SÃO PAULO (onde se compra lima da Pérsia? No Irã?) – Mais de um agradável almoço. Inteligente e pertinente comparação entre seriados de TV e a Fórmula 1.
Acompanhem o raciocínio. Os especialistas em televisão nos EUA argumentam que todo seriado passa por quatro fases distintas. A primeira quando ele é meio “cult”, poucos assistem, só os entendidos, uma coisa meio elitizada. Depois ele vira um “mass product”, as pessoas começam a falar, sai no jornal, se populariza. Na terceira fase, o seriado entra numa certa “self parody”, começa a tirar sarro dele mesmo. Por fim, a quarta fase, entra em decadência.
A F-1 viveu sua fase “cult” dos anos 50 até Jim Clark, digamos. Não era propriamente um produto de mídia, e sim uma competição feita pelos e para os melhores. Entrou em sua fase de massificação com o advento das transmissões da TV e a chegada dos grandes patrocinadores, que precisavam que aquilo se tornasse um negócio popular para vender seus cigarros e bebidas. Essa fase pode ter como marco final a morte de Senna. Vem a auto-paródia, a F-1 brincando com ela mesma, abrindo espaço para pilotos sem grandes predicados, legiões de japoneses, malaios, indianos, equipes risíveis, mafiosos, proxenetas, picaretas, aventureiros ocupando o espaço que fora de lordes, gentlemen, nobres.
Agora, a decadência.
Faz todo sentido.
Meu interlocutor de certos almoços é um cara sagaz, culto e inteligente. E quer um Candango.