
SÃO PAULO (vive la France?) – A notícia do dia na F-1 foi o anúncio de que a Renault roeu a corda. Numa decisão que certamente envergonha os donos de Twingo pelo mundo, como eu, a Alpine vai ao mercado para comprar motor para 2026. A marca esportiva da Renault na F-1 também terá uma troca no comando. Bruno Famin deixa a equipe e vai cuidar dos carros de rua da Alpine. Segundo ele, os recursos que seriam gastos para fazer um novo motor para a categoria serão destinados ao desenvolvimento de sete novos modelos que serão colocados na praça nos próximos anos.
Oliver Oakes, da Hitech (que corre na F-2), está sendo cotado para o cargo de Famin. Flavio Briatore é quem conduz as negociações com a Mercedes para usar os motores alemães daqui a dois anos. Dizem que a decisão de jogar no lixo os motores Renault feitos em Viry-Châtillon foi dele. Ou, ao menos, a sugestão de.
Não é a primeira vez que a Renault dá um pé na categoria. No fim de 1997, por exemplo, depois de conquistar títulos seguidos com Benetton e Williams, se mandou alegando que após tantas vitórias só seria notícia quando começasse a perder. Depois, já no século 21, ganhou dois títulos com equipe própria em 2005 e 2006, e no final de 2011 foi embora de novo. Ficou só fornecendo motores, o que fez com grande sucesso, diga-se — tetracampeã com a Red Bull de 2010 a 2013.
A era híbrida não foi muito generosa com a montadora. Desde 2014, a marca conseguiu, com seu nome, apenas quatro vitórias: três com Daniel Ricciardo, pela Red Bull (todas em 2014), e uma com Esteban Ocon no GP da Hungria de 2021, com a equipe já rebatizada como Alpine. Outras nove vitórias vieram com o motor chamado de TAG Heuer entre 2016 e 2018, sempre na Red Bull. Total: 13. Os motores Mercedes, no mesmo período, venceram 118 GPs. Os da Ferrari, 25. Os da Honda, 34.
Hoje, motor Renault na F-1 só equipa o time azul — que, na Bélgica, corre com pintura vermelha, promovendo um filme do Wolverine que está em lançamento mundial. Nenhum outro time é abastecido pelos franceses.
Famin disse hoje em Spa que a proposta de abandonar os motores feitos em casa e se concentrar na Alpine de rua foi apresentada no começo da semana à direção da empresa. Agora, sua efetivação depende de algumas aprovações internas e do cumprimento de várias exigências legais, sociais e trabalhistas, que são levadas muito a sério na França. Falou também que a Renault não pensa em vender a equipe, e que a F-1 é ótima para divulgar a marca Alpine globalmente.
Nisso já não acredito. Se aparecer alguém com um cheque preenchido com letra bonita, leva. Eu, se fosse o Michael Andretti, faria uma proposta hoje mesmo.
Na pista, os treinos desta sexta em Spa mostraram que a McLaren está longe de ser fogo de palha. Fez 1-2 com Norris e Piastri, e mais uma vez só Verstappen chegou perto. O holandês, porém, está fora da briga pela vitória — que ficará com um dos carros papaia; podem apostar em Norris sem nenhum medo de errar. A Red Bull, como já se esperava, trocou o motor do carro de Max e quebrou o limite de quatro unidades novas por ano. Assim, ele perderá dez posições no grid. Tsunoda também trocou tudo e vai largar da última posição — acumuladas, as punições por trocas de componentes chegaram a 60 posições!
O próprio Verstappen já falou que não tem chances de ganhar a corrida. Como Ferrari e Mercedes estão longe da McLaren, o negócio vai ser buscar um pódio, e olhe lá. É bom lembrar que em 2022 Max largou em 14º e ganhou em Spa. No ano passado, saiu de sexto no grid (trocou câmbio) e também venceu. Mas o momento é outro. Nas últimas duas temporadas, o carro da Red Bull não tinha concorrência. Agora tem.
Hoje não choveu durante as duas sessões de treinos livres. Mas o dia foi nublado e a previsão é de que amanhã, na classificação, a chuva dê o ar da graça — algo muito comum na Bélgica. A corrida, domingo, deve ser disputada com tempo seco, de acordo com a meteorologia.
É a última prova antes da pausa para as férias de verão. E, talvez, a última corrida de Sergio Pérez na Red Bull. Helmut Marko, o guru da equipe, declarou publicamente que a situação do mexicano será analisada nas próximas semanas. Como faz um campeonato muito ruim, é possível que o time acione as cláusulas de rescisão contratual vinculadas à sua performance.
Checo está na marca do pênalti.