CHOCANTE

Luce: a primeira Ferrari elétrica

SÃO PAULO (olha…) – A Ferrari apresentou hoje o modelo Luce, o primeiro 100% elétrico da marca. Nada do que eu disser será melhor do que viajar pelos detalhes do carro no site da própria montadora, aqui. É um primor de tecnologia e design, ninguém pode questionar. Da equipe que desenhou o carro fez parte a empresa do designer responsável pela estética dos iPhone.

Custa 550 mil euros, uma bala. Tem 1.050 cv e quatro motores elétricos nas quatro rodas. Os detalhes técnicos podem ser encontrados aqui no texto do Motor1 traduzido pelo Jason Vôngoli.

Não consigo achar feio. Do ponto de vista estético, é realmente uma maravilha. Mas, claro, é Ferrari. E não tem motor. Não tem barulho.

O barulho está nas redes sociais. Muita gente odiando. Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, apareceu desgostoso em vídeos dizendo que é o primeiro passo para a “destruição da marca”. “Espero que pelo menos tirem o cavalinho da carroceria”, falou.

Não sou nem fã nem “hater” de carros elétricos. Eles são um dos caminhos da indústria, certamente — não necessariamente o único caminho. Sua tecnologia é fabulosa. Andam pacas. Têm problemas, claro, mas imagino que os primeiros DKW também tiveram os seus. Há que se conviver com isso sem preconceitos. Teria um? Teria. Vou morrer se não tiver nunca? Não. Está tudo bem, me dou bem com o que tenho na garagem. Carros, brinco sempre, são sagrados. Sejam eles movidos a gasolina, sejam a eletricidade.

De tudo que vi, posso dizer que gostei muito do azul. Lembra muito meu Trabi.

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SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

Russell observa seu carro: desalento absoluto

SÃO PAULO (rapidinho) – Há muitas imagens da briga entre Kimi Antonelli e George Russell ontem em Montreal. E outras tantas de anteontem, na Sprint. Muitas delas já publiquei nos relatos de sábado e domingo. Tem roda a roda, pneu fritando, porta fechada, passeio na brita. Qualquer uma delas poderia estar aí em cima. Mas a melhor de todas é essa de Russell completamente abatido do lado de lá do alambrado, enquanto fiscais empurram seu carro que tinha acabado de apagar com um problema, segundo a Mercedes, de bateria.

George viveu um fim de semana estranho. Fez tudo certo: pole e vitória na Sprint; pole para o GP; e liderava quando quebrou. Poderia ter sido um GP 100%. Em vez disso, acabou vendo a diferença para Antonelli subir de 20 para 43 pontos.

Como costumam dizer os pilotos, automobilismo é um esporte muito cruel, às vezes.

O GP do Canadá estancou o que vinha se desenhando como uma reação da McLaren no campeonato. Depois de duas corridas pontuando mais do que a Ferrari, os papaias tomaram de 37 a 12 os italianos em Montreal. E os 12 pontos foram marcados na Sprint. No domingo, sacola vazia. A escolha dos pneus intermediários para a largada foi um desastre. O que veio depois acabou sendo consequência. Lando Norris largou bem, mas na segunda volta teve de colocar slicks, fez um pit stop extra para limpar o radiador e acabou quebrando o câmbio. Oscar Piastri teve de colocar pneus novos na primeira volta, caiu no pelotão da merda, bateu em Alexander Albon, tomou um pênalti e terminou em 11º.

Falando em 11º lugar, ele não aparece no quadrinho aí em cima, mas merece uma menção: Franco Colapinto. Com o sexto lugar de ontem, foi a 15 pontos no campeonato e está em… 11º, óbvio! O que [e muito bom para um início de campeonato. Duas equipes seguem zeradas em 2026, Cadillac e Aston Martin. E entre os 22 pilotos, não marcaram ainda Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Fernando Alonso, Lance Stroll e Nico Hülkenberg.

Me falaram, então não sei se foi isso mesmo. Parece que na transmissão do Sportv alguém disse que a única vez em que um piloto tinha sido erguido nos ombros no pódio, como foi Antonelli ontem, tinha sido em 2000 com Rubens Barrichello em Hockenheim.

Bem, se disseram isso, erraram. Lembro de pelo menos mais duas, que estão nas fotos aí em cima. A primeira, de 1997 em Jerez. Jacques Villeneuve conquistou o título e foi levantado pela dupla da McLaren, David Coulthard e Mika Hakkinen — os mesmos que ergueram Rubinho na Alemanha. E em 2012, na Espanha, Alonso e Kimi Raikkonen fizeram o mesmo com Pastor Maldonado, da Williams.

Só pra constar.

Antonelli é um fenômeno, disso ninguém mais duvida. “Ah, mas corre em equipe grande!”, dirá alguém. Sim. O que, de certa forma, é até pior para um menino de 18 anos — idade dele quando estreou pela Mercedes. Em times pequenos, há espaço para erros, o aprendizado é menos tenso. Admitamos: Kimi pegou uma bucha de canhão danada ao assumir na Mercedes o lugar do piloto mais vitorioso de todos os tempos — Lewis Hamilton é o piloto com mais títulos, vitórias, poles e pódios na história da F-1; se é o melhor de todos, aí é questão de gosto e preferência pessoal.

O italiano fez um campeonato bem aceitável no ano passado, tendo passado por um período ruim de dez corridas na fase europeia da temporada. Cometeu alguns erros e aprendeu o que dava para aprender. Mas, neste ano, seu segundo na F-1, dizer que tem se saído bem é pouco. Já ganhou quatro de cinco corridas. O cara tem 19 anos. E é candidatíssimo ao título.

Nem todos que começaram suas carreiras em equipes de ponta se mostraram vencedores em tão pouco tempo. Olhando para trás, correndo o risco de esquecer alguém, acho que só Hamilton.

A FRASE DE MONTREAL

“Parece que os deuses não me querem nessa luta…”

George Russell

Além de atribuir sua tragédia pessoal aos deuses das pistas, Russell também se disse “orgulhoso” pelo que fez em Montreal e falou que gostaria que a briga com Kimi durasse “mais 40 voltas”. Depois, também pediu desculpas por jogar o protetor do cockpit no chão “dando mais trabalho aos fiscais do que eles já têm”. “Estava de cabeça quente”, explicou.

Olha, a coisa foi tão ruim para ele no balanço geral do GP, que qualquer coisa deve ser desculpada.

O NÚMERO DO CANADÁ

4

…pilotos, apenas, terminaram o GP do Canadá na mesma volta: Antonelli, Hamilton, Max Verstappen e Charles Leclerc. Do quinto ao décimo, todos tomaram uma volta do vencedor. Piastri, o 11º, levou duas. E nem por isso a corrida foi ruim. Ao contrário, teve disputas relevantes e ultrapassagens reais. Na real, foi a melhor do ano. As baterias não atrapalharam, graças à natureza do circuito — curto e com freadas fortes. Não será assim sempre, mas sejamos otimistas. Em Mônaco, os motores elétricos também não vão perturbar muito. Já em Barcelona…

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da Alpine, que colocou seus dois carros nos pontos e, no total, somou 12 em Montreal, seu melhor desempenho na temporada. Franco Colapinto foi o sexto, melhor resultado na F-1, e Pierre Gasly, mesmo largando de 14º, escalou o pelotão até a oitava posição. O time está em quinto no Mundial com 35 pontos, 14 à frente da Débito ou Crédito, a filial farialimer da Red Bull — que foi bem com Liam Lawson, em sétimo, e viu Arvid Lindblad empacar no grid com problema na embreagem.

NÃO GOSTAMOS… da Audi, que só fez dois pontinhos com Gabriel Bortoleto na primeira etapa do Mundial e, depois, zerou em todas as outras, incluindo as três Sprints. Como a McLaren, a equipe errou feio na escolha dos pneus intermediários para a largada. E, assim, carros que largaram atrás da dupla quatrargólica acabaram chegando na frente.

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FOTO DO DIA

Foram 0s0233 que separaram o sueco Felix Rosenqvist, da pequena Meyer Shank Racing, do norte-americano Davi Malukas, da grande Penske, na chegada das 500 Milhas de Indianápolis. Foi a mais apertada da centenária história da corrida. Um final digno do tamanho dessa prova.

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STRONG & FREE (4)

Antonelli: quarta vitória, liderança no campeonato ampliada

SÃO PAULO (monstrinho) – “Não foi como eu gostaria. Estava numa briga muito boa com George. Mas tudo bem, aceito.” Assim Kimi Antonelli descreveu sua quarta vitória no ano, a quarta seguida. O piloto da Mercedes venceu o GP do Canadá, quinta etapa do Mundial, e é o primeiro na história a ganhar suas quatro primeiras corridas de forma consecutiva. O resultado fez o italianinho disparar na liderança do campeonato com 131 pontos, 43 mais que seu companheiro de equipe George Russell, que quebrou quando estava na primeira colocação, na 30ª volta. Até ali, os dois travavam um duelo tão bonito quando assustador – belo para quem via, aterrador para Toto Wolff, o chefe da Mercedes, apavorado com a possibilidade de uma batida entre os dois.

Sem Russell na briga, Kimi teve apenas o trabalho de levar o carro até a bandeirada. Mas a prova de Montreal não se resumiu ao duelo mercêdico precocemente interrompido pela falha no carro de Russell. A briga pelo segundo lugar foi bonita e decidida no apagar das luzes da prova. E quem levou foi Lewis Hamilton, depois de linda batalha com Max Verstappen. Foi o melhor resultado do inglês desde que chegou à Ferrari e o primeiro pódio do holandês da Red Bull no ano.

Apesar da expectativa de chuva e das previsões apocalípticas para a corrida, de um dilúvio bíblico e enchentes devastadoras, não choveu durante a prova. Fez frio, é verdade: 12°C. Mas, mesmo sem chuva, a coisa começou esquisita. Na largada, as luzes vermelhas se acenderam, mas não apagaram. Arvid Lindblad, coitado, não conseguiu engatar a primeira marcha, sinalizou o problema para os fiscais e o procedimento foi abortado, com nova volta de apresentação.

Alguns pilotos – sete, para ser preciso, a saber: Lando Norris, Oscar Piastri, Nico Hülkenberg, Gabriel Bortoleto, Carlos Sainz, Sergio Pérez e Valtteri Bottas – tinham pneus intermediários no grid. Mas a pista estava praticamente seca. O carro de Lindblad foi empurrado de volta para os boxes, mas a retirada demorou um pouco mais do que o normal. Então, mais uma volta de apresentação – ou de formação, que é a denominação mais precisa – foi realizada. A distância original da prova caiu de 70 para 68 voltas.

No fim da primeira volta Piastri foi para os boxes. Norris tinha largado bem, pulando para a ponta, graças aos intermediários. Mas logo fez um pit stop, também. Ambos colocaram pneus médios. Quem tinha apostado nos intermediários teve de colocar slicks, não tinha jeito. Assim, Antonelli, que tinha largado melhor que Russell, assumiu a liderança. Hamilton era o terceiro, com Verstappen em quarto e Charles Leclerc em quinto.

George assumiu a liderança no fim da volta 6. Colocou por fora e ficou lado a lado com Antonelli no retão, o italiano travou os pneus, passou direto pela área de escape e por um fio de cabelo não acertou o companheiro. A manobra, reconheça-se, foi muito bonita. Toto Wolff, nos boxes, quase teve um infarto. Ou enfarte. Ambas as formas são aceitas pelo coração.

Verstappen: bom duelo (e divertido, pelo jeito) com Hamilton

Na volta 9, Verstappen passou Hamilton e assumiu o terceiro lugar. Lewis pediu, pelo rádio, um pouco mais de potência no motor. Como atendê-lo? Difícil. Ford x Ferrari, deu Ford. Pelo menos no primeiro round.

Era bom manter um olho na dupla da McLaren, àquela altura. Ambos tinham despencado no pelotão por causa da troca prematura de pneus, mas não iriam parar quando todos fossem para seus pit stops. Na volta 12, Lando estava em nono e Oscar, em 13º.

No fim da volta 12, Toto pediu um copo d’água com açúcar. Antonelli passou Russell, que tinha travado os pneus no “hairpin”, mas o inglês retomou a posição metros depois. Kimi, então, foi para cima na curva 1, mergulhou por dentro, mas não conseguiu recuperar a liderança. A briga estava tão boa que passou despercebida a segunda parada de Piastri. Pouco antes ele tinha enchido a lateral do carro de Alexander Albon. Quebrou o bico e jogou a sua corrida e a do tailandês no lixo.

Russell e Antonelli seguiram se pegando. Por isso, também, quase ninguém percebeu quando Norris foi chamado para os boxes pela McLaren por algum problema não esclarecido. Aquele olho na McLaren de dois parágrafos atrás, esqueçam. A corrida papaia tinha ido para o vinagre.

Na volta 17, Toto pediu uma ambulância e um cardiologista. Antonelli tentou passar Russell no fim da retona, George resistiu. Não bateram por mícrons.

Com 20 voltas, Russell, Antonelli, Verstappen, Hamilton, Leclerc, Isack Hadjar, Franco Colapinto, Liam Lawson, Pierre Gasly e Oliver Bearman eram os dez primeiros. George e Kimi estavam separados por um piscar de olhos. O líder do campeonato pressionava o tempo todo, alucinado. No fim da volta 22, finalmente, conseguiu passar na freada para a chicane que leva à reta dos boxes. De caçador, virou caça.

Aí virou um pega pra capar insano. Kimi errou no “hairpin”, Russell passou. Antonelli foi para cima na reta e, emparelhados, quase se tocaram. O italiano cortou a chicane. Teve de devolver a posição e começou a reclamar pelo rádio. “Por quê? Ele me jogou pra fora!”. Devolveu. George reassumiu a primeira colocação.

O único jeito de Toto Wolff não sucumbir a um colapso nervoso seria chamando um dos dois para trocar pneus, para que pelo menos por alguns instantes os dois se separassem na pista. Mas nem precisou. Na volta 30, Russell abandonou. Na curva 8, passou direto pela chicane e o carro parou do nada, com tudo apagado. O piloto arrancou a proteção interna do cockpit e jogou na pista. Depois, socou o carro. O safety-car virtual foi acionado. Todo mundo aproveitou para trocar pneus. A vitória caiu no colo de Antonelli sem que ele precisasse alvejar o companheiro com um trabuco.

Desolado, George ficou grudado no alambrado enquanto os fiscais tiravam seu carro da pista. O olhar, perdido no horizonte. Por que comigo, céus? Porque é assim, meu filho. Carro de corrida quebra.

Antonelli, Verstappen, Hamilton, Hadjar, Leclerc, Colapinto, Lawson, Gasly, Norris e Sainz eram os dez primeiros na volta 35, já sem safety-car virtual. Nessa turma, Leclerc x Hadjar e Norris x Gasly eram as brigas da vez – os demais tinham diferenças confortáveis para quem vinha atrás.

Sem Russell para incomodar, Kimi sossegou o facho, claro. O segundo colocado, Verstappen, estava a léguas de distância. Na volta 40, finalmente Leclerc passou Hadjar – que seria punido com 10s por ter mudado de direção 500 vezes na reta quando era assediado pelo monegasco. No mesmo momento, Norris abandonou. Pelo rádio, irritado, avisou: “Quebrou o câmbio ou qualquer coisa assim”.

Na volta aos boxes, Russell foi recebido pessoalmente por Toto Wolff, já mais calmo – e igualmente chateado. Recebeu um abraço e a promessa de que todos os esforços seriam envidados para que o suplício não se repetisse.

Depois de um safety-car virtual na volta 46, para retirada de restos mortais do Cadillac de Pérez, a disputa que se descortinava era pelo segundo lugar entre Verstappen e Hamilton. Lewis, a conta-gotas, se aproximava do holandês. Em dez voltas, descontara 3s. Pelo rádio, que andava meio silencioso, procurou estimular a equipe. “Vai dar, galera! Vamos nessa! Acreditem! Confiem em mim!”, falou. Frédéric Vasseur, o chefe, bocejou. O engenheiro de Leclerc, então, resolveu entrar na vibe do inglês e tentou dar uma animada no outro ferrarista. “Lewis chegou no ritmo dele, 1min15s! Vamos lá, galera!” Charles, em modo Aracy de Almeida (deem um Google, não vou explicar tudo), resmungou: “Só falem comigo quando for estritamente necessário”. Vasseur bocejou de novo.

Um novo safety-car virtual para limpeza de pista foi acionado na volta 53 e Hadjar aproveitou para pagar seu pênalti e trocar pneus. Na retomada da prova, Hamilton se aproximou de verdade de Verstappen: menos de 1s. Foi ao ataque. Vasseur acordou.

A ultrapassagem não foi das mais fáceis. Max sofria com os pneus médios, mas se defendia com o vigor de sempre. Na volta 57, Lewis mostrou o carro duas vezes, mas não fez nenhuma loucura. Na 58, repetiu o assédio moral. Verstappen fingiu que não era com ele. O heptacampeão pediu para a Ferrari lhe dar alguma orientação: “Preciso de mais potência!”.

Não sei se lhe deram alguns cavalinhos, mas na abertura da volta 62, na curva 1, por fora, Hamilton passou lindamente. Max, porém, não entregou a paçoca sem luta. Foi para cima do velho rival na mesma volta, insinuou-se aqui e ali, mas Lewis se manteve firme até a quadriculada.

Antonelli, Hamilton e Verstappen foram ao pódio de Montreal. Leclerc, Hadjar (que ainda pagou mais um pênalti, por desrespeitar bandeira amarela), Colapinto, Lawson, Gasly, Sainz e Bearman fecharam a zona de pontos. Gabriel Bortoleto foi o 13º com a Audi. Como Norris e Piastri, ele e Hülkenberg viram a vaca ir para o brejo na escolha dos pneus intermediários para a largada.

Nos braços dos colegas: Kimi segue fazendo história

O pódio foi festivo. Antonelli é um garoto querido pelos colegas e adorado pelo público. Além do talento inegável, tem carisma e simpatia. Foi erguido nos braços por Hamilton e pelo representante da Mercedes que recebeu o troféu de Construtores. Verstappen deu-lhe um banho de champanhe.

A Mercedes segue invicta na temporada, com cinco vitórias e cinco poles. Quem talvez pudesse incomodar em Montreal errou feio na escolha dos pneus intermediários, a dupla da McLaren. A trapalhada facilitou as coisas para o time alemão. Que tem, neste momento, os dois títulos na mão.

E um piloto que precisa colocar a cabeça no lugar para não mergulhar no abismo da depressão. Para ser campeão neste ano, Russell vai precisar de muita força mental. Seu adversário é bem mais perigoso – e capaz — do que ele poderia imaginar. Ou do que ele gostaria.

Daqui a duas semanas, tem Mônaco. Europa, até que enfim.

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STRONG & FREE (3)

Nona pole da carreira de Russell: duelo com Antonelli

SÃO PAULO (Jorge, Jorge…) – Foi menos fácil do que o normal, mas a Mercedes larga na primeira fila amanhã no GP do Canadá, quinta etapa do Mundial. Menos fácil porque a equipe se deu o luxo de acertar o carro para a chuva num sábado sem chuva. É que a previsão para amanhã é de corrida no molhado. Se a meteorologia acertar, George Russell, o pole, e Kimi Antonelli, o segundo colocado no grid, vão se dar muito bem. Se não chover, vão se dar apenas bem – o carro é um foguete e seu ritmo de corrida é muito sólido.

Isso acontece porque há regras para trabalhar nos carros entre a classificação e a corrida. Eles são trancafiados em regime de Parque Fechado, e se alguém encostar neles é capaz de ser metralhado pelos fiscais da FIA. Não pode tudo. Só mexer em itens que podem oferecer riscos à segurança. Mas se uma equipe acerta o carro para pista seca e chove, vai sofrer de qualquer forma. Se não chove, quem pensou em correr no molhado tem de se virar com um carro que terá desempenho prejudicado – caso da Mercedes.

Pode ser que outras equipes tenham feito o mesmo que os alemães, mas a impressão foi de que a pelo menos McLaren e Red Bull partiram para um acerto para pista seca, para tentar bater os prateados. Impressão, apenas. Seja como for, não conseguiram. Lando Norris larga em terceiro e Oscar Piastri, em quarto. Os rubro-taurinos ficaram igualmente para trás.

Russell fez sua segunda pole no ano, numa disputa de milésimos com Antonelli. É a nona dele na carreira. A Mercedes continua invicta em grids nesta temporada. Fez todas as poles, e só não bateu a primeira fila em Miami, porque Russell largou em quinto. Com sol ou chuva, chuva ou sol, em caso de casamento da viúva ou de espanhol, o time é favorito à vitória mais uma vez. Talvez não com um pé nas costas – a melhora da McLaren é visível. Mas favorito.

Na classificação, Russell e Antonelli, que se estranharam na Sprint, brigaram pelos melhores tempos apenas no Q3. Antes, fizeram o suficiente para avançar de fase sem sustos. O grid teve duas surpresas entre os dez primeiros, Arvid Lindblad, nono com a Meu Chip Não Tá Funcionando, e Franco Colapinto, décimo com a Alpine que, dizem, está sendo vendida para a Gucci – sim, a grife de luxo. Gabriel Bortoleto, brasileiro da Audi, larga em 13º.

No Q1, Antonelli ficou com a primeira colocação com um tempo apenas razoável de 1min13s380. De qualquer forma, os dez primeiros merecem registro: depois de Antonelli ficaram Norris, Piastri, Isack Hadjar, Lewis Hamilton, Charles Leclerc, Lindblad, Russell, Max Verstappen e Carlos Sainz.

Ninguém da turma da frente precisou se esforçar muito, já que, correndo o risco de ser repetitivo, em 2026 há vagas cativas no grupo de seis que são eliminados na primeira parte da classificação. São as duplas da Cadillac e da Aston Martin, mais dois avulsos que se alternam entre os pilotos da Audi, da Williams e da Haas. Hoje, a turma degolada teve Esteban Ocon, Alexander Albon, Fernando Alonso, Sergio Pérez, Lance Stroll e Valtteri Bottas. Bortoleto avançou ao Q2 na bacia das almas (de onde vem essa bela expressão?), fechando sua volta com o cronômetro já zerado.

Kimi voltou a andar bem no Q2, enquanto Russell parecia apanhar do carro. O italiano fez 1min13s076 na sua primeira volta boa, mais de 0s5 à frente do companheiro, que decidiu voltar à pista para entender o que estava acontecendo.

Nesta temporada, o despenhadeiro entre as quatro melhores equipes e as demais é muito grande. Ninguém desses times corre risco de ficar fora. Assim, como na outra ponta da tabela, há vagas asseguradas entre os dez primeiros para as duplas de Red Bull, Mercedes, McLaren e Ferrari. Juntam-se a eles mais dois avulsos – que normalmente vêm da Alpine, da Williams ou da Meu Cartão Foi Cancelado.

A surpresa do Q2 foi o tempo de Hadjar, 1min12s975, colocando a Red Bull na primeira colocação. Com ele avançaram ao Q3 Hamilton, Norris, Antonelli, Russell, Piastri, Verstappen, Leclerc, Lindblad e Colapinto, nessa ordem. Lindblad e Colapinto foram os avulsos do fim de semana. Nico Hülkenberg, Liam Lawson, Bortoleto, Pierre Gasly, Sainz e Oliver Bearman foram os eliminados.

Quem chutou o pau da barraca na abertura do Q3 foi Norris, com 1min12s729. Hamilton fez sua primeira volta e impressionou também, ficando apenas 0s139 atrás do campeão vigente. A dupla da Mercedes, hiper-mega-ultra favorita, não virou: Russell abortou a volta e Antonelli ficou a 0s359 do inglês da McLaren. George deu uma melhorada na segunda tentativa, mas não subiu muito. Kimi, então, socou o pé no porão e conseguiu pular para a primeira posição com 1min12s646. Mas Russell tinha ficado na pista. E foi para uma nova volta voadora. Nela, voou: 1min12s578, batendo seu parceirinho por 0s068. Curiosidade: a mesma diferença de ontem, na definição do grid da Sprint. Norris e Piastri ficaram em terceiro e quarto, o primeiro a 0s151 da pole, o segundo a 0s203. Hamilton larga em quinto, com Verstappen atrás dele. Hadjar, Leclerc, Lindblad e Colapinto fecharam o top-10.

As previsões para Montreal amanhã não têm sido muito assertivas. Alguns serviços meteorológicos apostam em chuva pela manhã até o começo da tarde, no máximo. O père-du-saint Pioche Forestière, sempre consultado pela família Stroll, muito mística e supersticiosa, informou que vai chover a partir da volta 44, número maldito pelos canadianos – alguns prédios pulam andares com o algarismo 4, não me perguntem por quê. Nos programas de TV, tem quem fale em chuva de tarde e quem garanta que vai ser só de noite.

Eu não sei de nada. Só que Toto Wolff está torcendo para um dos dois não largar muito bem amanhã. Para evitar atritos, sabe como é. Essa molecada é muito bocuda. E os mais velhos, ranzinzas.

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STRONG & FREE (2)

A treta na sexta volta: Kimi ficou irritado com o companheiro

SÃO PAULO (vai ser interessante) – Vamos lá. Nenhum piloto é obrigado a deixar o outro passar porque o outro acha que tem direitos adquiridos porque seu carro parece estar mais rápido. Não é assim que funciona. Mansell tinha um carro muito mais rápido que Senna em Mônaco em 1992. Não passou. Senna se defendeu e ganhou a corrida. Schumacher tinha um carro mais rápido que Alonso em Ímola em 2005. Não passou. Alonso se defendeu como um leão e ganhou.

É assim que funciona. Desde que não haja nenhuma ação ilegal daquele que está à frente, cabe a quem está atrás encontrar os caminhos e/ou atalhos para passar. Foi exatamente isso que aconteceu na Sprint de Montreal agora há pouco. George Russell se defendeu de um ataque de Kimi Antonelli na sexta volta da minicorrida na curva 1. Na verdade, não fez nada que Kimi não faria: manteve seu traçado sem espalhar escandalosamente na saída da curva, para tomar a curva seguinte no traçado ideal. Não deixou espaço? Não. Não tinha por que deixar espaço, já que Antonelli estava atrás. “Ah, mas ele emparelhou”. OK, chegou a ficar quase lado a lado, “o espelho à altura do eixo dianteiro” etc. — ah, as “diretrizes” da FIA…

Mas na vida real não é assim. Vejam a sequência abaixo:

O traçado de Russell é defensivo. Normal. Antonelli, que nessa mesma volta perdeu também a segunda posição para Lando Norris — porque tentou de novo e atravessou uma chicane na curva 8 –, tentou a mesma manobra sobre o inglês da McLaren, na abertura da última volta. Passou direto, porque o campeão mundial se defendeu do mesmo jeito, tomando a curva seguinte, para a qual tinha a preferência, de modo a não dar espaço para o italiano. Só que, nessa tentativa, o jovem líder do campeonato evitou o atrito e foi reto. Afinal, era carro de outra equipe.

Antonelli é jovem e impetuoso, mas de bobo não tem nada. Ao contrário: é um talento excepcional e, hoje, mostrou que sabe fazer os tais “mind games”, também. Quando se insinuou para cima de Russell — com quem, afinal, disputa o título — e começou a reclamar pelo rádio, jogou para a torcida. E não tem nada de errado nisso. Faz parte do jogo. Só que quem joga assim precisa segurar o rojão. Porque o adversário pode jogar duro, também. E Russell jogou. Dentro das regras, sem fazer nada de errado. Tanto que não houve sequer uma investigação pelos comissários.

Kimi precisa apenas ter cuidado para não passar do ponto tão cedo. Buscar a vitória, OK. Sempre é OK buscar a vitória. Sua tentativa de ultrapassagem foi legítima e justificada. Não deu? Rabinho entre as pernas e tenta de novo. Dar chilique pelo rádio não é a melhor política.

E ele deu… Foram várias reclamações e respostas da equipe. Primeiro, seu engenheiro Bono Vox: “Fica calmo”, “foco no Norris e na corrida”. E ele: “Caguei pra isso, ele me jogou pra fora!”. O moleque não parava. Até entrar o chefe Toto Wolff no circuito. “Kimi, se concentra na corrida e pare de ficar chorando pelo rádio”, disse, primeiro. Ao fim da corrida, chamou novamente a atenção do menino: “Não é assunto para ficar falando no rádio, vamos conversar depois”, falou, irritado com a insistência de seu pupilo.

Tudo isso “faz parte”, como se diz. Quando se encontraram fora do carro, Russell e Antonelli trocaram um frio aperto de mãos. Na entrevistinha com os três primeiros, Kimi falou que foi uma “boa batalha” e George não esticou o assunto. Na sala de imprensa, o inglês tentou mostrar ao amiguinho que foi tudo normal. Não disse, mas poderia ter dito: também já fui assim.

Aperto de mão: Russell não fez nada de errado

Num sábado nublado e com 20°C de temperatura, a Sprint canadense teve cinco pilotos largando dos boxes: Oliver Bearman, Pierre Gasly, Valtteri Bottas, Alexander Albon e Lance Stroll. Três partiram com pneus macios (Bottas e Sergio Pérez, a dupla da Cadillac, e Stroll, da Aston Martin) e um, com duros (Arvid Lindblad, da É por Aproximação?). Os demais, com médios.

Não se sabe exatamente o que a Mercedes tinha de errado no seu sistema de largada até agora neste ano. Mas seja lá o que for, ou o que era, está resolvido. Russell, da pole, e Antonelli, de segundo no grid, partiram como um raio desta vez e não perderam posição para ninguém. Desapareceram na frente. Em cinco voltas, tinham mais de 3s sobre Norris. Este era seguido por Lewis Hamilton, Oscar Piastri, Charles Leclerc, Max Verstappen e Lindblad nas oito primeiras posições.

Depois da treta na sexta volta, Antonelli perdeu a concentração e a posição para Landinho. Queria um pênalti para seu companheiro de equipe. Demorou um pouco para se aprumar. Na volta 12, Norris colou em Russell. Parecia mais rápido, mas não atacava. Impassível, George se mantinha olimpicamente na frente. Kimi, então, chegou para a disputa. Fez a tentativa da última volta, não deu certo, terminou em terceiro. Atrás deles vieram Piastri, Leclerc, Hamilton, Verstappen e Lindblad. Lewis perdeu duas posições na última volta. Gabriel Bortoleto, da Audi, ficou em 12º. E o destaque foi Pérez, andou boa parte da prova em 11º com o carro estreante da Cadillac, mas terminou em 14º.

Russell disse que “respeita” Kimi por ter tentado a ultrapassagem, mas que ao mesmo tempo sabe que naquele ponto da pista “ninguém passa por fora”. Tentou contemporizar e não atacar o menino. Experiente, não quis criar um climão. Antonelli parecia mais calmo, também, na coletiva para a imprensa. George disse estar “feliz porque estamos aqui agora”. “Poderia ter sido algo diferente, mas não foi, e é assim que as corridas devem ser.”

Próximo capítulo dessa novela que começou agora, amanhã. Antes tem definição do grid para o GP canadense, às 17h.

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PRENDE EU

Luc Monteiro mandou, direto de Brasília.

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STRONG & FREE (1)

Russell: reação depois de três cacetadas

SÃO PAULO (cadê o sol daqui?) – George Russell larga na pole-position para a Sprint do GP do Canadá, quinta etapa do Mundial de F-1. Terá ao seu lado na primeira fila – adivinhem – o companheiro Kimi Antonelli, líder do campeonato. A Mercedes segue dominando a temporada. Ganhou as quatro corridas disputadas até agora e fez todas as poles. Só perdeu uma Sprint, a de Miami, para a McLaren. A prova curta de amanhã será a terceira do ano e a primeira disputada em Montreal.

O inglês precisava do resultado que obteve hoje, depois de três surras indiscutíveis que tomou do jovem parceiro nas últimas três provas. “Nunca duvidei de mim”, falou, aliviado. Se fosse batido de novo por Kimi, o italianinho, poderia entrar em parafuso de vez. Mas precisa completar o serviço para recuperar o equilíbrio. Para isso, é de bom tom ganhar a Sprint de amanhã e buscar a pole para o evento principal algumas horas mais tarde. No ano passado, Russell venceu o GP do Canadá. Antonelli terminou em terceiro, em seu primeiro pódio na categoria.

A McLaren ficou com a segunda fila no grid da Sprint, a Ferrari com a terceira e a Red Bull, com a quarta. Gabriel Bortoleto, brasileiro da Audi, larga em 12º.

Na classificação para a Sprint, a tarefa no SQ1 não era das mais complicadas para ninguém. Apenas quatro seriam eliminados, já que Alexander Albon e Liam Lawson não sairiam dos boxes. O primeiro tinha atropelado uma marmota no treino livre – e por isso bateu no muro – e o segundo teve problemas insolúveis no carro da Só Não Aceitamos Amex. Os danos no automóvel do tailandês foram tantos que o time teve de trocar motor e câmbio. No caso do neozelandês, o problema foi um vazamento no sistema hidráulico.

A Mercedes, que ficara em primeiro e segundo no treino livre, tinha colocado quase 0s8 em Lewis Hamilton, o terceiro colocado. Um abismo atribuído ao pacote de atualizações levado pelos alemães para Montreal. Era franca favorita à primeira fila. Se tivesse mais carros, faria a segunda, também. Mas Hamilton ameaçou incomodar os prateados no início da classificação. Era o primeiro com 1min13s889 quando, faltando 1min46s para o fim, uma batida de Fernando Alonso (surpreendentemente décimo no treino livre) interrompeu o SQ1. Ele ocupava a 14ª posição.

Ainda dava tempo de quem estava atrás dele melhorar quando os boxes fossem abertos. Como Sergio Pérez e Valtteri Bottas têm lugares cativos na eliminação com suas limusines Cadillac, Lance Stroll e Pierre Gasly eram os dois que tentariam se livrar da degola no parco tempo de pista disponível. E quem estava perto deles, um pouco à frente, corria risco. A saber: as duplas da Audi e da Haas.

Onze carros foram para a pista quando os boxes foram abertos. Mas só três conseguiram abrir volta: os de Carlos Sainz, Stroll e Hamilton. O primeiro e o terceiro não precisavam nem ter voltado. Lance, piloto da casa, abortou a volta. Não mudou nada, no fim das contas. Pérez, Stroll, Gasly, Bottas, Albon e Lawson serão os últimos no grid da Sprint de amanhã.

No SQ2, a Mercedes se aprumou e Russell ficou em primeiro com 1min13s026. Hamilton, o segundo, fechou sua volta a 0s439 dele. Antonelli não se esforçou demais. Errou em sua segunda tentativa, mas como tinha um tempinho suficiente para avançar à parte final da classificação ficou nos boxes vendo os outros se esfolarem. No último instante, Sainz conseguiu uma vaguinha entre os dez primeiros. Ficaram de fora da festa Nico Hülkenberg, Bortoleto, Franco Colapinto, Esteban Ocon, Oliver Bearman e, claro, Alonso – seu tempo no SQ1 tinha sido bom o bastante para escapar da decapitação prematura, mas com o carro batido não havia o que fazer; também ficou vendo os amigos pela TV.

O grid em Montreal: nenhuma surpresa

No SQ3, os pneus macios demoraram um pouco para aquecer e os pilotos precisaram de duas ou três voltas rápidas para chegar à condição ideal. E Russell foi o único a baixar de 1min13s, com 1min12s965. Antonelli ficou a 0s068 dele. A McLaren fechou a segunda fila com Lando Norris em terceiro a 0s315 da pole e Oscar Piastri em quarto. Na terceira fila, Ferrari com Hamilton e Charles Leclerc. Na quarta, Red Bull com Max Verstappen e Isack Hadjar. Arvid Lindblad e Sainz fecharam a turma dos dez primeiros.

A Sprint terá 23 voltas e começa às 13h da Papudinha – para onde volta o “mito” daqui a alguns dias, soluçando ou não. Depois, sai o grid para a prova principal do domingo. Até agora, o sol tem brilhado em Montreal, com céu azul e temperaturas na casa dos 20°C. Mas, para a corrida, há possibilidade de chuva. O que é certo é que o tempo vai dar uma virada e os termômetros vão despencar para coisa entre 10 e 12°C.

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LEGIONE URBANA

Se vocês soubessem quem me mandou essas fotos de Roma… Tentem adivinhar!

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AGENDINHA CANADIANA

E vamos de GP do Canadá esta semana. Atenção para os horários, é mais um evento vespertino e com Sprint de novo!

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