Blog do Flavio Gomes
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Villeneuve, 10

SÃO PAULO (já?) – Hoje faz dez anos que Jacques Villeneuve conquistou seu primeiro e único título na F-1. Foi em Jerez, aquela decisão espetacular que marcou a carreira de Schumacher, por ter jogado o carro sobre o canadense na 48ª volta daquele GP da Europa. Foi uma corrida muito marcante para mim porque naquela […]

SÃO PAULO (já?) – Hoje faz dez anos que Jacques Villeneuve conquistou seu primeiro e único título na F-1. Foi em Jerez, aquela decisão espetacular que marcou a carreira de Schumacher, por ter jogado o carro sobre o canadense na 48ª volta daquele GP da Europa.

Foi uma corrida muito marcante para mim porque naquela semana estava chegando às bancas o “Lance!”, diário para o qual cubro F-1 desde sempre. Um empreendimento ousado que muita gente achava que não daria certo. Está completando seu décimo aniversário.

E foi também a melhor decisão da F-1 dos últimos tempos, até a de domingo em Interlagos. Aquele campeonato também foi elétrico até o final, com Villeneuve e Schumacher trocando farpas, Williams se aliando à McLaren (tanto que a vitória em Jerez acabou sendo dada de presente por Jacques a Mika Hakkinen), o maior barato.

Mas vocês se lembram quando disse que os fãs e torcedores se importam muito mais com os resultados dos campeonatos e das corridas que os próprios pilotos, naquele post sobre a festa da McLaren com Hamilton no domingo? Mencionei o porre que o Villeneuve tomou (eu também, e mais um monte de gente) na festa em Suzuka, uma prova antes. O canadense tinha sido desclassificado e corria o risco de perder o campeonato. Achei a foto que tiramos juntos, ambos já pra lá de Bagdá.

1997 foi um daqueles anos de vacas magérrimas para a imprensa brasileira, porque Barrichello estava na Stewart, sem chance de fazer muita coisa, e o outro piloto do país era Pedro Paulo Diniz, da Arrows, igualmente sem chance de fazer coisa alguma.

O contingente de jornalistas brasileiros que três anos antes, com Senna, passava dos 20, 25, estava reduzido a isso que se vê na foto abaixo: cinco caras. Eu, Livio Oricchio, Odinei Edson, Reginaldo Leme e o Claudinho Macaxeira, técnico de som da Globo. Os demais, na mesa, são os amigos de Suzuka Farol (esquerda, no fundo), Arnaldo (ao meu lado) e o português José Miguel de Barros (o primeiro à esquerda, careca).

As fotos estão em preto-e-branco porque na época estavam na moda no Japão aquelas câmeras descartáveis que já faziam imagens em P&B ou sépia. Comprei uma tonelada delas. Ainda tem um monte em casa.

A cobertura em Suzuka, por conta das punições que Villeneuve vinha recebendo (os caras pegavam no pé dele com bandeiras amarelas em treinos), não era mesmo das mais fáceis. A outra foto, tirada pelo Arnaldo, da turma de brasileiros que vivem até hoje na cidade, mostra a ginástica que eu tive de fazer para gravar o piloto da Williams reclamando da vida. Não é à toa que estão reformando tudo nesse autódromo, que está praticamente do mesmo jeito nessa parte de trás dos boxes até hoje…

Em Jerez, finalmente, Jacques conquistou o título naquele célebre toque de Schumacher, cuja imagem está aqui. Nos links dessa página do YouTube há muitos mais vídeos sobre aquela corrida histórica que teve, entre outras coisas, os três primeiros no grid (Villeneuve, Schumacher e Frentzen) fazendo exatamente o mesmo tempo na classificação. Mesmo, mesmo! Até os milésimos.

Por fim, só uma curiosidade: o “lead” do meu texto de abertura para os jornais da rede Warm Up no domingo do título, já na Espanha. Um fac-símile da página do “Diário do Povo” de Campinas está na parede do meu escritório, por coincidência, e escrevi o seguinte:

Foi a vitória do mocinho contra o bandido. Jacques Villeneuve sobreviveu a uma manobra desleal de Michael Schumacher e conquistou ontem o título mundial de Fórmula 1 de 1997. Ele é o primeiro canadense campeão do mundo na história da categoria. Jacques terminou o GP da Europa, em Jerez, na terceira colocação. Schumacher, ao tentar tirar o piloto da Williams da corrida, acabou saindo da pista e abandonou.

E por aí vai.

E já se foram dez anos.