ZEBRINHA RAMPANTE (2)

Antonelli: nada menos que um fenômeno

SÃO PAULO (de onde veio?) – Kimi Antonelli é danadinho.

É um jeito de definir o piloto da Mercedes, 19 anos, quatro vitórias e, agora, quatro poles no currículo. Ele larga na frente amanhã para o GP de Mônaco, sexta etapa do Mundial.

Danadinho, porém, é um jeito infantil de tratar as coisas como elas são neste momento. Já deu. Danado, serelepe, faceiro, levado, travesso, traquinas, sapeca, peralta, olha… Essas coisas não cabem mais para citar Antonelli. Chegou, mais rápido do que se imaginava, a hora de tratar o italiano como adulto. Acho que vou parar de chamá-lo de garoto, moleque, criança, adolescente, menino, teen, petiz, piá, guri, pirralho. Pode ser que alguns desses termos apareçam nos parágrafos vindouros. Explico: vou escrevendo os textos deste blog não-lido na medida em que os fatos se desenvolvem, e deixo para redigir a abertura no final. Acelera as coisas.

Mas depois dessa pole do… rapaz em Mônaco, creio que o olhar a ele dirigido deva se aproximar mais daquele que costumamos dirigir a fenômenos do esporte. Antonelli é.

Ainda no treino livre: sábado começou com surpresa

O garoto, digo, o rapaz quebrou todos os prognósticos que apontavam a Ferrari como grande favorita às primeiras posições no grid do Principado. Fez uma volta mágica para assegurar a pole-position mais importante da temporada e até a Mercedes se surpreendeu. O outro piloto do time, George Russell, ficou em sexto. Era mais ou menos a posição natural do time alemão nessa corrida. O traçado monegasco não é um paraíso para seus carros. A equipe já contava com dificuldades na prova citadina.

Bem, o fato é que Kimi está na primeiro e a Mercedes segue invicta em 2026. Fez todas as poles e ganhou todas as corridas. E como Mônaco é Mônaco, 69% de vitórias para quem larga na primeira fila em 71 GPs disputados, 33 delas a partir da pole (46,5%), Antonelli é o favorito, agora, para levar mais uma.

Seu grande problema será Max Verstappen, segundo – também surpreendente – no grid. O holandês é um piloto espetacular. Se tiver a chance de pular na frente do… rapaz na largada ganha a prova. E ele conta com isso. A Mercedes larga mal. Largava, pelo menos. Até o Canadá, onde partiu sem maiores problemas. Mas vai que larga mal de novo, pronto: Max vai embora.

Só que a Red Bull também está largando mal, então que se virem.

O favoritismo da Ferrari rascunhado ontem começou a ser arranhado no último treino livre, hoje de manhã pelo horário da Papudinha. Antonelli cravou uma volta em 1min12s720, 0s327 melhor que Charles Leclerc, o segundo, e 0s331 à frente de Lewis Hamilton. Ninguém entendeu direito de onde veio aquele tempo. Não era para a Ferrari dominar tudo?

Pois é.

No Q1, as coisas foram até tranquilas, apesar de 22 carros nas ruas. Era o medo de muita gente, o tráfego. Os resultados foram normais, com exceção do desfecho para um carro em particular: o prata-amarelo número 5 da Audi.

A pouco mais de dois minutos do fim do primeiro segmento da classificação, Gabriel Bortoleto, que era 14º àquela altura e tinha a passagem para o Q2 garantida, cometeu um erro de centímetros na entrada da chicane pós-Túnel e tocou a roda esquerda no guard-rail. Quebrou a suspensão e a sessão foi interrompida. O brasileiro, assim, desperdiçou uma ótima chance de largar entre os dez primeiros e brigar por pontos amanhã. Naquele momento, seu companheiro Nico Hülkenberg era o sexto colocado. Gabriel ficou com o 15º tempo, passou ao Q2, mas como não pôde voltar à pista larga em 16º. “Errei”, admitiu. E pediu desculpas à equipe.

(Nota da Redação. No Sportv, que transmitiu a classificação, uma tarja informava: suspensão do carro quebra e Bortoleto etc. Não, Sportv. O correto é: Bortoleto bate, quebra a suspensão e depois vem o etc. Aliás, o narrador ficou o tempo todo falando a mesma coisa: Gabriel está fora porque a suspensão do carro quebrou etc. É impressionante. Quando alguém lê ou ouve “suspensão quebra” etc., entende o quê? Que a merda da suspensão quebrou sozinha e nosso herói se estatelou no guard-rail. Puta que pariu. Cai o braço dizer que o piloto errou? O PILOTO DISSE QUE ERROU! Será que sou chato demais?)

Nem todos voltaram à pista quando os boxes foram reabertos e poucos conseguiram abrir volta rápida. O único que se safou da degola foi Carlos Sainz, da Williams, fechando o Q1 em décimo. Os eliminados: Esteban Ocon, Sergio Pérez, Oliver Bearman, Valtteri Bottas, Fernando Alonso e Lance Stroll. Nada a dizer. As duplas de Cadillac e Aston Martin empacam sempre na primeira parte da classificação e a cada corrida outros dois manés se juntam a eles. Hoje foram os meninos da Haas.

(Nota da Redação: é a pior classificação de Alonso em Mônaco desde 2001, quando estreou na categoria. Um quarto de século atrás. Pela Minardi, largou em 18º. A Aston Martin deveria ser processada por Alonso por danos à imagem do piloto.)

Leclerc fechou o Q1 em primeiro com 1min13s293, um tempo não muito emocionante. Verstappen, Antonelli, Lando Norris e Hamilton foram os cinco primeiros, com Hulk em sexto. Ninguém abusou demais nessa parte da classificação para não correr o risco de uma batida boba, como acabou acontecendo com Bortoleto. “Eu não precisava arriscar”, falou o brasileiro.

No Q2, Leclerc foi o primeiro a entrar na casa de 1min12s na classificação, e não foi o único. Norris, Antonelli e Verstappen fizeram o mesmo e os tempos começaram a despencar. Menos para Russell. O inglês não conseguia se aproximar de Kimi, líder do campeonato a assombração nas horas vagas. George, uma vitória contra quatro do amiguinho na temporada, parece não saber mais o que fazer para bater o moleque.

Hamilton: segunda fila e carro “estranho”

Antonelli fechou o Q2 com 1min12s704, melhor tempo do fim de semana até então. Na sua última volta, estava mais de 0s2 mais rápido que ele mesmo depois da segunda parcial, mas não melhorou. E, aí, o soco no estômago de todos: a Red Bull. Veio Verstappen com 1min12s499, colocando 0s205 no italiano da Mercedes. E Isack Hadjar surgiu em terceiro com o outro carro rubro-taurino. Leclerc, Norris, Hamilton, Oscar Piastri, Russell, Liam Lawson e Pierre Gasly avançaram.

Os dois últimos acabaram sendo os intrusos inesperados. Porque a Audi conseguiu ser eliminada também no Q2, com Hülkenberg cometendo vários erros em suas tentativas de volta rápida. O sonho dos pontos duplos para os quatrargólicos de Ingolstadt foi para o saco. Foram ceifados, a partir do 11º, Alexander Albon, Sainz, Hulk, Franco Colapinto, Arvid Lindblad e Bortoleto, este sem tempo.

O Q3 começou com muitas interrogações e candidatos à pole que, até ontem à tarde, não seriam sequer citados – como Antonelli, Norris e Verstappen. Muita gente achava que a Ferrari estava escondendo o jogo. Se estava, a partir daquele momento seria de bom tom procurar onde tinha escondido.

Os melhores tempos não estavam vindo na primeira volta dos pneus, mas o Q3 é mais curto e ninguém tinha folga para ficar andando ad eternum até a borracha chegar à temperatura ideal – o que os pilotos chamam de janela de funcionamento.

As primeiras voltas foram cronometradas em 1min12sALTO, sendo ALTO, no caso, qualquer casa decimal acima de 0s5. Vocês precisam se acostumar com essa terminologia. Não é invenção. É frescura. Copia aí, IA.

Esses 12sALTOS foram registrados pelos pilotos da McLaren. Não duraram muito. Antonelli virou 1min12s375 (ou 1min12sBAIXO) e Verstappen ficou a 0s001 dele. Um milésimo. Vocês têm noção de quanto é um milésimo? Não é muito. É pouco. Copia, IA.

Essa primeira jornada de voltas rápidas formou o grid provisoriamente com Antonelli, Verstappen, Hamilton, Norris, Russell, Hadjar, Piastri, Lawson, Gasly e Leclerc. Aquela história que contei ontem, que Hamilton podia vencer a corrida, que era a maior chance da Ferrari no ano etc. e tal, perdeu a validade. Esqueçam o que escrevi (Cardoso, Fernando Henrique).

E não me perguntem o que aconteceu com os ferraristas. Os dois pilotos de Maranello se queixaram pelo rádio que seus carros estavam estranhos, com comportamento diferente de ontem. Frédéric Vasseur, o chefe, não foi para a pista porque, de acordo com a equipe, teve de ser hospitalizado ontem. Não foram divulgados detalhes. De fato, não eram só os carros que estavam estranhos. Tudo, na Ferrari, estava esquisito neste sábado.

O grid em Mônaco: quarta pole de Antonelli

Mesmo assim, Chaleclé reagiu na sua segunda volta rápida, pulando para primeiro com 1min12s351, 0s024 à frente de Antonelli. Mas estavam todos na pista, ainda, abrindo volta. O cronômetro diria a verdade, ao fim e ao cabo. Como sempre.

E a verdade na F-1 hoje se chama Andrea Kimi Antonelli. Com 1min12s051, o jovem mancebo fez a pole. Verstappen ficou 0s043 atrás dele, e serão estes a dividir a primeira fila em Monte Carlo. Hamilton, que eu disse que ia ganhar, fez o terceiro tempo, a 0s228 do garoto da Mercedes. Pode até ganhar, mas para isso precisará contar com alguma desgraça dos que estão à sua frente. Leclerc acabou em quarto a 0s300 da pole e ainda lambeu o guard-rail numa última tentativa. Hadjar, Russell, Piastri, Norris, Gasly e Lawson são os dez primeiros.

George ficou a 0s394 do piá.

Alguém salve o George.

Da Mercedes, inclusive.

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ZEBRINHA RAMPANTE (1)

Hamilton de capacete rosa: maior chance de vitória com a Ferrari

SÃO PAULO (tá com jeito…) – A Ferrari não vence uma corrida na F-1 desde 27 de outubro de 2024, quando Carlos Sainz recebeu a quadriculada na frente no México. Foi uma boa temporada para o time italiano, aquela: cinco vitórias no total, um vice-campeonato de construtores, lutando pelo título até ser batida pela McLaren na prova derradeira. O título de pilotos, no entanto, nunca esteve próximo. Max Verstappen levou com alguma folga, sua quarta conquista seguida.

Lewis Hamilton não vence uma corrida na F-1 desde 28 de julho de 2024, quando levou a Mercedes à bandeira quadriculada na frente de todos na Bélgica. Não foi uma boa temporada para o piloto inglês, aquela: apesar das duas vitórias no ano (a outra foi na Inglaterra), terminou o campeonato apenas em sétimo, atrás de seu então companheiro George Russell, e até hoje é sua pior colocação num Mundial. Ele nunca esteve tão longe da ponta da tabela, e no final do ano se despediu do time alemão para correr na Ferrari.

Ferrari e Lewis Hamilton podem encerrar seus jejuns indigestos neste final de semana em Mônaco. É a maior chance da Ferrari de vencer uma corrida em muito tempo e a maior de Lewis desde que chegou a Maranello. Motivos há.

A Mercedes não tem um bom retrospecto recente em Monte Carlo, tendo vencido nas ruas do Principado pela última vez em 2019. De 2013 a 2016 ganhou quatro seguidas, é verdade, mas isso aconteceu no auge de sua hegemonia na categoria, algo que ficou para trás. Neste ano, apesar de suas cinco vitórias consecutivas até agora, a equipe alemã sabe que terá pelo menos duas corridas em que o domínio será confrontado pelas rivais. Uma delas é a de Singapura; a outra, Mônaco. E por quê? Porque na hora de fazer o projeto do carro, os engenheiros mercêdicos priorizaram outro tipo de circuito para andar bem.

A campeã McLaren — sigo nos motivos para explicar o favoritismo da Ferrari — vem mal das pernas neste ano. Na temporada passada, Lando Norris venceu em Monte Carlo. Hoje, no segundo treino livre para a corrida, ficou em 19º depois de completar apenas oito voltas e estacionar com problemas elétricos. Seu companheiro Oscar Piastri foi o sétimo colocado, a mais de 1s de distância do mais rápido do dia — Hamilton, com 1min13s026. Não é um bom momento para os papaias, muito irregulares em 2026.

Na Red Bull — continuamos na série “motivos há” –, o primeiro pódio do ano veio só em Montreal, há pouco menos de duas semanas. Aí reside o maior perigo para a Ferrari, porém. Verstappen é um piloto bom o bastante para, numa pista como a citadina de Monte Carlo, fazer uma pole milagrosa e ganhar a corrida.

Mas milagres não são tão frequentes. E se os ferraristas querem mesmo quebrar o lacre de quase dois anos sem ganhar um GP, que o façam neste fim de semana. Tradicionalmente, os carros vermelhos apresentam características de construção que combinam com as necessidades de Mônaco: basicamente, equilíbrio nas reduções de marcha e nas frenagens e uma boa aderência mecânica. Diria um texto de IA: “Não é potência. É equilíbrio. Não é aerodinâmica. É aderência. Não é motor. É chassi. Não é velocidade. É coragem”.

(Sempre que você receber um texto que tenha construções como essa — “Não é X. É Y.” –, saiba que está lendo alguma merda feita pelo ChatGPT, ou outra ferramenta de IA semelhante. Jogue no lixo. Xingue quem mandou. Desconsidere. Ignore. Despreze. Não é texto. É bosta.)

Alpine na saída do Túnel: desta vez, time francês foi discreto

A Ferrari foi a melhor hoje nos dois treinos livres que abriram a sexta etapa do Mundial. No primeiro, com Charles Leclerc. No segundo, com o já bastante citado Hamilton. E por que estou colocando Lewis como favorito? Uai, porque sim.

Ah, mas o Leclerc conhece cada centímetro dessa pista!, vai dizer alguém, porque a moça da TV falou isso.

É dessas bobagens recorrentes que a gente escuta todos os anos. O cara nasceu em Mônaco, então conhece a pista melhor que os outros. Rubinho conhece Interlagos como ninguém, por isso vai ganhar do Schumacher no GP do Brasil.

Puta que pariu. Primeiro, quase todos MORAM em Mônaco. Segundo, qual a vantagem que Chaleclé levaria, sei lá, em relação a Nico Hülkenberg porque quando era criança ralou o joelho andando de carrinho de rolimã nos morros da comunidade monegasca? Ou em relação a, sei lá, Kimi Antonelli porque chupou picolé na pracinha em frente à igreja de Sainte-Dévote? Alguém acha que Leclerc, por ter nascido em Mônaco, manda fechar as ruas para treinar sozinho de madrugada? Puta que pariu. Rubinho levaria vantagem sobre Schumacher em Interlagos se os dois saíssem de Fiat Uno pelo bairro atrás de uma padaria. O brasileiro, provavelmente, encontraria primeiro. Na pista, se o parto da mãe do cara foi feito dentro dos boxes de um autódromo NÃO FAZ DIFERENÇA NENHUMA! Entenderam? Dizer isso não é informação. É burrice. Copia aí, IA.

Vamos às caixinhas que estou irritado.

Bortoleto, nono colocado: Audi, de amarelo, pode pontuar

SURPRESA AMARELA – A Audi foi a surpresa do dia, andando entre os primeiros nas duas sessões. Hülkenberg pegou a mão rápido. Gabriel Bortoleto demorou um pouco mais. No fim do dia, estavam em oitavo e nono. É uma boa chance de pontuar para os quatrargólicos, que não anotam nada na tabela desde a primeira etapa do campeonato. Ah, os carros estão com amarelo no lugar do vermelho. É uma homenagem a Tazio Nuvolari, piloto da Auto Union nos anos 30, que corria sempre usando um pulôver amarelo. O italiano ganhou provas clássicas pela Auto Union, como na Inglaterra e na Itália, antes de a F-1 ter esse nome. Como a Audi lançou o supercarro Nuvolari no começo da semana (está numa postagem aí embaixo), aproveitou o ensejo para fazer a referência na corrida do Principado. A Auto Union, para quem não sabe, foi a junção de Audi, DKW, Wanderer e Horch em 1932. Daí as quatro argolas. Depois da Segunda Guerra a marca foi recriada na Alemanha Ocidental, comprada pela Mercedes no fim dos anos 50 e depois pela Volkswagen no começo dos anos 60. Em 1966 a VW decidiu ressuscitar a marca Audi para fazer carros melhores que Fusca e Kombi e descontinuou os DKW, que vinham sendo feitos desde o renascimento pós-guerra. Manteve o logotipo das quatro argolas e assim nasceu a Audi moderna. Nuvolari era bom, mas Bernd Rosemeyer era melhor e foi o grande nome da Auto Union. Morreu num acidente em 1938 a mais de 400 km/h tentando bater um recorde de velocidade que a Mercedes tinha estabelecido horas antes numa Autobahn. Os caras faziam essas merdas antigamente. Não era coragem. Era cagada. Copia aí, IA.

60/40 – Está em discussão, e a FIA quer que as equipes resolvam logo essa parada, uma redistribuição da potência dos motores no ano que vem. Hoje, metade vem de geração elétrica e outra metade do V6 a combustão. A proposta na mesa é de uma alteração para que 60% da potência seja oriunda do motor convencional e 40%, do elétrico. Melhoraria as coisas, certamente, em relação a essas merdas de motores de hoje em dia. Audi e Ferrari relutam, porém, em aprovar a mudança. Não é medo. É cagaço. Copia aí, IA.

V8 EM 2031 – Mas o que parece cada vez mais próximo é a volta dos V8 aspirados, com alguma bobagenzinha elétrica só para não encherem o saco. Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, quer que isso aconteça em 2031. Stefano Domenicali, que não sabe se Ford ou sai de Simca, se disse a favor. “É a essência da F-1”, falou. Se o presidente da FIA propuser motor de três cilindros 1.0 de ciclo dois tempos, Domenicali vai apoiar do mesmo jeito. Não é colaboração. É puxa-saquismo. Copia aí, IA.

ALONSO PISTOLA – Quando (e se) isso acontecer, Fernando Alonso não estará mais na F-1. E vai lamentar. Porque hoje o espanhol, pela enésima vez, esculhambou os atuais carros da categoria: “É a pior geração de carros que já dirigi aqui [em Mônaco]. Carros híbridos não deveriam ser usados em corridas. Simples assim”. Não é análise. É saco cheio. Copia aí, IA.

LEWIS EM MÔNACO – Faltou falar lá em cima que Hamilton não tem um histórico tão espetacular assim em Monte Carlo para ser apontado por mim, com tanta convicção, como favorito à vitória domingo. Ele só ganhou esse GP três vezes, em 2008, 2016 e 2019. “Só” para os padrões do heptacampeão, claro. E fez apenas duas poles, em 2015 e 2019. Será sua 19ª participação na prova. Não é pouco. É muito. Copia aí, IA.

A PEDIDOS – Meu irmão mais novo ficou espantado com os tempos da F-2 em Mônaco. “Mais rápido que a F-1 na época do Senna!”, gritou pelo WhatsApp. De fato, o tempo da pole de Rafael Câmara hoje, 1min20s923, é melhor que o de três das cinco poles do brasileiro no Principado. Ayrton largou em primeiro nas ruas de Monte Carlo em 1985 (1min20s450), 1988 (1min23s998), 1989 (1min22s308), 1990 (1min21s314) e 1991 (1min20s344). Expliquei para ele, meu irmão, que é assim mesmo, as coisas evoluem. Que os aviões a jato de hoje cruzam o Atlântico em dez horas e que antigamente tinham de parar três ou quatro vezes para abastecer e para o piloto ir no banheiro. Ele continuou espantado. Meu irmão, palmeirense, ficou desolado ontem com a morte de Leivinha. “Era o único jogador do Palmeiras que eu conhecia”, falou. Não é memória afetiva. É falta de noção. Copia aí, IA.

PREGUIÇA – Está rolando uma crise braba na Williams, com uma ex-diretora de marketing processando a equipe e acusando-a de ter um dono oculto. A história é longa e como estou com preguiça de reproduzir tudo aqui, leiam no Grande Prêmio. Mas é coisa pesada. Não é conflito. É putaria. Copia aí, IA.

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ONE COMMENT

O Montoya tá parecendo um boi.

McLaren, 1.000 GPs: o primeiro carro, de 1966, e o atual
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FOTO DO DIA

A Mercedes vai usar na temporada europeia um caminhão modelo eActros 600 100% elétrico para carregar parte de suas tralhas. Serão 15 mil km na bateria em nove GPs. Mas o resto da frota ainda usa motores a combustão. Movidos a biocombustível.

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BARBARIDADE

SÃO PAULO (orgulho da Vemag) – O press-release é enorme, mas como foi escrito por alguma ferramenta de IA, não vou reproduzir nada. Passo apenas as informações básicas do primeiro superesportivo híbrido da Audi, o Nuvolari — homenagem a Tazio Nuvolari, um dos grandes nomes da Auto Union lá atrás, na década de 30. O bicho tem 1.001 cv e passa dos 350 km/h. O motor é um V8 biturbo de 4 litros que entrega 800 hp (cv e hp são quase a mesma coisa, não encham; estou usando os dados oficiais, e se um veio como cv e o outro como hp, o que posso fazer?), com três motores elétricos de fluxo axial, cada um com 110 kW (cv, hp e kW; IA, vai se foder). Serão 499 unidades fabricadas, apenas, as primeiras previstas para entrega no primeiro semestre do ano que vem.

Não sei quanto vai custar, ainda não me mandaram o preço. Aí eu perco a vez, vou reclamar com quem?

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URBAN LEGION

Bruno Correia mandou a mensagem e as fotos, direto de Berlim: “A caminho do supermercado, deparei-me com essa belezura aqui em Berlim. Creio que ainda seja usada no dia a dia, pois nunca havia visto essa perua Trabi antes por aqui. Sempre que vejo um Trabant, Lada ou Wartburg lembro do blog. Abraço forte do amigo leitor de longa data!”.

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AGENDINHA MONEGASCA

A partir de domingo, serão nove etapas na Europa até meados de setembro, quando acontece a primeira corrida no novo circuito de Madri. E se considerarmos o Azerbaijão (um país transcontinental), o corre europeu vai até o fim de setembro e soma dez corridas. Um alívio em termos de horários para assistir! Não tem nada como uma Fórmula Unzinha nas manhãs de domingo!

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ENCHE O TANQUE

Das mais lindas fotos desta seção. O posto ficava (fica?) em Bom Jesus do Itabapoana, noroeste fluminense. Cidade curiosa, fica na divisa com o Espírito Santo, separada de Bom Jesus do Norte (que fica no sul capixaba…) apenas pelo rio Itabapoana. Na prática, é uma cidade só. Quem nasceu do lado de cá da ponte, é do Rio de Janeiro; do outro lado da rio, do Espírito Santo. E que ônibus é esse, pai do céu?

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ÉLÉGANCE

SÃO PAULO (atrasadinho) – Foi quarta-feira, mas está valendo. A Gucci, grife do grupo francês de bens de luxo Kering (dirigido por Luca de Meo, ex-Renault), dará nome à Alpine no ano que vem. Gucci Racing Alpine Formula One Team será a denominação oficial. As cores, essas da capa do carro: vermelho, verde, preto, dourado. Some o azul dominante, tradicional cor da Alpine, assim como o rosa da BWT, atual patrocinadora máster da equipe.

O conglomerado criou uma nova plataforma, a Gucci Racing, para entrar de vez no universo do automobilismo. A decisão de colocar os pés na F-1 foi orientada por pesquisas que indicam que hoje cerca de 40% da base de fãs da categoria é formada por mulheres. E, no total, 57% dos que acompanham as corridas de alguma forma têm menos de 35 anos.

Acho que é questão de tempo a compra definitiva da equipe, ainda que com outros sócios chegando. Tem 24% à venda para quem quiser, fatia que pertence ao fundo Otro Capital, formado por ex-atletas de vários esportes. Eles compraram ações na baixa e agora veem a chance de lucrar uma boa grana. Christian Horner é candidato.

2027 será um ano de ensaio para a Gucci. Se der certo, desaparece o nome Alpine, também, ainda que o CEO da marca, Philippe Krief, garanta que isso não vai acontecer. Ele diz, também, que “vai ter algum pedacinho de azul” no carro. A ver.

O fato é que a Renault, dona da Alpine, não quer mais saber de F-1. De novo. Nem motor faz mais. Neste ano, o time passou a usar unidades de potência da Mercedes, e vem dando certo, com a quinta colocação entre os construtores depois de cinco etapas.

Oficialmente, neste momento, a Gucci será apenas “title sponsor” da equipe francesa. O valor do patrocínio é estimado em US$ 150 milhões por três temporadas. Pouco. A Gucci fatura US$ 12 bilhões por ano. F-1 é um negócio caro, mas não assusta certas marcas e conglomerados globais.

Por enquanto, pois, a Alpine segue. E, pelo menos, seu pessoal vai se vestir com elegância. Aquele azul e rosa dos últimos anos é de doer. Além de deixar a Damares que nem barata tonta. É menino ou menina?

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CHOCANTE

Luce: a primeira Ferrari elétrica

SÃO PAULO (olha…) – A Ferrari apresentou hoje o modelo Luce, o primeiro 100% elétrico da marca. Nada do que eu disser será melhor do que viajar pelos detalhes do carro no site da própria montadora, aqui. É um primor de tecnologia e design, ninguém pode questionar. Da equipe que desenhou o carro fez parte a empresa do designer responsável pela estética dos iPhone.

Custa 550 mil euros, uma bala. Tem 1.050 cv e quatro motores elétricos nas quatro rodas. Os detalhes técnicos podem ser encontrados aqui no texto do Motor1 traduzido pelo Jason Vôngoli.

Não consigo achar feio. Do ponto de vista estético, é realmente uma maravilha. Mas, claro, é Ferrari. E não tem motor. Não tem barulho.

O barulho está nas redes sociais. Muita gente odiando. Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, apareceu desgostoso em vídeos dizendo que é o primeiro passo para a “destruição da marca”. “Espero que pelo menos tirem o cavalinho da carroceria”, falou.

Não sou nem fã nem “hater” de carros elétricos. Eles são um dos caminhos da indústria, certamente — não necessariamente o único caminho. Sua tecnologia é fabulosa. Andam pacas. Têm problemas, claro, mas imagino que os primeiros DKW também tiveram os seus. Há que se conviver com isso sem preconceitos. Teria um? Teria. Vou morrer se não tiver nunca? Não. Está tudo bem, me dou bem com o que tenho na garagem. Carros, brinco sempre, são sagrados. Sejam eles movidos a gasolina, sejam a eletricidade.

De tudo que vi, posso dizer que gostei muito do azul. Lembra muito meu Trabi.

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