Blog do Flavio Gomes
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A primeira panca…

SÃO PAULO (tô indo, tô indo!) – Estava fechando o computador, dando uma zerada nos e-mails, e encontro o texto do Brandão. Que reproduzo, sem mais comentários… A PRIMEIRA PANCA A GENTE NUNCA ESQUECE… É noite de sexta-feira e nosso intrépido herói cumpre seu ritual pré-corrida: pizza, cerveja e caipirinha, com amigos e Matuzas contando […]

SÃO PAULO (tô indo, tô indo!) – Estava fechando o computador, dando uma zerada nos e-mails, e encontro o texto do Brandão. Que reproduzo, sem mais comentários…

A PRIMEIRA PANCA A GENTE NUNCA ESQUECE…

É noite de sexta-feira e nosso intrépido herói cumpre seu ritual pré-corrida: pizza, cerveja e caipirinha, com amigos e Matuzas contando casos e se divertindo até tarde. Uma dieta recomendada por grandes desportistas como Montoyucho e Ronalducho.

Na mesa, Caíque Pereira, Luis Salomão, Paulo Tohmé, Roberto dal Pont, Sérgio Spagnolo e muitos outros. Dentre eles, minha mulher e eu. Cheguei tarde, vindo direto do trabalho, fico na ponta da mesa, umas três cadeiras de distância do Flavio.

Dal Pont não pára de contar histórias e mais histórias, material suficiente para umas dez colunas. Trouxe a contabilidade da Equipe Brasil, no tempo em que, além de piloto, também era o responsável (???) pelas contas da equipe. Tudo descrito direitinho e escrito a bico de pena, com caneta tinteiro! Caíque chega perto e começa a conversar sobre a idéia de um livro. Dali a pouco, Gomes não resiste, se aproxima e pergunta: “Como estão as coisas? Você acha que eles vão gostar? Vai dar certo, de novo? Acho que estou meio nervoso”, fala.

Aquilo estava patente. Flavio Gomes normalmente fala rápido, mas com precisão, até por necessidade profissional. Mas, ali, as palavras estavam saindo como balas de uma metralhadora, parecendo narrador de turfe.

“Acho que a coisa me pegou, essa história do farnel…”, continua. “Você sabe que eu bati, no treino de hoje?”

Percebendo a excitação na voz, tento acalmá-lo. Melhor deixar ele desabafar…

“Peguei o carro, senti que estava muito bom. Tinha certeza de que iria baixar muito meu tempo, mas saí apressado e errei… Rodei feio…”, fala, meio preocupado.

Na verdade, nosso herói sentiu o carro bom (confirmado por seus adversários e amigos, ali na mesa), saiu dos boxes e já resolveu arrepiar na primeira volta lançada, mesmo com os pneus frios. No final da reta, entrando na curva do Lago, precisou de aderência, que não veio. Rodou e deu uma panca com fé.

“Enquanto o carro rodava, só conseguia pensar na torcida. Não importava o que acontecesse comigo, mas a Deka não podia se machucar. Nem que tivesse de alugar um outro carro, eu correria para a galera que vai estar amanhã lá”, descrevia. “Quando cheguei aos boxes os mecânicos começaram a mexer no carro, me garantiram que tudo estaria bem para sábado e, vendo o meu desespero, me mandaram andar – sai, vai para casa, o carro ficará bom, você vai correr amanhã”, continuava.

Senti que ele queria nos receber com todas as honras possíveis, na nossa casa da velocidade, através de um desempenho inesquecível do #96!

O que ele não sabia, era que não precisávamos disso, já estávamos mais do que felizes e alegres com toda a festa que ele vem nos proporcionando, no mundo virtual e no mundo real. Mas, como dizer isto para o cara que queria nos agradar?

Fiquei quieto (o que é difícil) e o abracei.

A primeira panca, a gente nunca esquece…