Blog do Flavio Gomes
F-1

ORANGE JUICE (3)

SÃO PAULO (não é fraco, não) – Max Verstappen ganhou de novo, como seprevia. Foi um passeio em Zandvoort, embora tenha tido alguns sobressaltosprovocados por terceiros. Mesmo com eles, o holandês ganhou em casa pelosegundo ano seguido. Foi sua décima vitória no ano, 30ª na carreira. GeorgeRussell e Charles Leclerc completaram o pódio. O #1 […]

Delírio laranja: segunda vitória de Verstappen em casa

SÃO PAULO (não é fraco, não) – Max Verstappen ganhou de novo, como se
previa. Foi um passeio em Zandvoort, embora tenha tido alguns sobressaltos
provocados por terceiros. Mesmo com eles, o holandês ganhou em casa pelo
segundo ano seguido. Foi sua décima vitória no ano, 30ª na carreira. George
Russell e Charles Leclerc completaram o pódio. O #1 da Red Bull ampliou ainda
mais sua vantagem na classificação, subindo para 310 pontos contra 201 de
Leclerc e Pérez, que dividem a vice-liderança.

O título está assegurado e resta, agora, apenas aplaudir Verstappen e ficar
esperando que a conquista se confirme matematicamente. Com tranquilidade, o
piloto disse que a vitória não foi tão fácil como pode ter parecido. “Foi uma
corrida complicada, safety-car, safety-car virtual, tivemos de tomar decisões
rápidas, mas felizmente fizemos tudo certo. Meu carro estava muito bom e
consegui uma boa relargada no final. Foi um fim de semana incrível”.

E vamos à corrida, então!

Largada em Zandvoort: nenhum incidente no início

Verstappen, que não é bobo nem nada, largou de pneus macios para garantir um
bom salto na hora em que as luzes se apagassem. Ele e a maioria. Seis dos 20
optaram pelos médios, prevendo uma primeira parada tardia: Hamilton, Russell,
Norris, Schumacher, Albon e Magnussen.

Max não deu sopa para o azar e apontou seu carro para o lado interno da
primeira curva assim que a largada foi autorizada. Isso lhe permitiu manter a
liderança sem maiores problemas. As primeiras posições foram mantidas com uma
ou outra troca um pouco mais atrás – Russell e Schumaquinho, por exemplo, foram
ultrapassados; George se recuperou rápido.

Para o holandês, era importante abrir mais de 1s em cima de Leclerc, o
segundo colocado, rapidamente. Isso para que o monegasco não tivesse a chance
de abrir sua asa para tentar uma ultrapassagem. Missão dada, missão cumprida.
Em cinco voltas, ele já tinha 1s3 sobre a Ferrari #16.

A prova acontecia com uma condição climática diferente da dos últimos dias,
sem sol e com temperatura na casa dos 22°C – contra os 27°C de sexta e sábado.
Isso fazia alguma diferença na gestão da borracha. Mas como dizem sempre os
pilotos, era igual para todos.

Na volta 13, Alonso deu uma pista do que outros poderiam fazer dali em
diante. Parou e colocou pneus duros pensando em apenas uma parada – e como a
Pirelli levou a gama mais resistente a Zandvoort, esse duro aí não é força de
expressão, não; um chute nele quebra o pé.

A parada de Sainz: faltava um pneu

Lá na frente, Sainz foi o primeiro a parar, na volta 15. Pérez veio junto
com ele. Para variar, a Ferrari se atrapalhou. Desta vez, não na estratégia,
mas na parada. Simplesmente estava faltando um pneu. Sim, o mecânico
responsável pelo traseiro esquerdo não estava ali quando o carro parou. De
repente, apareceu de dentro dos boxes. Sainz voltou à pista em 11°, depois de
um pit stop desastroso.

Leclerc parou na volta 18. Desta vez, todos estavam com seus pneus a postos
e a parada foi rápida. Verstappen, pelo rádio, dizia à equipe que sua borracha
estava OK. Mesmo assim, foi chamado na 19ª volta. Como os demais que largaram
de macios, colocou compostos médios. Hamilton, então, assumiu a liderança, com
Russell em segundo e Max em terceiro.

Não demorou muito para Verstappen alcançar Russell. Na volta 26, os dois
ingleses da equipe prateada eram os únicos que não tinham feito pit stop,
ainda. E o líder do campeonato já estava a 1s2 de Jorginho. Na volta 28, passou
pela Mercedes #63 sem nenhuma dificuldade. Hamilton, o líder, estava 3s à
frente.

A única dúvida que cabia àquela altura era saber se a dupla do time alemão
tinha uma estratégia diferente, de apenas um pit stop, contra o padrão de dois
do resto. Por isso para Verstappen era importante passar ambos na pista. Se
recolocando em primeiro, estariam todos no mesmo barco até o fim da prova,
precisando de pelo menos mais uma troca cada.

Nem deu tempo de atacar Hamilton, porém. O heptacampeão parou na volta 30,
colocou pneus duros e ficou claro que a ideia da equipe era mesmo de economizar
uma parada. Lewis voltou em quinto e Verstappen reassumiu a ponta. Russell
repetiu, duas voltas depois, o que fizera seu companheiro. Voltou em quinto, 7s
atrás do #44.

A corrida não era grande coisa depois de cumprida a primeira metade de suas
72 voltas. O pit stop atrapalhado de Sainz o afastou da luta pelo pódio,
abrindo caminho para a Mercedes de Hamilton chegar pelo menos em terceiro.
Pérez, com o outro carro da Red Bull, chegou a atrapalhar Lewis por uma volta
inteira quando foi alcançado pelo inglês, que acabou passando na volta 37 –
Checo ainda tinha de fazer uma parada, endureceu de pirraça e também para que a
liderança de Verstappen não fosse ameaçada quando ele parasse pela segunda vez.

Hamilton antes da largada: otimismo até para vencer

Quando Russell chegou, Pérez não endureceu nem perdeu a ternura. Foi
ultrapassado sem esboçar reação. Como Leclerc, o segundo, teria de fazer um
segundo pit stop, o plano da Mercedes de levar seus dois carros ao pódio
parecia ao alcance das mãos – ou dos pés, no caso, de Lewis e Russell.

Havia até alguma esperança de vitória para Hamilton, caso a segunda parada
de Verstappen, sei lá, fosse feita por apenas um mecânico. Mas aí entrou na
pista o Sobrenatural de Almeida. Na volta 46, Tsunoda parou o carro reclamando
pelo rádio que um pneu estava solto. A equipe devolveu que não tinha nada solto
e ele voltou à corrida, entrou nos boxes e apertou foi o cinto de segurança.
Foi quando Leclerc parou pela segunda vez e colocou pneus duros para a reta
final da prova.

Mas Tsunoda continuava tumultuando a brincadeira. Saiu dos boxes, avisou que
tinha algo errado em seu carro e parou no acostamento. E o safety-car virtual
foi acionado, começando a mexer na corrida. Verstappen foi chamado
imediatamente pela Red Bull e colocou duros. A Mercedes se viu obrigada a mudar
sua estratégia para dois pit stops, convocou seus dois pilotos para os boxes e
colocou neles pneus médios.

Faltavam 23 voltas para o fim e a nas quatro primeiras posições estavam
Verstappen, Hamilton, Russell e Leclerc. Max tinha 12s9 de frente para Lewis.
Os dois pilotos da Mercedes tinham pneus mais macios que os do holandês, mas
teriam de operar algum tipo de milagre para alcançar o #1. Na verdade, o
safety-car virtual atrapalhou os planos dos alemães – que perderam o bônus de
um pit stop a menos.

Pista liberada, bandeira verde na volta 50, a diferença de Max para Hamilton
caíra para 12s. O holandês perdera tempo no retorno à pista e na administração
da velocidade controlada sob safety-car virtual, mas ainda estava sossegado.
Aí, na volta 55, Sobrenatural de Almeida de novo: Valtteri Bottas quebrou e
parou o carro no fim da reta dos boxes. Um safety-car seria mandatório. Demorou
uma volta inteira para a direção de prova acioná-lo. Verstappen correu para o
box, porque se o pelotão se juntasse ele teria pneus piores que os de Hamilton
na relargada. Colocou pneus macios, aquele jogo novinho que sobrara de ontem.
Caiu para terceiro, atrás da dupla prateada, com 15 voltas para o fim. E a
melhor borracha possível para atacar os dois.

Para facilitar a remoção do carro de Bottas, o safety-car liderou o pelotão
por dentro dos boxes na volta 58. Russell aproveitarou que estava por ali e
trocou de pneus pela terceira vez. Colocou macios. Hamilton manteve a ponta,
mas Russell perdeu uma posição e Max subiu para segundo.

Os abandonos de Tsunoda e Bottas acabaram amassando o roteiro rascunhado
para o GP da Holanda, levando pilotos e equipes a tentarem o que fosse possível
em termos de estratégia de pneus com paradas extras e escolhas diversas. A
relargada aconteceu na volta 60 e Verstappen não perdeu um segundo sequer. Mal
viu as luzes verdes, mergulhou para cima de Hamilton e passou, para retomar a
liderança. O povo nas arquibancadas delirou.

Lewis é quem estava em maus lençóis. Com pneus médios, via pelo retrovisor
três carros com borracha mais macia se aproximando: Russell em terceiro,
seguido pelas duas Ferrari de Leclerc e Sainz. Pelo rádio, o heptacampeão praguejava.
Naquele momento, ninguém entendia por que a Mercedes não trocou seus pneus para
macios, também. Virou uma presa fácil para todos que pararam.

Russell passou pelo companheiro na volta 64. Lewis continuava xingando todo
mundo pelo rádio. Numa tradução livre, dizia: vocês me foderam! Na volta 66,
quem passou Hamilton foi Leclerc. E Sainz, o quinto, foi avisado de que seria
punido com 5s porque a Ferrari o liberou de forma perigosa após o pit stop. Um
dia glorioso para o time italiano – nunca se errou tanto em tão pouco tempo.

As voltas finais foram apenas protocolares. Verstappen venceu com um pouco
mais de trabalho do que gostaria, mas não deixou escapar o favoritismo
construído a partir da pole. Russell foi o segundo e Leclerc terminou em
terceiro, fechando o pódio. Hamilton, Pérez, Alonso, Norris, Sainz (já com a
punição), Ocon e Stroll fecharam a zona de pontos. Alonso e Russell foram dois
que chegaram bem à frente de onde largaram. Merecem aplausos. Mas se é para
tirar o chapéu para alguém, que seja para o menino Verstappen e sua equipe.
Depois de oito anos apanhando da Mercedes, a Red Bull virou o jogo de vez. E
pode levar tempo para acabar com a festa dessa turma.

Verstappen e a Red Bull: dupla imbatível em 2022