SÃO PAULO (uau!) – Esperava-se uma pole-position de Max Verstappen. Deu Charles Leclerc. O monegasco da Ferrari larga na frente amanhã para o GP do México. Foi sua quarta pole no ano, 22ª na carreira. Uma surpresa danada. Verstappen já havia sido o mais rápido em todos os treinos livres, daí que seu favoritismo se apoiava em fatos. A maior esperança de uma surpresa — e não para a pole — era Albon, segundo colocado em duas das três sessões. Daniel Ricciardo também vinha bem, podia ficar lá pertinho. Mas… Ferrari? Sério?
E deu Ferrari. Pole e segundo lugar, com Carlos Sainz. Surpresa em dose dupla.
Vamos tentar entender essa classificação.
Os empolgados torcedores mexicanos vibraram com a primeira volta de Pérez no Q1, que foi derrubada em questão de segundos por Verstappen, jurado de morte pelo cartel de Tijuana. A diferença: 0s454. Ricciardo, Leclerc e Bottas também deixaram o mexicano para trás. O cartel passou a considerar a eliminação de Checo, em vez de Max.
A certeza de passagem ao Q2 levou Ferrari, Mercedes e McLaren a usarem pneus médios em suas primeiras voltas no primeiro segmento da classificação. Piastri viu que não ia dar e colocou macios. Rapidamente pulou para segundo.
Mas seu companheiro Norris ficou em último, após uma volta abortada com os médios e outra desastrosa com os macios. Ocon, Magnussen, Stroll e Sargeant foram os outros eliminados. Lando só não seria o último no grid porque Tsunoda trocou tudo em seu carro e largaria dos boxes. Logo depois a volta de Sargeant foi cancelada porque o americano não tirou o pé sob bandeira amarela. E Norris subiu para 19º na tabela de tempos. Oh. Uma droga do mesmo jeito.
Dois pilotos, Russell e Verstappen, foram avisados que seriam investigados depois da classificação. Ambos, na saída do pitlane, ficaram segurando todo mundo para entrar na pista. Alonso e Zhou, idem. Não respeitaram o tempo máximo de volta quando estavam lentos na pista. Russell também seria inquirido uma segunda vez pelo mesmo motivo. “Vamos acabar com a vida deles!”, disse um dos comissários. Todos teriam suas vidas devassadas. Familiares seriam examinados sob lupa. Celulares, grampeados. Redes sociais, radiografadas. Até as 21h30 (de Brasília) não tinha dado em nada, no entanto.
No Q2, como fizera no Q1, Tsunoda emprestou o vácuo para Ricciardo fazer uma ótima volta no início. “Vamos eliminar o japonês e o australiano”, sugeriu um sicário patriota do cartel. “Poupemos Checo!” Verstappen, em sua primeira saída, virou 1min17s625. Ninguém chegava perto. Estacionou o carro e foi tomar um cafezinho.
Faltando dois minutos para o fim do Q2, todos foram para a pista. Menos Max. “Tá muito trânsito. Detesto trânsito”, falou, pelo rádio. “E hoje é seu rodízio”, troçou o engenheiro.
Sem se preocupar com as ameaças do cartel, Ricciardo melhorou ainda mais seu tempo, sempre contando com a ajuda de Tsunoda. A surpresa da segunda parte da classificação, porém, foi Hamilton. Do nada, fez 1min17s571 e pulou para primeiro – 0s054 mais rápido que o holandês da Red Bull. Zhou, Gasly, Hülkenberg, Alonso e Tsunoda ficaram fora do Q3. Albon, com o carro todo estropiado – sem saber exatamente por quê – passou em nono. Mas sua volta foi cancelada por exceder limites de pista. Assim, o chinês da Alfa Romeo avançou, levando milagrosamente os dois carros da equipe para a fase final da classificação.
Pérez foi o primeiro a abrir volta no Q3, sabendo que o cartel tinha desistido de mandá-lo desta para a melhor. Fez 1min17s788 e a torcida, iludida e burra — ninguém mais tinha tempo anotado –, comemorou. Verstappen vinha atrás enfiou nele uma tuba de meio segundo. Ricciardo, sem vácuo de Tsunoda, também passou o mexicano. E aí veio, mais do nada que Hamilton pouco antes, Sainz. E mais do nada que Hamilton e Sainz, Leclerc: 1min17s166, 0s067 melhor que seu companheiro. E, assim, ficaram os dois carros da Ferrari em primeiro e segundo. Do nada. “Pues, vamos eliminar los rojos”, decretou o sicário. “Pero Checo está em sétimo”, observou outro. “Entonces eliminamos todos! Los seis primeros!”, decidiu o chefe.
Havia mais uma bateria de voltas rápidas, porém. E Max preparado para jantar os dois. Mas o tricampeão estava sem fome. Não superou a dupla vermelha, que formará a primeira fila com Leclerc e Sainz. Verstappen ficou em terceiro, 0s097 atrás do pole. Ricciardo terminou num excepcional quarto lugar, seguido por Pérez, Hamilton, Piastri, Russell, Bottas e Zhou. “Matem todos”, finalizou o comandante do cartel. “E Checo?”, perguntou o subchefe. “Todos.”
Mas ficou apenas na ameaça, como sabemos. Estarão os 20 no grid amanhã.
