SÃO PAULO (enquanto a bola rola) – Abaixo, press-release da nossa brava equipe Red Bulletin Racing, que incrivelmente terminou as 500 Milhas de Kart depois acidentes, incidentes, quebras e tudo mais que pode acontecer numa prova tão longa.
Depois falo mais, mas antes que me esqueça, fica aqui um baita obrigado a cada um dos integrantes do nosso time.
Três motores utilizados, além de uma carenagem, dois eixos, uma barra de direção e um volante completamente destruídos, um pneu furado e, finalmente, um jornalista entalado sob uma grade não impediram a Red Bulletin Racing de atingir seu objetivo: chegar ao fim das 500 Milhas de Kart da Granja Viana.
O resultado da chegada talvez não tenha sido lá tão glorioso, um 66º lugar, mesma posição ocupada pelo time no grid de largada formado por 68 karts – a equipe, constituída por dez jornalistas, havia obtido o 65º posto nos treinos de classificação, mas foi penalizada por uma troca de motor no warmup antes da prova.
Troca essa que, infelizmente, pouco adiantou: após uma largada conservadora o suficiente para lucrar com as lambanças alheias, o time chegou a andar no 57º lugar, posição que seria sua melhor ao longo da prova. Novas falhas no motor forçaram outra troca com apenas 20 minutos de corrida, e o motor novo durou apenas três curvas (sim, três curvas) antes de sequer ter a dignidade de “apenas” falhar: pifou de vez, exigindo que os mecânicos da Red Bulletin Racing invadissem a pista para resgatar o kart perdido.
Mais uma troca significou que, da primeira hora de prova, o time de botas-jornalistas passou 30 minutos nos boxes, o que efetivamente acabou com o sonho do “top-50” almejado antes da largada.
Mas as trocas de motor estiveram longe de ser o momento mais difícil da noite. No início da quinta hora de prova, quando o editor da revista RACING, Betto D’Elboux, pilotava o bólido número 88, deu-se o acidente mais grave das 500 Milhas em 2007. Entrando na reta dos boxes, Betto foi desnecessariamente tocado por trás e rodou em alta velocidade na reta, chocando-se com a grade de proteção interna, que se rompeu. Para aumentar o impacto dramático, o incidente deu-se exatamente em frente do box da Red Bulletin Racing.
Preso sob a grade, o piloto-jornalista teve de ser socorrido pela equipe de resgate, que, por sinal, foi obrigada a partir nossa adorada carenagem ao meio para extrair o editor de RACING. Quinze tensos minutos seguiram-se antes da confirmação: afora escoriações na canela esquerda, Betto estava, felizmente, intacto.
Surgiu, então, outro dilema – o que fazer com o kart que, afora o quadro, havia sido quase totalmente destruído? Em um time formado por dez jornalistas teimosos e cheios de Red Bull na cabeça, natural que a decisão fosse unânime: conserte-se a bagaça!
Mais uma hora perdida nos boxes depois, o 88 da Red Bulletin Racing retornou à pista, remendado mas firme. E seguiu assim até o fim, concluindo a prova meras 247 voltas atrás dos vencedores, o kart 72 de Rubens Barrichello, Tony Kanaan, Felipe Giaffone, Lucas di Grassi e Renato Russo (mas confortáveis 99 voltas à frente do penúltimo lugar – ha!)
O resultado, é claro, foi o menos importante. Logo após a tão sonhada bandeira quadriculada ser avistada, os jornalistas, exaustão esquecida graças à adrenalina, já tramavam planos para um retorno em 2008…
Bruno Terena
Luiz Vicente, incansável, remenda a carenagem à noite…
…e pela manhã Cássio Cortes recebe a bandeirada: missão cumprida