LOW BATTERY (1)

Piastri: McLaren fechou o dia na frente em Melbourne

SÃO PAULO (um café iria bem) – Oscar Piastri, para alegria dos cangurus e coalas do entorno, foi o mais rápido no primeiro dia oficial da temporada 2026 da F-1 em Melbourne. O piloto da casa, que os ingleses gostam de chamar de “local hero” como se todos fossem heróis de capa & espada, fez o melhor tempo da sexta-feira com a McLaren. Apenas seis carros andaram no mesmo segundo no segundo treino livre do dia ensolarado e agradável em Albert Park. Depois dele ficou Kimi Antonelli, a 0s214 de distância, seguido por George Russell (a 0s320), Lewis Hamilton (a 0s321), Charles Leclerc (a 0s562) e Max Verstappen (a 0s637). O resto ficou bem longe. Os últimos, muito longe mesmo — casos da lamentável Aston Martin e da novata e lerda Cadillac. Gabriel Bortoleto, nono no primeiro treino, foi o 14º no segundo.

O primeiro do dia a baixar de 1min20s foi o adolescente Antonelli, que já não carrega as preocupações escolares nesta temporada. Virou uma volta em 1min19s943 com pneus macios na primeira metade da sessão. Russell, a 0s106 dele, manteve o segundo lugar por um bom tempo. A alegria mercêdica durou até Piastri cravar 1min19s729 a 25min do final. Depois a turma se preocupou em fazer simulação de corrida com pneus duros e os tempos ficaram como estavam.

Nos boxes, Sergio Pérez esperava os mecânicos da Cadillac consertarem o ar-condicionado digital de sua limusine. Acabou conseguindo ir à pista apenas nos 8min finais, mas nem fechou volta. “Pare o carro, temos um problema”, avisou seu engenheiro. “Não diga”, retrucou o mexicano. Estacionou no acostamento e ficou sem tempo.

Carlos Sainz foi outro que não aproveitou bem a sexta. Teve algum piripaque no câmbio e  andou pouco. Fernando Alonso, que no primeiro treino tinha ficado dentro dos boxes mexendo no celular, foi para a pista, finalmente. Primeira volta, 5s pior que a do líder do momento. Lance Stroll foi ainda pior, mais de 6s atrás. Um desastre. A Aston Martin vai largar, mas dará poucas voltas e recolherá seus carros aos boxes. A situação do time é catastrófica (veja por que na caixinha verde mais abaixo).

Verstappen perdeu tempo parado, também. Quando saía dos boxes no início da sessão, seu carro apagou. Esses carros, como dá para imaginar, não pegam no tranco. Não adianta engatar a segunda, pedir para empurrar e soltar a embreagem. Eles precisam ser reiniciados como qualquer computador, celular ou smartv que trava. No fim do treino, Max deu uma escapada na curva 10, foi para a brita, saltitou na área de escape, arrebentou o assoalho e voltou para os boxes bufando.

Deu para perceber, neste primeiro dia de atividades do GP da Austrália, que Ferrari e Mercedes possuem carros confiáveis e competitivos. A McLaren e a Red Bull oscilaram bastante, mas não devem ser descartadas na luta pela pole-position que será travada a partir das 2h do sábado, pelo horário da Papuda e da Papudinha. Antes, às 22h30 de hoje, acontece o terceiro treino livre do fim de semana.

Agora, no ritmo das caixinhas coloridas, um resumão da sexta-feira em Melbourne:

1-2 VERMELHO – No primeiro treino livre oficial do ano, deu Ferrari. Chaleclé fez a melhor volta em 1min20s267, com Hamilton em segundo a 0s469 dele. Apenas os quatro primeiros andaram no mesmo segundo, com Verstappen em terceiro a 0s522 e Isack Hadjar em quarto a 0s820.

Leclerc: o mais rápido no primeiro treino

DISTÂNCIA – Ainda no primeiro treino, de Leclerc a Pérez, o 20º, a diferença foi de 4s353. Em 2025, depois do primeiro treino livre em Melbourne, 13 pilotos ficaram no mesmo segundo, de Lando Norris (1min17s252) a Jack Doohan (a 0s980 dele). O último colocado, Oliver Bearman, ficou a 2s060 do inglês da McLaren. Aquele equilíbrio cantado em prosa e verso já era. Pelo menos nestes primeiros meses da nova geração de carros.

ANDA, PARA, ANDA, PARA – Piastri parou na pista no TL1 e disse pelo rádio: “I have no power”. Depois de apertar alguns botões, falou: “Now I have power”. Outro carro que parou do nada foi o de Arvid Lindblad, que depois voltou à pista, no fim do treino – o piripaque aconteceu na saída dos boxes. E ficou com o quinto tempo da sessão. Foi o destaque do dia. Norris, por sua vez, reclamou do câmbio no início, voltou aos boxes e acabou andando muito pouco. Perdeu o treino, praticamente. Alexander Albon foi outro que estancou na pista e não voltou mais.

QUATRO ARGOLAS – Nico Hülkenberg foi o primeiro carro na pista no TL1, abrindo a temporada oficialmente. Fechou a sessão em décimo, com Bortoleto em nono. A Audi vem deixando uma boa impressão neste começo de caminhada, com tempos consistentes e sem problemas de noviciado.

ESPELHO MEU – Curiosidade ainda do primeiro treino: Pérez perdeu o vidro do espelho retrovisor do lado direito. Logo depois, Valtteri Bottas perdeu o do lado esquerdo.

CRISE – Alonso não deu nenhuma volta no TL1. Stroll, só uma. Ontem, Adrian Newey deu uma entrevista chocante. Falou que as vibrações anormais dos motores Honda impedem seus pilotos de darem mais do que 25 voltas com o carro da Aston Martin. Stroll disse que aguenta só 15. Isso porque o volante treme muito, assim como os pedais. De acordo com Newey, o treme-treme é tamanho que pode causar “lesões permanentes” nos dedos dos pilotos. O cara da Honda, do lado dele, não falou nada. Mas o projetista, que é também chefe de pista da equipe verde, falou que o carro é o quinto melhor do grid. E que vai provar isso quando os motores pararem de vibrar loucamente. Estão todos loucos na Aston Martin. Incluindo Newey.

NA TV – Não que eu esperasse outra coisa, mas a primeira transmissão da F-1 na volta ao grupo Globo, no caso com transmissão pelo Sportv, foi conservadora em conserva. Faltou charme, graça, carisma. A turma abusou de “pista desafiadora”, “novos motores são um desafio”, platitudes do gênero. Se soltem, crianças! Falem umas merdas! Chamem flow-vis de geleca! Pelo menos havia duas pessoas em Melbourne, fora o cinegrafista: Mariana Becker, agora como comentarista (pouco à vontade), e Guilherme Pereira como repórter. Narrador e dupla de comentaristas – Bruno Fonseca, Rafael Lopes e Luciano “Obviamente” Burti – estavam no Brasil, no estúdio. Pau que dá em chico dá em francisco: a Globo deveria mandar essa gente para algumas corridas, e a primeira do ano é sempre muito importante. Nisso, está igualzinha à “Bénd”, que em cinco anos de direitos de transmissão não enviou equipe para nenhum GP.

DO ALMANAQUE – O GP da Austrália em Melbourne faz 30 anos – a primeira em Albert Park foi em 1996. É a 24ª vez que a Austrália abre um campeonato. Mais número redondo? Temos. Bernd Mayländer completa domingo 500 GPs como piloto do safety-car. Haja saco.

NOVIDADE – Não custa lembrar: com 22 carros no grid, a classificação muda um pouquinho. O Q1 elimina seis carros, do 17º ao 22º, e não mais cinco. O Q2, mais seis: do 11º ao 16º. O resto é igual, sobram dez para disputar a pole no Q3.

NOVIDADE 2 – Serão cinco trechos sinalizados com uma placa de SM em Melbourne, “straight mode”, ou “modo reta”. Neles, os pilotos podem abrir as asas dianteiras e traseiras sempre que quiserem. O “overtake mode”, onde o piloto pode apertar um botão para despejar velocidade e tentar ultrapassar o cara que estiver a 1s ou menos na frente, será permitido apenas na reta dos boxes.

FORD X CHEVROLET– Jim Farley, CEO da Ford, estava nos boxes da Dez Vezes no Cartão. Mary Barra, CEO da GM, acompanhou os treinos na Cadillac ao lado de Mario Andretti. Na Argentina, antigamente, torcedores da Ford e da Chevrolet se pegavam de porrada nas arquibancadas nas corridas de TC Carretera. Na F-1, mais civilizada, trocam mensagens de zap desejando boa sorte uns aos outros.

Comentar

LADALAND

SÃO PAULO (chegando a hora) – Pensam que sou só eu? O Elson Luiz Perego mandou a mensagem:

Flavio, boa noite! Sou de Curitiba e sempre leio o seu blog. Estava agora em casa vendo TV, quando escuto um ronco diferente. Quando olho pela janela, nem acreditei e logo lembrei de você! Até achei que era você que estava por aí, rsrs… Fui lá e pedi autorização para o dono e tirei umas fotos.

Olha o que ele viu pela janela…

Comentar

AGENDINHA AUSTRALIANA

Semana de corrida! Como no ano passado, todas as segundas teremos aqui os horários e as informações básicas para todo mundo se programar para assistir.

Comentar

BUS STOP

O Douglas Nascimento postou no Instagram dele, com a legenda que segue. Sou vizinho da Colsan. São essenciais.

Se você tem 40 anos ou mais, em algum momento já viu esse ônibus Mercedes-Benz estacionado em algum local da região central de São Paulo. Fundada em 1959, a Colsan, durante muitos anos, levou seu ônibus cidade afora em campanha de doação de sangue. Os locais mais conhecidos de parada deste ônibus eram as praças da Sé, Patriarca e Ramos de Azevedo. A importância do trabalho da Colsan levou, em 1962, o poeta Guilherme de Almeida a dedicar um poema a entidade, chamado “Gota de Vida”. A @colsanoficial não tem mais o ônibus circulando pela cidade, mas mantém diversos pontos de coleta espalhados por ai. Que tal aproveitar a oportunidade para fazer uma doação de sangue? 🩸

Comentar

ENCHE O TANQUE

O Marcelo Teixeira escreveu:

E aí Flavinho! Estava lendo teu blog e lembrei que tirei uma foto um tempo atrás de um posto de gasolina na região montanhosa de Adirondack, no norte do estado de Nova York, nos Estados Unidos, pensando em te mandar. Apesar do seu anti-americanismo, esse lugar está simpático, vai… Acho que cabe na tua seção “Enche o Tanque”.

Me pareceu tudo fake, mas tudo bem… Valeu Marcelo!

Comentar

FOTO DO DIA

A Ferrari revelou a pintura da 499P que vai defender o título do WEC neste ano. Bicho bonito da peste! O campeonato começa no dia 28 de março no Catar (antes tem testes nos dias 22 e 23 na mesma pista). Depois Ímola (19 de abril), Spa (9 de maio), Le Mans (13 e 14 de junho), Interlagos (12 de julho), Austin (6 de setembro), Fuji (27 de setembro) e Bahrein (7 de novembro).

Comentar

LADALAND

Linda foto enviada pelo Jose Armando San Pedro Miralles.

Lindo registro do Antigo Mappin na Avenida Pereira Barreto no Município de Santo André. A foto foi tirada entre os anos 80 e 90. A construção acomoda atualmente o Shopping ABC.

Comentar

ONDE DESLIGA? (3)

SÃO PAULO (fim de papo) – Acabou a pré-temporada. Foi a mais longa da F-1 nos últimos anos, desde a introdução dos testes coletivos com a simultânea proibição dos treinos avulsos em pistas espalhadas por aí. Tais restrições começaram em 2010, por razões de economia. O custo por quilômetro num carro de F-1 é altíssimo. Não me peçam esse valor, porque há muitos cálculos possíveis — podem, ou não, incluir a quantidade de gente mobilizada, aluguel de autódromo, número de motores, gastos variáveis com pneus e combustíveis, depende se vai ter café e pão de queijo, refresco e amendoim etc.

Mas é alto, podem crer. Lembro que no auge da gastança da categoria a Ferrari torrava US$ 600 milhões por temporada, e uma parte considerável disso era incinerada em Fiorano, porque Michael Schumacher não tinha clima bom em casa e preferia ficar na Itália treinando das seis da manhã às seis da tarde, com meia hora de almoço. A torneira de outros times também jorrava sem dó, como na Toyota, e uma hora aquele troço iria ficar inviável. Então resolveram começar a cortar os custos, e os testes foram os primeiros a dançar. (Os pilotos, exceto Schumacher, adoraram.)

Neste ano, foram 11 dias gastando gasoli… digo, óleo de fígado de bacalhau, biomassa, chorume, extrato de mamona líquida e bastante borracha: cinco em Barcelona, seis no Bahrein. Cada time pôde andar nove dias — três dos cinco na Espanha e todo o tempo no deserto de Sakhir.

Andou-se bem. Era preciso, porque a F-1 passa por uma reforma de regulamento como nunca antes neste país. Ninguém sabia direito como os carros iriam andar, nem se iriam andar. Andaram. Quebraram pouco, até. Algumas equipes tiveram bastantes problemas, como a Aston Martin. Hoje, por exemplo, Lance Stroll completou só seis voltas, nenhuma cronometrada. A equipe, então, empacotou tudo e jogou no lixo. Foram todos embora depois do lanchinho da tarde. Foi a grande decepção de fevereiro. Vamos nos divertir com os rádios de Fernando Alonso nas primeiras corridas do ano. O problema hoje foi na bateria do motor Honda. Ontem também.

Outros times saíram satisfeitos e aliviados do Bahrein, como a estreante Audi, que só nesta semana completou 357 voltas e seu motor, novinho em folha, aguentou. A Audi nunca tinha feito motor de Fórmula 1. A lembrança mais recente das quatro argolas era dos motores dois tempos da Vemag na década de 60 no Brasil, sob a batuta de Miguel Crispim Ladeira. Seus três cilindros e mil centímetros cúbicos de cilindrada produziam 100 HP. Sem nada elétrico, exceto as lâmpadas na capota para localizar o carro na pista nas Mil Milhas.

Ferrari, Mercedes, Red Bull e McLaren se revezaram na ponta com os melhores tempos e algum equilíbrio entre elas. No fim, 1min31s992 foi a melhor volta das duas semanas barenitas, de Charles Leclerc. Em 2022, ao fim da pré-temporada com os carros novos de então, também inaugurando um novo regulamento, o melhor tempo havia sido de Max Verstappen, da Red Bull: 1min31s720.

Ou seja, como diz Luciano Burti: começa-se esta nova era com os carros andando mais ou menos a mesma coisa que no início da última. Vou te falar que, como diz Luciano Burti, que logo logo a performance se aproximará daquela que vimos nos últimos dois anos. Obviamente, como diz Luciano Burti, não será na Austrália, na abertura da temporada. Vamos lembrar, como diz Luciano Burti, que há um longo caminho pela frente.

O que mais me chamou a atenção nestes dias — e esqueçam a parada dos motores, como disse ontem só volto a tocar no assunto quando eles forem assunto novamente — foi o enorme abismo entre as quatro maiores e o resto. Cadillac na rabeira era algo esperado, mas seria legal se as outras estivessem um pouco mais perto, e não a dois, três, quatro segundos de distância por volta.

A Austrália ainda não mostrará a realidade do campeonato. É só a primeira corrida do ano e é daquelas muito particulares, disputada numa pista nem-nem — nem de rua, nem permanente. É num parque, tem uns muros próximos, às vezes faz frio, às vezes faz calor, e quem for esperto, especialmente na turminha do fundão, faz o que fizemos nas Mil Milhas: a prioridade é terminar. Foi assim, por exemplo, que Felipe Nasr se tornou o melhor estreante brasileiro da história, com um quinto lugar em Melbourne pela Sauber em 2015. Ele ficou três anos na F-1 e nunca mais conseguiu repetir o resultado.

Depois da corrida em Albert Park a gente conversa sobre favoritos e candidatos ao rebaixamento. Mas se você estiver em algum bolão e não puder esperar, coloque George Russell campeão, Verstappen em segundo, Oscar Piastri em terceiro, Lando Norris em quarto, Kimi Antonelli em quinto, Lewis Hamilton em sexto e Charles Leclerc em sétimo. Isack Hadjar será o oitavo. A Audi não vai chegar ao pódio, a não ser em circunstâncias muito excepcionais, previsão que vale para Williams e Alpine. A Haas vai terminar na frente da Racing Bulls. A Aston Martin, com todos os problemas, acaba na frente da Cadillac, que voltará a fazer limusines presidenciais.

E Valtteri Bottas não vai mostrar a bunda porque isso pode ofender os conservadores em conserva na América.

Comentar

ONDE DESLIGA? (2)

Antonelli, o mais rápido da quinta-feira

SÃO PAULO (desculpem o atraso) – Tenho a impressão de que as discussões sobre os novos motores da F-1, a coisa de ter de tirar o pé na reta, a necessidade de pensar em gestão de energia antes de acelerar e todo o resto vão arrefecer rapidamente. Porque pilotos e equipes têm pressa. Precisam fazer essas geringonças funcionarem a contento. Urge encontrar atalhos, descobrir truques, artimanhas, jeitinhos, esparrelas, logros, tramoias, embustes, subterfúgios, tramas, expedientes, ardis e tretas de todas as naturezas para que seus carros sejam rápidos. Não adianta reclamar, o regulamento é esse, os motores são esses, quem não gostar que pegue seu paletó na cadeira e vá fazer outra coisa.

O mesmo vale para quem se mete a comentar F-1, gente como eu. Minha opinião sobre o tema já foi dada. Não vou ficar repetindo a mesma ladainha o resto da vida. E está na cara, porque essa é a história da F-1, que rapidamente engenheiros e babalorixás da eletrônica vão tapar os buracos que afligem os puristas como Max Verstappen e encontrarão soluções que serão imediatamente copiadas pelos outros e la nave va. Daqui a alguns meses, teremos esquecido do tema. Foi assim quando proibiram controle de tração e suspensão ativa, quando introduziram os pneus com ranhuras, quando inventaram a asa móvel, quando surgiu o KERS, quando vetaram os motores turbo, quando surgiram os híbridos, quando enfiaram o Halo sobre o cockpit e por aí vai. Os motores mezzo a cobustão mezzo elétricos são apenas mais um soluço, que passa rápido com um bom copo d’água.

Assim, só voltarei ao assunto se ele voltar a ser… assunto! Quem tinha de reclamar já reclamou, quem tinha de defender já defendeu, quem achou uma merda já emitiu seu parecer, quem acredita que as corridas serão espetaculares com as novas estratégias, botões e carregadores de bateria, idem.

Nesta sexta acaba a pré-temporada. Na quinta (escrevo depois da meia-noite), segundo dia de treinos da semana, Kimi Antonelli fez o melhor tempo, 1min32s803. Oscar Piastri, da McLaren, ficou 0s058 atrás dele. Foram os dois únicos que andaram abaixo de 1min33s nesta semana. Lewis Hamilton quebrou de manhã e a Ferrari perdeu tempo nos boxes. A Aston Martin viveu mais um dia terrível e o carro de Fernando Alonso parou no meio da pista com problema de superaquecimento no motor. Verstappen foi o que mais andou, 139 voltas. Foram 16 pilotos na pista.

Volto ao tempo de Antonelli: 1min32s803. Nossa, os carros estão muito mais lentos, a pole no Bahrein no ano passado foi de 1min29s841! OK, os carros tendem a ficar mais lentos com menor pressão aerodinâmica e velocidade mais reduzida nas curvas. Mas vejam… Quando estreou a geração anterior dos carros da categoria, em 2022, o melhor tempo na pré-temporada do Bahrein foi de 1min31s720, de Verstappen. No ano seguinte, 1min30s305 de Sergio Pérez, então na Red Bull. Em 2024, 1min29s921 de Carlos Sainz, da Ferrari. E no ano passado, o mesmo Sainz, já na Williams, bateu o cronômetro em 1min29s348 no circuito barenita.

Entendem onde quero chegar? É possível que nesta sexta o melhor tempo da pré-temporada no circuito de Sakhir esteja muito perto do que Verstappen conseguiu em 2022, também ano de estreia de novos carros e novo regulamento. A evolução é muito acelerada. Em breve esses carros estarão andando tanto quanto os anteriores. E se os caras terão de dirigir apertando botões e perguntando pelo rádio onde deixaram seus carregadores — todo mundo perde carregador! –, problema deles.

Não adianta reclamar, e não dá tempo de reclamar. A F-1 é urgente.

Comentar

NAS ASAS

Vejam as fotos primeiro. A mensagem do Fernando Hartiman, depois.

Prezado Flavio, recebi essas fotos do Antonov por e-mail muitos anos atrás de um amigo que trabalhava na Infraero em Curitiba. As fotos parecem ser dos anos 90 e sinceramente não sei se realmente foram tiradas no aeroporto de Curitiba. Em umas das fotos aparece um caminhão com adesivagem de Confins. Caso queira usar no seu blog na seção “Nas asas”.

Agora, as perguntas de sempre: quem, quando, onde, por quê? E o que será que o Antonov trouxe? E o que levou? Esse é o que foi destruído na Ucrânica? E não pude deixar de notar, claro, as belezuras da TAM e da Transbrasil ao fundo…

Comentar

Blog do Flavio Gomes
no Youtube
MAIS VISTO
01:05

TUDO COMO DANTES... (F-GOMES, PRÉ-TEMPORADA #2)

Quem torcia por um milagre, tipo a Brawn de 2009, caiu do cavalo. A relação de forças da nova F-1 segue a mesma, com as quatro grandes -- Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull -- se revezando na po...

1:35:02

DE QUEM A GLOBO TEM MEDO? (BEM, MERDINHAS #245)

A transmissão do desfile da Acadêmicos de Niterói pela Globo, ontem, foi vergonhosa. Com medo da direita e de desagradar "a família", "o povo de Deus", "o cidadão de bem", o agro e a Faria Lima, ...