VIU MEU CARREGADOR? (3)

SÃO PAULO (amanheceu) – Kimi Antonelli fez história hoje na China.

Detesto escrever “fez história”. É mais uma expressão banalizada pelas redes sociais e pela imprensa esportiva imberbe, que acha que qualquer coisa é “fazer história”. Sujeito pega um avião para cobrir um jogo da Libertadores no Paraguai e acha que está “fazendo história”. “Influencer” consegue uma palavrinha do João Fonseca no portão de Roland Garros e afirma, sem nenhuma falsa modéstia: “Fiz história”. Canal do YouTube transmite um jogo da série B em São Bernardo do Campo e informa a seus telespectadores: “Fizemos história”.

Mas Antonelli fez mesmo, porque se tornou o mais jovem pole-position da história da F-1. Que não é uma história que começou na semana passada, mas em 1950. E o italiano da Mercedes superou uma marca que já durava quase 18 anos, de Sebastian Vettel. O alemão detinha o recorde de mais jovem pole da categoria. Tinha 21 anos, 2 meses e 11 dias de vida bem vivida quando conseguiu a primeira posição no grid para o GP da Itália de 2008, em Monza. Defendia as cores da Toro Rosso. Ganhou a corrida.

Kimi tem, de acordo com números oficiais da F-1, 19 anos, 6 meses e 17 dias de vida bem vivida. Na próxima madrugada ocupará a posição de honra em Xangai, com chances reais de vencer pela primeira vez na categoria. A Mercedes segue invicta em grids em 2026. Fez a primeira fila na Austrália, colocou seus dois rapazes na frente na Sprint chinesa (vencida por George Russell na madrugada de hoje) e estará de novo com ambos liderando o pelotão na largada para as 56 voltas da corrida. Só que, desta vez, com inversão dos pilotos. Russell, que teve problemas no Q3, ficou com a segunda posição.

Ferrari e McLaren, cujas duplas ficaram com a segunda e a terceira filas, tentarão impedir a Mercedes de vencer a segunda corrida seguida (sem contar a Sprint, claro) nesta temporada. Não será fácil. O ritmo de prova dos carros alemães é muito bom. O time italiano, que terá Lewis Hamilton em terceiro e Charles Leclerc em quarto no grid, aposta tudo na largada. Deve saltar com ambos à frente de Antonelli e Russell, porque os carros vermelhos têm sistemas de largada mais eficientes que os demais. As primeiras voltas serão eletrizantes com várias trocas de posições em função dos diferentes níveis de bateria de cada carro – gestão de energia pra valer os pilotos só conseguem executar quando as coisas acalmam um pouco. Se ninguém bater nessas primeiras movimentações, que serão exaltadas por narradores, comentaristas e polianas de plantão, a tendência é que depois de oito ou dez voltas a situação se estabilize e, aí, a Mercedes passe a controlar o GP.

E vamos à classificação, para entender como Antonelli conseguiu a façanha de conquistar uma pole antes mesmo de prestar vestibular e de se alistar no Exército. Ou de fazer a barba sozinho com espuma Bozzano e gilete cega.

Hamilton, 3º no grid: Ferrari tentou incomodar

O sábado começou ensolarado em Xangai, com os termômetros batendo na casa dos 17°C, um clima mais amigável do que a friaca de ontem. No Q1, até a Mercedes entrar na pista, o melhor tempo era de Oscar Piastri, 1min33s990. Antonelli, então, virou 0s685 mais rápido. Russell, 0s728. Hamilton, logo depois, se aproximou um pouco e cronometrou sua primeira volta boa com um tempo apenas 0s260 pior que o do líder do campeonato. E, na sequência, Leclerc passou a régua em todo mundo e fez uma volta em 1min33s175, deixando Russell 0s087 atrás. Uma surpresa, até ali.

O Q1 não tinha muita importância porque o grupo dos seis eliminados já era conhecido: as duplas de Williams, Aston Martin e Cadillac, salvo alguma inesperada intercorrência dos demais. Que não houve. Pela ordem, ficaram pelo caminho Carlos Sainz, Alexander Albon, Fernando Alonso, Valtteri Bottas, Lance Stroll e Sergio Pérez.

E Leclerc não foi o único a surpreender na primeira parte da classificação. Gabriel Bortoleto, por exemplo, terminou em sétimo. Franco Colapinto, em décimo. E Max Verstappen, em quarto.

A partir do Q2, aí sim, começaria algo que pudesse ser chamado de disputa. Teoricamente, as quatro grandes avançariam ao Q3. O resto brigaria pelas duas vagas restantes. Na primeira rodada de voltas rápidas, Russell voltou à ponta com 1min32s523. Hamilton era o segundo provisoriamente, a 0s311 do inglês da Mercedes. Naquele momento, já entrando na segunda metade do Q2, os dois convidados das quatro grandes para ficar entre os dez primeiros eram Oliver Bearman, em sexto, e Pierre Gasly, em oitavo. Bortoleto, com uma volta ruim, aparecia em último entre os que tentavam um lugar entre os dez primeiros.

Mas Leclerc estava mesmo a fim de incomodar os favoritos da Mercedes. Na sua segunda volta rápida, superou o tempo de Russell em 0s037. Era uma disputa interessante. Antonelli deu o troco na sequência, batendo o tempo do monegasco por 0s043. Gabriel foi parar na brita na última curva, não fechou sua segunda volta e ficou onde estava na tabela, 16º. Junto com ele foram mais cedo para o chuveiro, a partir do 11º, Nico Hülkenberg, Colapinto, Esteban Ocon, Liam Lawson e Arvid Lindblad. Como previsto, avançaram as duplas de Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull. Com eles, Gasly e Bearman.

Invicto no ano até então, Russell disse pelo rádio que havia algo estranho em seu carro antes de começar o Q3. Pediu para trocarem a asa dianteira. A solicitação foi atendida. Boxes abertos, deu merda. O #63 empacou no meio da pista. George apertou todos os botões possíveis, evocou deuses e orixás e conseguiu fazer o automóvel funcionar, só que travado em apenas uma marcha. Logrou voltar aos boxes. Mas o nervosismo tomou conta de seu lado da garagem.

Sobrou para Antonelli a tarefa de manter a fama de má da Mercedes. Em sua primeira tentativa de volta rápida, Kimi, o italianinho, cravou 1min32s322, tempo que seus rivais de Ferrari e McLaren não conseguiram bater. Nos boxes, o time alemão escarafunchava o carro de Russell por todos os poros, espetava cabos e mangueiras, trocava tudo que era possível – até um volante novo foi providenciado –, ligava e desligava, tirava da tomada e esperava dez segundos, jogava sal grosso, e nada de ele sair do lugar. A areia escorria pela ampulheta e os outros nove carros voltaram à pista para suas segundas tentativas de voltas voadoras. Quando faltavam 2min17s para o encerramento das atividades, finalmente seu Jorge foi à luta. Sem acertar nada, sem aquecer pneus, sem preparar volta. Jogaram o coitado na pista de qualquer jeito.

Kimi foi o primeiro a fechar volta rápida na segunda bateria de tentativas. Baixou bem sem tempo: 1min32s064. Hamilton e Leclerc, que ensaiaram uma ameaça à Mercedes nas fases anteriores da classificação, não conseguiram chegar perto dele. McLaren e Red Bull, menos ainda. Restava Russell, atormentado pelos perrengues inesperados que quase o deixaram sem carro. Completou uma volta mais ou menos e não superou o jovem companheiro: ficou 0s222 atrás. Foi o suficiente, porém, para garantir um lugarzinho na primeira fila.

O grid em Xangai: primeira fila da Mercedes

George perdeu a invencibilidade, mas a Mercedes, não. Fez 1-2 no grid, apesar dos imprevistos que atrapalharam o inglês. Na segunda fila, Ferrari: Hamilton em terceiro, Leclerc em quarto. Na terceira, McLaren com Piastri e Lando Norris. Gasly ficou com uma excepcional sétima posição, seguido por Verstappen, Isack Hadjar e Bearman. Max apareceu em oitavo, 0s938 atrás da pole. “Horrível, pavoroso, péssimo, horripilante, angustiante, hediondo, medonho, imprestável”, definiu o holandês.

O GP da China começa às 4h, horário da Papudinha. Se Antonelli vencer, não fará história. Essa, de ser o vencedor mais jovem de todos os tempos, já foi escrita por Verstappen em Barcelona/2016. Ganhou o GP da Espanha, em sua estreia pela Red Bull, com 18 anos 7 meses e 15 dias de vida bem vivida.

Kimi já passou do ponto nesse quesito. É quase um velho.

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VIU MEU CARREGADOR? (2)

100%: Russell vence a Sprint e vai a 33 pontos no Mundial

SÃO PAULO (segura) – George Russell segue 100% na temporada 2026. Fez a pole e venceu o GP da Austrália, fez a pole da Sprint e ganhou a minicorrida da China. Ainda hoje, mais tarde, tentará manter o ritmo com a definição do grid para a prova principal em Xangai. A Mercedes começou o campeonato de forma dominante. Vai ser duro para os outros tirarem o atraso.

O pódio-que-não-é-pódio da Sprint chinesa teve a dupla da Ferrari em segundo e terceiro, com Charles Leclerc e Lewis Hamilton, nessa ordem. Foi a segunda vitória de Russell em Sprints. O outro carro da Mercedes, de Kimi Antonelli, terminou em quinto. O italiano poderia ter sido o segundo – chegou a andar nessa posição –, mas tomou uma punição de dez segundos, o que atrapalhou seus planos.

Foi uma prova agitada nas primeiras e nas últimas voltas. No começo, como em Melbourne, porque estão todos fisicamente próximos, com a adrenalina lá em cima e sem tempo de apertar ou desapertar muitos botões. Por isso os níveis de bateria de um carro para outro variam muito, permitindo uma frenética troca de posições – não confundir com ultrapassagens no sentido clássico da palavra. E no final, porque houve um safety-car que juntou o pelotão quando a maioria das posições já estava estabilizada.

Russell perseguido pela Ferrari: início empolgante

O início foi empolgante. Será assim em todas as corridas, pelas razões já descritas no parágrafo acima. Não vou ficar repetindo. Hamilton largou muito bem – ponto forte da Ferrari neste começo de temporada — e partiu para cima de Russell, assumindo a liderança no meio da primeira volta. O mercêdico deu o troco logo depois. Aí tomou de novo. Ah, as baterias… Quem largou mal outra vez, como na Austrália, foi Antonelli, caindo para oitavo. Verstappen mal saiu do lugar e caiu para o fundo do pelotão. Leclerc, a exemplo de seu companheiro, partiu igualmente bem, saindo de sexto para terceiro.

Por conta disso, seu Jorge se viu ensanduichado pelos dois carros da Ferrari. Na terceira volta, conseguiu passar de novo a vermelhona #44 no fim da reta. Lewis retomou a posição algumas curvas depois. Era um troca-troca parecido com o do início da corrida de Melbourne — ou “efeito ioiô”, como chamou o líder do campeonato depois de vencer a primeira corrida do ano.

A briga estava boa, ainda que se soubesse que não iria durar muito. Leclerc vinha na balada dos dois, até que na volta 6 Russell passou novamente e começou a abrir um pouco. Chaleclé, então, chegou no companheiro. O frenesi arrefeceu. Antonelli, que tentava uma recuperação da má largada, tomou um pênalti de 10s por ter tocado em Hadjar no início.

Na volta 8, o monegasco passou Lewis e assumiu o segundo lugar. E os dois começaram um duelo divertido, mas pouco produtivo. Russell agradeceu. E também durou pouco, a briga. Hamilton, na décima volta, ficou para trás. George, por sua vez, sumiu na frente. Para o videozinho dos “xóvens” de Stefano Domenicali, que veem corridas no TikTok porque não têm paciência, a Sprint já tinha cumprido sua função.

Antonelli subiu para terceiro na 11ª volta, tentando compensar de alguma forma a punição que tomaria ao final da corrida – que ele mesmo considerou merecida. Foi para cima de Leclerc e na volta 13 passou a Ferrari, assumindo o segundo lugar. Não fosse o pênalti, provavelmente terminaria ali, com mais uma dobradinha para a Mercedes.

Mas houve um providencial safety-car nessa hora, porque o Audi de Nico Hülkenberg parou no fim da reta dos boxes. Mesmo faltando poucas voltas para o fim da corrida, quase todo mundo foi para os boxes para colocar pneus macios – os médios da maioria já estavam pedindo arrego. Algumas posições se alteraram porque teve equipe trocando pneu de dois carros, um atrás do outro. O segundo sempre sai no prejuízo.

Russell, Leclerc, Norris, Hamilton, Lawson, Bearman, Antonelli e Piastri eram os oito primeiros atrás do safety-car quando a relargada foi autorizada na 17ª das 19 voltas previstas para a Sprint. Demoraram muito para tirar o carro de Hulk, o que deixou a prova com três voltas úteis para o final. Os quatro primeiros tinham pneus macios. Lawson, que largara com duros, não trocou e subiu muito no pelotão. Bearman, atrás dele, também não tinha trocado. Seriam engolidos por Antonelli e Piastri, que tinham macios atrás deles. Assim foi. Na penúltima volta, ambos haviam ficado para trás. Oscar passara Kimi antes da linha do safety-car na relargada e teve de devolver a posição. Mais à frente, Hamilton passou Norris, lançando âncora na terceira colocação.

E como diziam os locutores de rádio quando o juizão erguia os braços para encerrar o clássico em Pacaembu, não havia tempo para mais nada. Russell venceu com 0s674 de vantagem para Leclerc, o segundo. Hamilton ganhou a terceira medalhinha do dia. Norris, Antonelli, Piastri, Lawson e Bearman fecharam grupo dos oito que marcam pontos nas minicorridas da F-1. Verstappen foi o nono e Bortoleto, o 13º. Max descreveu sua prova como “terrível”. E mais não disse. Foi a primeira vez, em 25 Sprints realizadas desde 2021, que a Red Bull não pontuou.

Para os registros, a Sprint xinguelingue foi disputada com sol, céu azul e 14°C nos termômetros. Russell somou mais oito pontos e agora tem 33 na liderança absoluta do Mundial.

JÁ ERA – Quem tem aplicativos no celular que sincronizam compromissos com calendários já deve ter percebido: nos telefones, os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, marcados para os dias 12 e 19 de abril, não vão acontecer. A FIA deve oficializar o cancelamento ainda hoje. Os motivos são óbvios: a guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã, que está levando o Oriente Médio inteiro de roldão.

INTERESSA – Flavio Briatore disse que a Mercedes está conversando com a Alpine e pode comprar 24% da equipe, percentual que hoje pertence ao Otro Capital, fundo de investimento que tem como controladores alguns atletas e artistas de cinema dos EUA. Eles compraram esse pedaço do time em 2023 por US$ 233 milhões. Ao que parece, se venderem hoje ganharão uma grana. De acordo com Briatore, o interesse é da montadora alemã, e não de Toto Wolff. Ainda segundo o picare…, digo, dirigente, outros “três ou quatro” grupos e/ou pessoas têm sondado o time francês — Christian Horner, ex-chefe da Red Bull, seria um deles.

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VIU MEU CARREGADOR? (1)

Russell na pole: com o pé nas costas

SÃO PAULO (corram atrás) – Esqueçam este campeonato. Como legítimo arauto do apocalipse, vos afirmo: George Russell será campeão com muita antecedência e Kimi Antonelli tornar-se-á o vice mais jovem de todos os tempos. A dupla da Mercedes está sem adversários. Já não teve na Austrália, não terá na China e nunca mais alguém vai chegar perto até o fim dos tempos. A não ser que mudem as regras, mandem desligar dois cilindros de seus motores, coloquem lastros em forma de sacos de areia, obriguem os pilotos do time alemão a uma parada extra em todas as corridas para fazer xixi.

Russell conquistou nesta madrugada, com estarrecedora facilidade, a pole-position para a Sprint de Xangai. Antonelli larga em segundo. É possível que um deles seja ultrapassado na largada por pelo menos uma Ferrari, a de Lewis Hamilton, quarto no grid. Mas, se isso acontecer, a posição será recuperada na enorme reta que é a marca registrada do circuito de Xangai. A superioridade dos carros da Mercedes neste começo de temporada é massacrante. Está deixando todo mundo desolado. Inclusive este que vos escreve na madrugada.

O grid em Xangai: Mercedes nem comemorou

Como mandam os cânones, na classificação para a Sprint, o uso de pneus médios é mandatório nos dois primeiros segmentos. Assim, no SQ1 os primeiros tempos começaram a ser registrados modestamente acima de 1min34s. Hamilton e Nico Hülkenberg foram os primeiros a entrar na casa de 1min33s. A temperatura estava um pouco mais alta do que no treino livre, com os termômetros marcando 15°C. O asfalto, que de manhã se apresentou gélido a 14°C, já batia nos 26°C. A sexta-feira foi ensolarada na megalópole comunista, com um céu azul de doer.

Quando a Mercedes foi para a pista, Russell bateu o cronômetro em 1min33s030 sem nenhum esforço. A Ferrari até que insinuou alguma disputa, com Hamilton subindo para segundo e Chaleclé escalando o pelotão até a terceira posição. Mas ficou na insinuação.

Gasly: sétimo no grid, à frente de Verstappen

Sem Sergio Pérez, desfalque anunciado antes de começar a classificação (veja caixinha preta abaixo), cinco carros ficariam de fora do SQ2. Stroll, Alonso e Bottas certamente estariam entre eles. Assim, na prática, o SQ1 detonaria apenas dois pilotos. E foi a dupla da Williams que ficou com o mico na mão. Pela ordem, do 17º ao 22º, o fundão do grid terá Carlos Sainz, Alexander Albon, Fernando Alonso, Lance Stroll, Valtteri Bottas e Pérez. Williams, Aston Martin e Cadillac são equipes que, neste momento, nem parecem times de F-1. Os dez primeiros: Russell, Hamilton, Charles Leclerc, Antonelli, Lando Norris, Oscar Piastri, Pierre Gasly, Hülkenberg, Esteban Ocon e Liam Lawson. Max Verstappen, que odeia esses carros, odeia o regulamento, odeia os novos motores e odeia as baterias, foi o 11º. Gabriel Bortoleto, o 13º.

O SQ2 já seria mais complicado, sem a presença das lesmas que frequentarão a zona da degola por um bom tempo, neste ano. Complicado, para ficar bem claro, para a galera do segundo pelotão. Lá na frente, a Mercedes era pule de dez. Logo em suas primeiras voltas, Russell e Antonelli foram para primeiro e segundo. Ferrari e McLaren se revezariam nas quatro posições seguintes. E a Red Bull viria um pouco mais atrás – o time de Verstappen não consegue fazer frente às demais da ponta, por enquanto.

Hamilton espia a Mercedes: saudades da minha ex

Os dois intrusos que se juntaram às quatro duplas das grandes foram Gasly e Oliver Bearman. Russell e Antonelli foram, de novo, os dois primeiros: 1min32s241 para seu Jorge, com diferença de meros 0s050 para o italianinho. A foice do SQ2 eliminou Hülkenberg, Ocon, Lawson, Bortoleto, Arvid Lindblad e Franco Colapinto. Verstappen foi apenas o nono, cuspindo marimbondos. Acho que já disse, ele está odiando essa F-1 elétrica.

No SQ3, com todos usando pneus macios, não houve surpresas. A Mercedes fechou a primeira fila com Russell na pole e Antonelli em segundo. O tempo do inglês: 1min31s520. Kimi ficou 0s289 atrás. A partir de Norris, o terceiro, as diferenças foram gigantescas. Lando terminou a 0s621 da pole. Hamilton, o quarto, a 0s641. Depois vieram Piastri, Leclerc, Gasly, Verstappen (a intransponíveis 1s734), Bearman e Isack Hadjar no top-10. Se houvesse um trofeuzinho para o destaque do dia, eu daria para o francês da Alpine, um piloto claramente mais rápido que o carro que tem.

A Sprint chinesa começa hoje à meia-noite e terá 19 voltas. A Mercedes fará dobradinha. Depois, às 4h do sábado, tem a classificação para o GP de verdade. A Mercedes também fará dobradinha. Agora vou dormir.

DOLPHIN – Deu na imprensa alemã, na famosa “Auto, Motor und Sport”: a BYD chinesa está interessada na F-1. O mais fácil, claro, é comprar uma equipe que já existe, como fez a Audi. Ninguém está oficialmente à venda, com plaquinha na porta da fábrica. Mas a Renault, se aparecer alguém disposto, vende a Alpine ontem. A montadora já desistiu de fazer motor, está gastando mais do que devia comprando da Mercedes e trouxe Flavio Briatore para fazer uma limpa na organização. Fala-se também em Aston Martin, em crise com a Honda. Mas aí o buraco é mais embaixo. Ou mais caro.

PARA COMPARAR – GP da China de 2025, pole-position: Piastri, 1min30s641. Melhor volta na corrida: Norris, 1min35s454.

TREINO ÚNICO – No treino livre único da China, realizado no começo da madrugada pelo horário brasileiro, Russell foi o mais rápido com 1min32s741, 0s120 à frente de Antonelli. Norris, o terceiro, ficou a 0s555 do britânico mercêdico. A primeira Ferrari, de Leclerc, foi a quinta colocada a 0s858 de seu Jorge. Bortoleto terminou em 12º. A sessão foi realizada com sol e muito frio, 12°C.

Pérez só fez o treino livre com a Cadillac

DESFALQUE – Pérez não participou da classificação para a Sprint. A Cadillac identificou um grave problema no seu carro: não andava. Porque a bomba de gasolina não funcionou.

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PRENDE EU

Suíça, circa 1971. Foto enviada pelo Douglas Nascimento.

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FOTO DO DIA

As informações sobre essa graça de trabalho estão aí embaixo:

A exposição “GAME: brincar com arte”, de Heberth Sobral, foi aberta na Galeria de Arte Solar, no Pavão-Pavãozinho (Rio de Janeiro). Ela parte do universo dos jogos e esportes para dialogar com a arte contemporânea. Um dos trabalhos da mostra é a recriação em fotografia de uma vitória de Ayrton Senna na versão Playmobil. Há também referências ao campeão de golfe Tiger Woods e a Pelé, Rivellino, Gérson, Jairzinho — estes apresentados em formato de álbum de figurinhas da década de 70. A mostra vai até 28 de março. Horários: de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábado, das 8h às 12h. A entrada é franca. Sem fins lucrativos, a Galeria de Arte Solar é uma das instalações do Solar Meninos de Luz — instituição educacional eleita Melhor ONG do Rio de Janeiro no Prêmio Melhores ONGs do Brasil 2025. O endereço: rua Saint Roman, 149 – Pavão-Pavãozinho, Copacabana, Rio de Janeiro.

O artista Heberth Sobral
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SOBRE ONTEM DE MADRUGADA

A IMAGEM DA CORRIDA

Passa, repassa, e ninguém lembra de nenhuma delas

SÃO PAULO (autoengano) – Escolhi essa foto aí para marcar o GP da Austrália. Poderia ter escolhido uma com Chaleclé bem à frente. Ou outra com seu Jorge dando tchauzinho. Tanto faz. Porque esse passa & repassa foi mais artificial que sucrilhos de ovomaltine — comi esse negócio outro dia e parecia que estava engolindo isopor. Um só passou o outro e o outro só passou o um porque os níveis de bateria de cada um eram completamente diferentes. Não foi demonstração de talento, destreza, coragem, ousadia, sequer de mais competência de engenheiros e projetistas de um time sobre os do outro. Como escreveu o veterano comentarista inglês Mark Hughes, “superficialmente foi fantástico, mas como disputa de habilidade entre pilotos, não significou nada”.

A primeira corrida do novo regulamento da F-1 agradou o público tiktoker, que vê qualquer merda de 15 segundos e se dá por satisfeito, correndo para outro vídeo. Foi isso, ontem: dez voltas de uma certa movimentação até que os pilotos se acomodassem em suas posições, para então começarem o showzinho de passar o colega numa reta para tomar um passão na seguinte. Graças a isso, a categoria se jactou de ter entregue aos “xóvens” 120 ultrapassagens em Melbourne, contra 45 do ano passado.

Alguém se lembra de alguma? Não, como ninguém se lembra do que viu no TikTok dois minutos atrás, ou nos “Reels” (é em maiúscula, essa merda? Já virou nome próprio?) do Instagram hoje de manhã.

Mas me lembro de Piquet sobre Senna em Budapeste/1986. De Senna sobre Hill em Interlagos/1993. De Hakkinen sobre Schumacher em Spa/2000. De Mansell em Berger no México/1990. E do passa & repassa de Villeneuve e Arnoux em Dijon-Prenois/1979. Sem botão de ultrapassagem ou asa móvel.

Claro que teve mais gente que gostou, além dos tiktokers impacientes. Os “influencers” e “criadores de conteúdo”, por exemplo, que não entendem um caralho de nada e/ou não têm o menor senso crítico (quase todos), além dos polianas da mídia tradicional que não podem falar mal de produtos da casa — entre eles os ex-pilotos que hoje ocupam quase todos os postos de comentaristas na TV, no caso agora a Globo.

Mas de TV falo daqui a pouco. Caixinhas agora, para acelerar o processo.

Antonelli, Russell e Leclerc (além de um cara da Mercedes): liderança do time alemão

NEM LEMBRAVA – A última vez que um piloto da Mercedes liderou o Mundial foi em 10 de outubro de 2021, quando Lewis Hamilton corria pela equipe. Perderia a ponta da tabela para Max Verstappen ao final daquele dia, quando terminou o GP da Turquia. Passaram-se quatro anos, quatro meses e 27 dias. George Russell, ao vencer a corrida de ontem, tornou-se líder do campeonato pela primeira vez na carreira.

PERNA CURTA – Sobre a crise Aston Martin-Honda, teve mais parafuso jogado no ventilador por Adrian Newey nas entrevistas de Melbourne. Ele contou que quando a equipe assinou com a montadora, não foi informada de que só 30% dos antigos funcionários da área de motores de F-1 tinham permanecido na fábrica. O resto foi fazer, sei lá, motor de CG e de Pop. “Se soubéssemos, não teríamos assinado”, falou o projetista e chefe de equipe. A Honda desmobilizou o setor no final de 2021, quando anunciou que iria deixar a F-1 (voltou atrás depois). A Red Bull, sem opções, contratou quem podia para começar a fazer seus motores em casa, a partir da base deixada pela própria Honda. Quando os japoneses decidiram ficar na categoria de novo, tinha ido todo mundo embora. E eles não contaram para a turma de Lawrence Stroll.

Lindblad: ótima estreia aos 18 aninhos

BOM COMEÇO – Muito se falou, com justiça, da estreia da Audi com pontos, cortesia de Gabriel Bortoleto. Mas não se deve desprezar a façanha de Arvid Lindblad, 18 anos e sete meses, que terminou em oitavo no seu primeiro GP. O piloto da Acho que o Chip Quebrou tornou-se o terceiro mais jovem pontuador da história da F-1, perdendo apenas para Verstappen (17 anos e uns quebrados quando terminou o GP da Malásia de 2015 em sétimo) e Kimi Antonelli (quarto na Austrália no ano passado com 18 anos e seis meses de vida).

SOBREVIVEU – O momento mais crítico do GP da Austrália foi a largada, com Liam Lawson arrancando muito lentamente. Quem vinha atrás teve de desviar. Franco Colapinto chegou nele de cano cheio e conseguiu evitar um acidente por milímetros. Seria gravíssimo. Os pilotos que estavam na salinha pré-pódio se arrepiaram todos quando viram as imagens. Foi por pouco, muito pouco.

O ESCOLHIDO – Verstappen foi escolhido pelo amigo internauta como “Piloto do Dia”, por ter largado em 20º e terminado em sexto. “Claro que foram ultrapassagens divertidas, mas é muito frustrante dirigir assim. Passei carros dois segundos mais lentos que o meu, foi só esperar a hora certa e passar. Não é uma disputa justa”, falou o holandês — que quando chegou num carro equivalente, o de Lando Norris, empacou atrás dele e não conseguiu passar.

O NÚMERO DA AUSTRÁLIA

6,4

…pontos de audiência, na média, marcou a Globo no ibope, com pico de 7,4. Os números são da Grande São Paulo, principal mercado publicitário do país. Na Bandeirantes, em 2025, o GP da Austrália teve média de 1,6. A maior audiência do canal paulista nos seus cinco anos de transmissão (de 2021 a 2025) foi no GP do Brasil de 2021, com 6,9 pontos de média.

A equipe da TV aberta: Globo é bom negócio para a F-1

Claro que para a F-1 ter uma emissora como a Globo transmitindo suas corridas é um bom negócio. A audiência na primeira corrida foi quatro vezes maior. Isso não se discute mais. O que não significa que a platinada tenha feito um grande trabalho na volta da categoria a suas telas.

A ex-repórter Mariana Becker estava perdida no personagem que criou na Band(eirantes), sem saber se pode sustentá-lo na Globo. Seu gauchês afetado, o gestual largo e exagerado, as histórias sobre brigadeiros para seus vizinhos pilotos em Mônaco e os gracejos internos que trocava com a equipe anterior podiam funcionar num canal que se orgulhava de fazer as coisas de um jeito meio mambembe. Na nova-velha casa, não sei. Como comentarista, não funcionou. Atropelou o narrador diversas vezes e não sabia se comentava, informava ou fazia alguma piadinha. Guilherme Pereira, o repórter, foi muito tímido durante todo o fim de semana e tratou Becker com incontida reverência, como se ela fosse uma personalidade da categoria — é sua colega de trabalho, não uma autoridade suprapartidária.

A Globo errou feio em não mandar narrador e comentarista ex-piloto para a Austrália na primeira corrida do ano. Do Sportv também não foi ninguém. A emissora preferiu gastar dinheiro exibindo sua capacidade tecnológica num estúdio virtual com uma maquete fajuta de carro, daquelas que milionários presos em escândalos financeiros penduram na parede de suas mansões cafonas em condomínios idem. Temos visto vários, recentemente. Tratei disso na minha newsletter outro dia.

Everaldo Marques, o locutor, conhece o assunto — começou no Grande Prêmio — e tem o saudável hábito de se preparar para os eventos que vai narrar. Já dividi transmissões com ele (nas finadas Jovem Pan e Estadão-ESPN), e gostar de seu estilo ou não é questão… de gosto. Não cometeu erros, mas abusou das tentativas de ser engraçadinho com bordões que aplica em transmissões de outros esportes, além de usar uma linguagem excessivamente infanto-juvenil para parecer íntimo dos “xóvens”, como se quisesse verbalizar “memes” (uso as aspas porque considero o termo abominável) que pipocam nas redes sociais. Não sei se é orientação da chefia ou se acabou virando uma marca pessoal, já que percebo isso em outras narrações. Muitos diminutivos, turbinho, amiguinho, macarrãozinho. Muito apelidinho (“Gui”, “Mari”, “Lu”, essa coisa horrenda que paulistano tem de transformar qualquer nome num monossílabo, ou quase). “Inho” demais.

Para piorar, as entradas da dupla Pereira-Becker antes da largada foram gravadas e levadas ao ar como se fossem ao vivo — é o que chamamos de “falso vivo” no jargão televisivo. Ruim, bem ruim. E zero de informação relevante. A informação era “eles estão no grid”. Oh. Não chega a ser uma grande proeza passear no grid. E não perceberam que o companheiro de Bortoleto, Nico Hülkenberg, não ia largar.

Por fim, é óbvio que arrumaram um jeito de enfiar Ayrton Senna na transmissão. Começaram a própria com o enjoativo “Tema da Vitória”, sem nenhum motivo para tal. Depois lembraram que foi na Austrália que ele ganhou sua última corrida — nesse caso, informação pertinente. Na programação normal do canal, dias antes, o apresentador Fred Bruno, do “Fred Esporte” (o programa é só sobre ele, é ele jogando bola, ele com o filho no estádio, ele andando de skate, ele tentando se equilibrar em patins), entrevistou Marques. Usava, evidentemente, uma camiseta do Senninha, com seu linguajar infantilizado e pueril. Everaldo disse que quando vê um capacete amarelo como o de Norris, seu coração bate mais forte porque lembra “nosso Ayrton”.

Puta que pariu, que porre.

Bom, está visto. Voltarei à F1TV, que é onde assisti à maioria das corridas nos últimos anos. Gosto das transmissões em inglês, pratico o idioma e fico mais bem informado. Para dar risada, vejo em italiano — quando a Ferrari faz alguma bobagem, é divertidíssimo. Além do mais, a emissora não vai mostrar o GP da China ao vivo. Algo inexplicável. O que vai passar às quatro da manhã de domingo na Globo semana que vem? Missa? Culto? Videoteipe de novela?

Achei tudo muito ruim, com sinceridade. Na Band também era. Cada uma com seu estilo de ruindade.

A FRASE DE MELBOURNE

“O melhor carro de todos é a Ferrari. A velocidade em curva deles é impressionante.”

Lando Norris

Se é, como diz Norris, não sei. Mas que foi bem, foi. Se tivessem parado os dois carros no primeiro safety-car virtual, é possível que a Ferrari tivesse lutado pela vitória nessa corrida. Foi uma daquelas bobeadas típicas do time italiano, que mesmo assim saiu animadinho de Melbourne. Charles Leclerc e Hamilton chegaram em terceiro e quarto a cerca de 15s do vencedor Russell. Que disse a Charlinho: “Cara, vocês estavam rápidos!”. O monegasco fez um muxoxo e citou o domínio rival na classificação. George não se deu por vencido: “Mas vocês estavam bem rápidos mesmo!”, e Leclerc acabou assentindo.

Como se esperava, a Ferrari tem um sistema de largada melhor que os outros. Vai levar muita vantagem nisso nas primeiras provas, até todo mundo encontar soluções compatíveis com a necessidade de combinar a ação do turbo com os motores elétricos nos primeiros metros depois de as luzes vermelhas se apagarem.

Hamilton gostou do carro. Está visivelmente mais animado. Terá uma temporada bem melhor que a do ano passado.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da Haas, que com o sétimo lugar de Oliver Bearman foi a melhor dos outros — atrás apenas das quatro grandes. E hoje vamos abrir uma exceção para dar mais dois “gostamos”. Primeiro à Cadillac. Sim, porque não é fácil montar uma equipe de F-1 e construir um carro em um ano, menos ainda nesta F-1 sofisticadíssima, dificílima, complicadérrima. E os carros ficaram prontos, e andaram nos testes, e quebraram pouco, e foram para o grid, e um deles terminou a corrida, o de Sergio Pérez. Estão de parabéns. E o outro é para a Audi de Gabriel Bortoleto, que levou o time aos pontos em seu primeiro GP ostentando as quatro argolas. A última estreia de equipe com pontos tinha sido a da Aston Martin, com o décimo lugar de Lance Stroll no GP do Bahrein de 2021. O time sucedera a Racing Point, assim como a Audi sucede a Sauber.

NÃO GOSTAMOS… da Williams, que acabou sendo a grande decepção de Melbourne, levando em conta que eram sabidas as dificuldades que teriam Aston Martin, em crise, e Cadillac, que saiu do zero absoluto. A equipe atrasou tudo neste ano, não fez o shakedown de Barcelona, apareceu com carros 30 kg acima do peso nos testes do Bahrein e teve infinitos problemas nos treinos. Sainz chegou ao final duas voltas atrás do líder. Albon, uma. Num GP em que oito equipes pontuaram, a quinta colocada do ano passado zerou.

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AGENDINHA XING-LING

Não dá nem pra respirar! GP da China no próximo fim de semana, e com Sprint! Seguem os horários!

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FOTO DO DIA

Max Verstappen vai disputar as 24 Horas de Nürburgring em maio com esse carro aí em cima. Sim, é um Mercedes preparado pela AMG, oficial de fábrica. Antes, no dia 21 de março, corre uma prova de quatro horas na pista alemã — entre os GPs da China e do Japão. Quem teve a percepção de que a F-1 não é sua prioridade e que ele está pensando no futuro (próximo) não está errado.

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LOW BATTERY (3)

Russell: vitória tranquila, sexta na carreira

SÃO PAULO (médio) – No fim das contas, deu a lógica. A Mercedes, que sonha em retomar o controle da F-1 perdido na última geração de carros (★2022 †2025), conseguiu uma previsível dobradinha no GP da Austrália na madrugada desde domingo em Melbourne. George Russell, o pole, venceu. Kimi Antonelli, segundo no grid, terminou em segundo. Charles Leclerc, da Ferrari, completou o pódio. Gabriel Bortoleto, na estreia da Audi na categoria, foi o nono colocado.

Russell venceu pela sexta vez na categoria. Sua equipe não fazia um 1-2 desde o GP de Las Vegas de 2024. Na ocasião, ele mesmo venceu, com Lewis Hamilton em segundo.

A corrida teve alguma dramaticidade antes mesmo de começar. Primeiro, Oscar Piastri rodou e bateu forte quando levava seu carro para o grid. O piloto da McLaren, correndo em casa, não poderia escolher lugar pior para cometer um erro tão desastroso. Na curva 4, ele estava sobre a zebra quando, segundo a equipe, trocou de marcha e uma potência inesperada (para ele) entrou de repente, fazendo seu carro dar uma chicotada para dentro. Foi erro seu?, perguntaram os repórteres assim que ele voltou aos boxes. “Sim”, respondeu. “Você está muito triste?” “Sim.” “É a maior desgraça da sua carreira?” “Sim.” “Você está com vergonha do que fez?” “Sim.” “O torcedor australiano tem o direito de te vaiar?” “Sim.” “Você não acha que está na profissão errada?” “Sim.”

O outro que nem largou foi Nico Hülkenberg, da Audi. Também estava indo para o grid quando seu carro apagou e foi recolhido aos boxes. Até agora não se sabe exatamente o que aconteceu – a equipe sabe, claro, mas vai dizer que foi um “problema técnico” sem especificar qual.

Com 20 carros no grid, pois, a primeira largada de 2026 foi dada depois de acesas luzes azuis na lateral da pista, indicando que os pilotos tinham 5s para acelerar os carros e “encher” o turbo antes que o tradicional semáforo de cinco luzes vermelhas autorizasse o início da prova. Leclerc saiu que nem um foguete, passou todo mundo e assumiu a ponta, vindo de quarto no grid. Na segunda volta, Russell recuperou a liderança. As primeiras voltas ofereceram ao público um passa-passa infernal, motivado por largadas muito distintas. Alguns carros voaram. Outros partiram claudicantes. Resultado: Fernando Alonso apareceu em décimo na primeira volta. Max Verstappen, em 16º. Liam Lawson caiu para 18º. Hamilton pulou para terceiro. Antonelli despencou para sétimo. Pierre Gasly surgiu em nono. Arvid Lindblad, em oitavo.

Na volta 3, no troca-troca gerado pelos diferentes níveis de bateria, Leclerc passou Russell de novo. A lógica da corrida, pelo menos nas primeiras voltas, era bem diferente da que estávamos acostumados a ver. Abrir uma boa vantagem para quem estava atrás não queria dizer muito. Porque em algum momento o sujeito ficaria sem energia onde o rival teria mais carga de bateria, e a aproximação aconteceria de repente.

Russell pegou a ponta de novo na volta 8. E perdeu novamente no fim da volta. Estava divertido, isso não se pode negar. Enquanto Leclerc e Russell trocavam tapas, Hamilton, atrás deles, observava atentamente e esperava alguma brecha para, quem sabe, passar os dois. Na volta 11, quem chegou para a festinha da ponta foi Antonelli, que já havia começado uma recuperação.

Nesse momento, Isack Hadjar parou com seu Red Bull fumaçando. “O que quebrou, Isack?”, perguntou o engenheiro. “Tudo”, respondeu o francês, desolado. O safety-car virtual foi acionado e quem estava passando pela entrada dos boxes parou e trocou pneus. Como houve certa demora na retirada do carro quebrado do acostamento, outros tiveram essa chance na volta seguinte. A dupla da Mercedes entre eles. Mas a Ferrari ficou na pista.

O ritmo normal foi retomado na volta 14 com Leclerc, Hamilton, Russell, Lindblad, Antonelli, Verstappen (já em sexto), Oliver Bearman, Bortoleto, Lando Norris e Esteban Ocon nas dez primeiras posições. Foi quando a Aston Martin chamou Alonso para os boxes, como se previa no âmbito da crise entre a equipe e a Honda.

Um novo safety-car virtual foi acionado na volta 18, quando Valtteri Bottas quebrou seu chiquérrimo Cadillac, estancando perto da entrada dos boxes. Quem não tinha parado ainda para trocar pneus aproveitou. Menos a Ferrari, de novo. Leclerc e Hamilton, mesmo se quisessem, não podiam mais parar porque na remoção do carro de Bottas a entrada dos boxes foi fechada.

Com exceção de Verstappen, que tinha largado de pneus duros e teve de trocar para médios, todos os que haviam feito seus pit stops colocaram duros com a intenção de ir até o fim da corrida. A dupla ferrarista seguia ponteando a prova com pneus médios, tendo ainda de fazer ao menos uma troca obrigatória. Leclerc, o líder da corrida, parou na volta 26. Voltou na quarta colocação.

Hamilton, o novo líder, tinha dito pouco antes ao seu engenheiro, de quem não sabia o nome, se tinha bigode, era careca, ou que língua falava, que seus pneus estavam bons e que não era para ser chamado aos boxes. O engenheiro não respondeu nada, entre outros motivos porque não entendeu o que Lewis tinha pedido. Frédéric Vasseur, ao seu lado, perguntou o que o piloto havia dito. “Nada importante, falou que está tudo bem e elogiou o ravioli vegano do almoço”, informou. “Também gostei”, concordou o chefe da Ferrari – que ainda não escolheu o coitado que vai trabalhar com Lewis neste ano, depois de rebaixar Riccardo Adami para a F-1 Academy, a categoria das meninas.

Foto oficial da turma de 2026: dois deles nem largaram…

Seguiu na pista, o inglês, com Russell em segundo, Antonelli, Leclerc, Norris, Verstappen, Lindblad, Bearman, Bortoleto e Gasly nas dez primeiras posições. Naquele momento, a Aston Martin mandou Alonso de volta para a pista. Deu algumas voltas e parou de novo. Estava na hora do remédio para pressão.

Russell tomou a liderança de Hamilton na volta 28. O heptacampeão, então, foi para os boxes, trocou seus pneus e retornou às alamedas albertianas em quarto, atrás de Leclerc. Antonelli era o segundo, restabelecendo a ordem de largada com a Mercedes começando a rascunhar sua esperável dobradinha.

Mais atrás, Verstappen chegou em Norris na luta pelo quinto lugar. Na volta 35, Lando parou pela segunda vez para não levar um risquinho no capacete. E também porque seus pneus estavam acabando. Max assumiu a posição e o campeão vigente voltou em oitavo, discreto e desanimado como ele só. A Audi também chamou Bortoleto para um segundo pit stop, para devolver o brasileiro à pista com pneus novos na fase final da corrida. Caiu de nono para 11º, mas rapidamente voltou à posição original depois de passar Ocon e Gasly.

O W17 da Mercedes: pinta de campeão

Verstappen também parou pela segunda vez na volta 42 e voltou em sexto, atrás de Norris. Na ponta, Russell e Antonelli desfilavam orgulhosos com a estrela de três pontas no bico. Seu Jorge já tinha avisado a equipe que seus pneus eram bons o bastante para ir até o fim da corrida. “Gostaria, inclusive, de parabenizar a Pirelli pelo excelente produto que nos disponibilizou”, falou pelo rádio. “Vejam, no meu carro de rua costumo usar Michelin, já que moro em Mônaco e os pneus franceses são mais fáceis de achar. Já comprei até no Carrefour! Vocês sabem que tenho um cartão de fidelidade que me dá ótimos descontos… Mas vou considerar a possibilidade de trocar de marca se encontrar bons preços perto de casa. Onde troco os pneus eles até dão balanceamento e alinhamento de graça. Outro dia mesmo levei meu…” “Alguém pode desligar o rádio dele?”, pediu Toto Wolff.

A diferença de Russell para Kimi se mantinha estável na casa dos 6s desde o início dos tempos. Não fazia sentido para a equipe inventar nada, mandar apertar o ritmo, liberar uma luta fratricida. Leclerc, o terceiro, estava 9s4 atrás do italianinho. Hamilton era o quarto e nem Mercedes nem Ferrari tinham planos exóticos para a reta final da corrida. Faltando 12 voltas, algo parecido com uma briga, mesmo, acontecia entre Verstappen e Norris pelo quinto lugar, e Gasly x Ocon se estapeando pela décima posição. Bortoleto, em nono, se aproximava rapidamente de Lindblad e já fazia planos de terminar pelo menos em oitavo.

O Max Verstappen queria passar. Tentava e tentava e não podia passar. Lambiase!, seu amigo, tentou ajudar. E o botão de ultrapassagem mandou apertar. E o que aconteceu? Nada, o Verstappen não fez nada.

Bortoleto, nono: boa corrida, pontos na estreia da Audi

Mas Bortoleto fez. Ou, pelo menos, tentou. Na volta 55, colou em Lindblad, que fez uma volta muito ruim quando teve de dar passagem aos líderes. O jovem britânico da Pode Parcelar em Três, 18 anos, filho de indiana com sueco, conseguiu se recuperar, porém, e a duras penas acabou se mantendo à frente do quatrargólico.

E nada mais aconteceu digno de nota nas duas voltas finais. Russell ganhou com 2s9 de vantagem para Antonelli, que conseguiu seu quarto pódio na carreira. Leclerc foi com eles buscar seu troféu. Hamilton, Norris, Verstappen, Bearman, Lindblad, Bortoleto e Gasly fecharam os dez primeiros. Se notarem, eram as mesmas posições registradas na metade da corrida, depois dos primeiros pit stops. Arvid, o garoto da filial da Red Bull, estreou com pontos. Está de parabéns. O mesmo vale para a Audi de Bortoleto: primeira corrida da montadora de Ingolstadt, primeiros pontos na F-1. Bearman, da Haas, foi outro que se destacou no segundo escalão – é um piloto que às vezes se atrapalha em classificações, mas vai muito bem em corrida. Oito das 11 equipes chegaram nos pontos. Apenas Williams, Cadillac e Aston Martin zeraram.

Foi legal? Foi. Excepcional? Não. Um desastre? Tampouco. Foi uma corrida OK, divertida nas dez primeiras voltas, enquanto as baterias carregavam e descarregavam com todos muito próximos, sem tempo de olhar direito as informações no volante. Uma vez estabelecidas as posições, cada um tratou de gerenciar sua energia da melhor forma possível e o festival de ultrapassagens, que Russell chamou de “efeito ioiô”, cessou. O maior incômodo, mesmo, foi ver carros ficando lentos antes do final das retas, deixando seus pilotos agoniados para se defender ou atacar. Não há o que fazer. A bateria acaba, a potência despenca e a velocidade desaparece de repente. É bem chato.

Semana que vem tem mais, na China. Lá tem uma reta gigantesca. Capaz de, na metade dela, os pilotos precisarem descer de seus carros para empurrar.

Amanhã, no “Sobre ontem…” falaremos da volta da F-1 à Globo. Agora vou dormir.

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LOW BATTERY (2)

Russell: oitava pole na carreira

SÃO PAULO (hoje sem café) – Quando a F-1 inventou os motores híbridos, em 2014, a Mercedes estabeleceu a mais longa hegemonia da história da categoria. Foram oito títulos seguidos de construtores e sete de pilotos até Max Verstappen, em 2021, interromper a série graças a uma decisão estapafúrdia do diretor de prova da última corrida daquele ano, em Abu Dhabi. Em 2022, estreou uma nova geração de carros na categoria, com mudanças aerodinâmicas radicais. E a Mercedes foi engolida pela Red Bull e, depois, pela McLaren.

A grande novidade de 2014 ano foram os motores. Neste ano, marcado por mais uma revolução técnica, idem – eles, agora, têm metade da potência gerada por um V6 turbo a combustão e outra metade obtida a partir de componentes elétricos. Por isso, muita gente apostava que a Mercedes iria sair das sombras impostas pelo período 2022-2025, dos carros com efeito-solo, para arrebentar outra vez nessa era de novos motores estrambóticos — embora o palpite se baseasse em um único evento; estatisticamente, o retrospecto era modesto para se afirmar que algo parecido com 2014 iria se repetir.

Primeira fila da Mercedes: 2014 feelings

Bem, a primeira fila do primeiro GP da nova era de motores estrambóticos da F-1 é da Mercedes. E com uma facilidade espantosa. George Russell fez a pole na Austrália com o tempo de 1min18s518. Kimi Antonelli, seu imberbe companheiro, larga em segundo. A melhor volta do italianinho ficou a 0s293 da do elegante parceiro britânico. O problema foi a diferença para o terceiro colocado, o surpreendente Isack Hadjar, em sua estreia na Red Bull: 0s785. E para a Ferrari de Charles Leclerc, o quarto, 0s809. E para a McLaren bicampeã do mundo, em quinto e sexto no grid, 0s862 em cima de Oscar Piastri e 0s957 no lombo de Lando Norris. Lewis Hamilton, que chegou a ser cotado para a pole, ficou em sétimo a 0s960 de Russell.

Na F-1, distâncias dessa monta são intransponíveis em curto prazo. A situação chega mesmo a assustar. “Scary”, diriam os britânicos.

Mencionamos aí os sete primeiros. Fechemos o top-10 nesta larga introdução, porque eles merecem aplausos. Arvid Lindblad e Liam Lawson, da sucursal italiana da Red Bull, a famosa Meu Cartão Dá Direito a Sala Vip, ficaram em oitavo e novo. E Gabriel Bortoleto, da Audi, larga em décimo. São resultados dignos de elogios, especialmente o do brasileiro, que avançou ao Q3 na primeira corrida da história da equipe das quatro argolas. Uma proeza. Pena que ele não fez volta nenhuma na parte final da classificação porque seu carro apagou quando retornava aos boxes após o Q2. Mas a façanha já estava consolidada.

Escuta, e cadê Verstappen? Faltou, não apareceu no trabalho?

Quase. O holandês bateu no Q1, ficou sem tempo de classificação e larga no fundo do pelotão. E bateu de um jeito muito esquisito. Mas vamos seguir a ordem cronológica dos fatos para resumir a classificação no Albert Park, que definiu o primeiro grid de 2026. A pancada de Verstappen está logo no começo do relato abaixo.

Mercedes coloca Kimi na pista: trabalho milagroso da equipe

O sábado foi de sol e temperaturas agradáveis em Melbourne, na casa dos 20°C. No início do Q1, os pilotos da Ferrari, confiantes, optaram pelos pneus médios. Russell, que já tinha sido o mais rápido no terceiro treino livre, foi o primeiro a baixar da casa de 1min20s, com 1min19s840. Naquele instante, superou Bortoleto, que tinha ficado orgulhosamente em primeiro por alguns minutos.

Nos boxes, a turma da Mercedes tentava colocar o carro de Antonelli de pé. O italiano tinha batido forte na sessão livre, ao perder a traseira sobre a zebra da curva 2 e se estabacar no muro.

(Sei que “estabacar” é verbo exótico, não aparece sequer em dicionários formais. Mas Guimarães Rosa fez isso e todo mundo acha lindo – e é.)

Felizmente Kimi não se machucou. Mas ninguém acreditava que a equipe conseguiria juntar os cacos do automóvel a tempo para a classificação. Por via das dúvidas, o menino estava paramentado e de capacete nos boxes enquanto os mecânicos trabalhavam alucinadamente.

Faltando 7min30s para acabar o primeiro segmento da classificação, veio o acidente de Verstappen. Ele escapou na curva 1, foi para a brita e bateu. A bandeira vermelha foi acionada. Foi uma batida incompreensível. No fim da reta, uma roda traseira, a esquerda, travou. Do nada. Sem nenhuma razão. Irritadíssimo, para não dizer “puto dentro das calças”, expressão que aprecio muito, Max entrou no rádio e falou, em tom explicitamente irônico: “Meu eixo traseiro travou. Fantástico”.

Toda sua contrariedade com o novo regulamento ficou clara no breve desabafo. Max, como muita gente, devota ódio eterno ao F-1 moderno, um carro sem pé nem cabeça que só anda se o piloto desacelerar na reta para carregar a bateria – gestão de energia é a prioridade; antigamente, e não tão antigamente assim, tipo ano passado, era apenas andar rápido; quando muito, dar uma segurada para não acabar com os pneus.

E o que a roda travada tem a ver com isso? A Red Bull não explicou direito o que aconteceu, mas como os freios traseiros têm uma função primordial na recuperação de energia, e todo esse sistema complexo e incompreensível para o público é controlado eletronicamente, não se descarta uma pane num sensor qualquer. Jamais saberemos, a não ser que alguém dê com a língua nos dentes.

O fato é que Max saiu do cockpit com dores nas mãos e raiva no coração. Exames não constataram nenhuma lesão. Mas a frustração com os rumos da F-1, essa machucou o tetracampeão. “Não estou me divertindo com esses carros. É só olhar a onboard. É o suficiente.” Foi a forma educada que ele encontrou de dizer “isso é a maior merda já inventada na história das corridas de carros”.

A interrupção ajudou a Mercedes, que milagrosamente conseguiu terminar a montagem do carro de Antonelli. Ele conseguiria, contra todos os prognósticos, participar da classificação. Foram sete minutos valiosos para a equipe concluir o trabalho.

Boxes abertos, Hamilton pulou para primeiro com seus pneus médios, sendo superado logo depois por Piastri e, na sequência, Russell de novo, com 1min19s507. Antonelli fez uma volta boa e se colocou lá na frente. Fechou o Q1 em sexto. Bortoleto foi o décimo. Foram eliminados Fernando Alonso, Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Verstappen, Carlos Sainz e Lance Stroll.

Pérez: não dá para fazer milagre com a Cadillac, mas pelo menos andou

Da Cadillac, não se esperava muito, mesmo. É estreante, vai apanhar bastante que nem vira-lata em posto de gasolina em seus primeiros passos na F-1. Mas, pelo menos, seus carros foram à pista e fizeram tempos. Já os dois últimos, Sainz e Stroll, nem dos boxes saíram — suas equipes vão pedir autorização para largarem e ambos serão autorizados.

Aston Martin e Williams vivem momentos terríveis, principalmente a primeira. Alonso, mesmo assim, quase passou ao Q2. Já a Williams começa a temporada com seu barco cheio de furos. Não participou da primeira semana de testes em Barcelona, andou mais ou menos no Bahrein (o carro está muito acima do peso mínimo, quase 30 kg) e nos três treinos de Melbourne seus carros tiveram panes diversas. Sainz, no sábado, nem precisaria ter vestido o macacão. Não completou uma volta sequer. No segundo treino livre, na sexta, também ficou a pé.

No Q2, a Mercedes mostrou suas garras. Russell saiu dos boxes e de cara bateu o cronômetro em 1min18s934 — o primeiro a entrar nos 18 no fim de semana. Ninguém conseguiu superar o tempo de seu Jorge. Leclerc subiu para segundo, seguido por Antonelli, Piastri, Hadjar, Norris, Hamilton, Lindblad, Lawson e Bortoleto. Foram guilhotinados Nico Hülkenberg, Oliver Bearman, Esteban Ocon, Pierre Gasly, Alexander Albon e Franco Colapinto.

Gabriel conseguiu avançar ao Q3, um ótimo resultado, mas não participou da parte final da classificação. Quando voltava aos boxes, seu carro parou na via de acesso às garagens. Lindblad, que vinha para os pits, quase bateu nele e em Lawson, que estava devagar atrás do brasileiro. A Pode Ser por Aproximação colocou seus dois carros entre os dez primeiros. Como já dito, foi o destaque do sábado, ao lado da Audi de Gabriel.

Bortoleto: ótimo início para a Audi

Os carros da Mercedes eram os grandes favoritos à pole, principalmente Russell. Mas quando começou o Q3, logo uma bandeira vermelha foi mostrada. O problema foi uma patuscada justamente da Mercedes. Antonelli saiu dos boxes carregando um equipamento usado para resfriar o motor, uma espécie de ventilador portátil que se encaixa perfeitamente nas entradas de ar laterais. Os mecânicos esqueceram de retirar o dispositivo quando ele foi à pista. Norris passou em cima do “soprador” e espatifou a peça. Disse que estava olhando para o volante na hora, “porque é isso que fazemos o tempo todo agora, ficamos olhando para o volante para saber o que fazer para não acabar a bateria”. Pararam a sessão para limpar a pista.

1min19s084 foi o tempo da primeira volta boa do Q3, de Russell. Antonelli, que tinha saído antes dele dos boxes, cometeu um erro em sua primeira tentativa e não fechou volta. Norris, apagadíssimo desde sexta-feira, apareceu em segundo provisoriamente, mas a 0s521 do inglês da Mercedes. Aí veio Kimi novamente e virou 1min18s811, um temporal. Uma quase-pole, porque Russell, logo depois, fez sua volta em 1min18s518, 0s293 mais rápido. A Mercedes não fazia uma primeira fila desde o GP da Inglaterra de 2024, com Russell e Hamilton. Foi a 85ª da história da equipe. A pole de seu Jorge, oitava da carreira, foi quase 4s mais lenta que a de Norris na Austrália em 2025, 1min15s096.

E foi de Lando a frase que fechou o dia em Melbourne: “Saímos de [uma geração de] carros deliciosos de pilotar, os melhores de todos os tempos, para os que são provavelmente os piores da história”.

Verstappen, o melhor piloto do mundo, e Norris, o atual campeão mundial, estão detestando essa F-1 esquisita. Verstappen já tinha dado a letra depois dos primeiros testes: “Isso não é F-1”. Norris havia contraposto o colega com um discurso na linha “a gente ganha muito bem para pilotar o que nos derem”. Mudou de ideia.

Isso aí que inventaram não é legal, não. Não sou eu quem está falando.

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