Blog do Flavio Gomes
Sem categoria

o banana da stock

SÃO PAULO (coisa feia) – Quando chamei Renato Russo de bundão aqui na semana passada, não foi à toa. Ele deu uma histórica entrevista à repórter Erica Akie, de “O Estado de S.Paulo”, com uma denúncia gravíssima. Disse que pilotos da Stock se drogam e ingerem álcool antes das corridas. Pediu antidoping na categoria. Achei […]

SÃO PAULO (coisa feia) – Quando chamei Renato Russo de bundão aqui na semana passada, não foi à toa.

Ele deu uma histórica entrevista à repórter Erica Akie, de “O Estado de S.Paulo”, com uma denúncia gravíssima. Disse que pilotos da Stock se drogam e ingerem álcool antes das corridas. Pediu antidoping na categoria. Achei que estava prestando um enorme serviço ao automobilismo brasileiro.

Mas aí, diante da repercussão e da possibilidade de ser punido, voltou atrás. Falou em outras entrevistas que foi mal-interpretado pela jornalista. Desqualificou seu trabalho. Alegou que ela não entendeu bem o que queria dizer.

Bem, para tirar qualquer dúvida, aqui está F10E113406FAC0D3CC7505210B7" target="_blank">a gravação da entrevista. A contagem de tempo é regressiva. O trecho com as denúncias começa a 14min21s do final. É ele quem toca no assunto. A repórter nem perguntou nada. “Tem piloto que bebe uísque antes da largada. Tem piloto que fuma maconha, que cheira”, disse Russo. E depois falou também que há pilotos que “tomam bomba”, porque ficaram muito fortes nos últimos tempos. “Isso altera.”

Erica apenas fez o seu trabalho, e muito bem. Não interpretou nada, nem bem, nem mal. Simplesmente passou para o papel o que ouviu de Russo.

Sua atitude em relação a ela deixa claro, portanto, que o piloto não quis prestar serviço nenhum ao automobilismo. Se quisesse, manteria a palavra. Sustentaria as denúncias. Assumiria as acusações. Só que não fez isso. Recuou, com o rabinho entre as pernas. Querer se safar de eventuais punições acusando a repórter de não ter entendido o que disse é patético.

Mas, no fim, mesmo sem querer, prestou um serviço ao automobilismo, sim. Graças a essa entrevista e ao barulho que ela causou, a CBA e a Vicar vão fazer antidoping na Stock em 2008 — ao menos é o que prometem ambas, e espero que façam, mesmo.

Renato, um piloto de 40 anos que não teve culpa alguma no acidente que matou Rafael Sperafico e dele não precisa se defender, riscou sua reputação. Continua um banana, pois. Mas um banana útil, afinal.