LA RONDO (chamando) – OK, há explicações, embora elas nunca me convençam. Nada pode me convencer de que é melhor destruir duas dezenas de carros a regularizá-los. Pode ser mais barato. Melhor, não é. Sempre me soam esquisitas essas histórias. Há uma clássica, das três Simca Abarth que vieram para o Brasil nos anos 60, ganharam um monte em cima da Vemag e da Willys e depois de cumprida sua tarefa, teriam sido jogadas no mar porque era mais caro colocá-las de volta na Europa do que afundá-las na costa de Gênova. No caso desses carros, no entanto, parece que a história é meio fantasiosa e o Mediterrâneo nunca recebeu os Abarth, que estão muito bem, obrigado, nas mãos de colecionadores.
O fato é que escrapearam os Mini depois de três temporadas do campeonato de apoio da Estoque. As imagens circulam na internet há alguns dias. De acordo com os organizadores do campeonato, a BMW, os preparadores e o bispo Sardinha, era algo programado.
Não sei se tiraram peças, se passaram as mãos nos motores ou em outros componentes, se mandaram apenas as carrocerias e chassis para o ferro-velho, não sei quanto custou essa destruição, nem quanto custaria pagar os impostos para que eles ficassem aqui, nem quantos foram dizimados, se sobrou algum, se só sobrou história. Há muitas perguntas, que a gente até tentou fazer para os responsáveis, mas as respostas são sempre as oficiais, “estava previsto”, “é legal”, e fica por isso mesmo.
Nem discuto, devia ser mesmo previsto e certamente é legal do ponto de vista tributário, uma empresa como a BMW não iria se meter em picaretagem — algo que é bastante comum no meio das corridas por aqui. Mas do ponto de vista esportivo, e do ponto de vista de quem gosta de carro, ver esses bichinhos sendo prensados para virar prego não tem nada de legal, é de chorar pelado, como a gente dizia antes.
