Blog do Flavio Gomes
We ♥ race cars

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SÃO PAULO (difícil hoje, pior ontem) – Poderia ser “Desafio do dia”, mas como a história é muito importante — e foi postada pelo Matt Bishop hoje no Twirtter –, merece destaque. O carro é um March 731, no GP de Mônaco de 1973. Bonitão, adoro essas frentes integrais. O relevante aqui, porém, é o […]

Beuttler em Mônaco: vítima de preconceito

SÃO PAULO (difícil hoje, pior ontem) – Poderia ser “Desafio do dia”, mas como a história é muito importante — e foi postada pelo Matt Bishop hoje no Twirtter –, merece destaque. O carro é um March 731, no GP de Mônaco de 1973. Bonitão, adoro essas frentes integrais. O relevante aqui, porém, é o piloto: Mike Beuttler, que faria 82 anos hoje se não tivesse morrido em 1988, vítima da AIDS. Beuttler tinha 48 anos quando morreu e era homossexual.

Nos anos 70, o preconceito e a discriminação por orientação sexual eram ainda pior que hoje. Para se ter uma ideia vírus da AIDS, que surgiu em meados dos anos 80, era chamado de “câncer gay” por muita gente. Isso porque tinha altas taxas de transmissão por relações sexuais (héteros também, evidentemente), mas conservadores de todos os naipes — políticos, jornalistas, religiosos e filhos da puta em geral — passaram a ligar a doença à homossexualidade porque ela é “promíscua” e “libertina”.

Beuttler, nascido no Cairo em 1940, mas de nacionalidade inglesa (seu pai era militar britânico e servia no Egito durante a Segunda Guerra), largou em 28 GPs entre 1971 e 1973. Montou sua equipe com verba de amigos do setor imobiliário da Inglaterra e corria com carros March-Ford alugados. Um sétimo lugar na Espanha em 1973 foi seu melhor resultado. Assumiu sua condição de homossexual depois que deixou a F-1. Chegou a frequentar autódromos ao lado de modelos para disfarçar e não ser vítima de homofobia. Até hoje, é o único piloto homem assumidamente homossexual que passou pela F-1. Lella Lombardi, única mulher que pontuou na história (sexta colocada no GP da Espanha de 1975), também se declarou gay anos depois de passar pela categoria. Morreu em 1992, aos 50 anos, de câncer.

A vida é foda.