SÃO PAULO (no coador é mais forte) – O sábado chinês começou como deve terminar o domingo. Com Max Verstappen ganhando. No caso, a brevíssima Sprint da China, corrida curta de 19 voltas com pontos para os oito primeiros colocados. Embora tenha largado em quarto, posição determinada pela chuva na véspera bem aproveitada pelo pole Lando Norris, Max demorou apenas nove voltas para assumir a liderança da mini prova. Depois, acelerou sozinho para receber a bandeira quadriculada com humilhantes 13s043 de vantagem para o segundo colocado, Lewis Hamilton.
Com exceção de Russell, que largou de pneus macios, todos os outros 19 pilotos optaram pelos médios para a Sprint. Hamilton, segundo no grid, partiu muito bem e Norris, o pole, muito mal. Com pneus frios, o inglês da McLaren tentou se recuperar, contornou por fora a primeira curva, foi para a área de escape e caiu para sétimo. Meio juvenil. Sua corrida acabou ali.
Lewis deu uma estilingada no início da prova, trazendo com ele Alonso em segundo e Verstappen em terceiro. E com o holandês, como diriam os narradores do rádio, sendo chargeado por Sainz, o quarto.
Durou apenas duas voltas o ímpeto do espanhol, porém. Verstappen reclamou que sua bateria não estava lhe fornecendo a potência necessária e prontamente recebeu uma orientação precisa do pitwall. “Posição 8, Max, por favor”, indicou, educadamente, seu engenheiro. Ele foi aos botões no volante. “Só vai até 7, cacete!” “Olhe bem, Max, por favor. É o botão da direita. Tem 8 e 9”, devolveu o engenheiro. “Ah, encontrei”, respondeu o piloto. “Obrigado, Max. Agora, por favor, ganha logo essa porcaria porque meu frango xadrez da China in Box está esfriando.”
Naquele momento, Lewis, quem diria, liderava com surpreendente tranquilidade. Abriu uma boa vantagem de Alonso e até começou a sonhar com um resultado improvável da Mercedes. Já pensou, ganhar uma corridinha com esse carro de merda? Isso ele não falou, mas pensou.
O espanhol da Aston Martin, em segundo, já divisava Verstappen em seu retrovisor. A ultrapassagem era questão de pouco tempo. E assim foi. No final da volta 7, Max passou e foi embora.
Não demorou muito e, na nona volta, Verstappen colou em Hamilton. Estava bom demais para ser verdade, pensou o inglês da Mercedes. No fim da gigantesca reta de Xangai, Max deixou Lewis para trás como se estivesse ultrapassando um BYD. Pouco antes, seu engenheiro havia informado o tempo de volta do rival. “Estou vendo ele, mano. Não precisa me dizer”, respondeu, com alguma irritação, o #44.
Em uma volta, Verstappen abriu 2s de Hamilton. Desapareceu. Já dava para imaginar o que faria na classificação, um pouco mais tarde, e na corrida de verdade, amanhã.
A dinâmica da corrida mostrava que escolher Xangai para uma Sprint não tinha sido uma boa ideia. Verstappen à parte, o resto era um trenzinho sem grandes emoções. Ainda que as asas móveis fossem acionadas a granel, ninguém passava ninguém. A ordem dos vagões, a partir de Alonso, o terceiro, tinha ainda Sainz, Pérez, Leclerc e Norris. Todos próximos. E impotentes.
Até que, na volta 16, Charlinho tentou algo para cima de Checo deflagrando uma série de boas manobras. Não conseguiu de primeira, é verdade. Alonso, o único que não podia usar a asa móvel, segurava os demais na base da experiência. Mas acabou sendo ultrapassado por Sainz e, na confusão, Pérez passou os dois lindamente. Leclerc veio junto. Fernandinho perdeu três posições e foi para os boxes com “danos no carro”, segundo a Aston Martin. Sem mais o que fazer na corrida, abandonou.
Na 17ª volta, Leclerc não quis saber de muita diplomacia e partiu para cima do companheiro Sainz. A briga foi boa, bateram rodas e o monegasco acabou levando a posição. Charles reclamou que Carlos “passou dos limites” na defesa. O espanhol se desculpou. Norris, o sexto, foi outro que pediu desculpas à equipe pela má largada e pelo mau resultado — sexto, depois de largar em primeiro. “Ele não precisa se desculpar. Nós que temos de dar um carro melhor a ele”, perdoou o chefe Andrea Stella.
E a Sprint ficou nisso.
Verstappen, Hamilton e Pérez foram os três primeiros colocados. Fechando a zona de pontos, Leclerc, Sainz, Norris, Piastri e Russell. Zhou, o moço da casa, ficou em nono. Uma boa posição, mas nessas corridas curtas só os oito primeiros pontuam.
Foi a 13ª Sprint da história da F-1. Elas começaram em 2021. Max ganhou oito delas.
