Blog do Flavio Gomes
Pequim 2008

PLANTÃO NOTURNO

PEQUIM (deu sede) – Por conta das 11 horas a mais de fuso em relação ao Brasil, o trabalho dos que estão aqui cobrindo os Jogos para veículos brasileiros acaba fazendo com que a gente tenha de cumprir jornada dupla quase todos os dias. Uma das pautas da Nara Alves para o iG ontem era mostrar um pouco […]

PEQUIM (deu sede) – Por conta das 11 horas a mais de fuso em relação ao Brasil, o trabalho dos que estão aqui cobrindo os Jogos para veículos brasileiros acaba fazendo com que a gente tenha de cumprir jornada dupla quase todos os dias. Uma das pautas da Nara Alves para o iG ontem era mostrar um pouco da noite de Pequim.

Para mostrar a noite, o melhor a fazer é escrever à noite e na noite, como dizia Confúcio a seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotung: “Quando tua alma for tomada pela escuridão e pelas trevas, iluminai teu caminho com a seiva dourado da sabedoria”, e pedia uma porção de frango à passarinho e uma cerveja a Gah-Fang-Yotung, e gritava lá da varanda, “gelada, porra!”.

Decidimos apurar tudo no local, então, e seguimos para San Li Tun, a Vila Madalena de Pequim. Uma vez instalados numa mesa na calçada, a Nara sacou seu laptop e disparou a escrever. Ela já tinha feito umas fotos e algumas entrevistas e mandou ver. Para não ficar atrás, também peguei meu computador e aproveitei para fazer algumas coisas que estavam atrasadas. Dois jornalistas loucos com dois laptops na mesa no meio da muvuca. E sabe o pior? Ninguém nem olhava para a gente. Passavam todos pela calçada como se fosse a coisa mais normal do mundo dois loucos escrevendo no meio da madrugada num bar.

É o futuro que chegou. A conexão com um modem externo ou uma rede no ar, e você fala com quem quer, na hora que quiser, manda fotos, recebe vídeos, só não faz chover. Para quem, como eu, já trabalhou com telex e telefoto, é um admirável mundo novo.