SÃO PAULO (mas dependendo da resposta, ofende…) – Meu partner no “Limite” Mauro Cézar Pereira assistia ontem a determinado programa de TV cujos participantes defendiam, ardentemente, que Button tinha de dar passagem a Barrichello em Melbourne de qualquer jeito.
Os mesmos que, alguns anos atrás, estrilavam e desfiavam seu nacionalismo barato cada vez que a Ferrari mandava Barrichello dar passagem a Schumacher ou cada vez que eles imaginavam que isso tinha acontecido. Não vi o programa, e MC não citou nominalmente ninguém.
Ora, a Ferrari mandar Barrichello deixar Schumacher, mais rápido, passar não podia. A Honda mandar Barrichello, mais rápido, passar o Button pode.
Uai, o que pode e o que não pode?
Repito o que escrevi para meus jornais no fim de semana: acho que a Honda tinha, sim, de mandar o inglês abrir caminho, pelo peso de cada carro. Como achava que a Ferrari tinha, sim, de apostar mais em Schumacher do que em Rubens, por razões óbvias.
Aliás, nos seis anos da dupla em Maranello, a grande patuscada da equipe com Barrichello foi aquela do GP da Áustria em 2002, imperdoável porque todos sabiam que Schumacher seria campeão com ou sem aquela vitória, porque era começo de campeonato, porque foi totalmente desnecessário e porque o alemão não tinha adversários naquela temporada.
E justiça se faça a Rubens na Austrália. Em nenhum momento ele questionou a Honda, ou reclamou da equipe. Ao contrário, elogiou a liberdade de disputa no time, sendo 100% coerente com tudo aquilo que sempre defendeu na Ferrari. Ponto para ele, pois. Nota dez. E nota zero aos que insistem que os brasileirinhos são sempre prejudicados, e que deveriam ser privilegiados.