SÃO PAULO (bico) – Foi tão fácil quanto tirar leite de uma máquina nas pequenas fazendas que circundam o Red Bull Ring. Max Verstappen ganhou a minicorrida de Spielberg, somou mais oito pontos na tabela da classificação e larga na pole do GP da Áustria amanhã. Confirma, assim, a primeira posição do grid obtida ontem. A vitória veio de ponta a ponta e sem muito esforço.
Charles Leclerc e Carlos Sainz, da Ferrari, ficaram em segundo e terceiro e ganharam suas medalhinhas da patrocinadora da Sprint, uma firma de criptomoedas. Chegaram a disputar algumas curvas no início da prova e ficaram meio emburrados no final. Um com o outro.
Antes da saída para a volta de apresentação, um pequeno drama. Uma bandeira amarela ao lado do grid sinalizou que havia algo de errado com alguém. Era Fernando Alonso, coitado. Seu carro ainda estava com as mantas térmicas sobre os pneus e erguido nos macacos. A equipe teve de tirá-lo do grid. Nem largou. Depois seria reportado um problema na bateria.
Os outros não tinham nada com isso e foram para o alinhamento. Mas teve um segundo pequeno drama. Assim que chegava ao grid, Guanyu Zhou parou o carro. A largada foi abortada e, pelas regras, uma nova volta de apresentação foi autorizada. Aí Zhou conseguiu fazer sua Alfa funcionar. Foi para o fundo do pelotão e teve de largar dos boxes.
Finalmente a Sprint começou, agora para 23 voltas em vez das 24 originais. O único incidente aconteceu com Gasly, que tocou em Hamilton e acabou rodando. Verstappen largou bem, segurou a ponta e Sainz passou Leclerc. O monegasco não perdeu muito tempo e ainda na primeira volta recuperou o segundo lugar.
Quem estava se divertindo era Hamilton. Caiu para 11º com o toque de Gasly e saiu passando quem fosse possível. Pérez e Vettel, também começaram a prova de maneira auspiciosa. O primeiro ganhou cinco posições no início e o segundo, meia dúzia.
Pneus médios foram a escolha da maioria dos pilotos, já que em corridas Sprint não há pit stops obrigatórios e largar com macios poderia ser meio arriscado – eles acabariam logo. É pau puro por meia hora. Apenas Albon, Stroll, Latifi e Vettel começaram de macios. Com Leclerc e Sainz se cutucando em segundo e terceiro, Verstappen foi sumindo na frente. A equipe italiana (usando em seus carros o logotipo do cavalinho rampante antigo em homenagem aos 90 anos de seu primeiro uso por Enzo Ferrari) liberou os dois para a briga, desde que não chegassem às vias de fato.
Pérez passou Schumacher na nona volta e Magnussen, na décima. Assumiu a sexta posição e foi para cima de Ocon. O carro da Red Bull se mostrava muito veloz e o mexicano ia se recuperando. Um toque entre Albon e Vettel quase motivou uma bandeira amarela, mas o alemão conseguiu voltar à pista. Em último.
Checo passou Ocon na volta 13 e parou por aí. A distância dele para Russell, o quarto colocado, era superior a 6s e não daria tempo de chegar. Mais atrás, em nono, Hamilton saía à caça da dupla da Haas. Leclerc e Sainz sossegaram e se conformaram com as posições que ocupavam.
Sem brigas na frente, o melhor passou a acontecer no duelo entre Lewis e Mick Schumacher, o oitavo. Comovente, diga-se. O jovem alemão se defendia com bravura dos ataques do inglês, mesma valentia de uma semana antes em Silverstone contra Verstappen – só que, lá, como atacante. Hamilton passou apenas na volta 21 e entrou na zona de pontos da Sprint.
Duas voltas depois, fim de papo. Sem nenhuma dificuldade, Verstappen recebeu a bandeira quadriculada conquistando sua terceira vitórias em Sprints em cinco edições desse tipo de prova. Neste ano, ganhou as duas – a outra foi em Ímola; a próxima acontece em Interlagos. Leclerc, Sainz, Russell, Pérez, Ocon, Magnussen e Hamilton fecharam os oito primeiros. Nessa ordem, largam amanhã para o GP da Áustria. E também somam pontinhos.
Não foi exatamente um grande espetáculo, mas pelo menos animou a torcida no autódromo rubro-taurino, majoritariamente pintado de cor de laranja para vibrar com Max. Como tem acontecido nessas Sprints, tem gente que se dá bem e gente que se dá mal. No caso, hoje, Pérez saiu no lucro: de 13º para quinto no grid amanhã. E quem se deu mal, Alonso: de nono para último.
Após a prova, ficou um clima meio estranho entre os pilotos da Ferrari. O tom das declarações de Leclerc e Sainz pareceu um pouco azedo. Nada que uma boa conversa não resolva.
Ou não. Afinal, é Ferrari.
