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NATURAL DA CATALUNHA (3)

Hamilton: 98 vitórias e contando

SÃO PAULO(inacreditável) – Durou pouco o sonho da Red Bull de derrotar Hamilton. Em quatro corridas, o inglês ganhou três. Tem 94 pontos, contra 80 de Verstappen. E em Barcelona, onde a gente mais ou menos vê quem é quem, a Mercedes mostrou que os tropeços da pré-temporada foram isso, e apenas isso: tropeços. O time reagiu bem. O carro só melhora. E a equipe tem Hamilton.

Não foi uma corrida excepcional, o GP da Espanha. Mas foi bonito ver como a Mercedes apostou numa estratégia baseada naquilo que acontecia na pista, ainda que com o inglês atrás de Verstappen a maior parte do tempo. Bancou a segunda parada de Lewis quando ele estava prestes a passar o holandês, fazendo um cálculo preciso e observando o desgaste dos pneus do jovem Max. “Uma combinação perfeita”, como definiu Toto Wolff. De planejamento e pilotagem.

Na largada, Max passa Hamilton: inglês teve paciência e confiou na equipe

Verstappen assumiu a ponta já na largada posicionando bem seu carro por dentro para fazer a primeira curva. Hamilton não se defendeu, evitando maiores problemas — a saber, um toque besta. Os dois mercêdicos, aliás, perderam posições nos primeiros metros da prova. Bottas, em terceiro no grid, também foi ultrapassado — por Leclerc.

Em sete voltas, os dois primeiros abriram 10s do segundo pelotão. Um safety-car para retirar a AlphaTauri quebrada de Tsunoda juntou todo mundo entre as voltas 8 e 10, mas na relargada a dupla Max-Lewis foi embora de novo. A corrida seria entre eles, isso estava bem claro.

Hamilton: o tempo todo no encalço de Verstappen

Verstappen percebeu que seria muito difícil vencer a prova ao notar que Hamilton não desgrudava dele. Em geral, em Barcelona, ficar muito perto do carro da frente acarreta um desgaste de pneus preocupante. A tendência é o cara de trás começar a perder rendimento. E Lewis não tinha problema nenhum com a borracha. Estava apenas esperando para dar o bote enquanto observava o que o rival iria fazer em termos de estratégia.

Max parou de repente na volta 25, um pit stop atrapalhado porque, segundo a Red Bull, ele entrou nos boxes sem avisar. Os pneus não estavam prontos e a parada acabou levando 4s2. Naquele momento, sua vantagem para Hamilton era inferior a 1s.

“Quando vimos que a Mercedes não reagiu imediatamente chamando Lewis, era porque eles sabiam que tinham uma vantagem de performance”, explicou o chefe Christian Horner. De fato, Hamilton ficou na pista mais quatro voltas e só parou na 29ª. De início, a impressão foi de que a estratégia não era a melhor de todos os tempos, já que ele voltou à pista 5s atrás do holandês. Mas, sem dificuldades, foi se aproximando até reduzir a distância, de novo, para menos de 1s na volta 34.

Lewis para pela segunda vez: xeque-mate na Red Bull

O ataque, porém, não acontecia. Então, na volta 42, Hamilton parou de novo. “Fiquei na dúvida se devia ficar na pista, mas confiei na equipe”, disse o inglês. Ele sabia que tinha um carro mais rápido, mas acatou o plano inicial traçado pela Mercedes. Desde sexta-feira o time tinha decidido por duas paradas, guardando dois jogos de pneus médios para a corrida para ter um desempenho melhor nas voltas finais. “Quando ele parou de novo, sabia que não teria como ganhar. Se eu parasse logo depois, ele me passava enquanto eu estivesse no box. Se eu ficasse na pista, acabaria me alcançando. Não tinha muito o que fazer”, conformou-se Verstappen. “Eles estavam mais rápidos”, resumiu.

Hamilton voltou 23s2 atrás de Max com 24 voltas para tirar a diferença. Em três voltas com pneus novos, virando tempos quase 2s melhores que o adversário, já tinha tempo suficiente para ganhar a corrida mesmo se a Red Bull chamasse Verstappen para uma segunda troca. Max ficou na pista com seus pneus em frangalhos esperando apenas pelo inevitável. Hamilton iria chegar e passar.

Chegou na volta 60 e passou.

Volta 60: ultrapassagem definitiva com pneus melhores

Como dito ontem, seria uma corrida mais de estratégia do que qualquer outra coisa. Duas paradas era o padrão — a variável na mesa era apenas o momento de fazer os pit stops, em função da posição em relação aos adversários mais diretos, do desgaste dos pneus e do tráfego na volta à pista. E quem arriscasse fazer apenas uma, como a Red Bull imaginou para Verstappen, correria riscos porque o desempenho no final despencaria dramaticamente.

Max acabou fazendo um segundo pit stop logo depois de perder a liderança, mas apenas para colocar pneus macios e garantir o ponto extra da melhor volta, o que acabou conseguindo. Hamilton venceu pela 98ª vez na carreira e sexta em Barcelona — cinco consecutivas. Se a Mercedes começou o campeonato sem saber direito se ainda tinha o melhor carro, diante da boa performance da Red Bull em treinos e da dificuldade para derrotá-la nas primeiras corridas, agora não há mais dúvidas. Tem, sim. Talvez não seja tão melhor quando nas últimas temporadas. Mas continua sendo o mais forte do grid.

Leclerc, quarto: Ferrari segue consistente, embora sem brilho

Bottas fechou o pódio atrás de Hamilton e Verstappen, sem nunca ter lutado de verdade para superar o holandês e brigar por um eventual segundo lugar. Ele perdeu muito tempo atrás de Leclerc no início da prova e saiu rápido da disputa. O monegasco foi o quarto, seguido por Pérez, Ricciardo, Sainz, Norris, Ocon e Gasly na zona de pontos.

Sendo muito honesto, ninguém no segundo escalão se destacou muito no domingo nublado da Catalunha. Ricardão talvez tenha sido um dos mais satisfeitos ao final do GP, porque pelo menos chegou na frente de Norris e conseguiu segurar Sainz na fase derradeira da corrida. Lando fez uma prova discreta e perdeu o terceiro lugar na classificação para Bottas, que foi a 47 pontos, contra 41 do inglês.

Quem decepcionou foi a Alpine, com Ocon em nono e Alonso arriscando uma parada para ficar sem pneus no fim, fazer um segundo pit stop, sair da zona de pontos e zerar correndo em casa. Da Aston Martin, nem falo mais nada. Stroll e Vettel não conseguiram pontuar. Com isso, McLaren e Ferrari se desgarraram de vez na classificação entre as equipes e brigam diretamente pelo terceiro lugar. São 65 pontos para o time laranja e 60 para a escuderia italiana. A Alpine empacou nos 15. A Aston Martin tem ridículos 5.

Norris: oitavo lugar discreto com a McLaren

Hamilton nem comemorou muito a vitória e, ao contrário do que acontecera em Portugal, onde se desgastou muito fisicamente, saiu do carro inteirinho da silva. Falou que, se precisasse, dava para disputar mais um GP hoje mesmo. Mas terá de esperar duas semanas. O próximo será em Mônaco, no dia 23. Pode ser que lá, pelas características do circuito, tenha mais trabalho para derrotar Verstappen. É capaz até de perder a corrida. Se acontecer, não será nada que fuja às previsões da Mercedes. Quando o time olha para o campeonato como um todo, sabe que em algumas pistas terá dificuldades, e Monte Carlo é uma dessas. Mas como até agora as coisas têm saído melhor que a encomenda para a equipe alemã, os outros que se preocupem.

Hoje às 19h tem “Fórmula Gomes” no YouTube para falar do GP da Espanha. Apareçam.

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NATURAL DA CATALUNHA (2)

Hamilton, 100 poles: o maior de todos os tempos

SÃO PAULO (privilégio) – Um dos critérios que considero aceitáveis para montar meu olimpo particular na F-1 é o tempo em que um piloto se mantém competitivo. Lewis Hamilton estreou em 2007. Fez sua primeira pole no GP do Canadá daquele ano, no dia 9 de junho. Hoje, 5.082 dias depois, marcou a centésima — agora, em Barcelona. Desde a primeira temporada, ganhou corridas em todos os campeonatos que disputou. São 15 seguidos. Schumacher fez algo parecido a partir do primeiro ano completo na Benetton, 1992, até se aposentar pela primeira vez na Ferrari em 2006 — os três anos de Mercedes, a partir da volta em 2010, não contam muito.

Hamilton é o melhor piloto de todos os tempos, e creio que somos privilegiados porque podemos acompanhar sua carreira nestes tempos em que tudo se vê e se registra. Aos 36 anos de idade, não dá sinais de decadência mesmo enfrentando uma legião de garotos muito talentosos, como Max Verstappen, Charlos Leclerc e Lando Norris — que mais dia, menos dia, vão receber o cetro do inglês.

Tudo que um fã da F-1 deve dizer hoje, dia em que a estupenda marca de 100 poles foi atingida por esse rapaz, é “obrigado” e “parabéns”. E eu podia encerrar o textão aqui que estava de bom tamanho. Mas tem bastante coisa para dizer, ainda. Porque essa trajetória, como temos notado neste Mundial, está longe de se encerrar. Amanhã tem corrida. Lewis já venceu 97 GPs e busca outro marco histórico, o de 100 vitórias. Isso num Mundial que a Mercedes começou sob certa desconfiança, mas que ele já tratou de dissipar.

O cara, com o perdão da palavra, é foda.

A Fórmula 1 reverencia o maior de todos: marca inimaginável até alguns anos atrás

A centésima pole veio numa pista onde é muito importante largar na frente. Até hoje, 30 GPs foram disputados em Barcelona, desde 1991. Em 22 deles o vencedor largou da primeira posição do grid. Uma taxa de 73,3%. O circuito catalão não é dos melhores para fazer ultrapassagens, embora seja rápido e não possa ser incluído entre os traçados que costumamos chamar de travados, como Mônaco, Budapeste e Abu Dhabi. É que a aproximação do piloto que está na frente é complicada, por questões aerodinâmicas, e o miolo é muito sinuoso, sem freadas muito fortes.

Isso faz de Hamilton favorito à vitória amanhã, ainda que Verstappen, segundo no grid, tenha chances reais por conta do bom desempenho da Red Bull até aqui. O holandês ficou a apenas 0s036 do rival no cronômetro. Lewis cravou 1min16s741 na sua melhor volta no Q3, marcado pela dificuldade de todos os pilotos em melhorarem suas marcas nas segundas tentativas de voltas rápidas na fase decisiva da classificação. Bottas foi o terceiro, 0s132 atrás. O quarto colocado, Leclerc, tomou 0s769 do pole-position.

Leclerc e Pérez, aliás, foram os únicos que melhoraram seus tempos com o segundo jogo de pneus no Q3. Charlinho andou mais rápido, mesmo. O mexicano tinha rodado na primeira tentativa e no fim conseguiu um discreto oitavo lugar a quase 1s do companheiro de equipe. Alegou que estava com fortes dores no ombro esquerdo. Foi sua pior classificação neste início de vida na Red Bull.

Pode-se esperar uma corrida interessante de Checo, que é ótimo gestor de borracha e tem um bom carro nas mãos. Isso se o ombro deixar. Mas ele terá de remar bastante se quiser lutar por um pódio a essa altura improvável, porque à frente estão carros da Ferrari, da Alpine e da McLaren. Essas três equipes formam hoje um segundo escalão divertido, em parte graças à ascensão do time francês — Ocon conseguiu um ótimo quinto lugar no grid, deixando Alonso bem para trás, em décimo.

Pérez se atrapalha no Q3: dores no ombro, oitavo no grid

As cinco equipes mais fortes levaram suas duplas para o Q3 num sábado ensolarado e quente na Catalunha. O Q1 começou com Norris se destacando com a primeira posição, Russell passando pela quarta vez seguida ao Q2 e a eliminação de Tsunoda, Raikkonen, Schumaquinho, Latifi e Mazepin. A decepção foi o japonês, que precisa se acalmar um pouquinho para buscar uma temporada de estreia mais consistente, brigando por pontos com a AlphaTauri como fez na primeira corrida do ano.

O equilíbrio na primeira parte da classificação ficou claro com a diferença de apenas 1s entre o primeiro e o 17º colocados. E 0s5 entre o segundo e o 16º. Detalhes fizeram a diferença. No Q2, a turma da ponta começou a desgarrar. Verstappen fez uma volta muito boa entrando na casa de 1min16s e colocou 0s478 em cima de Bottas e 0s710 em Hamilton.

Como virar o jogo nessa hora? Lewis disse que pediu mudanças no acerto do carro, sem especificar exatamente o quê. E seja lá o que tenham feito no Mercedão #44, deu certo. Porque ganhou quase meio segundo do Q2 para o Q3. Verstappen e Bottas também melhoraram. Mas não o bastante.

Verstappen: segundo no grid, vai atacar na largada

São mais de 600 metros entre a linha de largada e a primeira curva em Barcelona, e é nisso que Verstappinho aposta para tentar a liderança no começo da corrida. Descer a reta colado no cangote de Hamilton pode resultar numa ultrapassagem, mas não se iludam. A sequência das curvas 1 e 2 é um “S” rápido direita-esquerda, e não uma freada forte, daquelas em que dá para mergulhar tacando o pé no breque lá no deus-me-livre. Ali o cara precisa se posicionar muito bem para ganhar a posição. Lewis sabe se defender. Se conseguir se manter à frente, desconfio que só vai ver Verstappen de novo no pódio. Mas Max é Max. Pode tentar algo, é bom o bastante para inventar alguma coisa, e a esperança de uma boa corrida reside em sua criatividade na largada.

Dali para trás, vai ser interessante acompanhar as brigas Ferrari x McLaren x Alpine. Norris acabou fazendo um mau Q3 e larga apenas em nono, com Ricardão em sétimo. Vai buscar a recuperação. Lando reclamou que foi atrapalhado por Mazepin no Q1 e por isso ficou com um jogo de pneus a menos para usar lá na frente.

Será uma prova tática com muitas alternâncias nas estratégias de pit stop — o mais provável é que todo mundo vá para duas paradas, mas em momentos distintos de acordo com o desgaste da borracha de cada um. No top-10, hoje, todos optaram por usar pneus macios na largada. De 11º para trás alguns deverão partir com médios para brincar com os pit stops, talvez arriscando até uma parada única — o que acho difícil.

Na placa que indica a aproximação da curva, o 100 para Hamilton: inglês é favorito

Se Hamilton vencer de novo amanhã, chega a três vitórias em quatro etapas neste ano, cenário que poucos imaginavam ser possível depois da má pré-temporada da Mercedes. Verstappen precisa lutar muito para reverter esse quadro, sob o risco de ver o inglês começar a abrir perigosamente na classificação. A diferença ainda é pequena, de apenas 8 pontos. Só que o viés é de alta pró-Lewis. Ou Max estanca a sangria, ou coloca a viola no saco.

Hoje às 19h tem “Fórmula Gomes” ao vivo lá no meu canal do YouTube para a gente falar desse grid e das 100 poles de Hamilton. Apareçam, vai ter bolo!

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FOTO DO DIA

António Félix da Costa com a bandeira da Lusa no pódio depois de vencer o ePrix de Mônaco na Fórmula E. “Importante foi ganhar do Juventus esta semana”, declarou o piloto.

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NATURAL DA CATALUNHA (1)

Norris: sessão de testes

SÃO PAULO (esfriou) – Pintura nova essa da McLaren? Asa dianteira verde? Que patrocinador é esse?

O jeito que alguns carros foram para a pista hoje em Barcelona mostra que o primeiro dia de treinos para o GP da Espanha foi, na verdade, uma sessão de testes de pré-temporada. Aquilo que as equipes não puderam fazer antes de começar o campeonato na pista que é sempre usada para isso. Por questões econômicas e pandêmicas, a pré-temporada neste ano foi realizada no Bahrein.

Mas é em Barcelona que dá para saber como é seu carro. Por isso vimos muitos com essa tinta verde que registra na pele dos automóveis os caminhos do ar (uma espécie de túnel de vento a céu aberto e em tamanho real), assim como o uso de sensores de diversos tipos e peças novas sendo experimentadas aqui e ali.

Red Bull: nono e décimo

Por isso ninguém deve se espantar demais com as posições da Red Bull hoje, Verstappen em nono e Pérez em décimo. A equipe estava testando algumas coisas. Vai andar bem amanhã. O que não anda bem é a relação entre seu chefe, Christian Horner, e o colega Pebolim Wolff. Segundo este último, a equipe energética andou sondando “mais de cem” profissionais da Mercedes ligados à área de motores. Levou cinco.

É fácil explicar. A Honda deixa a F-1 no fim do ano e a Red Bull ficará com esses motores. Como vai chamá-los, não sei. Mas precisa de gente para fazer seu desenvolvimento e gestão. A Honda deve deixar alguns funcionários pelo caminho — o time contrata e pronto. Mas para fazer com que eles sejam melhores, precisa de pessoal especializado. E onde mais buscar essa gente? Na Mercedes.

Pebolim está puto.

Steiner: todo atrapalhado

Outro que anda enfezado é Günther Steiner, chefe da Haas, que postou a foto acima em alguma rede social para expressar sua irritação com as regras sobre extrapolar limites de pista. “Precisa fazer pós-graduação pra entender!”, bradou.

Eu não entendi é por que ele está preocupado com isso, sinceramente. Seus carros e pilotos se arrastam lá atrás de tal forma que podem até largar para a corrida meia hora antes dos demais, que chegarão depois. Está querendo aparecer. Acho Steiner um cara engraçado — a Netflix revelou isso. Mas, nessa aí, errou a piada.

Ferrari: Hamilton impressionado

Hamilton e Bottas ficaram em 1-2 hoje, nada de muito espantoso, com Leclerc em terceiro. Ocon e Alonso fecharam os cinco primeiros. Gasly foi o sexto. A Alpine, de fato, melhorou muito. A Ferrari vem sendo consistentemente rápida. O mesmo pode-se dizer da McLaren (que hoje ficou testando até o tom do papaia em seus carros, com tempos irrelevantes). Tudo isso faz a alegria de Lewis: “Impressionante como Ferrari, McLaren e Alpine cresceram!”, vibrou.

Estou exagerando, não sei se ele vibrou. Mas falou isso. Que gosta dessas disputas e tal.

A gente também. Mas por mais que tenham melhorado, essas três ainda estão longe da Mercedes. Essa é a verdade.

Por fim, Aston Martin. Vettel ficou em 11º hoje e disse que foi sua melhor sexta-feira no ano. “Sextei!”, vibrou.

Mentira, ele não falou “sextei”. Mas disse que foi sua melhor sexta-feira no ano.

Hoje às 19h tem live ao vivo no meu canal youtúbico. Apareçam!

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FOTO DO DIA

Toto Wolff cumpriu. O último ato de Romain Grosjean na F-1 será um dia de testes com o carro de 2019 em Paul Ricard, no dia 29 de junho. Já tem banco, macacão e tudo mais.

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SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

Lewis: 97 vitórias no bolso

SÃO PAULO(por uma boa causa) – Com enorme atraso, antes que os carros comecem a andar em Barcelona, vamos ao rescaldão português. Em pílulas, ou pitacos — como queiram.

O “Piloto do Dia” eleito pelo amigo internauta foi Sergio Pérez. Eu não votaria nele. Quarto colocado, não fez nada de muito espetacular. Trouxe o carro para casa, apenas. Um feijão com arroz pouco apimentado. Para mim, o nome da corrida foi Hamilton, que foi buscar a liderança na pista três vezes. Uma delas em cima de Pérez, inclusive. Por isso escolhi como “imagem do GP” essa foto aí em cima. O cara é foda.

E vocês aí acharam a corrida sem graça? Pois…

PORTUGAL BY MASILI

Nosso cartunista Marcelo Masili sacou direitinho. Lewis está curtindo esse negócio de brigar por vitórias sem ter o melhor carro — assim definido oficialmente pelos “órgãos competentes”, imprensa incluída, que decidem quem é o melhor e ponto final, e é só por isso que fulano é campeão. O que quero dizer é que a Mercedes pode até ter um dos melhores carro do grid. Mas já não é mais tão melhor que os outros, como foi nas últimas temporadas. E, para ser sincero, acho que está pau a pau com a Red Bull — depende um pouco da pista, do clima, dessas variáveis que atuam mais diretamente sobre o rendimento de um carro.É nisso que 2021 está sendo diferente que 2020, 2019, 2018, 2017 etc.

Bottas: modo de segurança roubou 5 segundos do finlandês

Faltou dizer domingo que o desafortunado Bottas teve um problema num sensor de escapamento que acusou um aumento de temperatura indevido e isso colocou seu motor em modo de segurança por alguns instantes. Segundo a Mercedes, ele perdeu 5s em relação a Verstappen por causa disso.

Pode ser verdade. Deve ser, afinal ele reclamou no rádio que tinha perdido potência. Mas acho que não mudou seu destino na corrida.

Raikkonen atolado: distração no volante

Problema mesmo teve Raikkonen, que conseguiu bater em Giovinazzi no começo da prova porque se distraiu mexendo num botão no volante. O toque o levou à brita e ao abandono. Assumiu a culpa. Menos mal que o o carro do italiano não foi afetado.

Falando na Alfa Romeo, só para registrar, o apelo contra a perda dos pontos de Kimi em Ímola não foi aceito. A FIA manteve a punição de 30s que lhe tirou o nono lugar no GP da Emilia-Romagna e a equipe encerrou o assunto. A penalidade foi dada porque ele fez ultrapassagem sob bandeira amarela.

A FRASE DE PORTIMÃO

“Vocês viram no fim de semana que a Renault [ele quis dizer Alpine] foi muito mais forte que nas últimas corridas. Então não é impossível que a gente também consiga dar um passo à frente.”

Sebastian Vettel, dando entrevista na foto aí embaixo

Não sei se vocês notaram, mas Vettel, muito gentil, deixou Stroll passar por ele no fim da corrida, porque estava com pneus mais velhos. Como o canadense não logrou êxito em alcançar quem estava na frente, que nem lembro quem era, devolveu a posição de modo igualmente gentil pouco depois. Tudo desnecessário, porque nenhum dos dois marcou pontos.

A Aston Martin é a grande decepção da temporada até aqui. Que dê um passo à frente logo, porque desse jeito está ficando feio.

O NÚMERO DE PORTUGAL

…GPs como líder do Mundial foram completados por Hamilton em Portimão. O recorde anterior, 121, era de Michael Schumacher. Mais um para a conta do inglês.

GOSTAMOS

De ver Fernando Alonso brigando com Ferrari e McLaren, ultrapassando ambas, para marcar pontos convincentes para a Alpine. Ocon também merece uma menção honrosa. A equipe cresceu a olhos vistos de Ímola para Portugal. Bom sinal, mais uma para brigar no segundo pelotão com Norris, Ricciardo, Leclerc e Sainz.

Alonso: bons duelos e pontos

NÃO GOSTAMOS

De ver a AlphaTauri se arrastando do meio do grid para trás, depois de um começo de campeonato tão bom. Tsunoda, que fez uma ótima estreia no Bahrein, foi apagado nas duas etapas seguintes. É claro que tem a desculpa de ser estreante. Mas como gerou expectativas muito positivas, acabou decepcionando um pouco. Já Gasly faz o que pode na maioria das vezes, mas não é um gênio. Quando a pista não combina com o carro, volta a ser piloto de time pequeno. Falta um algo mais.

AlphaTauri: coadjuvante em Portugal
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Ó, PÁ (3)

Hamilton: 97 vitórias e liderança ampliada

SÃO PAULO(mais ou menos…) – Olha, de cara, é bom que se diga: não foi uma corrida boa, essa de Portugal. Faltaram brigas e dramas. Sobrou o talento — de Hamilton, de novo. E, também, alguns muxoxos. Afinal, Verstappinho perdeu a pole, ontem, e o ponto extra de melhor volta, hoje, por conta dos limites de pista. É meio chato, isso. Mas regras são regras. Max também perdeu a corrida do Bahrein pelo mesmo motivo. Ele que aprenda a andar dentro da pista. Ah, mas a regra é besta? Pode até ser, mas existe. Então, não encham.

Hamilton ganhou a corrida fazendo duas ultrapassagens na pista, sem precisar de undercuts, overcuts ou ordens de equipe. Deu uma bobeada no início, perdendo a segunda posição para Verstappen, mas foi buscar. São 97 vitórias na carreira, duas neste ano, e a diferença que era de um ponto a favor na liderança do campeonato sobre Max subiu para 8. Há quem diga — quase todo mundo — que a Red Bull tem o melhor carro do ano. Começo a achar que não é assim tão simples, não. Se alguém duvidava da capacidade de reação da Mercedes, que fez uma pré-temporada ruim e começou o ano com um automóvel instável e imprevisível, é melhor não duvidar mais. O carro pode não ser mais tão melhor que o de sua principal adversária. Mas é bom o bastante para vencer corridas, ainda mais com um piloto como Hamilton ao volante.

Verstappen, segundo: pontos perdidos além dos limites das pistas

O GP de Portugal começou tranquilo, com Bottas se mantendo na frente depois da pole de ontem e Hamilton em seu encalço sem arriscar nada até o primeiro (e único) safety-car do dia, causado por uma barbeiragem inacreditável de Kimi Raikkonen no fim da primeira volta. Lá no pelotão da merda, na reta dos boxes, tentou passar Giovinazzi, errou o cálculo, tocou no pneu do companheiro, quebrou a asa, abandonou e encheu a pista de detritos.

Quando aconteceu a relargada, na volta 7, Verstappen aproveitou uma ligeira bobeada de Hamilton e assumiu a segunda colocação. Um pouco mais atrás, Pérez passou Sainz, que o tinha ultrapassado na largada, mas foi superado por Norris (me pareceu por fora dos limites da pista, mas os comissários nada disseram).

Em terceiro, Lewis respirou fundo e foi atrás de sua presa. Verstappinho fazia o que podia para tentar alcançar uma Mercedes, do líder Bottas, e fugir de outra, de Hamilton. Prensado entre os dois carros negros, acabou cometendo um errinho na volta 11 e dessa vez quem deu o bote foi o inglês, retomando o segundo lugar.

Lewis recupera o segundo lugar: na pista, sem undercut ou overcut ou cut-que-pariu

Bottas, Hamilton, Verstappen e Pérez eram os quatro primeiros na volta 16, quando o mexicano foi para cima de Landinho e recuperou a posição perdida na relargada. Paciente, Lewis seguia na cola do companheiro sabendo que mais cedo ou mais tarde tomaria dele a liderança. Porque a Mercedes ia mandar? Não, porque é melhor.

E, na volta 20, o heptacampeão abriu a asa, viu a chance e jantou o parceiro sem dificuldade. De terceiro para primeiro, com duas ultrapassagens na pista. Dali em diante, era só não cometer nenhum erro, parar na hora certa e levantar mais um troféu.

Na volta 22 começaram os pit stops. Para todo mundo a estratégia-padrão seria colocar pneus duros na parada única, mas a Ferrari não achou isso e no carro de Sainz, que largara de macios, espetou os médios. O espanhol terminaria a corrida se arrastando, sendo ultrapassado até por que tinha se empanturrado de bacalhau com batatas ao murro na véspera. Na hora da troca, Carlos era o sexto colocado. Receberia a quadriculada em 11º.

Leclerc, sexto: com ele, a Ferrari acertou nos pneus

Charlinho, seu companheiro, escolheu os pneus certos e acabou a prova n’Algarve em sexto. Mas nem sei por que falei dele, já que não foi um protagonista do domingo ensolarado no sul da terrinha. Acho que só para justificar a foto acima.

Voltemos ao que interessa.

Quase todo mundo do meio do pelotão para trás já tinha trocado pneus quando Verstappen foi para seu pit stop na volta 36. A ideia era dar um drible estratégico em Bottas para, pelo menos, ganhar a segunda posição. Valtteri foi chamado na volta seguinte e conseguiu sair dos boxes à frente. Mas como todo bom banana finlandês, não resistiu ao primeiro ataque — coitados dos finlandeses, eles não são bananas, mas achei a frase boa. Max aproveitou uma rabeada de Sapattos, tracionou melhor numa saída de curva, foi para cima e passou.

Aí a corrida meio que acabou. O líder, na volta 40, era Pérez. Mas ainda não tinha trocado pneus. O mexicano, desde os tempos dos astecas, é um dos melhores gestores de borracha da F-1. Receio, inclusive, que quando ele se for desta para a melhor daqui a uns 90 anos seu perfil na Wikipedia trará a informação: “Sergio Pérez foi um dos melhores gestores de borracha das primeiras décadas do século 21 e também piloto de corridas”. Um bom gestor de borracha só troca pneu num GP porque é obrigado. Se não fosse, iria até o fim com um único jogo e ainda disputaria a etapa seguinte com os mesmos pneus.

Hamilton voltaria à liderança antes mesmo da parada de Pérez, na volta 51, passando o segundo carro da Red Bull na pista, mais uma vez. Checo só foi para os boxes na 52. Voltou em quarto, e lá ficou.

Ocon, sétimo: bons pontos para a Alpine, que ainda teve Alonso em oitavo

Pérez colocou pneus macios porque faltava pouco para o fim e ele poderia ganhar o pontinho extra da melhor volta. Naquela altura, o mais legal da corrida era a escalada de Alonso por pontos, o que acabou conseguindo depois de passar uma Ferrari (de Sainz) e uma McLaren (de Ricciardo) para terminar em oitavo. Foi legal, a Alpine deu uma melhorada.

Na volta 64, a duas do final, a Mercedes chamou Bottas para colocar pneus macios e buscar o ponto extra — ele estava léguas à frente do mexicano e não perderia a posição com a parada. Na seguinte, a Red Bull fez o mesmo com Verstappen, já que Hamilton era inalcançável e Bottas estava bem atrás. Valtteri fez a parte dele: 1min19s865 na volta 65. Max, na última, cravou 1min19s849 e deu o troco. Mas, na hora, deu para ver que tinha saído dos limites da pista na curva 14. Durante a corrida, a direção até tolerou algumas escapadas. Mas quando essas saídas resultam em alguma vantagem para o piloto — uma ultrapassagem ou, no caso em questão, um ponto extra –, ou se pune, ou se cancela a volta. Foi o que aconteceu com Max.

33 + 44 = 77: pódio matemático em Portimão

O holandês foi informado da perda do pontinho por Paul Di Resta, que fez as entrevistas antes do pódio. Ficou com cara de cu. Feio, isso, né? Cara de cu. Mas é o tipo de expressão que não encontra equivalência em nenhuma outra de nosso rico idioma. Como estava sem máscara, deu para notar a cara de cu.

Depois de três etapas, Hamilton lidera o Mundial com 69 pontos, contra 61 de Verstappen. Depois vêm Norris (37), Bottas (32), Leclerc (28) e Pérez (22). Faltou registrar o resultado da corrida, então vamos lá: nos pontos, Hamilton, Verstappen, Bottas, Pérez, Norris, Leclerc, Ocon, Alonso, Ricciardo e Gasly.

A prova teve muita gente apagada, é bom que se diga. A dupla da Aston Martin, por exemplo, com Vettel em 13º e Stroll em 14º — a equipe é, sem dúvida, a maior decepção do começo do campeonato. Outros que não andaram nada no fim de semana: Gasly (décimo) e Tsunoda (15º), da AlphaTauri. E Ricciardo, imerso num oceano de discrição em nono enquanto Landinho, lá na frente, busca os pontos que a McLaren precisa.

Semana que vem tem mais, em Barcelona. E hoje à noite tem “Fórmula Gomes” no meu canal no YouTube, analisando a corrida numa “live ao vivo” a partir das 19h. Apareçam!

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Ó, PÁ (2)

Bottas na pole: surpresa em Portimão

SÃO PAULO(quem diria…) – São três corridas e três poles diferentes neste ano: Verstappen, Hamilton e, agora, Bottas. Alguém acreditava que o finlandês ressurgiria das cinzas em Portugal? Pois ressurgiu. Valtteri fez a 17ª pole de sua carreira num dia em que o melhor tempo da classificação foi registrado no Q2, por Lewis Hamilton. Essa pista lusitana é tinhosa. Venta muito e é difícil repetir uma volta perfeita na mesma sessão. Foi o que aconteceu com o inglês da Mercedes. Virou 1min17s968 no Q2 e subiu para 1min18s355 no Q3. Detalhe: com pneus médios na volta mais rápida do Q2 e macios na hora em que as dez primeiras posições no grid foram definidas.

Por essas e outras que outro candidato à pole saiu do Algarve hoje com uma tromba daquele tamanho. Refiro-me a Max Verstappen, que acabou apenas em terceiro, 0s398 atrás de Bottas. Hamilton, o segundo colocado, ficou a 0s007 do parceiro. Verstappinho fez a melhor volta do Q3, 1min18s209, mas ela foi cancelada porque ele excedeu os limites da pista na curva 4. Na segunda tentativa, pegou tráfego e ao fechar a volta ficou praguejando pelo rádio.

Vettel: jejum de 15 GPs fora do Q3 terminou em Portugal

Tirando Bottas, não havia muita gente satisfeita entre os dez primeiros colocados. Quase todos tinham alguma reclamação a fazer. Ou foi o vento, ou a aderência, ou os limites da pista, ou alguém atrapalhando. Talvez apenas Sainz, quinto, e Ocon, sexto, tenham motivos para comemorar. Ambos ficaram à frente de seus companheiros de equipe. Pérez, o quarto, gostou da posição, mas não da volta. Fecharam o top-10 Norris, em sétimo, Leclerc, em oitavo, Gasly, em nono, e Vettel, em décimo.

Tião não passava para o Q3 desde o GP da Inglaterra do ano passado. Foram 15 GPs empacando no Q1 ou no Q2. Mas nem por isso ficou saltitando sorridente pelo paddock. Não curtiu muito sua volta rápida. Assim como o companheiro Stroll, que decepcionou e ficou no Q1, em 17º. Outro que frustrou todas as expectativas foi Ricciardo, da McLaren, igualmente degolado no Q1 — 16º no grid. Latifi, Schumaquinho e Mazepin ficaram com as três últimas posições.

Alonso: péssima classificação

No Q2, as duplas de Mercedes e Red Bull fizeram suas melhores voltas com pneus médios, e é com esses que vão largar. A segunda parte da classificação eliminou Russell, Giovinazzi, Alonso, Tsunoda e Raikkonen. Dessa turma, só Jorginho ficou contente. Levou a Williams ao 11º lugar, melhor posição de largada da equipe desde o GP da Itália de 2018 — quando Stroll, ainda defendendo o time, largou em décimo em Monza. Fernandinho deu vexame. Ficou 0s8 atrás de Ocon, depois de andar bem em todos os treinos livres.

Sete equipes diferentes foram ao Q3: Mercedes, Red Bull, Ferrari (essas com suas duplas completas), McLaren, Aston Martin, AlphaTauri e Alpine. Isso sugere um certo equilíbrio na corrida, especialmente na meiúca — o segundo pelotão. A tendência é ver Mercedes e Red Bull dispararem na frente. Tenho dito que Pérez e Bottas terão um papel muito importante neste campeonato na condição de escudeiros de Verstappen e Hamilton. A grande curiosidade para amanhã é ver como vão se comportar e como suas equipes vão administrar as necessidades evidentes num Mundial que será disputado ponto a ponto entre Lewis e Max.

Russell: melhor da Williams desde o GP da Itália de 2018

Em Portugal, quem aparece com mais potencial para atrapalhar é Bottas. Pérez não vai se meter a besta na terceira corrida pela nova equipe. Tudo que Hamilton não precisa neste momento é um adversário interno. Não que Valtteri seja um, a longo prazo — é claro que vai terminar o ano muito atrás do britânico. Só que ele precisa mostrar alguma coisa para garantir seu lugar na equipe por mais um tempo. Mostrar alguma coisa é, claro, ganhar um GP. Mas ganhar um GP, nessa altura, prejudica as aspirações de título do time, que obviamente aposta tudo em Lewis.

É dura, a vida de Bottas.

O grid no Algarve: sete times diferentes entre os dez primeiros
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