RIO (histórico) – Não há outra imagem possível para colocar o GP da Itália na eternidade: Gasly sentado no pódio sozinho, minutos depois de receber o troféu e estourar champanhe, sem acreditar no que estava vivendo. Foi legal demais, sensacional demais, bonito demais, emocionante demais.
Escrevi demais demais.
A última zebra da F-1 tinha acontecido no dia 17 de março de 2013. Por zebra entenda-se uma vitória de uma equipe que não faça parte do já longevo trio de ferro Mercedes-Red Bull-Ferrari. Naquele dia, abertura da temporada, Kimi Raikkonen venceu o GP da Austrália de forma surpreendente com a Lotus preta, que depois viria a ser rebatizada como Renault — quando a montadora comprou de volta o que já tinha sido dela anos antes.
De lá para cá, até a prova de domingo em Monza, foram realizadas 146 corridas. A Mercedes ganhou 98, a Red Bull levou 29 e a Ferrari, 19. Não sobrou nada para mais ninguém. Aí veio a AlphaTauri com Gasly para cutucar a hegemonia das atuais três grandes. Por aí se tem uma ideia de como é difícil vencer na F-1 quando se corre numa equipe média ou pequena. Por aí se tem uma ideia de como esse resultado foi histórico.
O NÚMERO DA ITÁLIA
Outro dado curioso. Desde 1987 que a Honda não vencia numa temporada com duas equipes diferentes. Naquele ano, Williams e Lotus ganharam corridas — Piquet e Senna se esbaldaram, assim como Mansell. Em 2020, 33 anos depois, Red Bull e AlphaTauri colocaram os japoneses no paraíso.
É uma volta por cima tão potente quanto a do próprio Gasly, rebaixado pela Red Bull depois de meia temporada no ano passado. Quem se lembra como foi a volta da Honda com a McLaren, no comecinho da era híbrida, sabe do que estamos falando. Poucas vezes na história a marca nipônica foi tão esculhambada. Mas eles resistiram, foram resilientes, persistentes e dedicados. O resultado está aí.
A vitória da turma de Faenza aconteceu exatos 11 anos, 11 meses e 21 dias depois do triunfo de Sebastian Vettel com a Toro Rosso no mesmo GP da Itália, o de 2008. Curiosidade master: naquela corrida, Hamilton também chegou em sétimo. E o segundo colocado também foi da McLaren — no caso, Heikki Kovalainen.
Como se sabe, a AlphaTauri tem sua origem na Minardi. Foi comprada pela Red Bull no final de 2005 e de 2006 até o ano passado disputou o Mundial como Toro Rosso. A fábrica de energéticos resolveu mudar o nome e as cores do time para esta temporada, usando sua marca de roupas moderninhas — e caras. Esta corrida vai dar um baita roteiro para algum espisódio da temporada #3 de “Drive to Survive”, a série sobre F-1 produzida pela Neflix desde 2018.
Aliás, falando nela, a série…
Nosso cartunista oficial Marcelo Masili não deixou escapar, claro. Genial!
Teve um cara na Finlândia que acertou o pódio da prova italiana numa casa de apostas e faturou uma boa grana, acho que vocês já viram isso. Estava procurando o link para colocar aqui, mas nem é tão importante. Sei que ele jogou, sei lá, 2 reais, e ganhou 210 mil. Algo assim.
Mas, importante mesmo, hoje, quarta-feira, três dias depois do GP da Itália, é a notícia de que Sergio Pérez está deixando a Force Point no final do ano, depois de sete temporadas na equipe. É evidente que isso abre o cockpit para Vettel, que nos próximos dias deverá anunciar sua mudança de endereço. Ano que vem, todos também já sabem, a Racing India vai se chamar Aston Martin.
Lamento por Pérez, mas fico feliz por Vettel. E os fãs do mexicano podem dormir sossegados. Para mim, está na cara que ele vai acabar na Haas no lugar de um dos dois trapalhões fixos da F-1, Magnussen e Grosjean. Na Alfa Romeo também deve abrir uma vaguinha.
E falando em despedidas…
A FRASE DE MONZA
Foi um privilégio e uma honra trabalhar com todos aqui, do passado e do presente. Vocês são os verdadeiros guerreiros desta equipe.
Assim acabou a saga da família Williams na F-1, com declarações um tanto protocolares de Claire Williams, que ganhou de presente um bico do carro de 2020 assinado por integrantes da equipe. Russell e Lafiti também falaram umas palavras bonitas pelo rádio. A partir do GP da Toscana, domingo em Mugello, quem assume é a turma da Dorilton Capital, que comprou a equipe. A roda segue girando, nem dá tempo de derramar muitas lágrimas.
E vamos encerrando o rescaldão de Monza com nosso já tradicionalíssimo…
