Blog do Flavio Gomes
F-1

N’AREIA (2)

SÃO PAULO (Tylenol e cama) – Rosberguinho na pole. E ontem eu dizia que a Mercedes estava mais distante… Bem, duas poles seguidas dos alemães indicam que de fato o carro é bom em classificação e fará outras ao longo do ano. O desafio mercêdico agora é conseguir transformar poles, primeiras e segundas filas em […]

nareia2SÃO PAULO (Tylenol e cama) – Rosberguinho na pole. E ontem eu dizia que a Mercedes estava mais distante… Bem, duas poles seguidas dos alemães indicam que de fato o carro é bom em classificação e fará outras ao longo do ano. O desafio mercêdico agora é conseguir transformar poles, primeiras e segundas filas em pódios e vitórias.

A favor de Rosberg amanhã, para colocá-lo na lista de candidatos à vitória, está a escolha da Pirelli para essa corrida: pneus médios e duros. Eles vão durar mais voltas que os macios da China. Ninguém vai parar com cinco ou seis voltas. Dos médios para os duros, no Bahrein, a diferença é menos gritante. Serão de 15 a 18 voltas as janelas de uso dos médios, pouco mais de 20 dos duros. Em média, três paradas para todos. Com as exceções de praxe. Sempre tem um ou outro que arrisca dois pit stops para ver o que dá no fim.

Mesmo assim, com diferença menores de durabilidade entre os compostos, foi muito interessante a estratégia de Massa. Ele sabia que dois que possivelmente estariam à sua frente no grid, Webber e Hamilton, tinham punições a cumprir. Assim, optou pelos mais duros e seu discreto sexto tempo converteu-se num quarto lugar no grid.

Felipe é o único da turma que foi ao Q3 que vai largar com os duros. Significa que ficará mais tempo na pista na primeira parte da corrida e em algum momento, se não perder contato com os líderes por alguma razão interplanetária, estará na liderança até fazer sua primeira parada. A partir daí pode construir um bom resultado. É fundamental para o brasileiro largar bem. Se conseguir, tem boas perspectivas nessa corrida. Desde que, claro, não comece a despencar depois do pit stop, como tem acontecido com frequência — basicamente por um certa incompatibilidade entre seu estilo de pilotar e a borracha servida à mesa.

Com calor pérsico, trocentos graus no ambiente e no asfalto, a classificação de hoje não reservou excepcionais surpresas, salvo a pole inesperada de Rosberguinho diante dos resultados de ontem. No Q1, estranho foi ver Pica na frente de Branquinho. Vai ver a presença de Kovalento nos boxes da Caterham ajudou. Ele treinou ontem como reserva (que fim de carreira, pelamor…) e pode ter informado a Pica, por exemplo, que o pedal da direita deve ser pressionado até o final nas retas. “Jura?”, respondeu Pica. “Não era o da esquerda?”

A Williams de Maldanado e a Sauber de Guti-guti se juntaram aos quatro nanicos na degola do Q1. Incrível como o carro da Williams é ruim. Virou uma Portuguesa, a equipe. Uma ex-grande. Inacreditável.

No Q2, nenhum grande espanto. Hoje, as cinco favoritas para ocupar as 10 primeiras posições de qualquer grid são Ferrari, Mercedes, Red Bull, Lotus e Force India. A McLaren ficou para trás. Mas sempre vai ter uma ou outra derrapada. No caso do Bahrein, Grojã derrapou e não passou. No lugar dele, quem apareceu entre os melhores foi Button. Que comemorou com enorme euforia a passagem ao Q3. Como é a vida…

Com as punições a Hamilton (+5, trocou o câmbio) e Webber (+3 pela batida em Verme na China), os forceíndicos formam a terceira fila, com Resta Um em quinto e Futil em sexto. Vão dar trabalho amanhã. E quando se fala em dar trabalho, é justamente isso: quem está atrás, e no fim das contas vai chegar na frente, terá bastante trabalho para se livrar dos dois.

Não gosto muito do traçado barenita e por isso não acho que a corrida vá ser assombrosa de boa. Mas tenho a impressão que será bem disputada, e quem quiser compreendê-la vai ter de prestar muita atenção às estratégias de cada um, tempos de volta, hora dos pit stops e tudo mais. A F-1 anda bastante exigente quanto à compreensão de seus eventos. É um tal de fazer conta o tempo todo que às vezes cansa o telespectador. Por isso é importante que quem está narrando e comentando na TV dedique seu tempo mais a isso, a “ler” e traduzir o que está acontecendo na pista, do que a uma sequência de elogios-clichê a quem está ao microfone.

Óbvio que estou falando da estreia de Barrichello como comentarista na Globo. Que será muito útil se Galvão Bueno usá-lo para isso, comentar e ajudar o menos afeito às sutilezas de uma corrida a entender o que está se passando na pista, e não para ficar falando generalidades ou para referendar a tese disseminada todos os domingos de que o piloto brasileiro (ou atleta brasileiro, de qualquer modalidade) é o centro do universo.