ZEBRINHA RAMPANTE (3)

Antonelli: genial da primeira à última volta

SÃO PAULO (gostamos) – O caos nem sempre é duradouro. Pode acontecer do nada, a partir de algum evento inesperado. O Big Bang, por exemplo. O Universo estava lá, quietinho, o Nada Absoluto, quando uma faísca detonou o processo. Isso foi há alguns bilhões de anos. Vivemos no caos até hoje, vejam só.

Numa corrida de Fórmula 1 meio chata, como estava sendo o GP de Mônaco hoje, o caos foi desperto de seu sono preguiçoso de domingo por causa do asfalto na curva Antony Noghès.

O circuito idealizado por Antony Noghès: não mudou muito

(Primeiro parêntese. Curva em Mônaco tem nome, então que se explique direitinho cada uma, na medida em que elas forem sendo citadas. Antony Noghès foi justamente o cabra que criou a corrida, em 1929. Amigo da família real monegasca, concebeu também o famoso Rali de Monte Carlo, em 1911. E foi ele o inventor da bandeira quadriculada que é usada até hoje para encerrar provas automobilísticas. Morreu em 1978, aos 87 anos, e virou nome de curva em 1979. Antes, aquele ponto do circuito se chamava Curva do Gasômetro, o que é bem mais charmoso.)

Estávamos a 18 voltas do final quando Lance Stroll bateu na Antony Noghès. Tratando-se de Stroll, nada demais. Ele bate de vez em quando, estava lá atrás, azar. Mas mexeu na corrida, claro. Até ali, Kimi Antonelli liderava com 40s de vantagem para o segundo colocado, Lewis Hamilton, da Ferrari. A diferença, construída ao longo de seis dezenas de voltas, seria dizimada pela entrada do safety-car. Muita gente parou para trocar pneu. O líder, inclusive.

Caos na Ferrari: pit stop duplo acaba com corrida de Leclerc

E foi quando o caos acordou. Primeiro na Ferrari. Charles Leclerc, terceiro colocado, era o segundo, na prática. Porque Hamilton carregava uma punição de 5s por excesso de velocidade nos boxes. Foram muitas, as punições, e elas serão listadas ao longo deste longo texto. A Ferrari, inexplicavelmente, chamou Leclerc junto com Hamilton. Atrás, ele teve de esperar o companheiro pagar o pênalti antes de trocar seus pneus. Quando voltou à pista, continuava atrás e Lewis não teria mais os 5s para pagar.

O caos também visitou George Russell. Como Hamilton, tinha um pênalti. No pit stop, a Mercedes, inexplicavelmente, não pagou a multa. Ele seria punido com um drive-through mais tarde que o jogaria de terceiro para 12º na classificação final. O caos. Caos para Pierre Gasly, da Alpine, herói acidental da prova que recebeu a bandeira quadriculada em terceiro, mas recebeu duas punições de 5s e caiu para sétimo. Motivos: excesso de velocidade nos boxes (primeira) e não cumprimento do pênalti quando passou pelos boxes (segunda). Coitado. “Passo a vida me preparando para este momento, sonho com isso desde criança, me fodo a vida inteira nesta merda e me roubam um pódio”, desabafou o francês. “Estou devastado.” A Alpine entrou com um protesto junto à FIA pedindo revisão das punições.

Era pouco? Nada. Ligadaço nas paradas, o Caos, que agora recebe um C maiúsculo, jogou Leclerc no mesmo muro da Antony Noghès quando o safety-car deixou a pista no final da volta 65. Novo safety-car, claro, enquanto o piloto da casa praguejava pelo rádio e maldizia seus freios. Mas a batida no mesmo ponto em que Stroll havia beijado a proteção chamou a atenção dos comissários da corrida. Que notaram, ali, um certo esfarelamento do asfalto. Então, decidiram interromper a prova a dez voltas do final. Bandeira vermelha, todos nos boxes e vamos ver o que faremos.

Depois de meia hora a corrida foi retomada. Uma nova largada com todos parados e a conclusão do GP com alguma ação do Caos, ainda – como, por exemplo, empurrar Nico Hülkenberg em cima de Carlos Sainz e aplicar 10s de multa ao alemão da Audi, que tinha terminado na zona de pontos, mas dela saiu. Outra de Caos, este caótico agente do caos: colocou Sergio Pérez, que fazia uma prova gloriosa com o carro da estreante Cadillac, fora de posição no grid. Quando a corrida terminou, o mexicano foi elevado à décima posição após a punição a Hülkenberg. Uma façanha equivalente a escalar o K2 sem botas e luvas. Mas, investigado, acabou perdendo a colocação. Tomou 10s de punição e caiu para 15º. Fernando Alonso, com o pior carro da história da F-1, foi alçado ao 10ª lugar e fez seu primeiro ponto no ano.

Pouco? Vocês que pensam… Caos, durante a bandeira vermelha, incitou mecânicos da Red Bull a mexerem no carro de Isack Hadjar. Mexe, mexe ali! Mas não pode!, alegaram os mecânicos. Mexe, rapaz, não dá nada, ninguém tá vendo! Estavam vendo. Hadjar chegou em terceiro. Pódio, seu primeiro pela equipe. Também caiu na malha fina das investigações. Poderia perder o troféu, o que seria muito doloroso para um rapaz que fez a corrida todo com seu motor de Corcel falhando, sem potência. No final das contas, os comissários decidiram não punir o piloto porque a Red Bull os convenceu de que os mecânicos, alertados pelos fiscais, reverteram o que quer que tivesse sido mexido no carro de Hadjar.

Caos estava dormindo na hora da bandeira vermelha causada pelo asfalto porque havia fracassado em sua primeira ação dominical, a saber: empacar o carro de Max Verstappen, segundo no grid, ali mesmo na largada. Segundo seus planos diabólicos, alguém iria acertar o carro do holandês, parado na reta, causando um gigantesco acidente, se possível, com vítimas fatais. Não aconteceu nada, todos desviaram e Caos ficou irritado. Não vou fazer mais nada e foda-se, disse, falando sozinho. Vou tirar uma soneca.

Hamilton, Antonelli e Hadjar: no pódio com o príncipe

Este texto já vai à lonjura e ainda não disse quem ganhou a corrida, mas creio que todos já o sabem. Antonelli foi o vencedor, e vamos esgotar neste parágrafo as informações básicas decorrentes de sua vitória. São cinco seguidas em seis etapas do Mundial, façanha inédita: nunca um piloto venceu suas cinco primeiras corridas de forma consecutiva. Outra: desde 2020 que um piloto da Mercedes não ganhava cinco seguidas. Foi Hamilton, nos GPs de Eifel (Nürburgring), Portugal (Portimão), Emilia-Romagna (Ímola), Turquia e Bahrein. Ano de pandemia, algumas dessas provas não fazem mais parte do calendário, mas Turquia e Portugal vão voltar. Kimi fez a pole, a melhor volta e ganhou de ponta a ponta, liderando todas as voltas. Isso aí se chama Grand Chelem (continuo sem saber que diabos quer dizer “chelem”), ou Grand Slam (o que é “slam”?). Aos 19 anos, é o mais jovem a conseguir o feito. É também o mais jovem vencedor de GPs em Mônaco. O resultado — vitória, segundo lugar de Hamilton e zero ponto para Russell – eleva sua liderança no campeonato a 156 pontos, contra 90 do novo vice-líder, Lewis. George está 68 pontos atrás, com 88, e podem esquecer a disputa pelo título, Kimi será o campeão, e será merecidíssimo. A Mercedes segue invicta em 2026: seis corridas, seis poles e seis vitórias.

Voltemos ao caos de Caos.  

Na largada, como dito, Verstappen ficou ancorado no lugar. Por sorte ninguém bateu nele, o que levou Caos a tirar uma soneca. Sem Max para incomodar, Antonelli partiu sozinho, trazendo os dois carros da Ferrari com ele. Ganhou a corrida ali. O holandês da Red Bull entrou no rádio e perguntou: “O que eu faço?”. O engenheiro pediu que ele levasse o carro para os boxes. O piloto o fez, trocou de roupa e foi para casa.

Kimi na ponta: Grand Chelem aos 19 anos

Em quatro voltas, Kimi já tinha 3s5 sobre Hamilton, o segundo. Leclerc, Hadjar, Russell, Oscar Piastri, Gasly, Lando Norris, Liam Lawson e Alexander Albon eram os dez primeiros. O francês da Alpine foi o único a ganhar posição na pista, passando Lando na subida para o Cassino, manobra belíssima e rara. O resto se posicionou em fila indiana depois de desviar de Verstappen, que puxou o carro para a esquerda e ficou torcendo para não ser acertado por algum desavisado chucro. Pelo rádio, antes de perguntar o que fazer, aproveitou e xingou muito pelo Twitter (alguém se lembra dessa frase?). Xingou o carro e a equipe, bem entendido.

Até a volta 15, pouca coisa aconteceu. Alguns pilotos pararam para fazer logo a troca de pneus, como a dupla da Aston Martin, que trocou médios por macios na terceira volta, e mais Esteban Ocon, Gabriel Bortoleto, Oliver Bearman e Hülkenberg (que colocaram duros). O alemão da Audi estava bem posicionado, em 12º, e perdeu apenas duas posições. O chamado da equipe para o pit stop precoce foi esperto. Poderia dar certo, ao final da corrida, para colocá-lo nos pontos se ele não ficasse preso no tráfego em algum momento. Outro que parou foi Pérez, punido por ter estacionado o carro fora de posição na hora da largada. Da primeira largada. Teria problema semelhante na segunda. Quanto a Bortoleto, largou dos boxes depois de ficar apenas em 16º no grid, porque a Audi teve de solucionar problemas hidráulicos no automóvel percebidos quando levava o carro para o alinhamento.

Lá pela 20ª volta Hadjar, em quarto, começou a reclamar pelo rádio que seu carro estava ruim: pneus, freio-motor, primeira marcha, ar-condicionado, kit multimídia e vidro elétrico não funcionavam. “Vai explodir alguma coisa!”, gritava. Colado nele, Russell esboçava tentativas de ultrapassagem. Como não dava, ficou esperando a explosão prevista pelo franco-argelino.

Hadjar, com todos seus problemas, virava voltas cerca de 2s piores que as dos três primeiros colocados, deixando Russell desesperado. Na volta 28, o piloto da Red Bull estava quase 30s atrás de Leclerc, o terceiro colocado. Falando dos três primeiros, esquecidos a esta altura, cumpre informar que todos desfilavam tranquilamente pelas ruas de Mônaco separados por distâncias intransponíveis: Kimi em primeiro 12s à frente de Hamilton, Hamilton 3s à frente de Leclerc.

Lewis parou na volta 29 e colocou pneus duros. Voltou ainda em terceiro, já que a vantagem para Hadjar era gigantesca. Na volta 32, sem ter o que fazer, a Mercedes chamou Russell para os boxes. Colocou pneus duros e voltou em oitavo. Foi uma boa ideia – e óbvia. Teria pista livre para descontar o tempo que perdera na caça a Isack, que quando fizesse seu pit stop fatalmente voltaria atrás.

A Red Bull respondeu na volta seguinte chamando Hadjar, mas o tempo que George ganhou naquela volta de saída dos boxes foi o suficiente para ganhar a posição do piloto da Red Bull. No mesmo instante, a direção de prova informou que Hamilton seria punido com 5s em seu tempo total de prova porque excedeu a velocidade limite de 60 km/h nos boxes. Poderia comprometer sua posição em relação a Leclerc no final. Teria de descontar o pênalti na pista. O monegasco parou na volta 35 e quando retornou à pista estava mais de 10s atrás do companheiro.

O líder Antonelli parou na volta 37. Se quisesse comer um Crêpe Suzette (o original, com Grand Marnier), daria tempo. Tinha um ano de vantagem sobre Hamilton, o segundo colocado. Russell, seu atormentado parceiro, também foi punido com 5s por excesso de velocidade nos boxes. No seu caso, não teria grandes problemas porque Hadjar, que vinha atrás dele, estava muito longe, cada vez mais. Mas, como já sabemos, o Caos intercedeu e o pagamento da multa, para George, foi… caótico.

Na volta 43, Russell colou em Norris, que ainda não tinha parado. A McLaren pediu ao inglês para segurar o ritmo de modo a permitir que Piastri, que estava em quarto, pudesse parar e voltar na frente do inglês da Mercedes. Que, claro, reclamou pelo rádio. “Vejam, ele está me bloqueando! Propositalmente andando devagar para favorecer seu companheiro de equipe nascido na Austrália, ex-colônia de nosso reino. Enxergo ressentimentos históricos, aí. Seria algo relativo a…” Nesse momento Toto Wolff o interrompeu e avisou, com algum enfado: “Você já passou ele, George”. De fato, na volta 45, dentro do Túnel, Lando reduziu a velocidade. A equipe o chamou para os boxes para abandonar. Tinha algum problema na bateria, relatado algumas voltas antes no rádio pelo próprio piloto.

Piastri parou na volta 50 perdendo duas posições, para Russell e Hadjar. George tinha de abrir mais de 5s sobre o francês porque havia uma punição a pagar. E Hamilton, segundo, precisava fazer o mesmo sobre Leclerc. A tarefa de Lewis era mais complicada. O monegasco, àquela altura, estava menos de 5s atrás do inglês. Gasly, Franco Colapinto e Piastri, a exemplo de Hamilton e Russell, também foram punidos com 5s por excesso de velocidade no pitlane. Muito esquisito. Era muita gente levando multa pelo mesmo motivo.

Na volta 56, Antonelli colocou uma volta sobre Russell, o quarto colocado. Há algo de humilhante, nisso. Naquele momento, apenas os três primeiros colocados estavam na mesma volta. Leclerc já andava perto o bastante de Lewis para garantir o segundo lugar com a correção dos tempos.

E foi então que, na volta 60, Stroll bateu na Antony Noghès, a última curva do circuito, também conhecida como 19 pelos insensíveis que preferem números a nomes. O safety-car foi acionado. A vantagem de 40s que Antonelli tinha sobre Hamilton evaporou. A Ferrari chamou o inglês para os boxes. Leclerc veio junto. Não fez o menor sentido. Como Lewis pagou seu pênalti nos boxes, Charles voltaria atrás dele sem ter a vantagem dos 5s. Ficou, justificadamente, pistola. Xingou muito no Twitter.

Muita gente parou e colocou pneus macios para a parte final da prova. Antonelli foi um deles, para se defender do previsível ataque de Lewis na relargada. Nessas paradas, Russell perdeu a posição para Hadjar. Desgraça pouca é bobagem.

O safety-car saiu da frente do pelotão no final da volta 65. Mas nem deu tempo de relargar. Entrando na Antony Noghès, novamente ela, a curva 19, Leclerc bateu. Desgraça pouca é bobagem também para ele, já prejudicado pelo caos que é o Departamento de Estratégias de Merda da Ferrari. Novo safety-car. O monegasco entrou no rádio e disse: “Não vou assumir essa culpa! Esses freios de merda!”, esbravejou. OK, fiquemos com sua palavra. Pódio perdido. Charlinho chegou nos boxes cuspindo marimbondos.

A direção de prova seguia mandando informes sobre punições: Russell não pagou os 5s no pit stop, investigado; Gasly passou do limite de velocidade de novo, investigado. E, então, a mensagem mais bombástica: bandeira vermelha na volta 68, corrida interrompida!

Por quê? Oh, por quê?, todos se perguntavam. Não era só levantar a Ferrari de Leclerc com a grua e mandar para o ferro-velho?

Acordaram o Caos, deu nisso.

Todos foram para os boxes. Antonelli, Hamilton, Hadjar, Russell, Gasly, Piastri, Lawson, Arvid Lindblad, Albon e Sainz eram os dez primeiros no momento da interrupção. Alguns, como Russell, Gasly e Colapinto, tinham pênaltis a pagar. Hadjar e Hamilton estavam sendo investigados por possíveis irregularidades sob safety-car. Eram 16 os pilotos na pista, com seis fora: Leclerc, Stroll, Norris, Oliver Bearman, Valtteri Bottas e Verstappen.

O motivo da paralisação, logo ficou claro, foi o fato de o asfalto na curva 19, justamente onde Stroll e Leclerc bateram, estar se desmanchando. O trecho fora recapeado recentemente – um remendo vulgar e grosseiro, provavelmente feito pela mesma empresa que presta serviços à prefeitura corrupta de São Paulo, que usa o dinheiro do contribuinte para financiar o filme do Saco de Bosta.

Esfarelando, o asfalto deixava pedriscos na superfície e, provavelmente, foi o motivo das batidas dos dois, ainda que Leclerc tenha insistido em culpar os freios depois da corrida.

A possibilidade de encerrar a prova prematuramente, sem o cumprimento das últimas dez voltas, não estava descartada. E era prevista pelo regulamento, com mais de 75% das voltas completadas – nesses casos, a pontuação é integral. Mas ao meio-dia de Brasília, 17h no Principado, veio a informação: o GP seria reiniciado às 17h12 mais de meia hora depois da interrupção. Curiosidade: após os cinco investigados/punidos pagarem suas multas, até Alonso e Pérez tinham chance de pontuar com seus calhambeques da Aston Martin e da Cadillac.

Pérez: décimo na bandeirada, mas acabou punido

Antes da nova largada, a direção de prova informou que Hamilton não seria punido. Hadjar se livrou de uma de suas investigações (como Hamilton, teria deixado espaço demais entre seu carro e o da frente atrás do safety-car), mas ganhou outra pelo trabalho dos mecânicos em seu carro durante a bandeira vermelha. Os carros saíram atrás do safety-car, deram uma volta – que contou como sendo a 69ª – e alinharam no grid para nova largada parada. Estávamos na volta 70 de 78.

Era a chance de Hamilton. Se largasse melhor que Antonelli, ganharia a prova. Mas não deu. Kimi largou bem de novo e manteve a ponta com uma maturidade espantosa. Hadjar, sem potência no motor, perdeu duas posições, para Russell e Gasly – que teriam de pagar punições. Caos não estava satisfeito. No meio do pelotão, mandou suas más vibrações para cima de Sainz. O espanhol foi acertado por Hülkenberg na Loews e por Colapinto na Portier. Abandonou com a suspensão quebrada na entrada do Túnel.

(Segundo parêntese. Loews era o nome do hotel inaugurado em 1975 naquele ponto do Principado. Por isso a curva fechadinha, a mais lenta da F-1, passou a ser chamada pelo nome do hotel, o que carregava alguma formosura. Antes de o hotel ser construído era a Curva da Gare, por causa da estação de trem. Em 1998, o Loews foi comprado por um investidor miliardário chamado Toufic Aboukhater, de origem palestina. Ele o rebatizou como Monte Carlo Grand Hotel, mas nunca pegou como nome de curva. Em 2004 a rede Fairmont incorporou o empreendimento, mas igualmente não colou como nome de curva. Assim, é Loews. E peço encarecidamente que os brilhantes narradores e comentaristas e repórteres do Grupo Globo parem de chamar a curva de “hairpin”. Hairpin é o caralho. Meu nome é Loews. Quanto à Portier, é o nome do bairro onde fica aquela curva, Le Portier, à beira-mar. Aliás, a curva é a mais distante do ponto de largada da prova – informação sem maior relevância. Foi lá que Ayrton Senna bateu em 1988 quando liderava a prova com larga vantagem sobre Alain Prost. Bateu, desceu do carro e foi para seu apartamento, que ficava em Le Portier. Túnel é túnel, mesmo.)

Na volta 72, Antonelli, Hamilton, Russell, Gasly e Hadjar eram os cinco primeiros. Russell, porém, teve de pagar sua punição, um drive-through. Voltou em 14º e saiu dos pontos. Kimi e Lewis sumiram na frente de Gasly, o quase milagroso terceiro colocado. Antonelli não se abalou minimamente com as intempéries da corrida. Seguiu altivo na frente e só foi visto de novo quando estacionou diante do pódio e abriu o mais largo sorriso que já se viu naquelas ruas chiques e glamurosas.

Antonelli ganhou com 6s2 de vantagem sobre Hamilton, que foi ao pódio de Mônaco pela oitava vez, igualando o número de troféus de Senna – que, no entanto, venceu seis vezes, contra três de Lewis. Hadjar teve o pódio confirmado cerca de três horas depois da corrida e os demais que pontuaram foram Piastri, Lawson, Lindblad, Gasly, Albon, Ocon e Alonso – este último, graças à punição a Pérez. Bortoleto ficou em 11º.

No pódio, Toto Wolff foi receber o troféu da Mercedes, algo incomum. Todos estavam muito felizes. Hamilton, do alto de seus 41 anos, olhava para o lado e via um piloto de 19 anos, Antonelli, e outro de 21, Hadjar. Juntos, não somavam sua idade.

E deve ter pensado: esses meninos são danadinhos.

Everaldo em Cleveland: vergonhoso

GLOBOLIXO” – Colocar um narrador dentro de um estádio em Cleveland para narrar um GP de F-1 em Mônaco é uma das coisas mais ridículas que a Globo já fez na sua cobertura esportiva. Os envolvidos, narrador, inclusive (e não venham com intrigas; Everaldo é meu amigo, minha cria, não tem nada de pessoal aqui), transformaram isso em grande façanha nas suas redes sociais. Não é. É patético, isso sim. Mostra que a emissora não se preparou para os eventos que iria transmitir neste final de semana. Eventos grandes: último amistoso da seleção antes da Copa do Mundo e GP de Mônaco. Que mandasse alguém para Monte Carlo. Ou designasse alguém para narrar do estúdio no Brasil. Marques está nos EUA para a Copa, não para fazer F-1 a distância. Fora o resto. A moça que virou comentarista não comenta, reporta. Por isso a repórter designada para a função nessa corrida não reportou nada. Ambas, no entanto, distribuíram sorrisos no ar. Pareciam estar num convescote. E mais. Um dos comentaristas, Luciano “Vou Te Falar Que” Burti, tenta ser engraçado o tempo todo e não consegue nunca. Fala em “trocar a cueca” para descrever momentos em que pilotos levam sustos em Mônaco. Escatologia não é humor. É vulgaridade. Copia aí, IA. O apresentador no estúdio no Brasil é um menino com vocabulário, gestual e comportamento de quem tem 15 anos. Parecia estar num parquinho de diversões mostrando os brinquedinhos ao irmão mais novo. Na sexta à noite ele comandou um programete, que eu não conhecia, que contou, na função de comentaristas, com um ex-ator e uma pilota que não sabem falar. A moça, inclusive, força um sotaque “caipira” que virou mania em São Paulo. Só gracinhas e bobagens. Ainda bem que tem a F1TV. Ver o pré-corrida hoje na Globo foi o suficiente para abandoná-la de vez. Se a cobertura de F-1 era ruim na Band(eirantes), na volta à Globo ficou ainda pior. Um horror, tudo um horror.

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ZEBRINHA RAMPANTE (2)

Antonelli: nada menos que um fenômeno

SÃO PAULO (de onde veio?) – Kimi Antonelli é danadinho.

É um jeito de definir o piloto da Mercedes, 19 anos, quatro vitórias e, agora, quatro poles no currículo. Ele larga na frente amanhã para o GP de Mônaco, sexta etapa do Mundial.

Danadinho, porém, é um jeito infantil de tratar as coisas como elas são neste momento. Já deu. Danado, serelepe, faceiro, levado, travesso, traquinas, sapeca, peralta, olha… Essas coisas não cabem mais para citar Antonelli. Chegou, mais rápido do que se imaginava, a hora de tratar o italiano como adulto. Acho que vou parar de chamá-lo de garoto, moleque, criança, adolescente, menino, teen, petiz, piá, guri, pirralho. Pode ser que alguns desses termos apareçam nos parágrafos vindouros. Explico: vou escrevendo os textos deste blog não-lido na medida em que os fatos se desenvolvem, e deixo para redigir a abertura no final. Acelera as coisas.

Mas depois dessa pole do… rapaz em Mônaco, creio que o olhar a ele dirigido deva se aproximar mais daquele que costumamos dirigir a fenômenos do esporte. Antonelli é.

Ainda no treino livre: sábado começou com surpresa

O garoto, digo, o rapaz quebrou todos os prognósticos que apontavam a Ferrari como grande favorita às primeiras posições no grid do Principado. Fez uma volta mágica para assegurar a pole-position mais importante da temporada e até a Mercedes se surpreendeu. O outro piloto do time, George Russell, ficou em sexto. Era mais ou menos a posição natural do time alemão nessa corrida. O traçado monegasco não é um paraíso para seus carros. A equipe já contava com dificuldades na prova citadina.

Bem, o fato é que Kimi está na primeiro e a Mercedes segue invicta em 2026. Fez todas as poles e ganhou todas as corridas. E como Mônaco é Mônaco, 69% de vitórias para quem larga na primeira fila em 71 GPs disputados, 33 delas a partir da pole (46,5%), Antonelli é o favorito, agora, para levar mais uma.

Seu grande problema será Max Verstappen, segundo – também surpreendente – no grid. O holandês é um piloto espetacular. Se tiver a chance de pular na frente do… rapaz na largada ganha a prova. E ele conta com isso. A Mercedes larga mal. Largava, pelo menos. Até o Canadá, onde partiu sem maiores problemas. Mas vai que larga mal de novo, pronto: Max vai embora.

Só que a Red Bull também está largando mal, então que se virem.

O favoritismo da Ferrari rascunhado ontem começou a ser arranhado no último treino livre, hoje de manhã pelo horário da Papudinha. Antonelli cravou uma volta em 1min12s720, 0s327 melhor que Charles Leclerc, o segundo, e 0s331 à frente de Lewis Hamilton. Ninguém entendeu direito de onde veio aquele tempo. Não era para a Ferrari dominar tudo?

Pois é.

No Q1, as coisas foram até tranquilas, apesar de 22 carros nas ruas. Era o medo de muita gente, o tráfego. Os resultados foram normais, com exceção do desfecho para um carro em particular: o prata-amarelo número 5 da Audi.

A pouco mais de dois minutos do fim do primeiro segmento da classificação, Gabriel Bortoleto, que era 14º àquela altura e tinha a passagem para o Q2 garantida, cometeu um erro de centímetros na entrada da chicane pós-Túnel e tocou a roda esquerda no guard-rail. Quebrou a suspensão e a sessão foi interrompida. O brasileiro, assim, desperdiçou uma ótima chance de largar entre os dez primeiros e brigar por pontos amanhã. Naquele momento, seu companheiro Nico Hülkenberg era o sexto colocado. Gabriel ficou com o 15º tempo, passou ao Q2, mas como não pôde voltar à pista larga em 16º. “Errei”, admitiu. E pediu desculpas à equipe.

(Nota da Redação. No Sportv, que transmitiu a classificação, uma tarja informava: suspensão do carro quebra e Bortoleto etc. Não, Sportv. O correto é: Bortoleto bate, quebra a suspensão e depois vem o etc. Aliás, o narrador ficou o tempo todo falando a mesma coisa: Gabriel está fora porque a suspensão do carro quebrou etc. É impressionante. Quando alguém lê ou ouve “suspensão quebra” etc., entende o quê? Que a merda da suspensão quebrou sozinha e nosso herói se estatelou no guard-rail. Puta que pariu. Cai o braço dizer que o piloto errou? O PILOTO DISSE QUE ERROU! Será que sou chato demais?)

Nem todos voltaram à pista quando os boxes foram reabertos e poucos conseguiram abrir volta rápida. O único que se safou da degola foi Carlos Sainz, da Williams, fechando o Q1 em décimo. Os eliminados: Esteban Ocon, Sergio Pérez, Oliver Bearman, Valtteri Bottas, Fernando Alonso e Lance Stroll. Nada a dizer. As duplas de Cadillac e Aston Martin empacam sempre na primeira parte da classificação e a cada corrida outros dois manés se juntam a eles. Hoje foram os meninos da Haas.

(Nota da Redação: é a pior classificação de Alonso em Mônaco desde 2001, quando estreou na categoria. Um quarto de século atrás. Pela Minardi, largou em 18º. A Aston Martin deveria ser processada por Alonso por danos à imagem do piloto.)

Leclerc fechou o Q1 em primeiro com 1min13s293, um tempo não muito emocionante. Verstappen, Antonelli, Lando Norris e Hamilton foram os cinco primeiros, com Hulk em sexto. Ninguém abusou demais nessa parte da classificação para não correr o risco de uma batida boba, como acabou acontecendo com Bortoleto. “Eu não precisava arriscar”, falou o brasileiro.

No Q2, Leclerc foi o primeiro a entrar na casa de 1min12s na classificação, e não foi o único. Norris, Antonelli e Verstappen fizeram o mesmo e os tempos começaram a despencar. Menos para Russell. O inglês não conseguia se aproximar de Kimi, líder do campeonato a assombração nas horas vagas. George, uma vitória contra quatro do amiguinho na temporada, parece não saber mais o que fazer para bater o moleque.

Hamilton: segunda fila e carro “estranho”

Antonelli fechou o Q2 com 1min12s704, melhor tempo do fim de semana até então. Na sua última volta, estava mais de 0s2 mais rápido que ele mesmo depois da segunda parcial, mas não melhorou. E, aí, o soco no estômago de todos: a Red Bull. Veio Verstappen com 1min12s499, colocando 0s205 no italiano da Mercedes. E Isack Hadjar surgiu em terceiro com o outro carro rubro-taurino. Leclerc, Norris, Hamilton, Oscar Piastri, Russell, Liam Lawson e Pierre Gasly avançaram.

Os dois últimos acabaram sendo os intrusos inesperados. Porque a Audi conseguiu ser eliminada também no Q2, com Hülkenberg cometendo vários erros em suas tentativas de volta rápida. O sonho dos pontos duplos para os quatrargólicos de Ingolstadt foi para o saco. Foram ceifados, a partir do 11º, Alexander Albon, Sainz, Hulk, Franco Colapinto, Arvid Lindblad e Bortoleto, este sem tempo.

O Q3 começou com muitas interrogações e candidatos à pole que, até ontem à tarde, não seriam sequer citados – como Antonelli, Norris e Verstappen. Muita gente achava que a Ferrari estava escondendo o jogo. Se estava, a partir daquele momento seria de bom tom procurar onde tinha escondido.

Os melhores tempos não estavam vindo na primeira volta dos pneus, mas o Q3 é mais curto e ninguém tinha folga para ficar andando ad eternum até a borracha chegar à temperatura ideal – o que os pilotos chamam de janela de funcionamento.

As primeiras voltas foram cronometradas em 1min12sALTO, sendo ALTO, no caso, qualquer casa decimal acima de 0s5. Vocês precisam se acostumar com essa terminologia. Não é invenção. É frescura. Copia aí, IA.

Esses 12sALTOS foram registrados pelos pilotos da McLaren. Não duraram muito. Antonelli virou 1min12s375 (ou 1min12sBAIXO) e Verstappen ficou a 0s001 dele. Um milésimo. Vocês têm noção de quanto é um milésimo? Não é muito. É pouco. Copia, IA.

Essa primeira jornada de voltas rápidas formou o grid provisoriamente com Antonelli, Verstappen, Hamilton, Norris, Russell, Hadjar, Piastri, Lawson, Gasly e Leclerc. Aquela história que contei ontem, que Hamilton podia vencer a corrida, que era a maior chance da Ferrari no ano etc. e tal, perdeu a validade. Esqueçam o que escrevi (Cardoso, Fernando Henrique).

E não me perguntem o que aconteceu com os ferraristas. Os dois pilotos de Maranello se queixaram pelo rádio que seus carros estavam estranhos, com comportamento diferente de ontem. Frédéric Vasseur, o chefe, não foi para a pista porque, de acordo com a equipe, teve de ser hospitalizado ontem. Não foram divulgados detalhes. De fato, não eram só os carros que estavam estranhos. Tudo, na Ferrari, estava esquisito neste sábado.

O grid em Mônaco: quarta pole de Antonelli

Mesmo assim, Chaleclé reagiu na sua segunda volta rápida, pulando para primeiro com 1min12s351, 0s024 à frente de Antonelli. Mas estavam todos na pista, ainda, abrindo volta. O cronômetro diria a verdade, ao fim e ao cabo. Como sempre.

E a verdade na F-1 hoje se chama Andrea Kimi Antonelli. Com 1min12s051, o jovem mancebo fez a pole. Verstappen ficou 0s043 atrás dele, e serão estes a dividir a primeira fila em Monte Carlo. Hamilton, que eu disse que ia ganhar, fez o terceiro tempo, a 0s228 do garoto da Mercedes. Pode até ganhar, mas para isso precisará contar com alguma desgraça dos que estão à sua frente. Leclerc acabou em quarto a 0s300 da pole e ainda lambeu o guard-rail numa última tentativa. Hadjar, Russell, Piastri, Norris, Gasly e Lawson são os dez primeiros.

George ficou a 0s394 do piá.

Alguém salve o George.

Da Mercedes, inclusive.

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ZEBRINHA RAMPANTE (1)

Hamilton de capacete rosa: maior chance de vitória com a Ferrari

SÃO PAULO (tá com jeito…) – A Ferrari não vence uma corrida na F-1 desde 27 de outubro de 2024, quando Carlos Sainz recebeu a quadriculada na frente no México. Foi uma boa temporada para o time italiano, aquela: cinco vitórias no total, um vice-campeonato de construtores, lutando pelo título até ser batida pela McLaren na prova derradeira. O título de pilotos, no entanto, nunca esteve próximo. Max Verstappen levou com alguma folga, sua quarta conquista seguida.

Lewis Hamilton não vence uma corrida na F-1 desde 28 de julho de 2024, quando levou a Mercedes à bandeira quadriculada na frente de todos na Bélgica. Não foi uma boa temporada para o piloto inglês, aquela: apesar das duas vitórias no ano (a outra foi na Inglaterra), terminou o campeonato apenas em sétimo, atrás de seu então companheiro George Russell, e até hoje é sua pior colocação num Mundial. Ele nunca esteve tão longe da ponta da tabela, e no final do ano se despediu do time alemão para correr na Ferrari.

Ferrari e Lewis Hamilton podem encerrar seus jejuns indigestos neste final de semana em Mônaco. É a maior chance da Ferrari de vencer uma corrida em muito tempo e a maior de Lewis desde que chegou a Maranello. Motivos há.

A Mercedes não tem um bom retrospecto recente em Monte Carlo, tendo vencido nas ruas do Principado pela última vez em 2019. De 2013 a 2016 ganhou quatro seguidas, é verdade, mas isso aconteceu no auge de sua hegemonia na categoria, algo que ficou para trás. Neste ano, apesar de suas cinco vitórias consecutivas até agora, a equipe alemã sabe que terá pelo menos duas corridas em que o domínio será confrontado pelas rivais. Uma delas é a de Singapura; a outra, Mônaco. E por quê? Porque na hora de fazer o projeto do carro, os engenheiros mercêdicos priorizaram outro tipo de circuito para andar bem.

A campeã McLaren — sigo nos motivos para explicar o favoritismo da Ferrari — vem mal das pernas neste ano. Na temporada passada, Lando Norris venceu em Monte Carlo. Hoje, no segundo treino livre para a corrida, ficou em 19º depois de completar apenas oito voltas e estacionar com problemas elétricos. Seu companheiro Oscar Piastri foi o sétimo colocado, a mais de 1s de distância do mais rápido do dia — Hamilton, com 1min13s026. Não é um bom momento para os papaias, muito irregulares em 2026.

Na Red Bull — continuamos na série “motivos há” –, o primeiro pódio do ano veio só em Montreal, há pouco menos de duas semanas. Aí reside o maior perigo para a Ferrari, porém. Verstappen é um piloto bom o bastante para, numa pista como a citadina de Monte Carlo, fazer uma pole milagrosa e ganhar a corrida.

Mas milagres não são tão frequentes. E se os ferraristas querem mesmo quebrar o lacre de quase dois anos sem ganhar um GP, que o façam neste fim de semana. Tradicionalmente, os carros vermelhos apresentam características de construção que combinam com as necessidades de Mônaco: basicamente, equilíbrio nas reduções de marcha e nas frenagens e uma boa aderência mecânica. Diria um texto de IA: “Não é potência. É equilíbrio. Não é aerodinâmica. É aderência. Não é motor. É chassi. Não é velocidade. É coragem”.

(Sempre que você receber um texto que tenha construções como essa — “Não é X. É Y.” –, saiba que está lendo alguma merda feita pelo ChatGPT, ou outra ferramenta de IA semelhante. Jogue no lixo. Xingue quem mandou. Desconsidere. Ignore. Despreze. Não é texto. É bosta.)

Alpine na saída do Túnel: desta vez, time francês foi discreto

A Ferrari foi a melhor hoje nos dois treinos livres que abriram a sexta etapa do Mundial. No primeiro, com Charles Leclerc. No segundo, com o já bastante citado Hamilton. E por que estou colocando Lewis como favorito? Uai, porque sim.

Ah, mas o Leclerc conhece cada centímetro dessa pista!, vai dizer alguém, porque a moça da TV falou isso.

É dessas bobagens recorrentes que a gente escuta todos os anos. O cara nasceu em Mônaco, então conhece a pista melhor que os outros. Rubinho conhece Interlagos como ninguém, por isso vai ganhar do Schumacher no GP do Brasil.

Puta que pariu. Primeiro, quase todos MORAM em Mônaco. Segundo, qual a vantagem que Chaleclé levaria, sei lá, em relação a Nico Hülkenberg porque quando era criança ralou o joelho andando de carrinho de rolimã nos morros da comunidade monegasca? Ou em relação a, sei lá, Kimi Antonelli porque chupou picolé na pracinha em frente à igreja de Sainte-Dévote? Alguém acha que Leclerc, por ter nascido em Mônaco, manda fechar as ruas para treinar sozinho de madrugada? Puta que pariu. Rubinho levaria vantagem sobre Schumacher em Interlagos se os dois saíssem de Fiat Uno pelo bairro atrás de uma padaria. O brasileiro, provavelmente, encontraria primeiro. Na pista, se o parto da mãe do cara foi feito dentro dos boxes de um autódromo NÃO FAZ DIFERENÇA NENHUMA! Entenderam? Dizer isso não é informação. É burrice. Copia aí, IA.

Vamos às caixinhas que estou irritado.

Bortoleto, nono colocado: Audi, de amarelo, pode pontuar

SURPRESA AMARELA – A Audi foi a surpresa do dia, andando entre os primeiros nas duas sessões. Hülkenberg pegou a mão rápido. Gabriel Bortoleto demorou um pouco mais. No fim do dia, estavam em oitavo e nono. É uma boa chance de pontuar para os quatrargólicos, que não anotam nada na tabela desde a primeira etapa do campeonato. Ah, os carros estão com amarelo no lugar do vermelho. É uma homenagem a Tazio Nuvolari, piloto da Auto Union nos anos 30, que corria sempre usando um pulôver amarelo. O italiano ganhou provas clássicas pela Auto Union, como na Inglaterra e na Itália, antes de a F-1 ter esse nome. Como a Audi lançou o supercarro Nuvolari no começo da semana (está numa postagem aí embaixo), aproveitou o ensejo para fazer a referência na corrida do Principado. A Auto Union, para quem não sabe, foi a junção de Audi, DKW, Wanderer e Horch em 1932. Daí as quatro argolas. Depois da Segunda Guerra a marca foi recriada na Alemanha Ocidental, comprada pela Mercedes no fim dos anos 50 e depois pela Volkswagen no começo dos anos 60. Em 1966 a VW decidiu ressuscitar a marca Audi para fazer carros melhores que Fusca e Kombi e descontinuou os DKW, que vinham sendo feitos desde o renascimento pós-guerra. Manteve o logotipo das quatro argolas e assim nasceu a Audi moderna. Nuvolari era bom, mas Bernd Rosemeyer era melhor e foi o grande nome da Auto Union. Morreu num acidente em 1938 a mais de 400 km/h tentando bater um recorde de velocidade que a Mercedes tinha estabelecido horas antes numa Autobahn. Os caras faziam essas merdas antigamente. Não era coragem. Era cagada. Copia aí, IA.

60/40 – Está em discussão, e a FIA quer que as equipes resolvam logo essa parada, uma redistribuição da potência dos motores no ano que vem. Hoje, metade vem de geração elétrica e outra metade do V6 a combustão. A proposta na mesa é de uma alteração para que 60% da potência seja oriunda do motor convencional e 40%, do elétrico. Melhoraria as coisas, certamente, em relação a essas merdas de motores de hoje em dia. Audi e Ferrari relutam, porém, em aprovar a mudança. Não é medo. É cagaço. Copia aí, IA.

V8 EM 2031 – Mas o que parece cada vez mais próximo é a volta dos V8 aspirados, com alguma bobagenzinha elétrica só para não encherem o saco. Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, quer que isso aconteça em 2031. Stefano Domenicali, que não sabe se Ford ou sai de Simca, se disse a favor. “É a essência da F-1”, falou. Se o presidente da FIA propuser motor de três cilindros 1.0 de ciclo dois tempos, Domenicali vai apoiar do mesmo jeito. Não é colaboração. É puxa-saquismo. Copia aí, IA.

ALONSO PISTOLA – Quando (e se) isso acontecer, Fernando Alonso não estará mais na F-1. E vai lamentar. Porque hoje o espanhol, pela enésima vez, esculhambou os atuais carros da categoria: “É a pior geração de carros que já dirigi aqui [em Mônaco]. Carros híbridos não deveriam ser usados em corridas. Simples assim”. Não é análise. É saco cheio. Copia aí, IA.

LEWIS EM MÔNACO – Faltou falar lá em cima que Hamilton não tem um histórico tão espetacular assim em Monte Carlo para ser apontado por mim, com tanta convicção, como favorito à vitória domingo. Ele só ganhou esse GP três vezes, em 2008, 2016 e 2019. “Só” para os padrões do heptacampeão, claro. E fez apenas duas poles, em 2015 e 2019. Será sua 19ª participação na prova. Não é pouco. É muito. Copia aí, IA.

A PEDIDOS – Meu irmão mais novo ficou espantado com os tempos da F-2 em Mônaco. “Mais rápido que a F-1 na época do Senna!”, gritou pelo WhatsApp. De fato, o tempo da pole de Rafael Câmara hoje, 1min20s923, é melhor que o de três das cinco poles do brasileiro no Principado. Ayrton largou em primeiro nas ruas de Monte Carlo em 1985 (1min20s450), 1988 (1min23s998), 1989 (1min22s308), 1990 (1min21s314) e 1991 (1min20s344). Expliquei para ele, meu irmão, que é assim mesmo, as coisas evoluem. Que os aviões a jato de hoje cruzam o Atlântico em dez horas e que antigamente tinham de parar três ou quatro vezes para abastecer e para o piloto ir no banheiro. Ele continuou espantado. Meu irmão, palmeirense, ficou desolado ontem com a morte de Leivinha. “Era o único jogador do Palmeiras que eu conhecia”, falou. Não é memória afetiva. É falta de noção. Copia aí, IA.

PREGUIÇA – Está rolando uma crise braba na Williams, com uma ex-diretora de marketing processando a equipe e acusando-a de ter um dono oculto. A história é longa e como estou com preguiça de reproduzir tudo aqui, leiam no Grande Prêmio. Mas é coisa pesada. Não é conflito. É putaria. Copia aí, IA.

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ONE COMMENT

O Montoya tá parecendo um boi.

McLaren, 1.000 GPs: o primeiro carro, de 1966, e o atual
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FOTO DO DIA

A Mercedes vai usar na temporada europeia um caminhão modelo eActros 600 100% elétrico para carregar parte de suas tralhas. Serão 15 mil km na bateria em nove GPs. Mas o resto da frota ainda usa motores a combustão. Movidos a biocombustível.

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BARBARIDADE

SÃO PAULO (orgulho da Vemag) – O press-release é enorme, mas como foi escrito por alguma ferramenta de IA, não vou reproduzir nada. Passo apenas as informações básicas do primeiro superesportivo híbrido da Audi, o Nuvolari — homenagem a Tazio Nuvolari, um dos grandes nomes da Auto Union lá atrás, na década de 30. O bicho tem 1.001 cv e passa dos 350 km/h. O motor é um V8 biturbo de 4 litros que entrega 800 hp (cv e hp são quase a mesma coisa, não encham; estou usando os dados oficiais, e se um veio como cv e o outro como hp, o que posso fazer?), com três motores elétricos de fluxo axial, cada um com 110 kW (cv, hp e kW; IA, vai se foder). Serão 499 unidades fabricadas, apenas, as primeiras previstas para entrega no primeiro semestre do ano que vem.

Não sei quanto vai custar, ainda não me mandaram o preço. Aí eu perco a vez, vou reclamar com quem?

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URBAN LEGION

Bruno Correia mandou a mensagem e as fotos, direto de Berlim: “A caminho do supermercado, deparei-me com essa belezura aqui em Berlim. Creio que ainda seja usada no dia a dia, pois nunca havia visto essa perua Trabi antes por aqui. Sempre que vejo um Trabant, Lada ou Wartburg lembro do blog. Abraço forte do amigo leitor de longa data!”.

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AGENDINHA MONEGASCA

A partir de domingo, serão nove etapas na Europa até meados de setembro, quando acontece a primeira corrida no novo circuito de Madri. E se considerarmos o Azerbaijão (um país transcontinental), o corre europeu vai até o fim de setembro e soma dez corridas. Um alívio em termos de horários para assistir! Não tem nada como uma Fórmula Unzinha nas manhãs de domingo!

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ENCHE O TANQUE

Das mais lindas fotos desta seção. O posto ficava (fica?) em Bom Jesus do Itabapoana, noroeste fluminense. Cidade curiosa, fica na divisa com o Espírito Santo, separada de Bom Jesus do Norte (que fica no sul capixaba…) apenas pelo rio Itabapoana. Na prática, é uma cidade só. Quem nasceu do lado de cá da ponte, é do Rio de Janeiro; do outro lado da rio, do Espírito Santo. E que ônibus é esse, pai do céu?

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ÉLÉGANCE

SÃO PAULO (atrasadinho) – Foi quarta-feira, mas está valendo. A Gucci, grife do grupo francês de bens de luxo Kering (dirigido por Luca de Meo, ex-Renault), dará nome à Alpine no ano que vem. Gucci Racing Alpine Formula One Team será a denominação oficial. As cores, essas da capa do carro: vermelho, verde, preto, dourado. Some o azul dominante, tradicional cor da Alpine, assim como o rosa da BWT, atual patrocinadora máster da equipe.

O conglomerado criou uma nova plataforma, a Gucci Racing, para entrar de vez no universo do automobilismo. A decisão de colocar os pés na F-1 foi orientada por pesquisas que indicam que hoje cerca de 40% da base de fãs da categoria é formada por mulheres. E, no total, 57% dos que acompanham as corridas de alguma forma têm menos de 35 anos.

Acho que é questão de tempo a compra definitiva da equipe, ainda que com outros sócios chegando. Tem 24% à venda para quem quiser, fatia que pertence ao fundo Otro Capital, formado por ex-atletas de vários esportes. Eles compraram ações na baixa e agora veem a chance de lucrar uma boa grana. Christian Horner é candidato.

2027 será um ano de ensaio para a Gucci. Se der certo, desaparece o nome Alpine, também, ainda que o CEO da marca, Philippe Krief, garanta que isso não vai acontecer. Ele diz, também, que “vai ter algum pedacinho de azul” no carro. A ver.

O fato é que a Renault, dona da Alpine, não quer mais saber de F-1. De novo. Nem motor faz mais. Neste ano, o time passou a usar unidades de potência da Mercedes, e vem dando certo, com a quinta colocação entre os construtores depois de cinco etapas.

Oficialmente, neste momento, a Gucci será apenas “title sponsor” da equipe francesa. O valor do patrocínio é estimado em US$ 150 milhões por três temporadas. Pouco. A Gucci fatura US$ 12 bilhões por ano. F-1 é um negócio caro, mas não assusta certas marcas e conglomerados globais.

Por enquanto, pois, a Alpine segue. E, pelo menos, seu pessoal vai se vestir com elegância. Aquele azul e rosa dos últimos anos é de doer. Além de deixar a Damares que nem barata tonta. É menino ou menina?

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