Blog do Flavio Gomes
F-1

ALL NIGHT LONG (2)

SÃO PAULO (não é fraco, não) – Lando Norris confirmou seu favoritismo e larga na pole para o GP de Singapura. É a sexta da carreira dele, quinta no ano. Mas o nome da noite de sábado em Marina Bay foi Max Verstappen. O holandês conseguiu a segunda posição no grid e vai para o […]

Norris: quinta pole no ano

SÃO PAULO (não é fraco, não) – Lando Norris confirmou seu favoritismo e larga na pole para o GP de Singapura. É a sexta da carreira dele, quinta no ano. Mas o nome da noite de sábado em Marina Bay foi Max Verstappen. O holandês conseguiu a segunda posição no grid e vai para o corpo a corpo amanhã contra seu maior rival na luta pelo título de 2024. Com um carro complicado, que ontem fechou o dia em 15º, o tricampeão fez muito mais do se esperava numa Red Bull que entrou em parafuso há alguns meses. Deixou a outra McLaren para trás, assim como as duplas de Ferrari e Mercedes – teoricamente mais fortes que seu time na pista urbana do Sudeste Asiático. E ainda deu um cacete elegante na FIA (leia a caixinha laranja lá no fim do texto!).

“A gente conseguiu melhorar o carro”, resumiu Verstappen. “Tive uma volta cancelada, não podia errar na segunda, estou muito feliz com o resultado.” E tinha de ficar satisfeito, mesmo. As perspectivas para ele em Singapura eram as piores possíveis. No ano passado, foi a única prova que a Red Bull não venceu. Em tese, hoje ficaria a léguas de Norris no grid. Em vez disso, estará colado em seu retrovisor na largada amanhã. Lando vai perder o sono.

A Mercedes ficou com a segunda fila, com Lewis Hamilton em terceiro e George Russell em quarto. A surpresa da noite foi Nico Hülkenberg, da Haas, em sexto. A Ferrari acabou fracassando e parte apenas em nono e décimo. Charles Leclerc teve sua volta no Q3 anulada e Carlos Sainz bateu.

Verstappen: entrevista, só fora da salinha oficial das coletivas

O Q1 começou com Verstappen tirando leite de pedra, tentando andar perto do favorito Norris e dos dois carros da Ferrari, que foram bem em todos os treinos livres. Na primeira saída, conseguiu: ficou a 0s130 do inglês da McLaren. Os pilotos foram pegando a mão da pista e Alexander Albon chegou a liderar a tabela, posição recuperada logo depois por Norris com 1min30s002. Foi o melhor tempo do Q1, um pouco mais alto do que tinha feito horas antes no terceiro treino livre, na casa de 1min29s. Max também melhorou e fechou o segmento em segundo, a 0s155 do líder. Quase um milagre. Oscar Piastri foi o terceiro, seguido por Hamilton e Sergio Pérez nas cinco primeiras colocações.

A Williams confirmou seu bom momento e colocou Albon em sétimo e Franco Colapinto em nono. Yuki Tsunoda também fez sua parte depois do bom trabalho da sexta e passou em décimo. O mesmo não se pode dizer de seu companheiro Daniel Ricciardo, que abriu o grupo dos eliminados em 16º. Junto com ele foram mais cedo para o hotel Lance Stroll, Pierre Gasly, Valtteri Bottas e Guanyu Zhou. Ricciardo, sempre é bom lembrar, que corre neste fim de semana ameaçado pela demissão sumária para que a Passa no Débito Mesmo coloque para correr o neozelandês Liam Lawson já na próxima etapa, em Austin (leia a caixinha azul lá no fim do texto!).

As coisas não começaram bem para o holandês no Q2. Sua primeira volta, que não foi grande coisa, foi cancelada por exceder os limites da pista. Norris fez sua primeira volta rápida em 1min30s007, quase igual ao Q1. E Hamilton foi o primeiro a baixar de 1min30s, com 1min29s929, acordando a Mercedes. Ontem, vocês lembram, a equipe alemã estava bem desorientada, para dizer o mínimo.

Verstappen voltou à pista para tentar salvar a noite de sábado a pouco mais de seis minutos do fim do Q2. Não podia errar. E não errou. Virou 1min29s680, outro milagre. Nos últimos minutos, a pista ficou cheia. Todo mundo tentando se garantir entre os dez primeiros, e as duplas de McLaren e Ferrari querendo bater a Red Bull. Só quem conseguiu foi Piastri, com 1min29s640. Leclerc ficou em terceiro, seguido por Hamilton, Norris, Sainz, Hülkenberg, Russell, Tsunoda e Fernando Alonso.

Os eliminados foram Albon, Colapinto, Pérez, Kevin Magnussen e Esteban Ocon. O argentino ficou apenas 0s007 atrás de seu companheiro de Williams, repetindo as boas atuações de Monza e Baku no confronto direto. Mas eles saíram chateados de Marina Bay. A equipe esperava colocar os dois no Q3. Não passou nenhum.

A cota de milagres de Verstappen teria de ser renovada se ele quisesse fazer a pole, algo que nunca conseguiu em Singapura. A dupla da McLaren começou o Q3 com amplo favoritismo. Mas a primeira rodada de voltas rápidas foi interrompida a oito minutos do final. Sainz perdeu a traseira de seu carro quando ia abrir sua volta e estampou a barreira de proteção. Bandeira vermelha. “Não sei se foi por causa dos pneus frios, do ar sujo, dos incêndios na Amazônia ou do aquecimento global”, lamentou pelo rádio. “Vamos apurar”, prometeu a Ferrari.

A vermelhona #55 ficou razoavelmente arrebentada. Só Piastri e Hülkenberg tinham tempos registrados – 1min30s037 para o australiano, nada de excepcional. Verstappen foi mais rápido, mas novamente teve seu tempo cancelado. Desta vez, porque quando fechou a volta as bandeiras amarelas estavam sendo mostradas no local da batida do espanhol. Ele tirou o pé, mas não quiseram nem saber. Ficou bravo. Se disse algum palavrão, não foi registrado. Quem vinha bem e teve de abortar a volta foi Norris. Tinha as duas melhores parciais da pista até ali. E restaria para todos um único jogo de pneus para uma volta solitária nos minutos restantes.

Feitos os reparos onde Sainz bateu, os boxes foram reabertos e os carros foram para a pista na conta do chá, nos últimos instantes. Todos juntos. O último a sair foi Verstappen. Passou Tsunoda e Russell na volta de aquecimento de seus pneus e foi à luta. A dupla da McLaren liderava o pelotão. Norris cravou 1min29s525, um temporal. Piastri errou e não melhorou. Hamilton chegou perto, mas Max superou o inglês e operou o terceiro milagre do dia, conseguindo a segunda posição no grid a 0s203 de Landinho. Hamilton ficou em terceiro, seguido por Russell, Piastri, Hülkenberg, Alonso, Tsunoda, Leclerc (teve o tempo cancelado por exceder os limites de pista) e Sainz.

Norris tem um péssimo retrospecto largando na pole. Nunca, nas cinco anteriores que fez e nas duas em Sprints, conseguiu fechar a primeira volta em primeiro. Se isso se repetir amanhã, terá problemas com Verstappen. A largada será tensa. Gostamos disso.

Bottas: perto de renovar com a Sauber

MERCADO 1 – Valtteri Bottas está dando a volta em todo mundo e neste momento é o grande favorito à vaga na Sauber/Audi no ano que vem. As negociações do novo chefe Mattia Binotto com a McLaren para liberar Gabriel Bortoleto esbarraram no tempo de empréstimo desejado pelos alemães. A McLaren topava apenas dois anos. A Audi queria mais. Algo parecido aconteceu nas negociações com a Williams para ter Franco Colapinto. O time inglês não quis cedê-lo a perder de vista. Resultado: ofereceram um contrato de um ano apenas para Bottas. O finlandês topou. E pode ser anunciado em breve. Na opinião deste blogueiro, um erro. A Audi deveria se esforçar mais por Colapinto ou Bortoleto. Eu iria fácil no argentino. O brasileiro ainda é muito cru, embora claramente talentoso.

MERCADO 2 – A Red Bull prometeu para depois do GP de Singapura uma definição sobre Daniel Ricciardo. Ele não ficará na Pega lá a Maquininha no ano que vem, isso é certo. A questão agora é saber se fica até o fim do ano. Ou se será substituído por Liam Lawson já a partir do GP dos EUA. Apostem na segunda opção. É provável que o australiano se despeça da F-1 amanhã. E se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o que fazer com ele, o resultado da classificação hoje deu a resposta. Ricciardo não passou do Q1. Tsunoda larga em oitavo.

SEM CENSURA – O melhor do dia foi Verstappen se recusar a responder perguntas na coletiva obrigatória dos três primeiros. Avisou a todos os jornalistas que teria muito prazer em falar do lado de fora da sala. Por quê? “Porque posso pegar mais um dia [de serviços comunitários].” Um protesto inteligente contra o tonto do presidente da FIA que teve como resultado uma improvável união dos pilotos. Todos ficaram do lado dele.