SÃO PAULO (surpresa?) – Charles Leclerc fez a pole para o GP do Azerbaijão, que acontece domingo. É a primeira pole decidida numa classificação de sexta-feira, dois dias antes da corrida, sem uma segunda sessão para formação de grid, como havia antigamente. Foi a estreia do novo regulamento, que inclui uma Sprint autônoma no sábado — o primeiro de seis finais de semana com esse formato nesta temporada. Desse grid definido hoje, só vamos nos lembrar de novo domingo.
A corrida de Baku é a quarta etapa do Mundial, que ficou parado um mês por conta do cancelamento do GP da China. Agora, todas as atenções se voltam para o sábado. A Sprint terá 17 voltas e um grid próprio, definido amanhã de manhã numa sessão que começa às 5h30 com três partes, já batizadas de SQ1, SQ2 e SQ3. A classificação para a Sprint se chama oficialmente Sprint Shootout. Tem meia hora de carros na pista e dois intervalos de sete minutos. Às 10h30 (os horários são sempre de Brasília) será disputada a minicorrida, que distribui pontos aos oito primeiros, mas não forma mais o grid de domingo, como acontecia até o ano passado.
São as novas regras. Nem todo mundo está curtindo. Veremos como será essa Sprint com seu grid próprio. Na F-1, muita coisa é testada sem a menor convicção de que dará certo. Pode ser um balão de ensaio para mudar de vez os GPs, incluindo Sprints em todas etapas. Ninguém sabe.
Leclerc chegou a 19 poles na carreira, três seguidas no circuito citadino de Baku. Foi uma relativa surpresa. Só a Red Bull tinha largado na pole neste ano e a Ferrari faz seu pior início de campeonato deste a introdução do atual sistema de pontos da F-1. Os carros rubro-taurinos ficaram com a segunda e a terceira colocações no grid. “Foi uma bela surpresa”, falou o monegasco.
E vamos ao relato lúdico e literário da sexta-feira bakuniana.
Com apenas 10 minutos de atividades no Q1, a sessão teve de ser interrompida quando Nyck De Vries espetou seu carro num dos muros macios de Baku. Foram 15 minutos para retirar a viatura da AlphaTauri e recompor a barreira em toda sua fofura. Naquela altura, Verstappen – o mais rápido no único treino livre do fim de semana – estava em primeiro.
Não era uma classificação fácil. Três minutos depois de reiniciados os trabalhos, foi a vez de Pierre Gasly beijar o muro. Na sessão livre, o francês já havia vivido um pequeno drama, quando o motor de seu Alpine pegou fogo. A equipe teve de reconstruir o carro para que ele pudesse brigar por alguma coisa poucas horas depois. Quando saiu dos boxes, Pierre disse “merci” aos mecânicos. Depois de bater, “désolé”.
Os últimos sete minutos do Q1 serviram para eliminar apenas três pilotos, já que De Vries e Gasly já estavam entre os riscados para o Q2. A concorrência era boa: Haas x Alfa Romeo x AlphaTauri x McLaren x Williams, todos em condições de dar um passo resoluto em direção ao abismo da degola. Sobrou para Zhou, Hülkenberg e Magnussen, que se juntaram aos dois acidentados. Leclerc, com 1min41s269, fechou a primeira parte da classificação em primeiro, seguido por Verstappen e Alonso.
O Q2 foi menos tumultuado. A Red Bull manteve seus dois pilotos na ponta por alguns minutos, mas foi novamente fustigada pela Ferrari de Leclerc, que a segundos da quadriculada se mantinha em primeiro. Aí Verstappen respirou fundo e cravou 1min40s822, 0s215 melhor que o ferrarista. A Mercedes foi a decepção, com Hamilton em décimo e Russell em 11º, abrindo a turma dos cortados. Com ele foram mais cedo para o chuveiro Ocon, Albon, Bottas e Sargeant. Os dois carros da McLaren entre os dez primeiros colocaram alguns sorrisos nos boxes do time papaia. A equipe, que começou o ano tão mal, mostrou que alguma evolução vem acontecendo. Tsunoda, em sétimo, foi outro que comemorou.
Já a Mercedes… Bem, a Mercedes não levou Russell ao Q3 e Hamilton, no final do dia, disse que os carros alemães são muito lentos nas retas. Não tem um dia de paz, o time alemão.
O Q3 começou com um raro empate entre Verstappen e Leclerc nas primeiras voltas de ambos: 1min40s445. Como o holandês fez o tempo antes, colocou-se em P1. A briga estava entre os dois. Na segunda saída, Charlinho meteu um 1min40s203 na sua melhor volta, 0s188 melhor que Max. Pérez, Sainz, Hamilton, Alonso, Norris, Tsunoda, Stroll e Piastri (os dois últimos empatados; inusitado ver dois empates na mesma sessão) fecharam as dez primeiras posições.
O espanhol da Aston Martin, ao contrário das primeiras corridas, não brilhou no primeiro dia no Azerbaijão. Mas explica-se. Ele teve problemas recorrentes na asa móvel, que falhou várias vezes. Numa pista com retas infinitas como a de Baku, faz uma diferença enorme. A equipe terá de resolver a parada de alguma forma.
Como dito lá em cima, nem todo mundo está saltitando de alegria com o novo formato dos finais de semana de Sprint. A Liberty e a FIA esperam que a minicorrida de amanhã seja um estouro de emoções, já que ninguém vai se preocupar em perder posições no grid. Mas o contrário também vale, não? O que faria Gasly e De Vries se matarem na Sprint sabendo que dificilmente vão chegar entre os oito primeiros e, também, não avançarão no grid de domingo? Eu não me mataria. E nem arrebentaria meu motor.
Às 19h tem “Fórmula Gomes” lá no YouTube e a gente fala dessas paradas todas!
