
SÃO PAULO (a ver) – Nem parecia a Mercedes dos últimos anos. Lewis Hamilton, como nos velhos tempos — dele e da equipe — foi o mais rápido hoje na abertura dos trabalhos em Barcelona. Nessa pista, o inglês tem seis poles, seis vitórias, 11 pódios. Cinco dessas vitórias seguidas: de 2017 a 2021. Mas não dá para dizer que é favorito a ganhar domingo. Lewis nem ao pódio foi neste ano, ainda. De qualquer maneira, é clara a melhora da equipe, que tem um carro problemático e imprevisível. Menos, agora, do que no começo do ano. O GP da Espanha é o décimo da temporada. Está na hora de o time alemão mostrar algum serviço. Como já mostraram Ferrari e McLaren, que vêm batendo de frente com a Red Bull.
Red Bull que, por sua vez, começou mal mais um fim de semana, com Verstappen apenas em quinto e resmungando o tempo todo. Pode ser que amanhã ele faça a pole, ou ao menos brigue por ela. Mas é evidente que a superioridade demonstrada no ano passado e nas primeiras corridas desta temporada já não é a mesma. As explicações são muitas: bateu no teto da performance, tem pouco a crescer, as outras melhoraram, o ambiente se deteriorou com as denúncias contra Christian Horner, o afastamento de Adrian Newey… Pode ser qualquer uma dessas, ou todas juntas. O que, convenhamos, é ótimo para o campeonato. Ainda acredito que Max será campeão. Mas não será extremamente fácil como em 2023. Algum trabalhinho ele terá.
Barcelona é um circuito onde a Red Bull deveria retomar o ritmo, depois de algumas provas incômodas em Miami, Ímola, Mônaco e Montreal. Nessas quatro, apesar dos percalços, Verstappen venceu duas. E em Miami, mesmo sem ganhar, foi quem saiu da Flórida com a maior pontuação naquele fim de semana, que teve Sprint — marcou 26, contra 25 de Norris, que ganhou a corrida principal. Sua liderança na tabela ainda é confortável, com 56 pontos de vantagem para Leclerc, o vice-líder (194 x 138). Seus desafiantes oscilam bastante. A dupla da Ferrari, por exemplo, não pontuou no Canadá. A Mercedes é uma montanha-russa. A McLaren, sim, tem apresentado alguma consistência.
Nos treinos de hoje, com sol e calor na Catalunha, Hamilton, Sainz e Norris, os três primeiros, ficaram praticamente juntos. A surpresa foi Gasly, da tumultuada Alpine (leia abaixo, nas caixinhas), em quarto. Não deve se sustentar aí amanhã. Quem decepcionou a torcida local foi Alonso, que terminou o dia em 14º com a Aston Martin.
Verstappen foi apenas o quinto mais rápido, 0s240 atrás do Mercedão #44. Tende a reagir na classificação, com um gás a mais no motor — o regime de potência nunca é integral nos treinos livres. Mas se alguém esperava um passeio, como eu, pode tirar o cavalinho da chuva. A briga amanhã vai ser intensa. Largar na pole em Barcelona tem peso. A pista não é das melhores para ultrapassagens.
E temos algumas caixinhas, claro, para animar a sexta-feira. A elas.
WILLIAMS, CARLOS? – Pois é. Aumentam os rumores de que Carlos Sainz pode acabar na Williams em 2025. A equipe já fala abertamente em um nome para ladear Alexander Albon a partir do ano que vem. E não esconde que está conversando com o espanhol. O tailandês já renovou. James Vowles, o chefe da Williams, garante que muita gente boa está sendo contratada, que os planos do time são ambiciosos, que vai entrar dinheiro e que o simples fato de falar com Sainz já mostra que não está blefando. Este tem duas alternativas: aceitar a Williams, com a segurança de que os motores Mercedes, a partir de 2026, tendem a ser competitivos, ou fechar os olhos e mergulhar no projeto da Audi — atual Sauber.
BYE, SARGENTO – E Logan Sargeant já foi avisado que não fica, embora oficialmente nada tenha sido publicado. O americano deve se dar por feliz se chegar ao fim do ano empregado. A Mercedes, parceira da Williams, conseguiu que a FIA reduzisse a idade mínima para emissão de superlicença, de modo que se quiser colocar seu filhote Andrea “Kimi” Antonelli para correr, pode. O italiano, atualmente na F-2, faz 18 anos em agosto. A ideia é jogar o menino na Williams para acelerar o aprendizado e tê-lo como titular no ano que vem ao lado de Russell, já que Hamilton vai para a Ferrari.
VOLTOU – E não é que a Renault, num gesto de desespero, contratou Flavio Briatore? Ele será “conselheiro executivo” da Alpine, seja lá o que for isso. O italiano estava afastado da F-1 desde 2009, quando foi banido da categoria por ter arquitetado a batida proposital de Nelsinho Piquet no GP de Singapura do ano anterior. O acidente garantiu a vitória de Alonso, o outro piloto da Renault. Bruno Famin, o chefe da Alpine, disse que não se importa com o passado. Deveria. Briatore pode ser charmoso, sedutor, inteligente, esperto, malandro. Ninguém tira dele as conquistas da Benetton, nos anos 90, e da própria Renault neste século — teve participação, claro, nos títulos de Schumacher e Alonso. Mas é um picareta. O que fez em 2008 é inaceitável do ponto de vista ético e esportivo. Certas coisas não merecem perdão. Mas depois que Pat Symonds, que estava envolvido no episódio, foi contratado pela Liberty como diretor-técnico da F-1, as punições do “Singapuragate” ficaram desmoralizadas. Vale tudo. Até chamar Briatore de volta.
E O MOTOR? – Ainda a Alpine. A equipe já admite, vejam só, desistir de fazer motores e comprar de alguém a partir de 2026. Seria ridículo. A Renault está metendo os pés pelas mãos com sua equipe. Essas coisas eu nem conto pros meus Twingos. Tá doido.
OLLIE DE NOVO – Para registrar: Oliver Bearman participou do primeiro treino livre em Barcelona no lugar de Hülkenberg pela Haas. Foi o segundo de seis que fará até o fim do ano — o próximo será em Silverstone. Bearman só não será titular da Haas em 2025 se decidir parar de correr. O piloto pertence à Ferrari, que faz os motores da equipe americana. Hoje ele completou 29 voltas e ficou em 19º.
HÁ DEZ ANOS – Hoje faz exatos dez anos da última pole brasileira na F-1. Foi no GP da Áustria de 2014, com Felipe Massa, então na Williams. A temporada, primeira da era híbrida, foi dominada pela Mercedes, que fez dobradinha naquela corrida. Felipe terminou em quarto, atrás ainda de seu companheiro Bottas, que fechou o pódio.
HÁ 17 ANOS – Em 2007, Hamilton e Alonso disputaram um GP juntos pela primeira vez. Eram companheiros de equipe na McLaren, inclusive. Domingo, largam para a 300ª corrida dividindo o grid. É a disputa mais longeva da história da F-1.