Blog do Flavio Gomes
Nas asas

NAS ASAS

SÃO PAULO (caótico, hoje) – O comandante Ma2Tos mandou este vídeo e o texto que segue, reproduzido na íntegra porque hoje o dia está zicado e não estou com muito tempo. Mas é uma história fenomenal. Se houver alguma imprecisão, corrijam. Esta história aconteceu no final da guerra do Vietnã. O avião era um Boeing […]

SÃO PAULO (caótico, hoje) – O comandante Ma2Tos mandou este vídeo e o texto que segue, reproduzido na íntegra porque hoje o dia está zicado e não estou com muito tempo. Mas é uma história fenomenal. Se houver alguma imprecisão, corrijam.

Esta história aconteceu no final da guerra do Vietnã.

O avião era um Boeing 727-100 da World Airways, enviado para a retirada de refugiados que estavam em Da Nang, até então uma cidade no Vietnã do Sul onde havia uma base militar norte-americana.

A bordo do avião, além da tripulação, estava o presidente da empresa, Edward J. Daly, dois jornalistas e um cameraman.

O embarque dos refugiados transcorria em ordem, com as tropas vietnamitas locais fazendo um cordão de isolamento em torno do 727. Porém, rumores de que tropas inimigas se aproximavam rapidamente da base começaram a se espalhar, e o que era um embarque relativamente organizado tornou-se uma grande confusão, com a multidão em pânico tentando embarcar.

Percebendo que a situação estava fugindo ao controle, Daly ordenou ao comandante Kenneth Healy para iniciar imediatamente os procedimentos para a decolagem.

O 727, por ter seus três motores na cauda, e em posição elevada, não oferece maiores riscos às pessoas nas proximidades. Assim que os motores foram acionados, a multidão entrou em pânico, receando ser deixada para trás. A confusão se instalou, com soldados empurrando mulheres e crianças que tentavam embarcar. Soldados abriram fogo atingindo a aeronave e uma granada foi lançada sob a asa, causando danos no trem de pouso e parte dos flaps. Ainda em velocidade reduzida, o avião se dirigiu à pista de decolagem enquanto refugiados e soldados lutavam entre si para subir no avião pela escada traseira, sendo ajudados e puxados pelos que já estavam a bordo.

De acordo com o comandante Healy, eles estavam com aproximadamente nove mil quilos acima do peso máximo de decolagem, o que é bastante. Havia provavelmente 360 pessoas dentro de um avião configurado para 105 passageiros! Na cabine, 268 pessoas, entre “passageiros” e tripulantes, se espremiam enquanto cerca de 80 a 90 pessoas viajavam no compartimento de carga, cujas portas permaneceram abertas durante todo o voo! Testemunhas disseram que durante a corrida e fase inicial de decolagem, pessoas foram caindo do avião, já que no desespero vários tentaram viajar no compartimento dos trens de pouso.

Não foi um voo fácil, pois vários problemas surgiram. A escada traseira do 727 permaneceu parcialmente estendida. Os trens de pouso principais não foram recolhidos, uma vez que havia danos causados pela explosão da granada. Além disso, recolhê-los significaria um risco àqueles que estavam espremidos no compartimento das rodas. Dois terços do flap interno da asa esquerda também estavam danificados devido à granada, e o avião não pôde ser pressurizado, sendo o voo realizado a 10.000 pés de altitude. Apesar do tremendo aumento no consumo, a tripulação finalmente pousou o 727 com segurança em Saigon, restando pouquíssimo combustível nos tanques.

Anos mais tarde o comandante Healy assumiu a vice-presidência da World Airways, sempre elogiando o Boeing 727 pela sua excelente performance, confiabilidade e resistência.