SÃO PAULO (demorou, mas chegou) – Naquele domingo de 1989 eu tinha mais o que fazer do que assistir ao Faustão e, sinceramente, não lembrava do episódio que o brother Pandini resgatou ontem.
Era dia de segundo turno das eleições presidenciais entre Collor e Lula, e a votação já tinha terminado na maior parte do país porque já eram mais de 5 da tarde. Só que por causa do fuso horário alguns Estados ainda colocavam seus votos na urna, e qualquer manifestação pública por um ou outro candidato poderia configurar crime eleitoral.
Abertura do famigerado programa do simpático gorducho, que tinha pouco mais de um ano de Globo. Simpático na época; hoje, é um dos maiores chatos da TV brasileira, tanto no pessoal quanto no profissional, mas sempre dá para voltar atrás e ser o que era, e é o que gostaria que Fausto Silva fizesse, para o bem dele, especialmente, porque é uma boa alma. Mas eu dizia, abertura do programa, e quem está no palco é Lobão.
O resto, só vendo.
Lobão é um cara corajoso. É preciso coragem para fazer isso ao vivo na Globo, que na noite anterior editara o debate daquela maneira cafajeste, sabendo que depois daquilo nunca mais seria chamado para aparecer no programa que mais vende discos do país.
Mas ele fez, somando a tantas outras mais uma breve e pouco conhecida manifestação de cidadania e diposição para romper com o estabelecido, transgredir sem ofender ou agredir, apenas sendo honesto consigo mesmo.