Blog do Flavio Gomes
Pequim 2008

TAXA NELES

PEQUIM (estão aprendendo) – Quem anda pelas ruas das grandes cidades chinesas, nós, ocidentais, fica chocado com o jeito que eles dirigem. Novidade zero. Vocês já devem ter visto uma reportagem em cada canal de TV aí no Brasil sobre isso. É a história da buzina e das conversões suicidas. Pedestres e ciclistas, que são […]

PEQUIM (estão aprendendo) – Quem anda pelas ruas das grandes cidades chinesas, nós, ocidentais, fica chocado com o jeito que eles dirigem. Novidade zero. Vocês já devem ter visto uma reportagem em cada canal de TV aí no Brasil sobre isso. É a história da buzina e das conversões suicidas. Pedestres e ciclistas, que são muitos, se viram como dá. O motorista padrão chinês, quando resolve mudar de faixa numa grande avenida, simplesmente vira o volante, como se não houvesse carro nenhum na faixa ao lado. Buzinam, trocam olhares, mas não se batem. Ao menos não com a frequência que seria esperada. É um negócio meio milagroso.

Há uma explicação para isso. Carro é uma novidade para o chinês comum. Apesar de o país ser enorme e ter gente saindo pelo ladrão, até uns 20 anos atrás eram raros os que tinham a chance de comprar um automóvel. Por isso que a frota visível nas metrópoles não assusta pela antiguidade, como acontece em países como Índia e Tailândia, por exemplo, para ficar nas redondezas. Em geral são carros novos, poucos caindo aos pedaços, a maioria rodando direitinho, sem portas amassadas ou lanternas quebradas.

A popularização do automóvel ajudou a elevar os gastos do governo chinês com a importação de petróleo, que foram às alturas. Embora o país tenha uma produção razoável, 50% do que consome vem de fora. E as autoridades perceberam que era hora de fazer algo antes de entrar no cheque especial das contas externas.

A manchete de hoje do “China Daily”, o principal jornal de língua inglesa do país (se não for o principal, passou a ser; não conheço outros), informa que o governo vai mandar o bastão em quem quiser comprar barcaças que bebem demais. Carros com motores 4.0 ou acima disso serão taxados em 40% a partir de 1º de setembro. Até agora, a taxa era de 20%. Para os carros com motores entre 3.0 e 4.0, as taxas passam de 15% para 25%. 

Veículos de potência média tiveram a mordida do leão mantida. Carros com motores entre 2.2 e 3.0 pagam 9%; entre 1.0 e 2.2, 5%. E as jabiracas com motores menores que 1 litro tiveram os impostos reduzidos de 3% para 1%.

No ano passado, segundo a associação dos fabricantes, os carrões beberrões tiveram suas vendas aumentadas seis vezes, e os pequeninos com cara de Pokémon tiveram queda de 31%.

A chinesada está cheia da grana, compra mesmo. Só que, agora, os novos-quase-ricos vão ter de se acostumar com esse negócio chato do Ocidente que é o imposto. Quando começar a pesar no bolso, terão de trocar seus Audis, Mercedes e BMWs por tranqueirinhas menos onerosas. Pensam que é fácil viver no capitalismo?