SÃO PAULO (tudo de novo?) – Uma reviravolta nas primeiras horas da manhã levou à cadeia o líder de direita montado a cavalo que, durante a madrugada, derrubara o líder de esquerda que teve os pneus esvaziados.
O PVW do B e o PDKW, graças às milícias montadas no primeiro subsolo enquanto os golpistas comemoravam sua vitória, convocaram de imediato uma nova eleição apenas com candidatos da coligação. Os dois adversários assumiram o compromisso de respeitar o resultado do pleito “porque o povo é soberano”, como disse o jipe nascido na capital, mas criado no interior.
Tal veículo rural é o único remanescente da primeira eleição. O PVW do B escolheu como candidato único um cosmopolita descendente de alemães de Wolfsburg, já que os demais renunciaram sob a promessa de ganhar alguns ministérios.
De acordo com a legislação eleitoral agora em vigor, somos obrigados a publicar os perfis de ambos, como nos chegaram às mãos.
O CANDIDATO – Fabricado em São Bernardo do Campo em 1974. Descendente direto
de dinastia nobre de Wolfsburg. Fala alemão e português com sotaque. Motor
1.5 HD aspirado. Rodas de Variant II com sobrearo. Toca-fitas TKR cara-preta. Vidros
verdes com adesivo da Porsche na lateral. Câmbio doido. Engata primeira, entra
a ré. 24 mil km rodados. Volante de TS de três raios. Carrega um boneco do
Topo Gigio pendurado no painel. Bancos de plástico originais. Pára-brisa com
degradê. Não usa afogador. De tão perfeitinho, dá até raiva. Se diz “de centro”.
O CANDIDATO – Fabricado no bairro do Ipiranga em 1961. Criado em Bauru, onde
trabalhou como fiscal de linhas de transmissão. Perseguido político, foi
encontrado na Estrada do M’Boi Mirim em más condições de saúde. Recuperado,
retomou as atividades políticas junto a trabalhadores rurais. Fez plástica na
capota e nos bancos. Ganhou pneus militares. Freia quando quer. Até o mês
passado, engatava as marchas que queria, também. Nunca foi dado a receber ordens.
Contra o desperdício, tem apenas uma lanterna traseira. Exagera no óleo dois
tempos, o que lhe valeu a fama, que nega, de beberrão. Não gosta de rótulos
e se define como “líder popular”. Mas é conhecido como “terror das SUVs”.