Blog do Flavio Gomes
F-1

EXISTE GP EM SP (16)

SÃO PAULO (dia de Ferrari) – Uma escolha inexplicável de pneus tirou de Max Verstappen o que poderia ser uma vitória fácil da Red Bull na Sprint de Interlagos neste sábado. O holandês largou com compostos médios, contra macios de quase todos os demais no grid – Latifi foi o outro que não usou os […]

Russell, vencedor da Sprint: erro da Red Bull deu uma mão

SÃO PAULO (dia de Ferrari) – Uma escolha inexplicável de pneus tirou de Max Verstappen o que poderia ser uma vitória fácil da Red Bull na Sprint de Interlagos neste sábado. O holandês largou com compostos médios, contra macios de quase todos os demais no grid – Latifi foi o outro que não usou os macios. A vitória acabou ficando com George Russell, da Mercedes. Carlos Sainz foi o segundo e Lewis Hamilton, o terceiro. Max terminou apenas em quarto. Magnussen, o pole, ficou em oitavo.

A provinha começou com céu azul, sol e algumas nuvens camaradas sobre Interlagos, 22°C, temperatura agradável para a prática do esporte automobilístico. Nas arquibancadas, muita gente. O GP de São Paulo, nunca é demais lembrar, pretende chegar a um público total de 230 mil pessoas nos três dias do evento.

A opção de Verstappen e Latifi pelos pneus médios para a corrida de 24 voltas foi uma surpresa, ao menos no caso do holandês; o canadense poderia largar de radiais 145/70/13 que não faria muita diferença. “Se perde, é uma besta. Se ganha, é bestial”, decretaria Otto Glória (Google, crianças) se chamado fosse a analisar brevemente a competição.

Magnussen largou lindamente, e seus pneus macios permitiram que abrisse um pouco de Verstappen na primeira volta, pelo menos. A torcida, acreditem, gritava: “É! Ma-guinússen!”. Max sofreu por alguns metros para se defender de Russell no início, mas na terceira volta fez a ultrapassagem sobre o dinamarquês no S do Senna e conseguiu respirar um pouco. Depois vieram Russell e Sainz para acabar com a alegria do piloto da Haas.

O primeiro esfrega-esfrega da corrida aconteceu na primeira volta entre Alonso e Ocon no Lago. Logo depois, o espanhol tocou no carro de seu companheiro de equipe. “Perdi a asa dianteira graças ao nosso amigo”, falou, pelo rádio. Na sequência, narrou o lance: “Ele me prensou e jogou no muro, belo trabalho”. Estava puto dentro do macacão. Foi para os boxes e voltou à corrida. Terminou em 15º. O carro de Ocon pegou fogo no Parque Fechado. No próximo post, um resumo da treta, já que os dois foram chamados à torre de controle.

La no fundo, o carro de Ocon pegando fogo: treta na Alpine

Na sexta volta, Magnussen já havia sido ultrapassado por Hamilton, também, e ocupava a quinta colocação. Verstappen seguia na liderança, perseguido de perto por Russell. Só na nona volta o bicampeão conseguiu abrir mais de 1s sobre o britânico da Mercedes, se livrando da ação da asa móvel do adversário. Mas foi por pouco tempo. Jorginho foi à luta e não desistiu. Na 12ª volta, atacou na Reta Oposta, mas Max se defendeu com absoluta precisão, por dentro.

Na 13ª, Russell tentou a mesma manobra, mas Verstappen, espertíssimo, como se tivesse nascido em Interlagos, fazia um traçado de defesa de almanaque. A disputa era belíssima. Na 15ª volta, finalmente, o Mercedão #63 foi para cima e antes da freada do Lago conseguiu a ultrapassagem.

Não deu para entender, mesmo, a escolha dos pneus médios por Verstappen. A equipe até tentou explicar. A ideia era guardar dois jogos de macios para a corrida de amanhã. OK. Mas o piloto foi mais sincero e direto: “Com qualquer pneu hoje não tínhamos ritmo. Amanhã não vai dar para ser pior que isso, não. Precisamos saber o que aconteceu, simplesmente estávamos lentos”.

Seu ritmo era, de fato, visivelmente pior que o de todo mundo – menos Latifi, claro. Russell começou a abrir na liderança e a briga seguinte se deslocou para logo atrás deles, entre Sainz, o terceiro, e Hamilton, o quarto. Com ambos se aproximando do #1 perigosamente.

E não teve jeito. Na volta 19, Sainz mergulhou por dentro no S do Senna e passou Verstappen. Eles se tocaram. Uma aleta da asa dianteira da Red Bull voou pelos ares. Na volta seguinte, Hamilton fez a mesma coisa e também deixou Max para trás. Favoritaço à vitória, o bicampeão caiu para quarto de forma inapelável. E lá ficou.

O resultado da prova curta: grid de amanhã é esse aí

Daí em diante, as coisas se acomodaram. Como diriam os locutores de rádio no apito final de um clássico no Pacaembu, não havia tempo para mais nada. Russell ganhou com 3s9 de vantagem sobre Sainz, o segundo, e Hamilton fechou o pódio que não há – nas Sprints só são entregues umas medalhinhas fajutas para os três primeiros. Verstappen, Pérez, Leclerc, Norris e Magnussen completaram a lista dos oito que pontuam em provas curtas. K-Mag, o pole, pelo menos salvou um pontinho.

O resultado da corrida forma o grid do GP, amanhã. Assim, Russell larga na pole efetivamente, com Hamilton ao seu lado na primeira fila, porque Sainz trocou o motor e perderá cinco posições – parte em sétimo. Verstappen e Pérez estarão na segunda fila. A corrida começa às 15h e terá 71 voltas.

Hamilton ainda pode perder a posição. Ele, Zhou e Ricciardo estão sendo investigados por por alguma irregularidade no procedimento de largada. Portanto, este texto pode ter de ser atualizado daqui a pouco.

Hamilton abraça Russell: Mercedes com boas chances amanhã

Com dois carros na primeira fila, a Mercedes tem sua maior chance no ano de vencer uma corrida nesta temporada. A Ferrari está mais para trás, a Red Bull se diz confusa com o acerto e o desempenho de seus carros e Russell e Hamilton estão sedentos por vitórias. Um, porque nunca venceu. Outro, porque desde a estreia na F-1, em 2007, não deixou jamais de ganhar ao menos um GP por ano.

A chance de chuva para amanhã, segundo os serviços meteorológicos, diminuiu um pouco. No meu celular, a informação é de que há 40% de possibilidades. Sei lá. Hoje não caiu uma gota. Mas é São Paulo, é Interlagos, e tudo pode acontecer. Até agora, em dois dias, já tivemos uma pole de Magnussen e uma vitória de Russell. Se no final da tarde, amanhã, eu estiver escrevendo sobre um pódio com Zhou, Latifi e Tsunoda, ninguém deve se espantar demais.