SÃO PAULO (virou) – Não chega a ser maravilhosa a imagem acima, é um frame da TV inglesa, mas ela mostra bem o que está acontecendo na F-1 em 2021. Hamilton não sabe direito o que fazer para virar o jogo. Max ganhou a quarta no ano, e o placar agora aponta 4 x 3 para ele, em vitórias sobre o britânico da Mercedes. Nos pontos, são 18 de vantagem. Nas estatísticas, o holandês igualou, com suas 14 vitórias, Emerson Fittipaldi, Graham Hill e Jack Brabham. Está, ao lado deles, em 19º no ranking dos maiores vencedores de todos os tempos. Deixou para trás Alberto Ascari e David Coulthard. Com mais uma, empata com Jenson Button. E ele só tem 23 anos.
E a Mercedes, agora?
ESTÍRIA BY MASILI
A Mercedes está assim, na leitura do nosso genial Marcelo Masili: muros de Bracley pichados, fora todo mundo!
Brincadeiras à parte, a equipe alemã vive um dilema. Investe tempo e dinheiro para melhorar esse carro que só vai durar até o fim do ano ou se dedica ao projeto de 2022, que prevê modelos muito diferentes em tudo, pavimentando um futuro de médio prazo? Hoje há um orçamento limitado para todo mundo, não se pode torrar grana à toa. A Red Bull claramente está apostando suas fichas — e seus euros — em 2021. O carro está cada vez melhor. Hamilton disse ontem que, neste momento, não há como andar no mesmo ritmo. Pebolim Wolff não sabe direito o que fazer. Mas garantiu: o time não vai jogar a toalha faltando 15 corridas para o fim do campeonato. Também não vai abrir a carteira comprometendo 2022. O negócio é usar a cabeça e gastar pouco.
É o grande charme deste Mundial: saber como os gigantes prateados vão reagir — e se vão.
Lewis, enquanto estava na frente, deu várias entrevistas para expressar sua satisfação com uma disputa diferente da dos últimos anos.
Não sei se agora está tão feliz assim.
Sábado tem reunião no Red Bull Ring com os fabricantes de motores da F-1 — Ferrari, Mercedes, Renault e Honda. Como se sabe, os japoneses pulam fora da categoria no fim do ano, mas duas grandes marcas foram convidadas para participar das conversas: Porsche e Audi. As conversas são sobre os motores e combustíveis que serão adotados a partir de 2025.
Sobre a Honda, chegou a quatro vitórias seguidas, algo que não conseguia desde as primeiras provas da distante temporada de 1991, com Senna na McLaren.
O NÚMERO DE SPIELBERG
4
…corridas sem vencer acumula a Mercedes nesta temporada, sua pior série desde o início da era dos motores híbridos na F-1, em 2014. A equipe que domina a categoria há sete anos tinha ficado, nesse período, duas vezes sem vencer por três corridas: no início de 2018 (duas vitórias da Ferrari e uma da Red Bull) e em 2019 (três da Ferrari).
Hamilton, ontem, conseguiu um segundo lugar pela 43ª vez na carreira, igualando o recordista de segundos até hoje, Michael Schumacher. “Não é o que a gente queria, mas fizemos bons pontos”, disse pelo rádio à equipe. Foram 34 pontos para a equipe alemã, incluindo o extra da melhor volta da corrida. A Red Bull fez 37 com a vitória de Verstappen e o quarto lugar de Pérez. O time austríaco tem 252 pontos agora, contra 212 dos alemães.
A briga pelo terceiro lugar segue legal, com a McLaren chegando a 120 graças ao quinto lugar de Norris — o único piloto a pontuar em todas as provas até agora em 2021. O inglês fez 86 desses pontos. Ricciardo, maior decepção do ano, apenas 34. Ontem, não pontuou. A Ferrari, que fez sexto e sétimo no GP estírico com Sainz e Leclerc, tem 108. Charlinho, apesar do erro no início, tirando Gasly da corrida, foi eleito o Piloto do Dia pelo amigo internauta.
A FRASE DA ESTÍRIA
“Se a gente não desenvolver o carro para melhorar a performance até o fim do ano, esse é o tipo de resultado que vamos ter daqui para a frente. Mas não vou contestar a lógica da equipe, nem seus processos internos.”
LEWIS HAMILTON
Hamilton reconhece que a Red Bull melhorou muito nas últimas corridas, e essa melhora é visível a olho nu. Talvez as três vitórias nas quatro primeiras corridas do ano tenham mascarado a situação — a impressão, agora, é de que foi a Red Bull que perdeu essas provas, e não a Mercedes que ganhou. Mesmo a questão da asa flexível tem sido relativizada nos últimos dias, sem ataques de pelanca de Wolff ou de seus colegas de Mercedes.
O resumo de tudo quem fez foi Ross Brawn, diretor-técnico da F-1: a maré virou.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS – Do anúncio de que o GP da Rússia, a partir de 2023, será disputado em São Petersburgo, em vez de Sóchi. A pista atual é chatíssima. A nova não é como o desenho abaixo, mas pelo menos já está gerando memes (com algumas imprecisões, como a data…). O que é mais do que Sóchi conseguiu em sete edições até hoje.
NÃO GOSTAMOS – Dos troféus simplórios oferecidos aos três primeiros colocados no GP da Estíria. A velha história de reproduzir o traçado, um troço muito pobre e pouco criativo. Melhor seria uma vaquinha de louça. Para quem não reparou, está aí embaixo, na mão de Bottas, o terceiro colocado.
