Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (inesquecível) – Extraída das redes, a imagem acima. Do perfil de Lewis Hamilton no Instagram. Foi a que ele mesmo escolheu para postar. O heptacampeão fez questão de cumprimentar Franco Colapinto e Oliver Bearman depois do GP do Azerbaijão. O primeiro chegou à sua frente. O outro, logo atrás. […]

A IMAGEM DA CORRIDA

Hamilton cumprimenta Colapinto e Bearman: encontro de gerações

SÃO PAULO (inesquecível) – Extraída das redes, a imagem acima. Do perfil de Lewis Hamilton no Instagram. Foi a que ele mesmo escolheu para postar. O heptacampeão fez questão de cumprimentar Franco Colapinto e Oliver Bearman depois do GP do Azerbaijão. O primeiro chegou à sua frente. O outro, logo atrás. Lewis virou sanduíche de quase estreantes. Ambos disputavam uma corrida de F-1 pela segunda vez.

E eles não correram juntos, apenas. Falando assim, parece que estiveram no mesmo grid e só. Não. Brigaram por posições, dividiram curvas e freadas, andaram lado a lado nas ruas de Baku. Depois dessa jornada, o piloto da Mercedes foi gentil e carinhoso com os dois. Seus elogios foram registrados por escrito no comunicado de imprensa distribuído pela equipe. “É muito legal ver meninos tão jovens guiando tão bem”, disse. Estava genuinamente encantado. Verdade que na entrevista na zona mista não se lembrou do nome de Colapinto. Mas não foi por mal. Hamilton vive no mundo dele. Prefere descobrir quem são seus colegas no convívio, não através da imprensa ou pelas redes sociais.

E o convívio se dá na pista. Lutando. Foi bonito, esse encontro de gerações.

A FRASE DE BAKU

“O meu melhor momento do dia. Que loucura e que sonho transformado em realidade dar a mão a Lewis Hamilton depois de uma corrida juntos. Uau!”

Franco Colapinto, no Instagram

Vamos falar um pouco mais de Argentina e dos argentinos. Colapinto, observamos ontem, foi o primeiro piloto do país a marcar pontos desde 1982, quando Carlos Reutemann terminou o GP da África do Sul em segundo pela mesma Williams. Os quatro pontos que anotou em duas corridas já superam o que seu antecessor Logan Sargeant somou em 36 participações no Mundial pelo time. O americano fez apenas um ponto na carreira, com o décimo lugar no GP dos EUA do ano passado (herdado, já que dois carros entre os dez primeiros foram desclassificados).

Mas nesses 42 anos outros argentinos poderiam ter marcado também se o sistema de pontuação da F-1 fosse o mesmo de hoje. Esteban Tuero terminou o GP de San Marino de 1998 em oitavo com a Minardi. E Gaston Mazzacane fez dois décimos (Brasil e Itália) e um oitavo (Nürburgring) pelo mesmo time em 2000. Naqueles tempos, porém, só os seis primeiros pontuavam.

Mazzacane e Tuero: fariam pontos se estivessem correndo com o sistema atual

O fato é que a Williams não colocava seus dois carros entre os dez primeiros desde o GP dos EUA do ano passado. E foi esperta, a equipe. Mandou cada piloto com uma estratégia diferente. Alexander Albon largou de pneus duros. Colapinto, de médios. Funcionou. O tailandês foi o sétimo colocado, com o argentino logo atrás. O resultado levou o time ao oitavo lugar no Mundial de Construtores, deixando a Alpine para trás: 16 x 13.

E levou Colapinto ao mercado. O chefe James Vowles se derreteu pelo piloto e falou para quem quisesse ouvir: vai fazer tudo para garantir que ele corra em 2025. Onde? Na Audi/Sauber. Porque na Williams a dupla já está fechada com Albon e Sainz. Escrevi isso há semanas, quando a equipe mandou Sargeant passear: Colapinto passaria a ser o concorrente mais forte de Gabriel Bortoleto à vaga no futuro time alemão. Teria nove corridas para mostrar serviço. Já começou.

O NÚMERO DO AZERBAIJÃO

…vez na história que um pódio foi formado por três ex-campeões da F-2: Piastri (2021), Leclerc (2017) e Russell (2018). A outra foi em 1979 no GP da Inglaterra: Regazzoni (Williams), Arnoux (Renault) e Jarier (Tyrrell) haviam sido campeões, respectivamente, em 1970, 1977 e 1973. O GP da Bélgica de 2015 também teve três campeões da divisão de acesso, na época chamada de GP2: Hamilton (Mercedes), Rosberg (Mercedes) e Grosjean (Lotus), campeões de 2006, 2005 e 2011.

O Mundial de 2024 tem sido um dos melhores dos últimos anos. Há briga pelo título e a hegemonia irritante da Red Bull imposta na temporada passada e no começo desta já foi para o vinagre. Em 2023, a equipe austríaca venceu 21 das 22 corridas. Só perdeu em Singapura para a Ferrari. Três pilotos ganharam GPs: Verstappen, Pérez e Sainz. Neste ano, já são sete vencedores de quatro equipes diferentes: Verstappen (Red Bull, sete), Piastri e Norris (McLaren, duas vitórias cada), Hamilton (duas) e Russell (uma), da Mercedes, Sainz (uma) e Leclerc (duas), da Ferrari.

Ontem, carros de sete equipes pontuaram em Baku. Só Alpine, Sauber e Cadê a Maquininha? ficaram no zero.

Sainz: atrás do vácuo, acabou no muro

Quando um não quer, dois não batem. Mas quando os dois querem, os dois batem. Cunhei a frase ontem e repito hoje porque é muito boa. O acidente entre Sainz e Pérez na penúltima volta estragou a bela corrida que os dois faziam. Tudo começou quando Checo resolveu atacar Leclerc pelo segundo lugar. Bobagem. Na fase que vive, era melhor ficar quietinho e buscar um pódio que não vê desde o terceiro lugar na China, em abril. Passou o monegasco por fora, mas espalhou na curva 1, tomou o troco e ainda foi superado por Sainz, que vinha colado e tracionou melhor.

Na curva seguinte, o espanhol é que estava por fora, do lado sujo da pista, e foi a vez de Pérez tracionar melhor. Os dois tinham Leclerc adiante e resolveram pegar o vácuo da Ferrari #16 para chegar à frente na curva 3. Ambos tinham espaço para deixar para o outro. Nenhum quis alterar um milímetro a trajetória. Bateram. Quem quiser culpar Sainz por ter apontado o carro ligeiramente para a esquerda pode. Quem quiser culpar Pérez por não ter se deslocado mais para a esquerda, onde havia espaço à vontade, também pode.

Os comissários não culparam ninguém, os dois se espatifaram e deram um prejuízo desgraçado para suas equipes.

Quem saiu chateado de Baku achando que poderia ter vencido foi Leclerc. Ele explicou a derrota por dois pontos. Primeiro, disse que seu carro demora mais que a McLaren para chegar à temperatura ideal dos pneus. Fez seu pit stop uma volta depois que Piastri. Quando voltou à pista, ficou lento por pelo menos duas voltas. Oscar, por sua vez, já tinha aquecido os pneus pós-parada e chegou nele como um foguete. “Se eu não passasse naquela hora, não passava mais”, disse o australiano. Por isso foi tão decidido na hora de mergulhar e ganhar a posição. Aí vem o segundo ponto de Leclerc: “Eu deveria ter lutado mais para me defender. Achei que depois retomaria o ritmo quando os pneus estivessem bons e teria a chance de passar de novo. Mas subestimamos a velocidade de reta deles. Aí não deu mais”.

Essa velocidade de reta da McLaren anda causando um certo zunzunzum. Há quem desconfie que quando a asa móvel está fechada restam abertas duas pequenas frestas nas extremidades que reduzem o arrasto. Fiquemos atentos. Alguém vai acabar reclamando.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de Oliver Bearman, que arrancou um pontinho no final graças a um erro de seu companheiro Nico Hülkenberg, que fazia uma boa prova mas deu uma lambida no muro e, depois, bobeou tirando o pé antes do safety-car virtual ser acionado. Ali perdeu as posições para Hamilton e para Ollie, que não quis nem saber.

NÃO GOSTAMOS da Alpine, que resolveu arriscar uma estratégia meio doida de deixar seus pilotos na pista sem trocar pneus até o fim, esperando por um safety-car ou uma bandeira vermelha. Esteban Ocon largou dos pits e chegou em 15º. Trocou pneus na volta 49 das 51 da corrida. Pierre Gasly estava em 18º no grid e terminou em 12º. Seu pit stop foi feito na 50ª volta.