das batidas dos dois, ainda que Leclerc tenha insistido em culpar os freios depois da corrida.

A possibilidade de encerrar a prova prematuramente, sem o cumprimento das últimas dez voltas, não estava descartada. E era prevista pelo regulamento, com mais de 75% das voltas completadas – nesses casos, a pontuação é integral. Mas ao meio-dia de Brasília, 17h no Principado, veio a informação: o GP seria reiniciado às 17h12 mais de meia hora depois da interrupção. Curiosidade: após os cinco investigados/punidos pagarem suas multas, até Alonso e Pérez tinham chance de pontuar com seus calhambeques da Aston Martin e da Cadillac.

Pérez: décimo na bandeirada, mas acabou punido

Antes da nova largada, a direção de prova informou que Hamilton não seria punido. Hadjar se livrou de uma de suas investigações (como Hamilton, teria deixado espaço demais entre seu carro e o da frente atrás do safety-car), mas ganhou outra pelo trabalho dos mecânicos em seu carro durante a bandeira vermelha. Os carros saíram atrás do safety-car, deram uma volta – que contou como sendo a 69ª – e alinharam no grid para nova largada parada. Estávamos na volta 70 de 78.

Era a chance de Hamilton. Se largasse melhor que Antonelli, ganharia a prova. Mas não deu. Kimi largou bem de novo e manteve a ponta com uma maturidade espantosa. Hadjar, sem potência no motor, perdeu duas posições, para Russell e Gasly – que teriam de pagar punições. Caos não estava satisfeito. No meio do pelotão, mandou suas más vibrações para cima de Sainz. O espanhol foi acertado por Hülkenberg na Loews e por Colapinto na Portier. Abandonou com a suspensão quebrada na entrada do Túnel.

(Segundo parêntese. Loews era o nome do hotel inaugurado em 1975 naquele ponto do Principado. Por isso a curva fechadinha, a mais lenta da F-1, passou a ser chamada pelo nome do hotel, o que carregava alguma formosura. Antes de o hotel ser construído era a Curva da Gare, por causa da estação de trem. Em 1998, o Loews foi comprado por um investidor miliardário chamado Toufic Aboukhater, de origem palestina. Ele o rebatizou como Monte Carlo Grand Hotel, mas nunca pegou como nome de curva. Em 2004 a rede Fairmont incorporou o empreendimento, mas igualmente não colou como nome de curva. Assim, é Loews. E peço encarecidamente que os brilhantes narradores e comentaristas e repórteres do Grupo Globo parem de chamar a curva de “hairpin”. Hairpin é o caralho. Meu nome é Loews. Quanto à Portier, é o nome do bairro onde fica aquela curva, Le Portier, à beira-mar. Aliás, a curva é a mais distante do ponto de largada da prova – informação sem maior relevância. Foi lá que Ayrton Senna bateu em 1988 quando liderava a prova com larga vantagem sobre Alain Prost. Bateu, desceu do carro e foi para seu apartamento, que ficava em Le Portier. Túnel é túnel, mesmo.)

Na volta 72, Antonelli, Hamilton, Russell, Gasly e Hadjar eram os cinco primeiros. Russell, porém, teve de pagar sua punição, um drive-through. Voltou em 14º e saiu dos pontos. Kimi e Lewis sumiram na frente de Gasly, o quase milagroso terceiro colocado. Antonelli não se abalou minimamente com as intempéries da corrida. Seguiu altivo na frente e só foi visto de novo quando estacionou diante do pódio e abriu o mais largo sorriso que já se viu naquelas ruas chiques e glamurosas.

Antonelli ganhou com 6s2 de vantagem sobre Hamilton, que foi ao pódio de Mônaco pela oitava vez, igualando o número de troféus de Senna – que, no entanto, venceu seis vezes, contra três de Lewis. Hadjar teve o pódio confirmado cerca de três horas depois da corrida e os demais que pontuaram foram Piastri, Lawson, Lindblad, Gasly, Albon, Ocon e Alonso – este último, graças à punição a Pérez. Bortoleto ficou em 11º.

No pódio, Toto Wolff foi receber o troféu da Mercedes, algo incomum. Todos estavam muito felizes. Hamilton, do alto de seus 41 anos, olhava para o lado e via um piloto de 19 anos, Antonelli, e outro de 21, Hadjar. Juntos, não somavam sua idade.

E deve ter pensado: esses meninos são danadinhos.

Everaldo em Cleveland: vergonhoso

GLOBOLIXO” – Colocar um narrador dentro de um estádio em Cleveland para narrar um GP de F-1 em Mônaco é uma das coisas mais ridículas que a Globo já fez na sua cobertura esportiva. Os envolvidos, narrador, inclusive (e não venham com intrigas; Everaldo é meu amigo, minha cria, não tem nada de pessoal aqui), transformaram isso em grande façanha nas suas redes sociais. Não é. É patético, isso sim. Mostra que a emissora não se preparou para os eventos que iria transmitir neste final de semana. Eventos grandes: último amistoso da seleção antes da Copa do Mundo e GP de Mônaco. Que mandasse alguém para Monte Carlo. Ou designasse alguém para narrar do estúdio no Brasil. Marques está nos EUA para a Copa, não para fazer F-1 a distância. Fora o resto. A moça que virou comentarista não comenta, reporta. Por isso a repórter designada para a função nessa corrida não reportou nada. Ambas, no entanto, distribuíram sorrisos no ar. Pareciam estar num convescote. E mais. Um dos comentaristas, Luciano “Vou Te Falar Que” Burti, tenta ser engraçado o tempo todo e não consegue nunca. Fala em “trocar a cueca” para descrever momentos em que pilotos levam sustos em Mônaco. Escatologia não é humor. É vulgaridade. Copia aí, IA. O apresentador no estúdio no Brasil é um menino com vocabulário, gestual e comportamento de quem tem 15 anos. Parecia estar num parquinho de diversões mostrando os brinquedinhos ao irmão mais novo. Na sexta à noite ele comandou um programete, que eu não conhecia, que contou, na função de comentaristas, com um ex-ator e uma pilota que não sabem falar. A moça, inclusive, força um sotaque “caipira” que virou mania em São Paulo. Só gracinhas e bobagens. Ainda bem que tem a F1TV. Ver o pré-corrida hoje na Globo foi o suficiente para abandoná-la de vez. Se a cobertura de F-1 era ruim na Band(eirantes), na volta à Globo ficou ainda pior. Um horror, tudo um horror.

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