A IMAGEM DA CORRIDA
SÃO PAULO (só na correria!) – Acho que não tem nada mais ilustrativo do GP do México, né? Pérez, Pérez… A decepção maior é dele, claro. Em casa, diante de um público enorme, numa fase não muito boa, o melhor a fazer é ter alguma cautela. Querer resolver a corrida na largada é sempre um risco. Mas, aqui, faça-se justiça ao mexicano. Ele largou muito bem. E, de fato, havia um espaço por fora chegando à primeira freada do dia. Tanto que ele chegou a passar todo mundo. Só que era preciso fazer a curva, também. E, para fazer a dita cuja sem bater em ninguém, tinha de contar com a boa vontade dos que estavam ao seu lado. “Charles freou muito tarde e eu não esperava por isso”, explicou. “Foi um incidente de corrida.”
Nessas horas, tem de esperar qualquer coisa — e aí a gente pode criticar o excesso de otimismo do piloto da Red Bull. Checo tem razão, porém, quando fala em incidente de corrida. E isenta Leclerc de culpa. O monegasco, vaiado na entrevista pós-corrida ainda dentro da pista, fez questão de dizer alto e bom som que lamentava muito pelo que tinha acontecido com o colega. Acho que foi sincero. Essas coisas acontecem em largadas. O que potencializou a desgraça foi o fato de Pérez correr diante de seu público num momento em que seu futuro na equipe é questionado.
Mas, de novo, essas coisas acontecem. E Pérez fez coisas piores neste ano do que tentar passar três carros na largada. Abaixo, mais três imagens da batida, que podem ser vistas em tamanho família clicando nas próprias. Reparem que na primeira delas Checo aponta à frente de todos. Mas havia um carro no meio do caminho.
O NÚMERO DO MÉXICO
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…posições no Mundial de Construtores a AlphaTauri subiu com o sétimo lugar e os seis pontos de Ricciardo. A equipe, assim, saiu finalmente da lanterna, pulando da décima para a oitava posição com 16 pontos. Deixou para trás a Alfa Romeo (também 16, mas perde nos critérios de desempate) e a Haas (empacada nos 12 faz quatro corridas).
Claro que o sétimo lugar de Ricciardo o colocou na linha sucessória da Red Bull caso aconteça algo com Pérez. Que pode acontecer. Zerar em todas, por exemplo. Não passar do Q1. Se envolver em acidentes, na sequência, com Sargeant, Stroll e o safety-car.
Mas não é o mais provável. Ele tem três corridas pela frente para, com alguma serenidade, pelo menos voltar ao pódio. Se fizer isso, fica na equipe. A Red Bull só vai mandá-lo embora em uma situação muito extrema. Neste momento, dia 30 de outubro de 2023, Sergio Michel Pérez Mendoza é o vice-líder do Campeonato Mundial de F-1.
Se terminar o ano assim, fica onde está.
A FRASE DO HERMANOS RODRÍGUEZ
“Não podemos culpar um piloto por tentar vencer a corrida de casa.”
Christian Horner, chefe da Red Bull
Falemos um pouco de Verstappen, então, reforçando as cifras que empilhou ontem. Foi a 16 vitórias no ano, ampliando seu recorde que era de 15 na temporada passada. Nunca um pilotou ganhou tantas provas no mesmo campeonato. No aproveitamento — relação entre vitórias e número de corridas de uma temporada –, Max também é o primeiro. Ganhou, neste ano, 84,2% das etapas do Mundial. O recordista anterior nesse ranking é Alberto Ascari, que em 1952 venceu seis das oito disputadas (75%).
Cinco vitórias no México também é algo que ninguém tinha conseguido antes. Verstappen ganhou em 2017, 2018, 2021, 2022 e 2023. Quase 10% de seus 51 triunfos na F-1. Número que colocou o holandês ao lado de Alain Prost nas estatísticas. Se ganhar as últimas três deste ano, se torna o terceiro maior vencedor da história. À frente da dupla Prost-Verstappen, hoje, estão apenas Hamilton (103), Schumacher (91) e Vettel (53).
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da corrida de Lando Norris, que largou em 17º e terminou em quinto. Mas sua façanha foi ainda maior porque depois da bandeira vermelha, ele, que tinha parado antes do safety-car, caiu para 14º. E teve meia corrida para recuperar tudo. “Foi uma das melhores atuações que vi de um piloto em toda minha carreira, em qualquer pista e qualquer tempo”, derramou-se Andrea Stella, chefe da McLaren. Não por acaso, Landinho ganhou, do amigo internauta, o título de “piloto do dia”. Nas últimas cinco provas, Norris marcou 90 pontos. Está em sexto no Mundial com 169, 14 atrás de Alonso. Que, no mesmo período, fez apenas 13 pontos. Vai passar. Provavelmente já no Brasil.
NÃO GOSTAMOS do comportamento da torcida mexicana, que vaiou intensamente Leclerc ao fim da corrida, arrumou briga na arquibancada e levou equipes e pilotos a contratarem seguranças particulares para poderem circular pela cidade. OK, fez festa, encheu o autódromo, mas em muitos momentos faltou educação.
