Blog do Flavio Gomes
F-1

THIS IS THE END OF THE WORLD

RIO (também demorei) – Ficaremos alguns meses sem corridas. Na F-1, na F-E, na MotoGP, na Indy (Indy, hello!), no WRC, no WEC… Aquela lista de quarta-feira se ampliou enormemente nos últimos dois dias e o mais prudente é, mesmo, parar tudo. O esporte a motor é particularmente sensível numa situação como a do coronavírus […]

RIO (também demorei) – Ficaremos alguns meses sem corridas. Na F-1, na F-E, na MotoGP, na Indy (Indy, hello!), no WRC, no WEC… Aquela lista de quarta-feira se ampliou enormemente nos últimos dois dias e o mais prudente é, mesmo, parar tudo.

O esporte a motor é particularmente sensível numa situação como a do coronavírus porque contraria a primeira norma dos médicos e sanitaristas em casos de epidemias e/ou pandemias: a restrição da circulação de pessoas para estancar o ritmo do contágio.

No automobilismo e no motociclismo, os eventos vão pingando de cidade em cidade, de país em país. Por isso que muita gente ainda chama a F-1 de “circo”, numa analogia ao monta-desmonta de tendas e equipamentos e ao pé na estrada permanente dos artistas circenses, que fazem seus espetáculos hoje aqui, amanhã ali.

E tem agravantes. As equipes são de vários países. Deslocam-se para os locais das corridas e voltam para casa correndo. As pessoas que nelas trabalham são de várias nacionalidades. Também circulam loucamente não só quando vão às competições, mas também quando têm uma folguinha para visitar a família sabe-se lá onde. E o público, no caso dos grandes eventos internacionais, é formado em boa parte por turistas.

Isso tudo gera um gigantesco fluxo de gente partindo de vários pontos do mundo a cada semana para pousar em um lugar específico, para dali a quatro ou cinco dias se espalhar novamente e depois se dirigir a outro ponto, e depois outro, e quando o coronavírus vê os calendários de todas essas categorias, dá risada.

Não tem jeito. Se é verdade que a doença causada pelo coronavírus tem baixa letalidade e atinge majoritariamente uma faixa da população, os mais idosos, também é verdade que sua velocidade de propagação é espantosa, e por isso os sistemas de saúde de todos os países entrarão em colapso rapidamente se não forem tomadas medidas de contenção.

Coibir aglomerações é essencial neste momento. O Brasil, a propósito, está demorando a fazer isso. Quarta-feira tinha 60 mil pessoas no Maracanã. No fim de semana isso vai se repetir no Rio com um clássico, mais um jogo do Flamengo e a estreia do Honda no Botafogo. O mesmo vai acontecer em outros estádios pelo país. É hora de parar, como já fizeram autoridades futebolísticas na Europa e na América Latina — para não falar da NBA, do tênis internacional e tudo mais.

Cancelar uma corrida é algo raríssimo na história da F-1, como aconteceu ontem em Melbourne — com tudo montado e todos prontos para ir à pista. Como se sabe, os GPs do Bahrein e do Vietnã também foram cancelados. A China também já tinha sido oficialmente adiada. FIA e Liberty falam em retomada a partir do fim de maio. Nesse caso, Holanda, Espanha e Mônaco também estão fora do calendário. Na Europa, a situação é crítica.

A F-1 hesita em dizer “cancelamento” de todas essas etapas, como se fosse possível ajeitar tanta corrida apenas a partir de maio. No cenário mais otimista, o Mundial começa em Baku, no Azerbaijão, no começo de junho. Essa seria a oitava prova de 2020 pelo calendário original. Se tudo der certo, dá para encaixar uma corrida ou outra dessas europeias canceladas entre as já marcadas para julho, agosto e começo de setembro — nesse caso, as férias seriam canceladas.

O fato é que ninguém sabe direito quando este Mundial vai começar. Nem como vai acabar.

Não procurei ainda nos escritos de Nostradamus, mas deve ter alguma coisa ali sobre este fim do mundo de 2020.