Blog do Flavio Gomes
Álbum sobre rodas

ÁLBUM (SOBRE RODAS) DE FAMÍLIA

SÃO PAULO (olha que cai…) – Essa história é boa demais para guardar na minha caixa de e-mails. Quem mandou foi o Luiz Carlos, de Campinas. Leiam e deliciem-se. Boa noite, Flavio. Te escrevo para contar uma história que envolve carros e futebol, assuntos que gostamos muito. Há tempos tenho vontade de contá-la, mas foi […]

SÃO PAULO (olha que cai…) – Essa história é boa demais para guardar na minha caixa de e-mails. Quem mandou foi o Luiz Carlos, de Campinas. Leiam e deliciem-se.

Boa noite, Flavio.

Te escrevo para contar uma história que envolve carros e futebol, assuntos que gostamos muito. Há tempos tenho vontade de contá-la, mas foi difícil de encontrar uma foto. Se achar digna de ser postada em algum lugar, fique à vontade. Infelizmente não tenho o seu talento para escrever, mas vale a intenção.

Meu avô, chamado Rafael, era filho de italianos e palmeirense, verde até a alma. Ele tinha um amigo, Walter, corintiano roxo. Esse amigo, para provocar meu avô, deu-lhe de presente um carnê, o “Corintião da Sorte”. Meu avô, que sempre pagou em dia o seu carnê do Baú da Felicidade, não se fez ofendido e pagou o carnê do Corinthians rigorosamente em dia. Este carnê sorteava Brasílias zero km pela loteria federal. Em um belo dia, conferindo os números sorteados no jornal, exclamou: “Ganhei uma perua!”.

Ele convidou seu amigo, o Walter, para ir com ele ao Parque São Jorge participar da entrega. Em certo momento passa por eles o senhor Vicente Matheus, e Walter o chama e diz: “Seu Vicente, ele é palmeirense e ganhou a Brasília”. A resposta veio de imediato. “É parmerense? Dá essa verde pra ele!”

E assim meu avô ganhou essa Brasília verde, zero km, ano 1979, de um carnê do Corinthians, que ele ganhou de um corintiano que pensou que fosse ficar zangado com a provocação. Meu avô é esse de jaqueta preta, ao lado da Brasília e segurando o carnê. O Walter é o senhor de óculos e calça listrada. Meu avô se recusou a vender a Brasília, o que gerou algumas brigas com minha avó, que queria que ele vendesse, construísse uma casa e com o troco comprasse um Volks (Fusca). Ele sempre dizia: “A única coisa que eu ganhei na vida foi a perua, não vou vender”. Mas aí é assunto para outra história.

Sou seu leitor assíduo há muitos anos e espectador atrasado pelo YouTube, trabalho no horário em que você faz as lives. Sempre perco quando tem sorteio, dos extintos encontros no galpão aos fones da Edifier. Triste!

Abraços desde Campinas.

Volto. Primeiro, a história está lindamente escrita. Segundo, Arruma um jeito de participar de algum sorteio, vai que você puxa o vô Rafael! Por fim, informo que, claro, perguntei ao Luiz por onde anda a Brasília verde. A resposta dele: “Infelizmente foi vendida e não consegui descobrir qual era a placa ou qualquer outra informação pra ir atrás dela. Adoraria encontrá-la e comprar pra fazer companhia pra TL que era do meu pai. Essa ainda vai ter história pra contar.”.