Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE DOMINGO À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (mas…) – Acho que é essa a imagem que ficará do GP de Miami. Nos braços dos mecânicos, Lando Norris finalmente ganhou uma, depois de 110 tentativas na F-1. Domingo, mesmo, no nosso relato da corrida, publiquei a série de abraços que ele recebeu, de pilotos e dirigentes. Eram, […]

A IMAGEM DA CORRIDA

Nos braços dos mecânicos: finalmente Lando “Nowins” vence

SÃO PAULO (mas…) – Acho que é essa a imagem que ficará do GP de Miami. Nos braços dos mecânicos, Lando Norris finalmente ganhou uma, depois de 110 tentativas na F-1. Domingo, mesmo, no nosso relato da corrida, publiquei a série de abraços que ele recebeu, de pilotos e dirigentes. Eram, todos os abraços, candidatos a aparecer aqui hoje. E ainda teve Frédéric Vasseur, o pândego chefe da Ferrari, com boné da McLaren jogando champanhe no pessoal da equipe rival, na hora da tradicional foto com todos os integrantes do time e a placa de P1.

A placa de P1, igualmente, merece destaque. Para o público brasileiro, especialmente, tem um significado diferente. O time dedicou a vitória a Gil de Ferran, que morreu no fim do ano passado. Ele ocupava um cargo importante na organização e era querido por todos.

Uma série de “firsts” este GP de Miami registrou. Foi a primeira vitória da McLaren desde o GP da Itália de 2021, em Monza, com Daniel Ricciardo. Também a primeira de um motor Mercedes na F-1 desde George Russell no Brasil em 2022.

E a primeira vitória de Norris desde o GP do Bahrein de F-2 em 2018, quando ele foi vice da categoria para Russell. Foram 2.220 dias sem subir ao degrau mais alto do pódio.

Lando no Bahrein em 2018: última vitória, na F-2

O NÚMERO DE MIAMI

12

…pilotos do atual grid da F-1, agora, estão na lista dos vencedores da F-1: Hamilton (103), Verstappen (58), Alonso (32), Bottas (10), Ricciardo (8), Pérez (6), Leclerc (5), Sainz (3), Gasly, Ocon, Russell e Norris (1 cada). Lando foi o 114º piloto a ganhar uma corrida na categoria. Com a vitória, o inglês deixou de fazer parte da relação dos pilotos com pódios e sem vitórias. Ele tinha 15 pódios sem vencer e ocupou durante algumas semanas a primeira posição nessa estatística incômoda, que voltou a ter Nick Heidfeld no topo, com 13.

Algumas atualizações do noticiário, agora, envolvendo personagens dos últimos dias. Começando com Adrian Newey. Ele esteve em Miami. A imprensa italiana insiste que as conversas entre ele e a Ferrari estão cada vez mais fortes. Neste momento, parece ser seu destino mais provável. A não ser que…

A não ser que Newey decida parar de vez. Aos 65 anos, projetou um veleiro de 88 pés que está sendo construído pela Oyster Yatchs em Southampton. Há quem aposte que o engenheiro vai tirar um tempo para ele e para a família, para dar a volta ao mundo no seu barco. A hipótese não deve ser descartada.

O barco de Newey: possibilidade de virar marinheiro

A Red Bull tem tentado minimizar sua saída, mas convive com a perspectiva de uma debandada de seu pessoal técnico, a começar pelo diretor esportivo Jonathan Wheatley, 56, que está na equipe desde 2006 e, segundo a imprensa inglesa, pretende alçar voos mais altos, já que nunca terá espaço no time chefiado por Christian Horner. Porque ele quer ser chefe de equipe. E tem equipe por aí precisando de chefe, ô se tem… Quem pensou em Alpine e Audi acertou.

Sobre uma eventual saída de Verstappen, Oliver Mintzlaff, CEO da Red Bull (a fábrica de energéticos, não a equipe de F-1), disse que o holandês quer paz, não falou em deixar a organização e só deseja ter o carro mais rápido do grid. “Isso nós damos a ele”, falou. “E quer ser campeão, e isso ele sabe que também tem chances maiores de conseguir aqui. Max tem sido um menino muito leal. Tem muitos motivos para ficar e nenhum para sair.”

A FRASE DE MIAMI

“Espero que não!”

Verstappen, quando Jenson Button perguntou a ele se acredita que o ritmo da McLaren é o que se viu na corrida de domingo
McLaren atualizada: Max espera que seja fogo de palha

E vamos falar de Kevin Magnussen?

O dinamarquês abusou das barbaridades no fim de semana, começando na Sprint, ao se defender de Hamilton para permitir que seu companheiro Nico Hülkenberg pontuasse — a propósito, para não esquecer, o alemão agora é, isolado, o piloto que mais corridas disputou sem vencer, 209; estava empatado com Andrea de Cesaris. Nessa defesa, o piloto da Haas saiu da pista várias vezes, cortou chicane, levou 35s de punição. “Ele devia ser banido”, esbravejou Andrea Stella, diretor da McLaren.

No domingo, foi considerado culpado pelo acidente que tirou Logan Sargeant da prova. Sobre a Sprint, Kevin aceitou as punições e disse que foram todas justas. “Não gosto de correr assim, fiz pela equipe, como em Jedá”, falou. Na Arábia Saudita, ajudou Hulk de forma semelhante. O fato é que Magnussen, com tantas punições, corre o risco de ser suspenso por uma corrida se levar mais pontos na carteira. Está com 10, e se chegar a 12 no período de um ano toma um gancho.

Tsunoda: ótimo sétimo lugar

E precisamos também falar de Tsunoda, como não? Com 14 pontos em seis corridas, o japonês da Tem de Colocar a Senha ocupa a décima posição no Mundial, atrás de Hamilton. E à frente de Stroll, da Aston Martin, uma das cinco principais equipes da temporada. No ano passado, em seis corridas, tinha marcado apenas dois.

Tsunoda vem andando frequentemente à frente de Ricciardo em treinos, classificações e corridas. O australiano marcou cinco pontos neste ano, com o quarto lugar na Sprint, sábado. No domingo, não fez nada. O bom desempenho coloca Yuki no mercado. Principalmente porque a Honda quer mantê-lo no grid. E a Honda será fornecedora de motores da Aston Martin em 2026. O obstáculo é Stroll, filho do dono da equipe. Mas Lance, cada vez mais apático, às vezes dá a impressão de que vai desistir da F-1.

Seja como for, a ascensão de Tsunoda é uma má notícia para Felipe Drugovich.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver a reação da Alpine, ainda que modesta. Esteban Ocon terminou em décimo e fez o primeiro ponto da equipe no ano. Recebeu, nos boxes, um abraço do ex-companheiro Fernando Alonso.

NÃO GOSTAMOS de ver Donald Trump nos boxes da McLaren. A equipe se defendeu, se disse “apolítica” e falou que recebeu o pedido da FIA e da Liberty para receber o ex-presidente dos EUA. E que atendeu por respeito à sua posição etc. O fato é que o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem organizou a patacoada contrariando sua própria determinação de proibir manifestações políticas em GPs “sem autorização” — um ataque à militância de Hamilton e Vettel. Zak Brown poderia ter dito “não”. Norris poderia ter se recusado a posar ao lado do criminoso. Mas todos, bovinamente, disseram “sim”. São todos uns babacas.