SÃO PAULO (e hoje é só) – Uma corrida como essa de Nürburgring é que mostra porque a F-1 é a F-1. Ótimos pilotos, jogo de xadrez, chuva, ultrapassagens, discussões, barbeiragens… Teve de tudo, na melhor prova dos últimos tempos.
(Sempre tem uma melhor prova dos últimos tempos…)
E marcou, o GP da Europa, o possível nascimento de uma inimizade. O atrito entre Alonso e Massa ao final é daqueles em que nenhum tem razão e os dois têm. Sangue quente, ninguém quer perder, o piloto que toma um toque sempre acha que o outro tentou tirá-lo da pista, o que deu sempre acha que estava defendendo posição.
Na coletiva, Alonso pediu desculpas. Felipe não aceitou com muito entusiasmo. “Se ele ficou chateado, é problema dele”, disse.
Hamilton acabou não pontuando, depois de um errinho aqui e outro ali, algo absolutamente normal em uma prova tão tumultuada pela chuva no início e no final. De bom, a largada excepcional e as várias ultrapassagens na corrida. Sobre carros mais lentos, é verdade, desviando de chicanes móveis, mas em condições difíceis de pista com trilho, mas molhada em alguns pontos. Lewis mostrou que sabe largar e sabe ultrapassar. Fez boa prova, mas milagre não há, ainda mais quando se perde uma volta logo no início.
Bem, muito bem, Webber, Wurz, Coulthard e Kovalainen. Meio desastrado Heidfeld, mas batalhador. Parou seis vezes nos boxes e no fim ainda passou Kubica. Não dá para dizer que houve maldade em lance algum da prova, por parte de qualquer piloto.
Outro destaque divertidíssimo foi Winkelhock, que largou dos boxes olhando para o céu, já esperando a chuva. E quando a prova parou, estava em primeiro! Entra para a estatísticas por ter liderado uma corrida, como não? Depois, pena, quebrou.
Bacana também o arauto do apocalipse, aquela mensagem de “chuva em tantos minutos!”, que apareceu várias vezes na tela da TV e nas telas de todos no pitwall. E não errou muito, não.
E mais alguns pitaquinhos:
– Alonso na chuva é um piloto excepcional. Fez uma corrida soberba. Continua para mim, como desde o início do Mundial, favorito ao título.
– Massa, em compensação, não se dá bem com a água. Mas atribuiu a queda de rendimento no fim a pneus que vibravam muito. No início, safou-se bem da aquaplanagem na primeira curva.
– Que primeira curva, diga-se: seis carros rodaram lá na mesma hora: Button, Sutil, Rosberg, Speed, Liuzzi (que quase bateu no safety-car e, depois, no trator) e Hamilton, que ficou pendurado pela grua até ser colocado de volta na pista, o maior barato. Gosto de atitudes assim. Só pára se não tiver mais roda.
– Schumacher ganhou um “S do Michael Schumacher” em Nürburgring, e continua sendo o campeão mundial da cafonice com suas roupitchas compradas na loja do Willie Nelson. Ou seria do Chitãozinho e do Xororó, em Barretos?
– Raikkonen voltou a ter azar. Chegaria no pódio, depois de consertar a escorregada do início, quando perdeu a entrada nos boxes. É um sujeito meio zicado, eu diria. Esses pontos que perdeu nessa prova podem até não tirá-lo da briga pelo título, mas o afastam, e bem.
– Wurz só anda lá atrás e é bem mais lento que Rosberguinho. Mas quando a Williams chega na frente, é ele quem está no carro. Experiência conta. Ele se dá bem em corridas malucas.
Foi assim no Canadá.
– Dizem que quando piloto tem filho, fica três décimos mais lento por volta. Heidfeld ficou três décimos mais doido.
– O bate-boca de Felipe e Alonso no “backstage” entrará para qualquer antologia de melhores momentos da F-1. É raro ver piloto discutir naquele tom em público. “Aprende, aprende!”, disse Massa várias vezes. E ainda ameaçou: “Você vai ver na próxima corrida!”. Pareciam duas crianças, foi bárbaro. E discutiram em italiano.
– Barrichello ficou sumido de novo. Justo no tipo de corrida em que costuma se sair bem. Está apagadinha demais essa Honda, levando seus pilotos junto.