AGENDINHA XING-LING
Não dá nem pra respirar! GP da China no próximo fim de semana, e com Sprint! Seguem os horários!

Não dá nem pra respirar! GP da China no próximo fim de semana, e com Sprint! Seguem os horários!


Max Verstappen vai disputar as 24 Horas de Nürburgring em maio com esse carro aí em cima. Sim, é um Mercedes preparado pela AMG, oficial de fábrica. Antes, no dia 21 de março, corre uma prova de quatro horas na pista alemã — entre os GPs da China e do Japão. Quem teve a percepção de que a F-1 não é sua prioridade e que ele está pensando no futuro (próximo) não está errado.

SÃO PAULO (médio) – No fim das contas, deu a lógica. A Mercedes, que sonha em retomar o controle da F-1 perdido na última geração de carros (★2022 †2025), conseguiu uma previsível dobradinha no GP da Austrália na madrugada desde domingo em Melbourne. George Russell, o pole, venceu. Kimi Antonelli, segundo no grid, terminou em segundo. Charles Leclerc, da Ferrari, completou o pódio. Gabriel Bortoleto, na estreia da Audi na categoria, foi o nono colocado.
Russell venceu pela sexta vez na categoria. Sua equipe não fazia um 1-2 desde o GP de Las Vegas de 2024. Na ocasião, ele mesmo venceu, com Lewis Hamilton em segundo.
A corrida teve alguma dramaticidade antes mesmo de começar. Primeiro, Oscar Piastri rodou e bateu forte quando levava seu carro para o grid. O piloto da McLaren, correndo em casa, não poderia escolher lugar pior para cometer um erro tão desastroso. Na curva 4, ele estava sobre a zebra quando, segundo a equipe, trocou de marcha e uma potência inesperada (para ele) entrou de repente, fazendo seu carro dar uma chicotada para dentro. Foi erro seu?, perguntaram os repórteres assim que ele voltou aos boxes. “Sim”, respondeu. “Você está muito triste?” “Sim.” “É a maior desgraça da sua carreira?” “Sim.” “Você está com vergonha do que fez?” “Sim.” “O torcedor australiano tem o direito de te vaiar?” “Sim.” “Você não acha que está na profissão errada?” “Sim.”




O outro que nem largou foi Nico Hülkenberg, da Audi. Também estava indo para o grid quando seu carro apagou e foi recolhido aos boxes. Até agora não se sabe exatamente o que aconteceu – a equipe sabe, claro, mas vai dizer que foi um “problema técnico” sem especificar qual.
Com 20 carros no grid, pois, a primeira largada de 2026 foi dada depois de acesas luzes azuis na lateral da pista, indicando que os pilotos tinham 5s para acelerar os carros e “encher” o turbo antes que o tradicional semáforo de cinco luzes vermelhas autorizasse o início da prova. Leclerc saiu que nem um foguete, passou todo mundo e assumiu a ponta, vindo de quarto no grid. Na segunda volta, Russell recuperou a liderança. As primeiras voltas ofereceram ao público um passa-passa infernal, motivado por largadas muito distintas. Alguns carros voaram. Outros partiram claudicantes. Resultado: Fernando Alonso apareceu em décimo na primeira volta. Max Verstappen, em 16º. Liam Lawson caiu para 18º. Hamilton pulou para terceiro. Antonelli despencou para sétimo. Pierre Gasly surgiu em nono. Arvid Lindblad, em oitavo.


Na volta 3, no troca-troca gerado pelos diferentes níveis de bateria, Leclerc passou Russell de novo. A lógica da corrida, pelo menos nas primeiras voltas, era bem diferente da que estávamos acostumados a ver. Abrir uma boa vantagem para quem estava atrás não queria dizer muito. Porque em algum momento o sujeito ficaria sem energia onde o rival teria mais carga de bateria, e a aproximação aconteceria de repente.
Russell pegou a ponta de novo na volta 8. E perdeu novamente no fim da volta. Estava divertido, isso não se pode negar. Enquanto Leclerc e Russell trocavam tapas, Hamilton, atrás deles, observava atentamente e esperava alguma brecha para, quem sabe, passar os dois. Na volta 11, quem chegou para a festinha da ponta foi Antonelli, que já havia começado uma recuperação.
Nesse momento, Isack Hadjar parou com seu Red Bull fumaçando. “O que quebrou, Isack?”, perguntou o engenheiro. “Tudo”, respondeu o francês, desolado. O safety-car virtual foi acionado e quem estava passando pela entrada dos boxes parou e trocou pneus. Como houve certa demora na retirada do carro quebrado do acostamento, outros tiveram essa chance na volta seguinte. A dupla da Mercedes entre eles. Mas a Ferrari ficou na pista.
O ritmo normal foi retomado na volta 14 com Leclerc, Hamilton, Russell, Lindblad, Antonelli, Verstappen (já em sexto), Oliver Bearman, Bortoleto, Lando Norris e Esteban Ocon nas dez primeiras posições. Foi quando a Aston Martin chamou Alonso para os boxes, como se previa no âmbito da crise entre a equipe e a Honda.




Um novo safety-car virtual foi acionado na volta 18, quando Valtteri Bottas quebrou seu chiquérrimo Cadillac, estancando perto da entrada dos boxes. Quem não tinha parado ainda para trocar pneus aproveitou. Menos a Ferrari, de novo. Leclerc e Hamilton, mesmo se quisessem, não podiam mais parar porque na remoção do carro de Bottas a entrada dos boxes foi fechada.
Com exceção de Verstappen, que tinha largado de pneus duros e teve de trocar para médios, todos os que haviam feito seus pit stops colocaram duros com a intenção de ir até o fim da corrida. A dupla ferrarista seguia ponteando a prova com pneus médios, tendo ainda de fazer ao menos uma troca obrigatória. Leclerc, o líder da corrida, parou na volta 26. Voltou na quarta colocação.
Hamilton, o novo líder, tinha dito pouco antes ao seu engenheiro, de quem não sabia o nome, se tinha bigode, era careca, ou que língua falava, que seus pneus estavam bons e que não era para ser chamado aos boxes. O engenheiro não respondeu nada, entre outros motivos porque não entendeu o que Lewis tinha pedido. Frédéric Vasseur, ao seu lado, perguntou o que o piloto havia dito. “Nada importante, falou que está tudo bem e elogiou o ravioli vegano do almoço”, informou. “Também gostei”, concordou o chefe da Ferrari – que ainda não escolheu o coitado que vai trabalhar com Lewis neste ano, depois de rebaixar Riccardo Adami para a F-1 Academy, a categoria das meninas.

Seguiu na pista, o inglês, com Russell em segundo, Antonelli, Leclerc, Norris, Verstappen, Lindblad, Bearman, Bortoleto e Gasly nas dez primeiras posições. Naquele momento, a Aston Martin mandou Alonso de volta para a pista. Deu algumas voltas e parou de novo. Estava na hora do remédio para pressão.
Russell tomou a liderança de Hamilton na volta 28. O heptacampeão, então, foi para os boxes, trocou seus pneus e retornou às alamedas albertianas em quarto, atrás de Leclerc. Antonelli era o segundo, restabelecendo a ordem de largada com a Mercedes começando a rascunhar sua esperável dobradinha.
Mais atrás, Verstappen chegou em Norris na luta pelo quinto lugar. Na volta 35, Lando parou pela segunda vez para não levar um risquinho no capacete. E também porque seus pneus estavam acabando. Max assumiu a posição e o campeão vigente voltou em oitavo, discreto e desanimado como ele só. A Audi também chamou Bortoleto para um segundo pit stop, para devolver o brasileiro à pista com pneus novos na fase final da corrida. Caiu de nono para 11º, mas rapidamente voltou à posição original depois de passar Ocon e Gasly.

Verstappen também parou pela segunda vez na volta 42 e voltou em sexto, atrás de Norris. Na ponta, Russell e Antonelli desfilavam orgulhosos com a estrela de três pontas no bico. Seu Jorge já tinha avisado a equipe que seus pneus eram bons o bastante para ir até o fim da corrida. “Gostaria, inclusive, de parabenizar a Pirelli pelo excelente produto que nos disponibilizou”, falou pelo rádio. “Vejam, no meu carro de rua costumo usar Michelin, já que moro em Mônaco e os pneus franceses são mais fáceis de achar. Já comprei até no Carrefour! Vocês sabem que tenho um cartão de fidelidade que me dá ótimos descontos… Mas vou considerar a possibilidade de trocar de marca se encontrar bons preços perto de casa. Onde troco os pneus eles até dão balanceamento e alinhamento de graça. Outro dia mesmo levei meu…” “Alguém pode desligar o rádio dele?”, pediu Toto Wolff.
A diferença de Russell para Kimi se mantinha estável na casa dos 6s desde o início dos tempos. Não fazia sentido para a equipe inventar nada, mandar apertar o ritmo, liberar uma luta fratricida. Leclerc, o terceiro, estava 9s4 atrás do italianinho. Hamilton era o quarto e nem Mercedes nem Ferrari tinham planos exóticos para a reta final da corrida. Faltando 12 voltas, algo parecido com uma briga, mesmo, acontecia entre Verstappen e Norris pelo quinto lugar, e Gasly x Ocon se estapeando pela décima posição. Bortoleto, em nono, se aproximava rapidamente de Lindblad e já fazia planos de terminar pelo menos em oitavo.
O Max Verstappen queria passar. Tentava e tentava e não podia passar. Lambiase!, seu amigo, tentou ajudar. E o botão de ultrapassagem mandou apertar. E o que aconteceu? Nada, o Verstappen não fez nada.

Mas Bortoleto fez. Ou, pelo menos, tentou. Na volta 55, colou em Lindblad, que fez uma volta muito ruim quando teve de dar passagem aos líderes. O jovem britânico da Pode Parcelar em Três, 18 anos, filho de indiana com sueco, conseguiu se recuperar, porém, e a duras penas acabou se mantendo à frente do quatrargólico.
E nada mais aconteceu digno de nota nas duas voltas finais. Russell ganhou com 2s9 de vantagem para Antonelli, que conseguiu seu quarto pódio na carreira. Leclerc foi com eles buscar seu troféu. Hamilton, Norris, Verstappen, Bearman, Lindblad, Bortoleto e Gasly fecharam os dez primeiros. Se notarem, eram as mesmas posições registradas na metade da corrida, depois dos primeiros pit stops. Arvid, o garoto da filial da Red Bull, estreou com pontos. Está de parabéns. O mesmo vale para a Audi de Bortoleto: primeira corrida da montadora de Ingolstadt, primeiros pontos na F-1. Bearman, da Haas, foi outro que se destacou no segundo escalão – é um piloto que às vezes se atrapalha em classificações, mas vai muito bem em corrida. Oito das 11 equipes chegaram nos pontos. Apenas Williams, Cadillac e Aston Martin zeraram.


Foi legal? Foi. Excepcional? Não. Um desastre? Tampouco. Foi uma corrida OK, divertida nas dez primeiras voltas, enquanto as baterias carregavam e descarregavam com todos muito próximos, sem tempo de olhar direito as informações no volante. Uma vez estabelecidas as posições, cada um tratou de gerenciar sua energia da melhor forma possível e o festival de ultrapassagens, que Russell chamou de “efeito ioiô”, cessou. O maior incômodo, mesmo, foi ver carros ficando lentos antes do final das retas, deixando seus pilotos agoniados para se defender ou atacar. Não há o que fazer. A bateria acaba, a potência despenca e a velocidade desaparece de repente. É bem chato.
Semana que vem tem mais, na China. Lá tem uma reta gigantesca. Capaz de, na metade dela, os pilotos precisarem descer de seus carros para empurrar.
Amanhã, no “Sobre ontem…” falaremos da volta da F-1 à Globo. Agora vou dormir.

SÃO PAULO (hoje sem café) – Quando a F-1 inventou os motores híbridos, em 2014, a Mercedes estabeleceu a mais longa hegemonia da história da categoria. Foram oito títulos seguidos de construtores e sete de pilotos até Max Verstappen, em 2021, interromper a série graças a uma decisão estapafúrdia do diretor de prova da última corrida daquele ano, em Abu Dhabi. Em 2022, estreou uma nova geração de carros na categoria, com mudanças aerodinâmicas radicais. E a Mercedes foi engolida pela Red Bull e, depois, pela McLaren.
A grande novidade de 2014 ano foram os motores. Neste ano, marcado por mais uma revolução técnica, idem – eles, agora, têm metade da potência gerada por um V6 turbo a combustão e outra metade obtida a partir de componentes elétricos. Por isso, muita gente apostava que a Mercedes iria sair das sombras impostas pelo período 2022-2025, dos carros com efeito-solo, para arrebentar outra vez nessa era de novos motores estrambóticos — embora o palpite se baseasse em um único evento; estatisticamente, o retrospecto era modesto para se afirmar que algo parecido com 2014 iria se repetir.

Bem, a primeira fila do primeiro GP da nova era de motores estrambóticos da F-1 é da Mercedes. E com uma facilidade espantosa. George Russell fez a pole na Austrália com o tempo de 1min18s518. Kimi Antonelli, seu imberbe companheiro, larga em segundo. A melhor volta do italianinho ficou a 0s293 da do elegante parceiro britânico. O problema foi a diferença para o terceiro colocado, o surpreendente Isack Hadjar, em sua estreia na Red Bull: 0s785. E para a Ferrari de Charles Leclerc, o quarto, 0s809. E para a McLaren bicampeã do mundo, em quinto e sexto no grid, 0s862 em cima de Oscar Piastri e 0s957 no lombo de Lando Norris. Lewis Hamilton, que chegou a ser cotado para a pole, ficou em sétimo a 0s960 de Russell.
Na F-1, distâncias dessa monta são intransponíveis em curto prazo. A situação chega mesmo a assustar. “Scary”, diriam os britânicos.




Mencionamos aí os sete primeiros. Fechemos o top-10 nesta larga introdução, porque eles merecem aplausos. Arvid Lindblad e Liam Lawson, da sucursal italiana da Red Bull, a famosa Meu Cartão Dá Direito a Sala Vip, ficaram em oitavo e novo. E Gabriel Bortoleto, da Audi, larga em décimo. São resultados dignos de elogios, especialmente o do brasileiro, que avançou ao Q3 na primeira corrida da história da equipe das quatro argolas. Uma proeza. Pena que ele não fez volta nenhuma na parte final da classificação porque seu carro apagou quando retornava aos boxes após o Q2. Mas a façanha já estava consolidada.
Escuta, e cadê Verstappen? Faltou, não apareceu no trabalho?
Quase. O holandês bateu no Q1, ficou sem tempo de classificação e larga no fundo do pelotão. E bateu de um jeito muito esquisito. Mas vamos seguir a ordem cronológica dos fatos para resumir a classificação no Albert Park, que definiu o primeiro grid de 2026. A pancada de Verstappen está logo no começo do relato abaixo.

O sábado foi de sol e temperaturas agradáveis em Melbourne, na casa dos 20°C. No início do Q1, os pilotos da Ferrari, confiantes, optaram pelos pneus médios. Russell, que já tinha sido o mais rápido no terceiro treino livre, foi o primeiro a baixar da casa de 1min20s, com 1min19s840. Naquele instante, superou Bortoleto, que tinha ficado orgulhosamente em primeiro por alguns minutos.
Nos boxes, a turma da Mercedes tentava colocar o carro de Antonelli de pé. O italiano tinha batido forte na sessão livre, ao perder a traseira sobre a zebra da curva 2 e se estabacar no muro.
(Sei que “estabacar” é verbo exótico, não aparece sequer em dicionários formais. Mas Guimarães Rosa fez isso e todo mundo acha lindo – e é.)
Felizmente Kimi não se machucou. Mas ninguém acreditava que a equipe conseguiria juntar os cacos do automóvel a tempo para a classificação. Por via das dúvidas, o menino estava paramentado e de capacete nos boxes enquanto os mecânicos trabalhavam alucinadamente.
Faltando 7min30s para acabar o primeiro segmento da classificação, veio o acidente de Verstappen. Ele escapou na curva 1, foi para a brita e bateu. A bandeira vermelha foi acionada. Foi uma batida incompreensível. No fim da reta, uma roda traseira, a esquerda, travou. Do nada. Sem nenhuma razão. Irritadíssimo, para não dizer “puto dentro das calças”, expressão que aprecio muito, Max entrou no rádio e falou, em tom explicitamente irônico: “Meu eixo traseiro travou. Fantástico”.



Toda sua contrariedade com o novo regulamento ficou clara no breve desabafo. Max, como muita gente, devota ódio eterno ao F-1 moderno, um carro sem pé nem cabeça que só anda se o piloto desacelerar na reta para carregar a bateria – gestão de energia é a prioridade; antigamente, e não tão antigamente assim, tipo ano passado, era apenas andar rápido; quando muito, dar uma segurada para não acabar com os pneus.
E o que a roda travada tem a ver com isso? A Red Bull não explicou direito o que aconteceu, mas como os freios traseiros têm uma função primordial na recuperação de energia, e todo esse sistema complexo e incompreensível para o público é controlado eletronicamente, não se descarta uma pane num sensor qualquer. Jamais saberemos, a não ser que alguém dê com a língua nos dentes.
O fato é que Max saiu do cockpit com dores nas mãos e raiva no coração. Exames não constataram nenhuma lesão. Mas a frustração com os rumos da F-1, essa machucou o tetracampeão. “Não estou me divertindo com esses carros. É só olhar a onboard. É o suficiente.” Foi a forma educada que ele encontrou de dizer “isso é a maior merda já inventada na história das corridas de carros”.
A interrupção ajudou a Mercedes, que milagrosamente conseguiu terminar a montagem do carro de Antonelli. Ele conseguiria, contra todos os prognósticos, participar da classificação. Foram sete minutos valiosos para a equipe concluir o trabalho.
Boxes abertos, Hamilton pulou para primeiro com seus pneus médios, sendo superado logo depois por Piastri e, na sequência, Russell de novo, com 1min19s507. Antonelli fez uma volta boa e se colocou lá na frente. Fechou o Q1 em sexto. Bortoleto foi o décimo. Foram eliminados Fernando Alonso, Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Verstappen, Carlos Sainz e Lance Stroll.

Da Cadillac, não se esperava muito, mesmo. É estreante, vai apanhar bastante que nem vira-lata em posto de gasolina em seus primeiros passos na F-1. Mas, pelo menos, seus carros foram à pista e fizeram tempos. Já os dois últimos, Sainz e Stroll, nem dos boxes saíram — suas equipes vão pedir autorização para largarem e ambos serão autorizados.
Aston Martin e Williams vivem momentos terríveis, principalmente a primeira. Alonso, mesmo assim, quase passou ao Q2. Já a Williams começa a temporada com seu barco cheio de furos. Não participou da primeira semana de testes em Barcelona, andou mais ou menos no Bahrein (o carro está muito acima do peso mínimo, quase 30 kg) e nos três treinos de Melbourne seus carros tiveram panes diversas. Sainz, no sábado, nem precisaria ter vestido o macacão. Não completou uma volta sequer. No segundo treino livre, na sexta, também ficou a pé.
No Q2, a Mercedes mostrou suas garras. Russell saiu dos boxes e de cara bateu o cronômetro em 1min18s934 — o primeiro a entrar nos 18 no fim de semana. Ninguém conseguiu superar o tempo de seu Jorge. Leclerc subiu para segundo, seguido por Antonelli, Piastri, Hadjar, Norris, Hamilton, Lindblad, Lawson e Bortoleto. Foram guilhotinados Nico Hülkenberg, Oliver Bearman, Esteban Ocon, Pierre Gasly, Alexander Albon e Franco Colapinto.
Gabriel conseguiu avançar ao Q3, um ótimo resultado, mas não participou da parte final da classificação. Quando voltava aos boxes, seu carro parou na via de acesso às garagens. Lindblad, que vinha para os pits, quase bateu nele e em Lawson, que estava devagar atrás do brasileiro. A Pode Ser por Aproximação colocou seus dois carros entre os dez primeiros. Como já dito, foi o destaque do sábado, ao lado da Audi de Gabriel.

Os carros da Mercedes eram os grandes favoritos à pole, principalmente Russell. Mas quando começou o Q3, logo uma bandeira vermelha foi mostrada. O problema foi uma patuscada justamente da Mercedes. Antonelli saiu dos boxes carregando um equipamento usado para resfriar o motor, uma espécie de ventilador portátil que se encaixa perfeitamente nas entradas de ar laterais. Os mecânicos esqueceram de retirar o dispositivo quando ele foi à pista. Norris passou em cima do “soprador” e espatifou a peça. Disse que estava olhando para o volante na hora, “porque é isso que fazemos o tempo todo agora, ficamos olhando para o volante para saber o que fazer para não acabar a bateria”. Pararam a sessão para limpar a pista.
1min19s084 foi o tempo da primeira volta boa do Q3, de Russell. Antonelli, que tinha saído antes dele dos boxes, cometeu um erro em sua primeira tentativa e não fechou volta. Norris, apagadíssimo desde sexta-feira, apareceu em segundo provisoriamente, mas a 0s521 do inglês da Mercedes. Aí veio Kimi novamente e virou 1min18s811, um temporal. Uma quase-pole, porque Russell, logo depois, fez sua volta em 1min18s518, 0s293 mais rápido. A Mercedes não fazia uma primeira fila desde o GP da Inglaterra de 2024, com Russell e Hamilton. Foi a 85ª da história da equipe. A pole de seu Jorge, oitava da carreira, foi quase 4s mais lenta que a de Norris na Austrália em 2025, 1min15s096.


E foi de Lando a frase que fechou o dia em Melbourne: “Saímos de [uma geração de] carros deliciosos de pilotar, os melhores de todos os tempos, para os que são provavelmente os piores da história”.
Verstappen, o melhor piloto do mundo, e Norris, o atual campeão mundial, estão detestando essa F-1 esquisita. Verstappen já tinha dado a letra depois dos primeiros testes: “Isso não é F-1”. Norris havia contraposto o colega com um discurso na linha “a gente ganha muito bem para pilotar o que nos derem”. Mudou de ideia.
Isso aí que inventaram não é legal, não. Não sou eu quem está falando.

SÃO PAULO (um café iria bem) – Oscar Piastri, para alegria dos cangurus e coalas do entorno, foi o mais rápido no primeiro dia oficial da temporada 2026 da F-1 em Melbourne. O piloto da casa, que os ingleses gostam de chamar de “local hero” como se todos fossem heróis de capa & espada, fez o melhor tempo da sexta-feira com a McLaren. Apenas seis carros andaram no mesmo segundo no segundo treino livre do dia ensolarado e agradável em Albert Park. Depois dele ficou Kimi Antonelli, a 0s214 de distância, seguido por George Russell (a 0s320), Lewis Hamilton (a 0s321), Charles Leclerc (a 0s562) e Max Verstappen (a 0s637). O resto ficou bem longe. Os últimos, muito longe mesmo — casos da lamentável Aston Martin e da novata e lerda Cadillac. Gabriel Bortoleto, nono no primeiro treino, foi o 14º no segundo.
O primeiro do dia a baixar de 1min20s foi o adolescente Antonelli, que já não carrega as preocupações escolares nesta temporada. Virou uma volta em 1min19s943 com pneus macios na primeira metade da sessão. Russell, a 0s106 dele, manteve o segundo lugar por um bom tempo. A alegria mercêdica durou até Piastri cravar 1min19s729 a 25min do final. Depois a turma se preocupou em fazer simulação de corrida com pneus duros e os tempos ficaram como estavam.


Nos boxes, Sergio Pérez esperava os mecânicos da Cadillac consertarem o ar-condicionado digital de sua limusine. Acabou conseguindo ir à pista apenas nos 8min finais, mas nem fechou volta. “Pare o carro, temos um problema”, avisou seu engenheiro. “Não diga”, retrucou o mexicano. Estacionou no acostamento e ficou sem tempo.
Carlos Sainz foi outro que não aproveitou bem a sexta. Teve algum piripaque no câmbio e andou pouco. Fernando Alonso, que no primeiro treino tinha ficado dentro dos boxes mexendo no celular, foi para a pista, finalmente. Primeira volta, 5s pior que a do líder do momento. Lance Stroll foi ainda pior, mais de 6s atrás. Um desastre. A Aston Martin vai largar, mas dará poucas voltas e recolherá seus carros aos boxes. A situação do time é catastrófica (veja por que na caixinha verde mais abaixo).


Verstappen perdeu tempo parado, também. Quando saía dos boxes no início da sessão, seu carro apagou. Esses carros, como dá para imaginar, não pegam no tranco. Não adianta engatar a segunda, pedir para empurrar e soltar a embreagem. Eles precisam ser reiniciados como qualquer computador, celular ou smartv que trava. No fim do treino, Max deu uma escapada na curva 10, foi para a brita, saltitou na área de escape, arrebentou o assoalho e voltou para os boxes bufando.
Deu para perceber, neste primeiro dia de atividades do GP da Austrália, que Ferrari e Mercedes possuem carros confiáveis e competitivos. A McLaren e a Red Bull oscilaram bastante, mas não devem ser descartadas na luta pela pole-position que será travada a partir das 2h do sábado, pelo horário da Papuda e da Papudinha. Antes, às 22h30 de hoje, acontece o terceiro treino livre do fim de semana.
Agora, no ritmo das caixinhas coloridas, um resumão da sexta-feira em Melbourne:
1-2 VERMELHO – No primeiro treino livre oficial do ano, deu Ferrari. Chaleclé fez a melhor volta em 1min20s267, com Hamilton em segundo a 0s469 dele. Apenas os quatro primeiros andaram no mesmo segundo, com Verstappen em terceiro a 0s522 e Isack Hadjar em quarto a 0s820.

DISTÂNCIA – Ainda no primeiro treino, de Leclerc a Pérez, o 20º, a diferença foi de 4s353. Em 2025, depois do primeiro treino livre em Melbourne, 13 pilotos ficaram no mesmo segundo, de Lando Norris (1min17s252) a Jack Doohan (a 0s980 dele). O último colocado, Oliver Bearman, ficou a 2s060 do inglês da McLaren. Aquele equilíbrio cantado em prosa e verso já era. Pelo menos nestes primeiros meses da nova geração de carros.
ANDA, PARA, ANDA, PARA – Piastri parou na pista no TL1 e disse pelo rádio: “I have no power”. Depois de apertar alguns botões, falou: “Now I have power”. Outro carro que parou do nada foi o de Arvid Lindblad, que depois voltou à pista, no fim do treino – o piripaque aconteceu na saída dos boxes. E ficou com o quinto tempo da sessão. Foi o destaque do dia. Norris, por sua vez, reclamou do câmbio no início, voltou aos boxes e acabou andando muito pouco. Perdeu o treino, praticamente. Alexander Albon foi outro que estancou na pista e não voltou mais.


QUATRO ARGOLAS – Nico Hülkenberg foi o primeiro carro na pista no TL1, abrindo a temporada oficialmente. Fechou a sessão em décimo, com Bortoleto em nono. A Audi vem deixando uma boa impressão neste começo de caminhada, com tempos consistentes e sem problemas de noviciado.
ESPELHO MEU – Curiosidade ainda do primeiro treino: Pérez perdeu o vidro do espelho retrovisor do lado direito. Logo depois, Valtteri Bottas perdeu o do lado esquerdo.
CRISE – Alonso não deu nenhuma volta no TL1. Stroll, só uma. Ontem, Adrian Newey deu uma entrevista chocante. Falou que as vibrações anormais dos motores Honda impedem seus pilotos de darem mais do que 25 voltas com o carro da Aston Martin. Stroll disse que aguenta só 15. Isso porque o volante treme muito, assim como os pedais. De acordo com Newey, o treme-treme é tamanho que pode causar “lesões permanentes” nos dedos dos pilotos. O cara da Honda, do lado dele, não falou nada. Mas o projetista, que é também chefe de pista da equipe verde, falou que o carro é o quinto melhor do grid. E que vai provar isso quando os motores pararem de vibrar loucamente. Estão todos loucos na Aston Martin. Incluindo Newey.


NA TV – Não que eu esperasse outra coisa, mas a primeira transmissão da F-1 na volta ao grupo Globo, no caso com transmissão pelo Sportv, foi conservadora em conserva. Faltou charme, graça, carisma. A turma abusou de “pista desafiadora”, “novos motores são um desafio”, platitudes do gênero. Se soltem, crianças! Falem umas merdas! Chamem flow-vis de geleca! Pelo menos havia duas pessoas em Melbourne, fora o cinegrafista: Mariana Becker, agora como comentarista (pouco à vontade), e Guilherme Pereira como repórter. Narrador e dupla de comentaristas – Bruno Fonseca, Rafael Lopes e Luciano “Obviamente” Burti – estavam no Brasil, no estúdio. Pau que dá em chico dá em francisco: a Globo deveria mandar essa gente para algumas corridas, e a primeira do ano é sempre muito importante. Nisso, está igualzinha à “Bénd”, que em cinco anos de direitos de transmissão não enviou equipe para nenhum GP.
DO ALMANAQUE – O GP da Austrália em Melbourne faz 30 anos – a primeira em Albert Park foi em 1996. É a 24ª vez que a Austrália abre um campeonato. Mais número redondo? Temos. Bernd Mayländer completa domingo 500 GPs como piloto do safety-car. Haja saco.
NOVIDADE – Não custa lembrar: com 22 carros no grid, a classificação muda um pouquinho. O Q1 elimina seis carros, do 17º ao 22º, e não mais cinco. O Q2, mais seis: do 11º ao 16º. O resto é igual, sobram dez para disputar a pole no Q3.
NOVIDADE 2 – Serão cinco trechos sinalizados com uma placa de SM em Melbourne, “straight mode”, ou “modo reta”. Neles, os pilotos podem abrir as asas dianteiras e traseiras sempre que quiserem. O “overtake mode”, onde o piloto pode apertar um botão para despejar velocidade e tentar ultrapassar o cara que estiver a 1s ou menos na frente, será permitido apenas na reta dos boxes.
FORD X CHEVROLET– Jim Farley, CEO da Ford, estava nos boxes da Dez Vezes no Cartão. Mary Barra, CEO da GM, acompanhou os treinos na Cadillac ao lado de Mario Andretti. Na Argentina, antigamente, torcedores da Ford e da Chevrolet se pegavam de porrada nas arquibancadas nas corridas de TC Carretera. Na F-1, mais civilizada, trocam mensagens de zap desejando boa sorte uns aos outros.
SÃO PAULO (chegando a hora) – Pensam que sou só eu? O Elson Luiz Perego mandou a mensagem:
Flavio, boa noite! Sou de Curitiba e sempre leio o seu blog. Estava agora em casa vendo TV, quando escuto um ronco diferente. Quando olho pela janela, nem acreditei e logo lembrei de você! Até achei que era você que estava por aí, rsrs… Fui lá e pedi autorização para o dono e tirei umas fotos.
Olha o que ele viu pela janela…


Semana de corrida! Como no ano passado, todas as segundas teremos aqui os horários e as informações básicas para todo mundo se programar para assistir.

O Douglas Nascimento postou no Instagram dele, com a legenda que segue. Sou vizinho da Colsan. São essenciais.

Se você tem 40 anos ou mais, em algum momento já viu esse ônibus Mercedes-Benz estacionado em algum local da região central de São Paulo. Fundada em 1959, a Colsan, durante muitos anos, levou seu ônibus cidade afora em campanha de doação de sangue. Os locais mais conhecidos de parada deste ônibus eram as praças da Sé, Patriarca e Ramos de Azevedo. A importância do trabalho da Colsan levou, em 1962, o poeta Guilherme de Almeida a dedicar um poema a entidade, chamado “Gota de Vida”. A @colsanoficial não tem mais o ônibus circulando pela cidade, mas mantém diversos pontos de coleta espalhados por ai. Que tal aproveitar a oportunidade para fazer uma doação de sangue? 🩸
O Marcelo Teixeira escreveu:
E aí Flavinho! Estava lendo teu blog e lembrei que tirei uma foto um tempo atrás de um posto de gasolina na região montanhosa de Adirondack, no norte do estado de Nova York, nos Estados Unidos, pensando em te mandar. Apesar do seu anti-americanismo, esse lugar está simpático, vai… Acho que cabe na tua seção “Enche o Tanque”.

Me pareceu tudo fake, mas tudo bem… Valeu Marcelo!

A Ferrari revelou a pintura da 499P que vai defender o título do WEC neste ano. Bicho bonito da peste! O campeonato começa no dia 28 de março no Catar (antes tem testes nos dias 22 e 23 na mesma pista). Depois Ímola (19 de abril), Spa (9 de maio), Le Mans (13 e 14 de junho), Interlagos (12 de julho), Austin (6 de setembro), Fuji (27 de setembro) e Bahrein (7 de novembro).
Quem torcia por um milagre, tipo a Brawn de 2009, caiu do cavalo. A relação de forças da nova F-1 segue a mesma, com as quatro grandes -- Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull -- se revezando na po...