SÃO PAULO (bom…) – Ribeirão Preto pode ser uma boa cidade, pode ter o Pinguim, o Comercial e o Botafogo, mas não acho que é melhor do que Mônaco, não. Nem a cidade, nem a pista. Em todo caso, foi o que pincei dos vários press-releases que recebi hoje das assessorias dos diversos pilotos e equipes da Estoque, que treinaram pela primeira vez no circuito de rua que recebe a categoria neste fim de semana.
Quase todos os textos vêm com elogios. É praxe, o mundo da Estoque é cor-de-rosa. Alguns chamaram o traçado de “kartódromo”, é verdade. Mas ninguém malhou muito. Não que eu saiba.
Ainda bem. Porque soube pelo twitter do colega Bruno Vicária que teve alguém que disse, ontem, que não seria justo mesmo reclamar. Afinal, nenhum piloto foi lá antes para ver o trabalho que estava sendo feito. E tempo é o que não falta para essa turminha da Estoque… Aliás, não tem uma comissão de pilotos para ver esses circuitos novos quando eles estão sendo construídos?
Bem, a corrida vai ser uma porcaria, podem ter certeza. A pista ficou muito travada e estreita. Não dá para ultrapassar. Vai ser que nem a de Salvador, uma procissão. Com muitas bandeiras amarelas. Não existe milagre.
Mas é melhor que Mônaco, segundo o Tarso Marques, que empresta o título a esta notinha. E aí está o que ele disse, segundo sua assessoria de imprensa.
No meio desta semana, Tarso Marques afirmou que Ribeirão Preto e Mônaco têm tudo a ver. Após disputar os treinos livres desta sexta-feira, a conclusão do piloto da Gramacho Costa mudou um pouquinho: “Ribeirão é muito melhor!”
Ao contrário da enxurrada de críticas de outros pilotos sobre a qualidade e a segurança, Tarso fez elogios ao traçado. “Eu gostei da pista”, disse, do alto de sua experiência como ex-piloto de F-1, F-Indy, e diversas categorias do automobilismo internacional, que competiu nas pistas mais difíceis do mundo, como Surfer’s Paradise, na Austrália, e Pau, na França, entre outras.
“A pista é lenta porque o carro é pesado, mas o asfalto é muito bom. Temos apenas dois pontos que acho que poderiam ser mais seguros. Mas, no geral a pista de Ribeirão é dez vezes melhor que Mônaco. Mas, pelo fato de ser lá, todo mundo acha tudo lindo e glamoroso”, disparou o paranaense.
A opinião é partilhada por seu companheiro, o também experiente Christian Fittipaldi, que também já correu pelas duas principais categorias de monopostos do planeta. “Pista de rua é pista de rua. Não tem o que inventar. É tudo a mesma coisa”, afirma.
Christian faz uma pequena análisa da pista de 2,2km montada na região que compreende as Avenidas Lygia Latuf Salomão e Avenida Brás Olaia Acosta, no Subsetor Sul 5. “É um pista de baixa para média velocidade. A curva 3 é boa. Já a segunda parte é estreita demais e lenta. Se der para conciliar e deixar mais rápida ficará melhor.”
Bem, agora é com a blogaiada da região. Sempre tenho interesse em saber como são esses eventos novos do ponto de vista do público. Vocês que forem, por favor contem tudo. Sobre a estrutura, as arquibancadas, o rango, os ingressos, a organização e, claro, a prova. Que pode ser boa também, por que não? Estão dizendo até que pode chover amanhã, na classificação… Hoje fez um calor danado.
Eu adoro corrida de rua. Pena que as tentativas recentes aqui no Brasil carecem de um mínimo de preocupação com o esporte propriamente dito. Acabam virando eventos para patrocinadores e organizadores se autoelogiarem e demonstrar júbilo para as câmeras de TV e das máquinas fotográficas de revistas de celebridades, que são pagas para produzir “reportagens” mirabolantes sobre “o sucesso” disso e daquilo.
E os pilotos que se danem. Mas vamos torcer para dar tudo certo.