SÃO PAULO (allez) – A foto abaixo, que o Jonny’Ula-lá mandou mencionando o antigo programa de formação de pilotos da Elf, faz pensar no curioso caso da França.
O país tem enorme tradição no automobilismo, e se te pedirem para mencionar cinco bons pilotos da terra de Asterix, não será muito difícil. Alguns aparecem na foto (a propósito, bom exercício: acerte o nome de cada um e concorra a… uma baguete!).
Só um foi campeão na F-1, Alain Prost. No total, 68 franceses disputaram GPs na categoria e 12 conseguiram ganhar corridas. Mais números: 79 vitórias no total (51 de Prost, 7 para Arnoux, o segundo colocado no ranking), perdendo apenas para Grã-Bretanha, Alemanha e Brasil nas estatísticas; 79 poles (33 de Prost, 18 de Arnoux); 293 pódios; 87 voltas mais rápidas.
A última vitória, salvo traição infame de minha memória, foi aquela do Panis em Mônaco, 1996.
Claro que os números franceses são anabolizados pela genialidade de Prost, assim como os alemães pertencem quase todos a Michael Schumacher. O Brasil, nisso, é mais equilibrado, distribuindo vitórias, poles e títulos de forma mais democrática.
Mas quero falar é da França. Está na cara que o trabalho da Elf nos anos 70 rendeu ótimos frutos. A petrolífera, que era estatal, investia em categorias e pilotos, em tecnologia e desenvolvimento. Fez escola. E de seus bancos saíram muitos bons alunos. Os da foto, por exemplo.
A Elf foi privatizada, permaneceu na F-1 apenas como patrocinadora e parceira da Renault e deixou de lado seu “projeto social” de fomentar o automobilismo francês. E o que aconteceu? Em 2005, com a aposentadoria de Panis, não havia ninguém no grid capaz de falar “bonjour” sem sotaque. No ano passado, Franck Montagny disputou seis provas. E acabou. Acabou mesmo, porque no ano que vem nem GP na França haverá, porque o autódromo de Magny-Cours foi excomungado.
(Essa prova no estacionamento da EuroDisney, se ocorrer, merecerá boicote internacional. Não tem cabimento fazer tal pataquada num país com tantos autódromos históricos, como Paul Ricard, Le Mans, Dijon e muitos outros.)
A França motorizada, que também assiste surpresa à debandada da Renault das categorias de base no mundo inteiro, vive situação parecida com a do Brasil no que diz respeito à formação de pilotos e fomento de modalidades que possam resultar, em médio prazo, numa boa geração de jovens capazes de se destacar no cenário internacional.
Claro que o quadro não é tão negro quando aqui porque a França não vive de monopostos e seu automobilismo, no geral, continua forte. Há os ralis, as provas de Turismo, a participação da própria Renault na GP2, a Peugeot de volta às provas de protótipos e muito mais.
Só que quando se olha para a F-1, as coisas andam mal. A renovação de quadros voltados para os monopostos deu uma estancada. Hoje, o melhor piloto francês de fórmula é Sébastian Bourdais, que está nos EUA. Tem uma galerinha na GP2 que pode vir, mas ninguém assombroso. O jeito é esperar o destino cuidar deles. Ou que a Elf resolva dar uma mãozinha…