Blog do Flavio Gomes
F-1

TINTIM POR TINTIM (3)

SÃO PAULO (nem lá, chuva?) – Domingo de sol, algumas nuvens, 23 graus. Previsão de chuva para o fim da tarde. Danou-se, pensei. Vai ser uma corrida chata. No seco, numa pista como a de Spa, com um carro como a Mercedes largando na primeira fila, não há espaço para grandes surpresas. E só não […]

ttmiluSÃO PAULO (nem lá, chuva?) – Domingo de sol, algumas nuvens, 23 graus. Previsão de chuva para o fim da tarde. Danou-se, pensei. Vai ser uma corrida chata. No seco, numa pista como a de Spa, com um carro como a Mercedes largando na primeira fila, não há espaço para grandes surpresas.

E só não foi integralmente aborrecida, esta prova, porque o segundo escalão teve bastante movimento, com ultrapassagens acontecendo a todo momento — embora nenhuma que possa ser colocada na categoria de “espetacular”. E porque Rosberguinho teve algum trabalho para chegar em segundo, depois de u’a má largada. Para o pole Hamilton, foi um passeio pela floresta. Voltou bem das férias, o inglês. Com a sexta vitória no ano, foi a 227 pontos, contra 199 do companheiro de equipe.

O início do GP da Bélgica foi razoavelmente tumultuado. Hülkenberg, com problemas anunciados pelo rádio, foi para o grid mesmo assim. Quando chegou, o carro apagou. Nova volta de apresentação, distância original da prova reduzida em uma volta. Houve punições a granel depois da classificação, e uma delas, não relatada ontem, foi a de Kimi Raikkonen — que caiu um pouco no grid por troca de câmbio. Para a segunda largada, Sainz, também reclamando de falta de potência, foi para os boxes. Quando a Toro Rosso descobriu o que tinha acontecido, já estava uma volta atrás.

Com 18 carros finalmente alinhados, começou a prova, sob aquela interrogação da largada: quem iria se atrapalhar com a proibição da ajuda dos boxes para regular embreagem?

Rosberg foi o pior, caindo de segundo para quinto. Ricardão saltou para terceiro. Bottas, terceiro no grid, perdeu uma posição. E Pérez apareceu em segundo. Mais para trás, Massa caiu para nono e Vettel subiu para sexto. Foi mais ou menos isso. No fundo, no fundo, Rosberguinho foi quem se estrepou mais.

Sapattos foi ultrapassado logo de cara por ele, no entanto, e por Tião Italiano na sequência. Maldonado foi o primeiro a quebrar na pista. Com neguinho abandonando já no início, Alonso apareceu em 13° nas primeiras voltas, embora tenha largado da Noruega, o que fez com perdesse algum tempo na imigração.

Discretíssimo, Massa se segurava em oitavo. Foi ultrapassado por Kvyat na sexta volta, como se estivesse parado. Isso aconteceria novamente no fim da corrida. A Williams não estava num bom dia, o que era estranho. Nesse tipo de circuito, deveria andar bem.

Na oitava volta, Ricardão parou e colocou pneus médios. Bottas foi ultrapassado por Grojã e caiu para sexto. Depois da primeira janela para valer de paradas, um pouco mais adiante, Hamilton voltou sossegado na frente, com Rosberguinho já em segundo. Pérez ficou para trás, em terceiro. Mas o mais legal foi a Williams, com Bottas. Colocou três pneus macios e um médio no seu carro. Dá para acreditar? A punição, não prevista em regulamento algum, foi um drive-through. Fora a vergonha.

Lá na frente, Grojã era o cara, escalando o pelotão com ultrapassagens bonitas em gente grande, como Ricciardo e Pérez. O mexicano foi para os boxes e, na mesma hora, na saída da antiga Bus Stop, o australiano da Red Bull pifou. Com o safety-car virtual acionado, uma pá de gente aproveitou para fazer mais um pit stop. Os líderes, não.

[bannergoogle] A prova seguiu na maior normalidade, com Hamilton e Rosberg, firme em segundo, fazendo suas segundas paradas e mantendo as posições. Vettel se segurava em terceiro, com apenas um pit stop. Mas Grosjean, com pneus mais novos, chegou nele, a duas voltas do final. Kvyat, um pouco mais atrás, também fazia bem seu papel, passando Massa e Pérez para assumir o quinto lugar.

Vettel aguentou até uma volta e meia para o final, com seus pneus esbugalhados. O traseiro direito estourou. Tião tinha parado na volta 14. Era uma aposta arriscada ficar com a mesma borracha até o fim. Não se pagou, e o pódio caiu no colo, merecidamente, do francês da Lotus. Acontece, às vezes.

Hamilton conseguiu a 39ª vitória na carreira — é mais um que logo, logo alcança Senna. Rosberguinho foi o segundo, com Grosjean em terceiro. Fecharam a zona de pontos Kvyat em quarto, uma excelente prova, Pérez em quinto, igualmente bem, Massa em sexto, mais ou menos, Raikkonen em sétimo, também mais ou menos, Verstappen em oitavo, corrida honesta, Bottas em nono, fraco e atrapalhado, e Ericsson em décimo, salvando o domingo da Sauber.

Previsível, a dobradinha da Mercedes. Menções honrosas a Kvyat, Pérez e, claro, Grojã. Nota de rodapé: Massa passou Bottas na classificação, foi a 82 pontos e empatou com Raikkonen na quarta colocação. Faz um campeonato honestíssimo, o brasileiro, embora longe de ser brilhante.

Acabaram as férias. Mas está tudo igual.