SÃO PAULO (segura ele, agora…) – O que mais me encanta em Lewis Hamilton não é nem sua segurança na pilotagem, nem mesmo a impressionante marca de sete pódios, duas vitórias, liderança do campeonato e muitos etecéteras, todos merecidos.
Encanta é sua alegria a cada resultado, seja ele qual for. E a gargalhada pelo rádio ao final da prova foi impagável, a melhor “frase” do dia. Estamos diante de um garoto cheio de alegria e felicidade para dar, o que na F-1 é artigo raro, quase impossível de encontrar.
Lewis teve em Indianápolis seu primeiro fim de semana duro para valer, em que precisou enfrentar um adversário mordido. E saiu-se mais do que bem. Graduou-se. Começou a ganhar a corrida nos últimos minutos da classificação ao fazer a pole. Ali desestabilizou Alonso, que estava com fome e sede. E que sacou que tinha deixado escapar a chance de voltar a vencer, largando da segunda posição.
Fernandinho fez o que pôde. Mas o que pode, atualmente, não tem sido o bastante para derrotar seu companheiro que, nesta toada, será sim um dos grandes campeões do futuro. Todos os argumentos já usados para não cair na precipitação fácil de descrevê-lo como um fenômeno continuam valendo, mas não se pode jamais ignorar a velocidade com que vem conquistando tudo aquilo que o destino colocou na sua frente: uma equipe de ponta num ano bom, um carro excelente, uma sequência improvável de bons resultados.
Eu disse semana passada que um dia o sonho bom acaba, mas que mal há em dar uma esticadinha no sono? É o que Hamilton vem fazendo, adiando, com seu talento, a hora de acordar. Como a gente, de manhã, que olha no relógio e diz “mais cinco minutinhos”.
Os cinco minutinhos de Lewis estão demorando a passar, e enquanto isso o pesadelo vai ficando para Alonso. Que viveu o mesmo sonho nos últimos dois anos, agora acordou, e sabe-se lá como vai reagir.
Da corrida, agora, na forma de pitaquinhos…
– Hamilton ganhou a corrida na largada. É uma meia-verdade, porque depois do primeiro pit stop ele ainda teve de se defender de Alonso e o fez de maneira limpa e hábil. Colocou o carro por dentro e deixou para Fernandinho a tarefa impossível de levar a posição por fora. O espanhol, como não é besta o bastante para bater no companheiro de equipe, recolheu. No fim da prova, conformou-se com o segundo lugar.
– No pódio, Fernando foi simpático ao aparecer abraçado ao parceiro. Se não pode derrotá-lo, junte-se a ele. Seria bobagem para Alonso, neste momento, adotar uma atitude belicista. Tem mais é que colocar a cabeça no travesseiro e tentar entender o que está acontecendo.
– Massa resistiu bravamente ao assédio de Raikkonen no final. Kimi acabou pagando pela má largada e pela apatia na primeira parte da corrida. Na Ferrari, não parece haver muitas dúvidas, Felipe é o primeiro piloto. E o finlandês é a grande decepção da temporada.
– Um pecado, a quebra do motor de Rosberguinho no fim… Tem sido um dos grandes destaques do Mundial. Sua cotação está subindo bastante.
– Kovalainen, aos poucos, vai se acertando e justificando a aposta cega nele feita por Briatore. Fisichella, em compensação, só serve para a gente dar risada.
– Vettel estreou bem, pontuando na primeira corrida. Não fez nada demais, mas também nada de menos. Para um garoto de 19 anos, está de bom tamanho.
– Acidente na primeira volta tira Ralf, Coulthard e Barrichello da prova de uma vez só. Três veteranos que, para muita gente, poderiam parar de correr no fim do ano. Mas sejamos justos: dos três, é Ralf aquele quem tem tido um ano abaixo da crítica. Os outros dois fazem o que podem.