Blog do Flavio Gomes
Stock Car

NA ESTOQUE…

SÃO PAULO (cota dominical) – Não assisti à corrida pela TV porque, ao contrário do que informa a patrocinadores e público em geral, a Estoque não tem suas provas transmitidas pela emissora oficial. Não neste ano, pelo menos. Sei lá qual o esquema que foi fechado, mas o fato é que apenas flashes das etapas […]

SÃO PAULO (cota dominical) – Não assisti à corrida pela TV porque, ao contrário do que informa a patrocinadores e público em geral, a Estoque não tem suas provas transmitidas pela emissora oficial. Não neste ano, pelo menos. Sei lá qual o esquema que foi fechado, mas o fato é que apenas flashes das etapas de Interlagos e Curitiba (a de hoje) foram exibidos até agora — nesta manhã, eles pingaram entre um vôlei e uma reportagem sobre meia-maratona, entre um dueto Parreira-Zagallo e os gols do Maracanã. E a SporTV, braço por assinatura global, também não passou nada ao vivo.

Não estou, aqui, criticando a grade de programação global. Não tenho nada a ver com isso. Nem com as dificuldades que a Estoque teve, nesta temporada, para comprar o tempo na TV.

O que critico, e sempre, é a cascata, a mentira jornalística, a farsa destinada a ludibriar o torcedor. Até o ano passado, dizia a Globo, a Estoque era a melhor categoria de Turismo do mundo, melhor que a DTM, o WTCC e o BTCC juntos. Tinha os pilotos de mais alto nível do planeta, melhores que os da F-1, do WRC e da Indy juntos. “Onde veremos pilotos tão bons quanto Valdeno Brito, Duda Pamplona e David Muffatto na mesma categoria? Hein? Hein?”, perguntavam, já respondendo, os responsáveis pelas transmissões.

Bem, pelo jeito deixou de ser a melhor do mundo. Neste ano, merece migalhas no programa matinal de esportes e desafios internacionais, não tem cobertura, e quem acreditou que era a melhor do mundo que fique chupando o dedo, agora. Não por acaso, o carro de Valdeno Brito, o vencedor de Curitiba, não tinha patrocínios. Apenas uma mensagem de cunho religioso e a estampa do governo da Paraíba, que ajuda o piloto (assim como o governo amazonense, ou a prefeitura de Manaus, não sei direito, ajuda o Pizzonia).

E, pelo jeito, será assim a saga estoquiana na TV, neste ano.

Quanto aos patrocínios de governos a pilotos, estes deixo para vocês comentarem. Eu tenho uma opinião formada. Acho que empresas estatais que competem no mercado podem, e devem, anunciar. Não no automobilismo, especificamente, mas onde seus departamentos de marketing acham que é mais adequado. Também não vejo mal no apoio estatal ao esporte de base, olímpico ou não, desde que seja algo que tenha algum fundo social, ou visando o fomento à prática esportiva.

Mas um governo, assim genericamente, que não vende nada e que certamente tem coisas mais importantes a fazer com o dinheiro público, deveria se manter longe desses caprichos motorizados. O quê o governo da Paraíba ganha patrocinando um piloto? “Ah, promove o turismo local”, dirá alguém.

Conte outra. Não nasci ontem.