Blog do Flavio Gomes
F-1

SPANTADOS (2)

SÃO PAULO (vai ter jogo) – Max Verstappen ganhou, mas não levou. E já se sabia que seria assim, no caso de uma pole-position do holandês para o GP da Bélgica. A troca de motor de seu carro, ultrapassando as quatro unidades permitidas por temporada, resultou na perda de dez posições no grid, e ele […]

Verstappen, o mais rápido: terceira pole seguida em Spa perdida por punição

SÃO PAULO (vai ter jogo) – Max Verstappen ganhou, mas não levou. E já se sabia que seria assim, no caso de uma pole-position do holandês para o GP da Bélgica. A troca de motor de seu carro, ultrapassando as quatro unidades permitidas por temporada, resultou na perda de dez posições no grid, e ele larga em 11º. É a terceira vez seguida que Verstappen faz a pole em Spa-Francorchamps, mas não larga na frente. Hoje, a posição de honra foi herdada por Charles Leclerc, da Ferrari, como no ano passado. Pode-se dizer que é uma surpresa – desde Mônaco a equipe italiana não colocava um carro em primeiro. Mas a chuva e as condições de pista acabaram derrubando a favorita McLaren, que ficou apenas em quarto e quinto no grid com Lando Norris e Oscar Piastri. No seco, os carros papaia eram os mais cotados para largar na frente. A água não ajudou.

O terceiro treino livre já tinha acontecido com chuva, e fora abreviado por um acidente de Stroll aos 12 minutos de atividade que deixou a bandeira vermelha hasteada quase até o final da sessão. Ninguém se importou muito. A paralisação poupou os pilotos de ensoparem seus macacões e de correrem riscos desnecessários na pista muito molhada.

Torcida de capa e guarda-chuva: sábado normal em Spa-Francorchamps

A chuva apertou a ponto de adiar a prova de F-2, que estava programada para o intervalo entre o treino livre e a classificação. Mas deu uma diminuída perto das 16h locais, o horário previsto para o início da definição do grid.

Assim, quando deu a hora os boxes foram abertos e o recado da direção de prova foi: virem-se. Os pneus intermediários foram calçados em todos os carros e lá se foram os vinte de Spa reconhecer a pista e tentar fazer uma volta sem bater em nada ou atolar na brita.

1min58s894 foi o tempo de Norris, o primeiro a fechar volta rápida, mas não foi grande coisa. Logo depois Piastri, Gasly, Alonso e Hülkenberg superaram o inglês. Verstappen fechou sua primeira em 1min56s003. Não fosse sua punição por trocar de motor, apostar numa pole do holandês não seria mau negócio.

Em Spa não dá para completar muitas voltas em 18 minutos, o tempo do Q1. O circuito é longo, 7.004 m, e percorrê-lo demora bastante. Assim, tudo é feito meio às pressas nos boxes. Se a primeira volta foi ruim, corre para os boxes, troca pneu logo e vai à luta.

Mas a chuva não piorou ao longo do Q1, o que significa que a pista foi melhorando na medida em que os carros passavam, formando algo próximo de um trilho. E os tempos, consequentemente, foram baixando. Piastri virou em 1min55s549, deixando Max quase meio segundo atrás. A resposta foi imediata: 1min54s938 para o piloto da Red Bull, colocando 0s611 no australiano da McLaren. As posições iam se alternando. Ir para a pista na hora exata passou a ser a chave para não ser eliminado, já que o asfalto começava a secar. E ao fim e ao cabo, apesar das condições traiçoeiras, não deu zebra na turma da degola: Hülkenberg, Magnussen, Tsunoda, Sargeant e Zhou. Yuki talvez pudesse ter avançado, mas já vai largar de último, mesmo, porque trocou tudo — motor, câmbio, turbo, espelhinhos, toca-fitas e air bag. Nem faria sentido se expor. Na frente, o melhor tempo foi de Piastri, com 1min54s835. Gasly, Verstappen, Pérez e Sainz foram os cinco primeiros.

Ferrari na ponta: terceira pole herdada na Bélgica

Apesar da melhora da pista, no Q2 ninguém arriscou dar uma de herói com pneu slick. Na Bélgica, o asfalto não seca tão rápido assim. Tem muita árvore em volta, a temperatura é sempre baixa, o processo é lento. Se um carro não estiver levantando uma cortina d’água pelo rabo, não significa que a pista está seca. “Escorregadia” é a definição que mais se aproxima da realidade, mesmo sem chuva.

Albon abriu os trabalhos com 1min54s724 na primeira volta rápida do Q2, imediatamente superada em 0s265 por Norris. Verstappen fechou sua primeira em 1min53s857 e a segunda em 1min53s837, 0s622 mais rápido que o #4 do inglês – exímio piloto na chuva, Max costuma se destacar nesse tipo de situação.

A 5 minutos do final, a chuva aumentou em alguns pontos do circuito e diminuiu em outros. Para aqueles que estavam ameaçados, tudo ficaria para as voltas derradeiras. A dupla da Mercedes se safou aos 44 do segundo tempo. A da Ferrari, idem. Pérez bateu na trave e ficou em décimo, se safando por 0s003. A degola mandou para casa Albon, Gasly, Ricciardo, Bottas e Stroll. Como no Q1, apesar dos sobressaltos dos favoritos, nenhuma zebra monumental para acrescentar aos anais do GP da Bélgica. Verstappen, Hamilton, Russell, Sainz e Piastri foram os cinco primeiros.

Leclerc, 25 poles: como em 2023, caiu no colo

Hamilton abriu o Q3 com 1min54s011, mas a Red Bull deixou a Mercedes para trás. Verstappen fez 1min53s159, com Pérez em segundo. O tempo de Max foi espetacular, mais de 0s8 melhor que o de Lewis. A McLaren, que dominou o dia no seco ontem, perdeu performance no molhado. Piastri fechou a primeira bateria de voltas rápidas em quarto, com Norris em sexto. Seu favoritismo para a corrida de amanhã só não despencou porque a previsão para o domingo é de tempo firme. Ou, ao menos, sem chuva.

E o segundo lote de voltas rápidas acabou premiando Leclerc, que superou Pérez por 0s011 e saltou para a segunda posição, que na prática era a pole. A 25ª de sua carreira, segunda no ano. Max foi deslocado para 11º. Pérez larga em segundo, com Hamilton, Norris, Piastri, Russell, Sainz, Alonso e Ocon atrás deles. Albon será o décimo no grid.

Max comemorou o primeiro tempo como se fosse mesmo largar na pole. Em seu sorriso e no olhar confiante, parecia dizer “voltamos”. A esperança de pódio aumentou, ainda que a posição de largada no pelotão seja incômoda. Mas em 2022 e 2023, Verstappen também foi punido em Spa e acabou vencendo. O carro era outro, verdade – muito melhor que a concorrência. Agora as coisas são mais difíceis, mas dá para pensar em algo melhor do que apenas uns pontinhos mequetrefes.

Os tempos em Spa: Verstappen, punido, cai para 11º

Em quarto e quinto no grid, a McLaren pode ter se enrolado numa corrida que parecia no bolso. Para buscar o que seria uma dobradinha tranquila, com Max lá para trás no grid, terá de remar para passar Ferrari, Red Bull e Mercedes. E se defender do Red Bull #1, que tende a chegar rapidamente para o baile. No seco, tem o carro mais rápido. Será preciso paciência, porém. E precisão na estratégia.

Leclerc achava que uma quinta colocação, no seco, era o máximo que conseguiria hoje. “Mas não vou reclamar, estou muito feliz. A gente não esperava tanto”, reconheceu. Já Verstappen, animado com a performance de seu carro, falou que tomará todos os cuidados na primeira curva para, só então, estabelecer um objetivo palpável. “Aqui a gente pode perder uma corrida na largada. Vou fugir dos problemas e ver no que vai dar”, resumiu.

Vai dar uma corrida boa, creio. A largada está marcada para as 10h de Brasília.