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Será que esse Brasil volta, um dia?

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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

Alonso e Ocon: a lendária Alpine, finalmente, no alto do pódio da F-1

SÃO PAULO(allez!) – Não dava para ser outra, a foto do GP da Hungria: duas gerações de pilotos levando ao degrau mais alto do pódio da F-1 uma marca histórica, Alpine, que já ganhou Mundial de Rali e 24 Horas de Le Mans. A empresa criada lá nos anos 50 por Jean Rédélé, concessionário Renault em Dieppe, na Normandia, merecia a glória. Glória alcançada.

Aliás, se quiserem fazer uma longa pausa para conhecer a história da Alpine, em texto produzido pela assessoria de imprensa da Renault, vale a leitura aqui. Depois voltem ao nosso rescaldão. E aproveitem, também, para escutar aqui a narração da vitória do locutor francês Julien Fébreau, que foi à loucura com a vitória do piloto de seu país.

Enfim, foi um domingo de muitas emoções.

HUNGRIA BY MASILI

Nosso cartunista Marcelo Masili enxergou assim um dos domingos mais emocionantes dos últimos tempos no esporte

Sobraram reclamações da Red Bull pelo acidente causado por Bottas na primeira volta da corrida. Verstappen teve metade de seu carro arrancada pela Mercedes do finlandês. A equipe informou que Max correu com menos “downforce” que a Haas de Mick Schumacher, por exemplo. No fundo, foi quase um milagre o holandês terminar a prova com seu carro todo arrebentado. Vejam como ficou:

Christian Horner, irritadíssimo, anda resmungando pelos cantos sobre a conta para consertar tudo. Em tempos de orçamento limitado, cada batida custa uma fortuna. Mas há pouco a fazer, além de engolir o choro. O negócio, agora, é torcer para que o motor não tenha sido afetado, já que o time está no limite de trocas para toda a temporada, correndo o risco de sofrer uma punição se tiver de substituir algum componente.

Sobre a desclassificação de Vettel, agora. Vai ser difícil reverter. O regulamento é muito claro e, como disse ontem, já aconteceram punições semelhantes no passado. A Aston Martin jura que tinha 1,74 l de gasolina no tanque, que pode ter havido algum problema na bomba, sei lá. Só conseguiram tirar 300 ml. Portanto, a se confirmar o que diz a equipe, ainda tem 1,44 l lá dentro. Tomara que consigam. Que virem o carro de cabeça para baixo. De qualquer maneira, o resultado, neste momento, exclui Vettel da prova. Houve uma certa confusão ontem porque a FIA manteve o alemão em segundo na divulgação do resultado provisório, com a observação de que sua homologação ainda dependia do recurso que o time informou que interporá. Depois, publicaram nova papeleta sem o #5 na segunda colocação.

De novo: vou torcer loucamente para que consigam achar a gasolina e para que as imagens abaixo não sejam apenas uma lembrança amarga para o piloto. Ao lado delas, a classificação das equipes sem os pontos de Vettel. O prejuízo para a Aston Martin foi muito grande, 18 pontos valiosos na briga contra AlphaTauri e Alpine.

Dúvida de ontem que tentarei esclarecer agora. Vocês lembram que assim que Hamilton passou pela saída de box após a segunda largada, que teve apenas ele no grid, quem saiu logo atrás de seu carro foi Russell, que apareceu em segundo na classificação. Algumas dezenas de metros à frente, o inglês da Williams foi ficando para trás, até se posicionar em sétimo.

O que aconteceu ali foi que quando saiu de sua garagem, depois de esperar pela troca dos pneus de Latifi, que estava em terceiro, Russell viu uma fila de carros parados ao seu lado. Os boxes da Williams ficam no final do pitlane. Ele, então, simplesmente não entrou na fila. Assim que a luz se acendeu, passou na frente de todo mundo e foi embora. Mas, imediatamente, perguntou pelo rádio: “Gente, eu podia fazer isso?”. Seu engenheiro, na hora, respondeu: “Negativo. Você tem de esperar o pessoal passar e se posicionar atrás de Alonso. Primeiro vão passar três carros, aí tem um gap, mais um, e depois Alonso. Um pouco atrás está Kimi. Você tem de voltar na frente de Kimi”.

Russell na frente de todo mundo: equipe orientou o piloto a devolver posições

Jorginho nem questionou. Seguiu a orientação do time e deixou os demais passarem para se colocar na posição original antes das paradas. O diretor de prova, Michael Masi, contou que o piloto seria punido se não fizesse isso. “Mas como a equipe se prontificou a corrigir sua posição, entendemos que não houve má-fé de ninguém.”

Mesmo assim, Russell conseguiu, pela primeira vez na Williams, marcar pontos. Ficou em oitavo, com seu parceiro Nicholas Latifi, incrível, em sétimo. Foi o melhor resultado da equipe desde o GP da Itália de 2018, quando Stroll terminou em nono e Sirotkin (lembram dele?), em décimo. Abaixo, imagens marcantes de um domingo inesquecível para a Williams: Russell chorando na entrevista à TV húngara, Latifi sorrindo com o resultado improvável, a alegria de integrantes da equipe e a foto histórica com todo mundo feliz da vida em Hungaroring:

Números, agora. Foram muitas as cifras produzidas pela corrida húngara. Meu brother Fábio Seixas destacou na nossa live no UOL que a Mercedes, nas últimas duas corridas, marcou 61 pontos, contra cinco da Red Bull. E poderiam ser 62, se Gasly, a pedido da Red Bull (!), não tivesse parado no fim para colocar pneus novos e fazer a melhor volta da prova, tirando um ponto extra de Hamilton e da equipe rival. Foi, destaque-se aqui, a primeira vez que a AlphaTauri fez a melhor volta de uma corrida.

Poderíamos também, destacar que Ocon foi 111º piloto a conquistar uma vitória na F-1. Ou que uma equipe francesa, com motor francês e piloto idem, não vencia uma corrida desde Alain Prost com a Renault na Áustria em 1983 (sei que alguém vai falar de Panis, da Ligier, em Mônaco/1996; mas a equipe, naquele ano, usava motores Mugen-Honda, japoneses). E já que estamos falando de franceses, é deles…

O NÚMERO DA HUNGRIA

81

…vitórias tem a França na F-1, perdendo nas estatísticas apenas para Grã-Bretanha (303), Alemanha (179) e Brasil (101)

Sobre Ocon, palmas para o menino que tem uma história muito bonita no automobilismo. Seus pais venderam tudo que tinham para bancar sua carreira no kart, que começou aos 9 anos. Até a casa. Chegaram a morar numa van. “Depois das corridas, domingo à noite, meu pai estacionava o furgão na frente da escola e quando tocava o sino eu acordava e ia para a aula”, contou há alguns anos num podcast da F-1. “Eu era muito feliz”.

Nada do perfil de menininho rico com hobby de milionário, portanto. O pai Laurent, de origem argelina e espanhola, trabalhava como mecânico. Nascido na pequena Évreux, cidade de 48 mil habitantes na Normandia, seu nome inteiro é Esteban José Jean-Pierre Ocon-Khelfane. Sentou num F-1 pela primeira vez em 2014, aos 17 anos, para fazer testes na Lotus. Ganhou o título europeu de Fórmula 3 no mesmo ano em cima de Max Verstappen e em 2015 foi adotado pela Mercedes, ano em que foi campeão da GP3 e fez testes na Force India, sempre sob supervisão da fábrica alemã. Em 2016 correu no DTM, fez testes na Renault e estreou na F-1 pela pequena Manor disputando nove GPs. No ano seguinte, correu pela Force India e fez impressionantes 87 pontos em sua primeira temporada completa, terminando o Mundial em oitavo.

Parecia que a aposta da Mercedes seria toda nele, mas a escolha de Bottas para substituir Rosberg em 2017 acabou jogando o garoto para baixo. Ele disputou o campeonato de novo pela Force India em 2018, fez 49 pontos, terminou em 12º e ficou sem vaga para 2019. Passou o ano como piloto reserva da equipe prateada, mas no final da temporada foi dispensado, quando a Mercedes resolveu jogar todas suas fichas em Russell. Acabou assinando com a Renault e voltou ao grid no ano passado como companheiro de Daniel Ricciardo.

É uma história de lutas. Que começou desse jeito aí embaixo:

O dentucinho Ocon: infância numa van

A FRASE DE BUDAPESTE

“Depois de 70 voltas atrás dele, definitivamente posso dizer que aprendi a soletrar ‘Alpine’!”

Sebastian Vettel

Escolhi a frase engraçadinha de Vettel, mas é claro que o que de mais importante ele fez ontem foi dar um tapa na cara de Viktor Orbán e suas leis homofóbicas. O primeiro-ministro húngaro foi alvo direto do alemão. Que disse que faria tudo de novo, e que seu protesto era muito claro: contra um governo que em vez de proteger as pessoas, as ameaça.

Vettel merece aplausos de pé. Pela corrida também, claro. Não se pode esquecer que recebeu a bandeirada em segundo lugar. Se não tinha gasolina suficiente para análises no tanque, é óbvio que ele não tem culpa nenhuma.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS muito da corrida de Hamilton, claro. E dos momentos que ele protagonizou: o único a levar o carro para o Parque Fechado, o único no grid da segunda largada, o duelo maravilhoso com Alonso. Lewis, mais uma vez, mostrou o piloto que é. Caiu para último depois de trocar pneus após a largada solitária. E terminou em terceiro — segundo com a punição a Vettel. Corrida de gala.

NÃO GOSTAMOS da barbeiragem incrível de Bottas, embora seja preciso reconhecer que graças a ela a corrida foi uma deliciosa maluquice. Mas o finlandês tirou dois carros completamente da prova — os de Norris e Pérez — e causou um enorme prejuízo a Verstappen. Por conta disso, já perdeu cinco posições no grid para o GP da Bélgica, no fim do mês.

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HUNGARIANAS (3)

Ocon: 111º piloto a vencer na F-1

SÃO PAULO(inesquecível) – É muito legal quando a F-1 tem um novo vencedor. Aconteceu com Gasly e Pérez no ano passado, e hoje foi a vez de Esteban Ocon, da Alpine, na Hungria. Num GP fantástico, que virou de cabeça para baixo por causa da pista molhada no início graças a uma chuvinha marota que caiu na região do autódromo, e por conta de uma barbeiragem histórica de Valtteri Bottas que vitimou, vejam só, dois carros da Red Bull.

Este é, disparado, o melhor campeonato da era híbrida da F-1, inaugurada em 2014 e desde então dominada pela Mercedes. Que, incrivelmente, vai para as férias de verão de novo na liderança tanto entre os pilotos quanto entre as equipes, num ano em que a Red Bull tem um carro melhor. Não muito, mas melhor.

Tem muita coisa para falar deste GP em Hungaroring. Então, vamos começar do começo. Aliás, antes do começo. Com esta imagem aqui:

Vettel: protesto no hino, reprimenda da direção de prova

Hora do hino da Hungria, Vettel se ajoelha e não tira a camiseta LGBTQIA+. Sainz, Stroll e Bottas também não tiram as suas pedindo o fim do racismo. Os quatro, depois da corrida, foram chamados à direção de prova e levaram reprimendas por “não respeitar os procedimentos pré-largada”. Seb: “Que me desclassifiquem. Queria enviar uma mensagem ao governo, um governo que em vez de proteger as pessoas, as ameaça. Farei de novo. Estou pronto para enfrentar as consequências”.

Pausa para bater palmas. Além de tudo, Vettel chegou em segundo! Mas, cinco horas depois de terminada a corrida, foi desclassificado. Não por causa da camiseta. A Aston Martin não conseguiu tirar um litro de gasolina de seu tanque para as análises de praxe da FIA. É o mínimo exigido pelo regulamento. Apenas 0,3 l. Assim, o alemão perdeu aquele que seria seu segundo pódio pelo time verde. É possível que o equipe soubesse que tinha alguma coisa errada. Assim que recebeu a bandeirada, Sebastian parou o carro no meio da pista, por ordem de seu engenheiro. O consumo deve ter ficado acima do calculado. Um pecado.

Pena para Vettel, que acabou sendo protagonista do final de semana por conta de suas posições assumidas contra o governo do fascista homofóbico Jair Bols… digo, Viktor Orbán. Mas voltemos à corrida.

Protestos feitos, veio a largada. Todos com pneus intermediários, asfalto molhado, possibilidade de confusão na primeira curva. Batata. Bottas largou mal, foi ultrapassado por Norris, errou a freada, travou as rodas, encheu a traseira do inglês da McLaren e, junto, levou na batida Verstappen e Pérez, a dupla da Red Bull.

Bottas causa uma confusão dos diabos: prova interrompida

A prova foi interrompida no final da segunda volta. Hamilton, o pole, tinha largado bem e se livrou da confusão. Pérez e Norris abandonaram. Max ficou com o carro todo arrebentado e caiu para 13º. Um pouco mais atrás, Stroll fez algo parecido com Bottas na freada e tirou Leclerc da corrida. Também abandonou. Cinco carros fora da prova, todo mundo no box aguardando a limpeza da pista. Com Ocon em segundo e Vettel em terceiro. Eles, assim como outros que vinham do fundão, conseguiram evitar os destroços dos acidentados e ganharam muitas posições. Na bandeira vermelha, a ordem era Hamilton, Ocon, Vettel, Sainz (que ganhou 11 posições), Tsunoda (também 11), Latifi (12!), Alonso, Russell, Raikkonen e Schumacher nas dez primeiras colocações. O GP já tinha virado uma deliciosa maluquice.

Enquanto a prova não era reiniciada, os mecânicos da Red Bull remendavam o carro de Verstappen do jeito que dava, gastando rolos de fita adesiva, arame, cola Tenaz e pregadores de roupa. Ele tinha uma lateral completamente destruída e o assoalho quebrado. Bottas, antes mesmo da relargada, já dava entrevistas pedindo desculpas e dizendo mea culpa, mea maxima culpa: “Nao larguei bem, julguei mal a freada, travei as rodas e tirei um monte de gente da corrida”.

Registre-se: por terem causado os acidentes, Bottas e Stroll perderão cinco posições no grid da próxima etapa do Mundial, em Spa. As punições já foram anunciadas pela FIA.

Meia hora depois, os pilotos são orientados a alinhar para uma nova largada, e aí acontece o inusitado. Enquanto se dirigiam ao grid, eles perceberam que a pista estava praticamente seca. Como todos estavam de pneus intermediários, resolveram trocar para slicks antes mesmo de se posicionarem para a segunda partida. Só um não fez isso: Hamilton, o líder da prova. E, então, o que se viu foi, pela primeira vez na história da F-1, um grid de um carro só!

Lewis estacionou na posição da pole, olhou pelos retrovisores e deve ter se perguntado: cadê todo mundo? Será que estou no autódromo errado?

Hamilton sozinho no grid: imagem histórica

O procedimento de largada aconteceu normalmente, Lewis partiu sozinho com pneus intermediários e todos os outros, com pneus para pista seca, saíram em disparada dos boxes assim que o inglês passou e a luz verde de saída do pitlane foi acesa. Russell apareceu em segundo, mas imediatamente devolveu as posições que ganhara alinhando irregularmente. Ocon, Vettel e Latifi, vejam vocês, vinham atrás do piloto da Mercedes. Que, no fim da volta, foi para os boxes colocar os pneus apropriados e voltou à pista em 14º. Como Mazepin abandonou também, após bater em Raikkonen no box, Hamilton era o último colocado, com Verstappen em 11º. E a corrida mal tinha começado…

Os dois, claro, concentravam as atenções de todos porque, afinal, lutam pelo título. E ambos tinham enormes dificuldades para escalar o grid porque em Budapeste, como se sabe, ultrapassar é tarefa para contorcionistas experimentados. Max, para piorar, estava com o carro todo torto. Levou um ano para passar Schumacher. Lewis, atrás de Giovinazzi, também sofria como um condenado. E, lá na frente, Ocon e Vettel sumiam, com Latifi em terceiro puxando um trenzinho de pilotos desesperados por uma brecha que o canadense da Williams não iria oferecer sem luta.

Ocon e Vettel: resultado surpreendente na primeira vitória do francês

Cada um com seus problemas, é o que se podia dizer naquele momento. Depois de passar Giovinazzi, Hamilton empacou atrás de Gasly e então a Mercedes deu o pulo do gato para salvar a corrida de seu piloto. Na volta 20, chamou Lewis para os boxes e colocou pneus duros em seu carro. Todo mundo teria de fazer o mesmo, e ele conseguiria escalar algumas posições se enfiasse o pé com a borracha nova. Deu muito certo. Na volta seguinte, Ricciardo e Verstappen também pararam, mas voltaram atrás do britânico. Lewis, assim, partiu para buscar um objetivo difícil, mas que dava para alcançar: um pódio, pelo menos.

Com Max preso atrás de Ricciardo e fora de combate com um carro “impossível de guiar”, como disse, Hamilton foi abrindo caminho e, na medida em que os carros à sua frente iam parando para trocar pneus, subia degrau por degrau. Na volta 24, passou Schumacher. Na 28, deixou Latifi para trás. Na 32ª, já estava em quinto lugar, com Verstappen ainda atrás da McLaren, em 12º.

Vettel, o segundo, parou na volta 37. Ocon, na 38. Foi quando Fernando Alonso assumiu a ponta, deixando a Alpine temporariamente em primeiro e segundo. O espanhol não liderava um GP desde 2014 lá mesmo, na Hungria, com a Ferrari. Fez seu pit stop na volta 40 e voltou em quinto, partindo feito um louco para cima de Hamilton, então quarto colocado.

Alonso x Hamilton: duelo épico que ajudou Ocon

Lewis não conseguia passar Sainz e a Mercedes o chamou para uma nova troca buscando o sprint final que poderia lhe render um terceiro lugar redentor. Colocou pneus médios em seu carro na volta 48 e ordenou: acelera e vamos ver no que dá. E ele acelerou. Seus tempos eram quase 4s por volta melhores que os do líder Ocon, por exemplo. Não demorou muito e Hamilton já estava no cangote de Alonso. Foi quando começou a mais bela disputa da corrida, na volta 54.

Hamilton x Alonso, Alonso x Hamilton. Os dois que brigaram tanto em 2007 na McLaren se reencontraram na mesma pista onde a guerra entre eles fora declarada 14 anos atrás. Foram cerca de dez voltas de um duelo de altíssimo nível e beleza incomparável. Com pneus mais desgastados e duros, o espanhol se defendia com maestria, permitindo, inclusive, que lá na frente Ocon e Vettel, se distanciassem o bastante para não serem atacados por um Lewis ensandecido na parte decisiva da prova.

Latifi, sétimo: pontos para a Williams, com Russell logo atrás dele

Foi só na volta 65, cinco antes do final, que finalmente Hamilton conseguiu passar Alonso. O asturiano retardou a freada na curva 1 e não resistiu. Mas seu trabalho estava feito. Lewis passou Sainz logo depois, na volta 67, e assumiu o terceiro lugar. Só que não havia mais tempo suficiente para buscar Sebastian e Esteban. Estes, por sua vez, seguiam colados, com diferenças nunca superiores a 2s, mas sem que o alemão da Aston Martin atacasse o francês da Alpine, embora com o carro um pouco mais rápido. “Ele não cometeu um erro sequer”, elogiou Vettel.

E, assim, quando Ocon recebeu a quadriculada em primeiro já vendo Hamilton no retrovisor logo atrás de Sebastian, todos puderam respirar aliviados com o final daquele thriller eletrizante em que se transformou o GP húngaro depois da confusão da largada e das idas e vindas nos boxes, com pneus sendo trocados a granel.

Com a desclassificação de Vettel, assim ficaram os dez primeiros: Ocon, Hamilton, Sainz (quarto pódio na carreira, segundo sem que tivesse participado da cerimônia), Alonso, Gasly, Tsunoda, Latifi, Russell, Verstappen e Raikkonen. Gasly fez o ponto extra da melhor volta. E Max salvou um pontinho ao ultrapassar Ricciardo a dez voltas do final, para ganhar mais um após a punição ao alemão da Aston Martin, fechando o GP da Hungria em nono.

Vettel, Ocon e Hamilton no pódio: inglês passou mal com tonturas

Claro que Ocon não se aguentava de alegria. “Nem sei o que dizer. Tivemos momentos difíceis neste ano, e agora isso…”, falou o francês, que fez questão de agradecer a Alonso. “Se não fosse ele segurar Lewis, não sei se eu ganharia.” Vettel, por sua vez, festejou o segundo lugar, mas ficou com a sensação de que poderia ter vencido. “Eu tentei, tentei, tentei… Mas não deu. Poderia ter arriscado algo uma hora em que Esteban deu um pequeno espaço, mas seria uma tentativa meio no estilo de Maldonado, que poderia acabar mal para os dois”, contou. Disse isso tudo, claro, antes de saber da desclassificação.

Hamilton comemorou também, disse que estava exausto, que a equipe “tornou as coisas mais difíceis” ao não chamá-lo para trocar pneus antes da segunda largada, e depois quase desmaiou no pódio. Teve tonturas e mal-estar, e precisou ser atendido pelos médicos assim que recebeu seu troféu. Falou que ainda sente sequelas da Covid-19, que contraiu no ano passado. “Tem sido difícil me manter 100% saudável depois do que passei.”

Teve muito abraço e choro depois da corrida. As lágrimas, tocantes, de Russell — que, finalmente, fez seus primeiros pontos pela Williams depois de três anos no time. George chegou atrás de Latifi, ironia do destino, mas teve um gesto de grandeza na corrida. Em determinado momento, pediu ao time para priorizar Nicholas na estratégia de paradas, já que o canadense estava mais bem posicionado na prova.

Alonso, que esperou Ocon chegar no Parque Fechado para levantá-lo pela cintura, contou que sabia exatamente o que fazia enquanto segurava Hamilton. “Cada volta que ele ficasse atrás de mim era ouro para a nossa vitória”, disse. “Estou muito, muito feliz por Esteban!” “Alonso ganhou a corrida para ele”, concordou Toto Wolff. O chefe da Mercedes falou também que a decisão de não trocar os pneus de Hamilton foi dele, e que se responsabilizava 100% por ela. “Nossa garagem era a primeira dos boxes. Se a gente parasse com todo mundo entrando junto atrás, não conseguiríamos sair na liderança”, justificou. Depois, relatou que foi pedir desculpas a Christian Horner, da Red Bull, pela trapalhada de Bottas. O dirigente rubro-taurino não aceitou e saiu emburrado do autódromo. “São duas corridas em que nossos carros são tirados da disputa, e nas duas vezes por carros da Mercedes”, queixou-se.

Classificação antes da punição a Vettel: Hamilton volta à liderança

O resultado do GP da Hungria, 11º da temporada, reconduziu Hamilton à liderança do campeonato, agora com 195 pontos. Verstappen foi a 187. Os números já estão atualizados após a eliminação de Vettel. Norris (113), Bottas (108) e Pérez (104) ficaram onde estavam. Foi a primeira vez no ano em que Lando não pontuou. No Mundial de Construtores, a Mercedes também voltou à ponta com 303 pontos, 12 à frente da Red Bull.

Foi a primeira vitória da Alpine na F-1, marca escolhida pela Renault para assumir os trabalhos na categoria. A montadora francesa tinha vencido pela última vez em 2008, no Japão, com Alonso. Ocon se tornou o 111º piloto a ganhar uma corrida na história.

Primeira vitória da Alpine: franceses em alta

Silverstone e Hungaroring promoveram uma reviravolta inesperada no campeonato. A F-1, agora, tira algumas semanas de férias e volta na Bélgica no final do mês. Logo depois, Holanda. São duas corridas onde Hamilton terá uma torcida francamente hostil, como se viu hoje com as vaias e os insultos que o inglês recebeu do público tingido de laranja em Budapeste.

Claro que torcida não ganha corrida, mas colabora para criar um climão que já vem sendo alimentado também pela Red Bull com suas queixas sobre o comportamento de Hamilton nas corridas e reforçado pelo acidente de hoje envolvendo o outro piloto da Mercedes.

Está divertido e emocionante. Então, apareçam às 19h no meu canal no YouTube para conversarmos ao vivo sobre tudo isso!

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HUNGARIANAS (2)

“Chamem o Albon!”, escreveram no Twitter: Red Bull, desta vez, evitou cair na pilha das redes sociais

SÃO PAULO(virada?) – O que aconteceu no finalzinho do Q3 agora há pouco em Budapeste tinha tudo para jogar gasolina na fogueira em que ardem as tretas entre Mercedes & Red Bull & Hamilton & Verstappen desde o GP da Inglaterra.

Para quem não viu: Comandante Amilton tinha um tempo mais de 0s5 melhor que o de Verstappinho depois da primeira tentativa de volta rápida de todo mundo. Na segunda rodada de “flying laps”, sua volta de saída dos boxes foi muito lenta, com os dois carros da Red Bull atrás dele, e mais alguns. Bottas, o primeiro a deixar os boxes, já estava bem à frente. Faltavam poucos segundos para zerar o cronômetro. Sem a velocidade adequada, ninguém aqueceu direito os pneus. Alguns se atrasaram tanto atrás da fila puxada por Hamilton a passo de tartaruga, que nem abriram volta, como Pérez. Max conseguiu. Até melhorou seu tempo. Mas não o bastante para tirar do inglês a 101ª pole de sua carreira, terceira no ano, primeira desde maio, na Espanha.

Imediatamente as redes sociais começaram a atacar Hamilton. Nas arquibancadas de Hungaroring, vaias sonoras para o piloto da Mercedes. Explica-se: nas redes os idiotas são de várias nacionalidades, e no autódromo havia muitos holandeses, pela proximidade entre os países. Lewis olhou para a galera, deu uma risadinha e falou: “Nunca me senti tão bem com vaias na minha vida. Elas só me dão mais energia”.

Hamilton: “Não ligo pra isso, vaias só servem para me dar mais energia”

Só que nem Red Bull nem Verstappen entraram na pilha dos que queriam ver o circo pegar (mais) fogo. Christian Buziner disse que foi tudo normal, que Lewis tinha sua posição na pista e que qualquer um faria o mesmo. Max nem se referiu à lerdeza de Hamilton na sua frente. Falou que o carro perdeu aderência no final da sessão, ficou meio estranho, e que desde ontem ele tem sido um pouco mais lento que a Mercedes. Só na coletiva, quando alguém perguntou pela milésima vez sobre o acidente de Silverstone para tentar antecipar o que pode acontecer na largada amanhã, o holandês se irritou. “Dá para vocês pararem de perguntar a mesma coisa um milhão de vezes? Desde quinta-feira vocês só me perguntam isso! Chega, não temos mais nada a falar sobre isso!”.

Tem razão, Verstappen. Aquilo passou. A questão da primeira volta amanhã é outra e tem a ver com pneus e jogo de equipe. Max vai largar de pneus macios. Os dois únicos que começam o GP da Hungria de médios, entre os dez primeiros, são Hamilton e Bottas — para esticar o primeiro stint numa corrida de prováveis duas paradas. Valtteri, pela quarta vez seguida na Hungria, ficou em segundo no grid.

Os pneus macios podem ajudar num pulo de Verstappen sobre os dois mercêdicos na hora em que as luzes de apagarem. É aí que vai ser decidida a corrida. Se o líder do campeonato não conseguir ganhar nenhuma posição e ficar encaixotado atrás de Bottas, acabou. Hamilton ganha. Porque mesmo com pneus médios o finlandês deve segurar Max por algumas boas voltas, num circuito chato para ultrapassar como é Hungaroring. Se o fizer, Lewis dispara na frente. E, então, terá apenas de administrar sua vantagem para tentar um novo recorde: nove vitórias na mesma pista.

Hamilton na frente de Verstappen: “outlap” lenta, mas só as redes sociais reclamaram

Não dá mesmo para acusar Hamilton de nada na classificação porque Verstappen conseguiu abrir sua volta e ainda melhorou seu tempo, mesmo estando atrás do inglês na “outlap”. E se a Red Bull não quer correr riscos, que mande seu piloto para a pista antes, ora bolas! A polêmica, por conta das reações dos protagonistas, morreu no nascedouro. Hamilton apenas disse, quando alguém mencionou um tuíte de Grosjean (“se fez de propósito, foi feio”, escreveu o hoje piloto da Indy), que “tem gente que não tem a menor ideia de como é o trabalho que fazemos aqui”. “Eu não preciso desse tipo de tática ou de joguinho mental”, encerrou.

Ontem, escrevi aqui que Hamilton e Verstappen fariam tudo pela pole, que Bottas poderia ser uma surpresa e que a Mercedes era favorita pelo retrospecto na Hungria e pelo bom desempenho ontem. Tudo se confirmou, mas não é preciso ser adivinho para antecipar algumas coisas. Estava na cara que a equipe alemã iria apostar tudo numa primeira fila, fundamental em Budapeste. E assim foi, com os carros pretos deixando para andar rápido na hora em que precisavam.

Vettel, décimo: de novo na frente de Stroll

A classificação começou com sol, 29°C e 60°C no asfalto — também como avisei ontem, a previsão de chuva era simplesmente mentirosa. Verstappen virou 1min16s214 no Q1, deixando Hamilton a 0s210 de distância e Bottas, a 0s396. Parecia que suas chances de pole eram muito grandes, mas quem observou bem a Mercedes ontem e hoje no terceiro treino livre sabia que a equipe tinha algumas cartas na manga. Foram eliminados Tsunoda (cada vez pior), Russell (primeira vez fora do Q2 neste ano), Latifi, Mazepin e Schumacher (sem tempo, porque bateu o carro de manhã e não deu tempo de arrumar).

No Q2, as duplas de Red Bull e Mercedes saíram para suas primeiras voltas com pneus médios, mas apenas Hamilton e Bottas sustentaram a ideia de largar com eles. Verstappen e Pérez trocaram depois e Max fez uma volta muito boa em 1min15s650 com macios. Leclerc foi o segundo. A Ferrari, porém, nem teve tempo de festejar. Sainz bateu bisonhamente — e forte, 22G de impacto lateral — na última curva e a sessão teve de ser interrompida. Depois de reiniciada, muita gente, tirando tudo da borracha macia, foi lá para cima. E a classificação parcial ficou com Verstappen, Norris, Gasly, Pérez e Alonso nas cinco primeiras posições. Hamilton? Sexto. Bottas? Oitavo. Os dois nem aí pra Hora do Brasil.

(Se não entenderam o que é “não estar nem aí para a Hora do Brasil”, sugiro um Google. Ou perguntem para seus pais, tios, avós. Blog também é cultura.)

Dançaram Ricciardo (que péssima fase, tá louco…), Stroll, Raikkonen, Giovinazzi e Sainz.

Gasly, quinto no grid: no fundo, o grande destaque do dia

Veio o Q3 e, aí sim, Hamilton e Bottas sentaram o pé. O inglês fez 1min15s419. Seu parceiro, 1min15s734 (0s315 mais lento). Verstappen, em sua primeira volta rápida, acabou ficando a 0s565 do rival. Tirar essa diferença seria quase impossível. No fim, ficou a 0s421 depois da segunda tentativa.

“Quem está em quinto? Gasly? Então é bem capaz que ele ganhe!”, brincou Pebolim Wolff ao falar do que pode ser a largada com duas Mercedes na primeira fila e duas Red Bull na segunda — Pérez ficou em quarto, atrás do companheiro de equipe. Seria legal, Gasly ganhar. Depois de um mau GP na Inglaterra, a AlphaTauri se reencontrou e o francesinho voltou a dar um show, se classificando como o “primeiro dos outros”. Mas não vai acontecer. Norris, Leclerc, Ocon, Alonso e Vettel fecharam os dez primeiros.

O grid em Budapeste: primeira fila da Mercedes, segunda da Red Bull

Amanhã não chove de novo e Hamilton tem uma chance enorme de virar o jogo num campeonato que, depois das três vitórias seguidas de Verstappen nos GPs da França, Estíria e Áustria, parecia perdido — eu mesmo cravei aqui que quem saísse dessas três provas na frente seria o campeão. O fato é que na Inglaterra Lewis mostrou que estava vivo, e vai seguir assim até o final. Por quê? Porque não corre pela Tabajara Racing, porque é o melhor de todos e porque está curtindo uma batalha diferente das que travou nos últimos anos, quase solitária. Agora, tem adversário à altura.

Bottas será essencial na corrida de Budapeste como escudeiro. A Verstappen, resta tentar alguma coisa na largada. Mas nada de muito camicase. Mesmo se perder na Hungria, ainda terá muita chance de se recuperar depois da férias de verão. O que não pode é dar uma de vaca louca e jogar pontos pela janela. Num campeonato como este, pontos atirados pela janela não voltam mais.

Hoje à noite, às 19h, tem “Fórmula Gomes” com tudo isso ao vivo e em cores no YouTube. Apareçam lá!

Lewis comemora: fim do jejum de poles que vinha desde Barcelona
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ONE QUESTION

A Fórmula 1 e a Netflix anunciam documentário sobre Michael Schumacher para 15 de setembro. A pergunta: teremos alguma informação nova, alguma imagem, que seja, do heptacampeão? Já se vão quase oito anos do acidente de esqui. É uma agonia sem fim para seus fãs e admiradores.

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HUNGARIANAS (1)

Vettel, Veronika e Daniel: conto de fadas

SÃO PAULO(freezing) – Daniel e Veronika são fãs de F-1 e se conheceram quatro anos atrás em Hungaroring. No começo da semana, foram ao aeroporto de Budapeste para ver seu piloto favorito de perto, Sebastian Vettel. Sem que Veronika percebesse, Daniel conseguiu entregar um envelope ao tetracampeão mundial. Dentro dele, um bilhete dizendo que na quinta-feira, às 19h30, ele iria pedir Veronika em casamento na porta do autódromo. E que ficaria muito feliz se Sebastian aparecesse de surpresa.

Pois ontem eram pouco mais de sete da noite quando Daniel, sem muitas esperanças na improvável presença do ídolo, resolveu cumprir a promessa e se ajoelhou diante de Veronika para pedir que ela se casasse com ele. Havia bastante gente no portão de Hungaroring — lá é assim, ficam muitos torcedores tomando cerveja nos quiosques do outro lado da pequena estradinha, esperando os pilotos saírem para fazer festa com eles. Um jovem pedir uma jovem em casamento de joelhos em público não chega a ser uma grande novidade e estavam todos se divertindo com a cena.

Foi quando alguém bateu no ombro de Daniel e perguntou: “Hei, não era depois das sete e meia?”. Era Vettel. Que virou padrinho do casal.

Por enquanto, foi a coisa mais legal que aconteceu na Hungria. Além do capacete abaixo, mais uma porrada do alemão em Viktor Orbán, projetinho de político neonazi que tem seu similar brasileiro, aquele que peida, arrota e recorre ao YouTube e a um charlatão que faz acupuntura em árvores para provar fraude nas urnas eletrônicas.

O capacete LGBTQIA+ de Vettel: pau nos canalhas

Falando em provas fajutas, muito parecido com o que fez o asqueroso fedorento ontem em sua live — transmitida pela TV estatal com dinheiro público, campanha eleitoral pura; espero que as instituições façam o que têm de fazer, ou seja, enfiar um pé na bunda desse monte de excremento — foi o que fez a Red Bull.

A equipe começou a semana prometendo “novas evidências” de que Hamilton quis matar o pobre Verstappen em Silverstone. Semana passada, alugou Silverstone por um dia, chamou Alex Albon para dirigir um carro e ordenou que ele realizasse simulações de trajetória na Copse para, com dados de GPS, provar que Lewis fez isso ou aquilo e que era culpado pelo acidente e que tinha de ser punido com mais rigor, quem sabe até expulso do continente. Montou um enorme relatório cheio de imagens, setas e hipóteses. Entrou com novo recurso para rever a punição ao inglês e ontem mesmo os comissários esportivos analisaram o recurso através de videoconferência.

Resultado: a FIA disse que nos “slides” apresentados pela Red Bull não havia evidência nenhuma de nada, nenhum fato relevante, nenhuma informação nova, prova de porra nenhuma, e só faltou mandar a equipe não encher o saco e parar de passar ridículo no débito e no crédito.

Horner: Red Bull passando ridículo

Diante do constrangimento, Christian Buziner, chefe do garoto-enxaqueca — ele próprio um chefe-enxaqueca assim como o guru-enxaqueca Helmut Marko –, resolveu enfiar o rabinho entre as pernas. “Não era nada pessoal com Lewis, faríamos isso se fosse com qualquer piloto. Agora vamos virar essa página”, falou. Da parte da Mercedes, Pebolim Wolff não escondeu sua indignação com os efeitos do chilique da Red Bull: os ataques racistas a Hamilton pelas redes sociais. Para o diretor da equipe preta-prateada, o time rival acabou incitando, ainda que involurariamente, a selvageria na internet. E ele tem razão.

E na pista hoje? Bem, como sempre, Hungaroring estava fervendo. É, normalmente, a corrida mais quente do ano (quando tinha Malásia, perdia). Da Europa, quase sempre. Os termômetros marcaram 32°C de tarde, com quase 60°C no asfalto. Hamilton disse que estava “torrando” no cockpit e que perdeu 3 kg ao longo do dia. Bottas falou que se sentia numa sauna finlandesa — ele até postou vídeo peladão com um amigo outro dia, vocês viram?

No primeiro treino livre, Verstappen ficou em primeiro. No segundo, o mais rápido foi Bottas, que fechou a sexta com o melhor tempo do dia: 1min17s012. A tabela está aí embaixo.

Os tempos da tarde: Mercedes na frente

A previsão é de possibilidade de chuva amanhã e domingo. Previsão, vejam bem, e daquelas que aparecem na transmissão da TV. É verão no hemisfério norte e o clima fica um pouco instável em algumas regiões, embora na Europa Central o calor seja mais seco e com poucas pancadas de chuva repentinas. Os meteorologistas da F-1 têm errado bastante, e às vezes eu acho que dizem que vai chover só para criar expectativas. Fui checar em outros serviços e vi que amanhã há 80% de chance de chuva ao longo do dia, sim, mas que exatamente na hora da classificação, 15h locais, teremos sol e calor (no ano passado choveu na definição do grid). Já no domingo, sol de rachar, 33°C.

Sexta é sexta, mas como em Hungaroring é muito importante largar na frente, porque é difícil de passar mesmo, melhor dar mais peso aos resultados de hoje do que se fossem apurados em outro tipo de circuito. Hamilton e Verstappen farão de tudo pela pole. E Bottas pode surpreender — foi segundo colocado no grid nos últimos três anos. Ano passado, com 1min13s447, Lewis largou em primeiro. Budapeste (que não fica em Budapeste, mas em Mogyoród, a 20 km da capital húngara) é uma dessas pistas em que os tempos de sexta para os de sábado mais caem, já que é um autódromo pouco usado que começa o fim de semana com o asfalto muito sujo.

Embora o senso-comum aponte a Red Bull como favorita num traçado travado, sinuoso e que exige carros bem equilibrados, sem muita necessidade de um canhão para empurrar, a equipe só ganhou lá duas vezes: em 2010 com Mark Webber e em 2014 com Daniel Ricciardo. Já a Mercedes venceu quatro das últimas cinco edições do GP magiar. E Hamilton tem nada menos do que oito vitórias no país. Se ganhar de novo, torna-se o primeiro piloto a vencer nove vezes o mesmo GP.

Bottas: primeiro colocado na sexta-feira

Os números fazem da Mercedes favorita neste fim de semana? Sim, mas menos do que o desempenho apresentado hoje, bem sólido e respeitável. A estatística aponta um padrão, claro. Mas de nada adianta se de um ano para o outro uma equipe faz um carro ruim, ou um piloto despenca em má fase. Não é o caso da Mercedes nem de Hamilton, que claudicaram um pouco nos últimos meses, mas conseguiram reagir na Inglaterra. E perceberam que o momento psicológico da Red Bull parece pouco favorável.

Hoje à noite falaremos de tudo isso no nosso “Fórmula Gomes”, a partir das 19h no YouTube. Até lá!

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FOTOS DO DIA

Hamilton no Instagram, Vettel no autódromo. Um soco no estômago de Viktor Orbán, o bozo húngaro, que ataca a comunidade LBGTQIA+ com uma proposta de lei medieval. Pau nos canalhas!

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WE ♥ RACE CARS

Esse é o carro. E pode passar de 18 milhões de bidens em leilão. Vale cada centavo.

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ENCHE O TANQUE

SÃO PAULO(e a proporção?) – Meus blogueiros no exterior sempre têm prioridade nesta seção. Vamos à mensagem do Cristhian Camilo: “Estamos curtindo férias em Quedlinburg, a cerca de 200 km de Berlim, e meu sogro me mostrou esse dispositivo, que está numa casa vizinha à que nos hospeda. Esse cilindro era de um antigo posto de abastecimento de máquinas e carros que usavam gasolina e óleo. A segunda válvula de cima para baixo liberava a gasolina (Benzin) e, depois de colocar a quantidade desejada, quem abastecia mudava a alavanca para mistura (Gemisch) e completava com o óleo. Infelizmente, não há indicação da data em que isso funcionava. Abraços direto de Germânia!”.

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ÍMOLA EM ÍMOLA

SÃO PAULO(meu modesto ouro…) – Hoje um leitor me presenteou com uma surpresa maravilhosa. Fernando Oliveira Cirino foi para a Itália visitar amigos e quis dar uma passadinha em Ímola. E o que levou na bagagem? “Ímola 1994”! Meu livro foi conhecer o palco de um dos capítulos, o que escolhi como título.

É uma boa oportunidade para fazer um balanço da nossa pré-venda, que bateu no insano número de 2.492 livros autografados e entregues com dedicatórias para a turma que, na primeira semana, antes mesmo do lançamento, correu para garantir seu exemplar.

Os números que seguem referem-se apenas à pré-venda — depois dela fizemos uma nova edição junto com a Gulliver Editora e as vendas, hoje, estão perto dos quatro mil exemplares, quase esgotados. Quem ainda não tem precisa correr! “Ímola 1994”, agora, está sendo vendido apenas no site da Gulliver, neste link aqui.

Sou muito ruim para fazer gráficos no computador e levei horas para conseguir chegar a esses aqui, então valorizem! Vamos lá:

Dos 2.492 livros entregues na pré-venda, 1.696 (68%) ficaram na região Sudeste. O Sul foi o vice-campeão de vendas com 383 exemplares (15%), seguido pelo Nordeste (210 livros, 8%), Centro-Oeste (162, 7%) e Norte (19, 1%). Para o exterior foram vendidos 22 livros (1%). Os percentuais estão todos arredondados, para acompanhar a pizza acima. Somente dois estados brasileiros não leram “Ímola 1994”: Roraima e Amapá.

O estado de São Paulo foi o campeão de vendas com 1.278 exemplares, o que dá 51% do total. Destes, 660 ficaram na capital (27% do total, 52% das vendas no estado), 437 foram para o interior (14% do total, 34% das vendas paulistas) e 181, para os leitores da Grande São Paulo, a chamada região metropolitana (7% do total, 14% dos que ficaram no estado).

Dos 1.696 livros vendidos no Sudeste, 75% (1.278) ficaram em São Paulo. Minas Gerais levou 213 (13% das vendas sudestinas), seguido pelo Rio de Janeiro com 176 (10%) e pelo Espírito Santo com 29 (2%). Minas foi responsável por 9% das vendas totais. O Rio, 7%.

O estado do Sul que mais comprou livros foi o Paraná, com 180 exemplares — o que dá 47% das vendas na região. Santa Catarina surpreendeu e ficou em segundo lugar com 113 (30%). O Rio Grande do Sul segurou a lanterninha da região, comprando 90 livros. No painel nacional, paranaenses foram responsáveis por 7% das aquisições, com 5% para catarinenses e 4% para gaúchos. Os três estados juntos compraram 383 livros.

Os nove estados do Nordeste compraram 210 livros e a Bahia liderou o ranking com 52 exemplares, 25% do total. Pernambuco, com 41 livros, ficou em segundo — 19%. Depois vieram, juntinhos, Ceará (29) e Paraíba (25). Na sequência, Rio Grande do Norte (17), Maranhão (16), Piauí (11), Alagoas (10) e Sergipe (9).

Puxado por Brasília e suas cidades-satélite, com 118 livros, o Centro-Oeste foi responsável por 162 exemplares. Goiás ficou atrás do Distrito Federal com 31 unidades, seguido pelo Mato Grosso (10) e pelo Mato Grosso do Sul (apenas três). Dado interessante é que o DF respondeu por 5% das vendas totais de “Ímola 1994”.

Finalmente, nas vendas nacionais, veio a região Norte, com 19 livros — menos que as vendas para o exterior, que bateram em 22 exemplares. O estado do Amazonas comprou oito. O Pará, sete. Tocantins levou dois e Acre e Rondônia, um cada. Como disse acima, Roraima e Amapá zeraram.

Tentei fazer um gráfico de barras para mostrar a vocês a classificação geral por estados, mas começou o Masterchef e acabei me enrolando. Segue em texto corrido, mesmo:

  1. São Paulo – 1.278
  2. Minas Gerais – 213
  3. Paraná – 180
  4. Rio de Janeiro – 176
  5. Distrito Federal – 118
  6. Santa Catarina – 113
  7. Rio Grande do Sul – 90
  8. Bahia – 52
  9. Pernambuco – 41
  10. Goiás – 31
  11. Espírito Santo – 29
  12. Ceará – 29
  13. Paraíba – 25
  14. Rio Grande do Norte – 17
  15. Maranhão – 16
  16. Piauí – 11
  17. Alagoas – 10
  18. Mato Grosso – 10
  19. Sergipe – 9
  20. Amazonas – 8
  21. Pará – 7
  22. Mato Grosso do Sul – 3
  23. Tocantins – 2
  24. Rondônia – 1
  25. Acre – 1

Não sei se contei a vocês, mas eu e Laêne entregamos pessoalmente cerca de 60 livros em São Paulo, em três dias. Foi divertido. Primeiro, para ela conhecer um pouco mais da cidade. Depois, pela surpresa de alguns leitores com o furgão de entrega — um A3 velho, meu querido Audi que comprei zero em 1997. Alguns ficaram surpresos, outros nem souberam como o livro chegou às suas mãos, porque a maioria dos endereços, como era de se esperar numa cidade como esta, era de prédios e condomínios. O mais legal foi um garoto na Vila Mariana que reconheceu… a Laêne!

O resto foi pelos Correios. Alguns, especialmente em Porto Alegre e Fortaleza, demoraram um pouco para chegar. Outros tiveram de ser reenviados porque me mandaram CEP errado, ou porque não estavam em casa quando o carteiro chegou. Mas o saldo é ótimo: 100% entregues. Vivam os Correios!

Obrigado a todos que compraram. Nem sei por que estou fazendo um post sobre isso hoje. Mas gosto de dar satisfações aos meus leitores.

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