SÃO PAULO (com atraso) – Muita gente batendo boca por causa da escolha da Haas para a titularidade em 2023: Nico Hülkenberg, 35 anos, 181 GPs, nenhum pódio. Mick Schumacher perdeu o lugar.
Mas não se enganem. Hulk é um veterano, sim. Mas faz todo sentido, sua contratação. O alemão estreou em 2010, defendeu Williams, Force India, Sauber, Renault, Racing Point e já correu pela Aston Martin — neste ano, fez dois GPs no lugar de Vettel, que estava com Covid. Nos últimos três anos, foram apenas quatro corridas, mas está em atividade. Suas duas aparições pela Racing Point em 2020, no lugar do igualmente contaminado Pérez, foram espetaculares: terceiro no grid em Silverstone no GP do 70º aniversário e sétimo na corrida; em Nürburgring, largou em último e terminou em oitavo.
Nico nunca se sentiu ex-piloto, e nunca foi. No passado, ganhou A1GP, GP2, 24 Horas de Le Mans. Tem até uma pole no ano de estreia na F-1. Pode não ser um superstar, mas sabe como pilotar um carro da categoria com todos seus truques e particularidades, não é de sofrer acidentes bestar e será útil para as pretensões da Haas — fazer pontos quando possível e não gastar mais do que pode.
O que não fazia sentido era o time ter uma dupla como Schumaquinho e Mazepin, a do ano passado. Dois estreantes só poderiam fazer o que fizeram: nada. Mick não é gênio, longe disso, e nesta temporada bateu demais. Muitos erros, prejuízos, companheiro marcando pontos e fazendo até pole; o jovem Schumi não brilhou, longe disso, e Magnussen, sim. Sobrenome não garante tudo.
Mick vai ter de esperar a vez se quiser voltar, e se comenta fortemente que será reserva da Mercedes. Se conseguir, ótimo. Aprenderá muito num ambiente vencedor, mais profissional e funcional, com métodos diferentes, procedimentos distintos, rotina de campeões. Se arrumar essa boquinha, é algo que o ajudará a, quem sabe, se recolocar em 2024 quando a Audi, alemã como ele, começar a colocar os pés na Sauber para estrear em 2026.
Para a Mercedes, não será ruim ter um piloto pronto para qualquer eventualidade. É bom lembrar que no ano que vem tem 24 GPs. Haverá duas sequências de três corridas em domingos seguidos, Ímola/Mônaco/Barcelona e Austin/México/Interlagos. Se Hamilton cai do patinete na semana da corrida do Texas e o médico diz que ele precisa ficar 15 dias com a perna para o alto, perde três etapas do campeonato. É preciso ter pilotos prontos para sentar num carro e dirigir. E não é qualquer um que sabe guiar um carro de F-1 hoje em dia. Mick ainda não está acabado.
Mas está chateado, claro. Como Vettel, Latifi e Ricciardo, não estará no grid de 2023. Piastri, Sargeant, De Vries e Hülkenberg ocuparão as vagas abertas, não necessariamente nas mesmas equipes. Dos quatro, os dois primeiros nunca disputaram um GP. Todos estarão nos testes pós-temporada lá mesmo em Abu Dhabi a partir de terça.
O ano que vem, como se vê, já começou.
