Blog do Flavio Gomes
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Elegância versus mau-gosto

SÃO PAULO (não, não caí da cama) – Torço um pouco o nariz para tuning. Bastante, para ser sincero. Neon, pedaleira de corrida, tapete de metal, máscara nas lanternas, som bombando, rodas de aro 200, molas cortadas… Sei lá, posso estar ficando velho. Meu primeiro carro, um Gol LS 1982 prateado, tinha um toca-fitas Rio […]

SÃO PAULO (não, não caí da cama) – Torço um pouco o nariz para tuning. Bastante, para ser sincero. Neon, pedaleira de corrida, tapete de metal, máscara nas lanternas, som bombando, rodas de aro 200, molas cortadas…

Sei lá, posso estar ficando velho.

Meu primeiro carro, um Gol LS 1982 prateado, tinha um toca-fitas Rio de Janeiro, um amplificador Tojo, conta-giro original no painel, um console com três reloginhos, rodas de Porsche, quatro faróis redondos e forração das portas e das laterais traseiras de tecido preto. Coloquei também vidro elétrico.

Tudo muito discreto. No parte dianteira do painel colei, bem pequenininhas, as silhuetas dos quatro de Liverpool como na capa de “Help”. Eu mesmo desenhei e recortei, em papel Contact. Só. Era apenas um carrinho bonito, com alguns toques personalizados.

Hoje as coisas são mais, digamos, exageradas. Tanto que até inventaram um nome, importado, evidentemente, que virou até verbo: tunar.

Ugh.

Nos anos 60, “tunava-se” também. Mas com mais elegância. Veja o que fazia a Serv-Motor com um Belcar: volante esportivo, jacarandá no painel com estofamento, bancos individuais, teto-solar, alavanca de câmbio no chão, rodas cromadas, conta-giros…

Nossa, devia ser um negócio de doido, um Belcar desses. Um verdadeiro “fuorilinea”.

Fuorilinea. Até a palavra é bem mais bela, sonora e elegante que tuning.