SÃO PAULO (pra quê mais?) – Os mecânicos reclamam da falta de espaço. Outros se queixam da estrutura, que consideram precária. Anos atrás era o asfalto. Interlagos sempre recebe críticas da F-1 como um todo. Mas, da mesma forma, é tratado, o autódromo, com um carinho condescendente por quase todos. O traçado, embora não seja mais o mesmo há 20 anos, ainda é considerado espetacular, capaz de oferecer boas corridas. E a verdade é que a turma gosta do clima da corrida, da cidade, das caipirinhas, dos rodízios. Dá para acreditar, até, que esse pessoal acostumado a um luxo cada vez maior e mais supérfluo curte uma chegada na perifa da grande metrópole. Ao menos uma vez por ano.
E tenho cá minhas desconfianças do porquê.
É porque Interlagos é uma das últimas pistas de verdade, a falta de estrutura e de espaço lembra um pouco o que eram os autódromos de antigamente, o jeitão mais circense da F-1, de uma turma menos numerosa e mais íntima, que se encontrava em geral a cada duas ou três semanas em geral nos países europeus, nos circuitos instalados em pequenas cidades, e todo mundo se conhecia, jantava nos mesmos lugares, muitas vezes viajava junto.
É o que se chama de “era romântica”, seja lá o que for isso.
Hoje tem muito mais gente, os países são mais distantes e tudo parece meio artificial, como essas pistas de Abu Dhabi, Coreia do Sul, Bahrein, Cingapura, Malásia, Valência.
Bom, pelo menos é o que eu disse para o jornalista inglês que encontrei agorinha, fazia tempo que não nos víamos, e ele me perguntou por que não viajo mais a todas as corridas, eu dei essas explicações, e algumas outras, e como ele concordou com tudo, acredito que pensa a mesma coisa. Disse, inclusive, que ano que vem será o seu último. Mas desconfio que falou a mesma coisa no ano passado, e no retrasado, e continua voando de um lado para o outro atrás da F-1, condicionando o calendário de sua vida ao do Campeonato Mundial.
Eu fiz isso por 18 anos e fiquei meio cansado de pegar avião para cada vez mais longe.