Blog do Flavio Gomes
F-1

TODAS AS CORES

SÃO PAULO (funcionou) – A F-1 fez hoje uma apresentação inédita em Londres, para celebrar os 75 anos da categoria. Aconteceu na arena O2 diante de 18 mil pessoas e com a presença de todos os pilotos, chefes de equipe e muitos convidados. Lembrando: apenas McLaren e Aston Martin mantiveram suas duplas (Oscar Piastri e […]

A turma de 2025: só duas duplas mantidas, da McLaren e da Aston Martin

SÃO PAULO (funcionou) – A F-1 fez hoje uma apresentação inédita em Londres, para celebrar os 75 anos da categoria. Aconteceu na arena O2 diante de 18 mil pessoas e com a presença de todos os pilotos, chefes de equipe e muitos convidados. Lembrando: apenas McLaren e Aston Martin mantiveram suas duplas (Oscar Piastri e Lando Norris na primeira, Lance Stroll e Fernando Alonso na segunda). Teremos três novatos absolutos (Kimi Antonelli na Mercedes, Gabriel Bortoleto na Sauber e Isack Hadjar na Racing Bulls) e três quase estreantes (Oliver Bearman na Haas, Liam Lawson na Red Bull e Jack Doohan na Alpine)

O evento teve um formato bem definido: cada time teve sete minutos para apresentar carros e pilotos, do jeito que achasse melhor. Exigências: que a dupla de corredores subisse ao palco de macacão e que a pintura que será usada na temporada fosse revelada ao distinto público assim que se erguesse uma espécie de caixote gigantesco cujos lados eram formados por telões de alta definição. A festa foi transmitida pela TV e pelo aplicativo da F-1. Durou duas horas. Foi grandiosa, na medida em que se conseguiu reunir no mesmo espaço e tempo todo mundo que importa, quebrando a tradição de cada equipe fazer o lançamento de seus carros de forma individual — o que, nos últimos anos, vinha sendo feito de maneira virtual, na maioria das vezes.

Mas quem esperava algo mirabolante talvez tenha se decepcionado. O tempo disponível para cada time foi curto, e do ponto de vista técnico é impossível dizer qualquer coisa sobre os modelos apresentados. Muitos deles eram carros do ano passado com a pintura nova. Os personagens principais da festa falaram pouco ou nada — caso da dupla da Red Bull, Max Verstappen e Liam Lawson, que não abriram a boca sobre o palco.

Teve música — ninguém do primeiro escalão internacional –, muitos vídeos, aplausos e vaias. Lewis Hamilton, claro, foi o mais festejado. Christian Horner, chefe da Red Bull, mereceu os maiores apupos das tribunas. A seguir, um resuminho comentado da F175, evento que, dependendo de uma avaliação da Liberty Media, pode ser repetido nos próximos anos.

A campeã: McLaren foi a última a apresentar sua nova pintura na O2 Arena

A FESTA – Pontualmente às 17h de Brasília, 20h em Londres, a celebração começou com uma banda que me chamou a atenção pela guitarra em forma de gilete. Como costumo escrever “Google-free”, não vou procurar o nome dos artistas. Devem ser conhecidos, e o fato de eu não saber quem são não significa nada, porque sou musicalmente um ignorante. O ator, comediante e apresentador de TV Jack Whitehall foi o mestre de cerimônias. Fez uma ou outra piadinha, mas não cometeu nenhuma gafe. Com o tempo apertado, foi econômico nos gracejos. Alguns deles foram dirigidos a Charles Leclerc e George Russell, escolhidos por ele como bonitões da noite. As primeiras imagens da transmissão mostraram alguns pilotos, como Verstappen e Hamilton, e não se detiveram nos convidados especiais. Todos os campeões mundiais vivos foram convidados — tive até de ajudar com alguns contatos, acreditem vocês ou não. Poucos apareceram na TV. Vi Emerson Fittipaldi, Jackie Stewart, Mario Andretti e Nigel Mansell numa mesa de veteranos. Emerson é o maior arroz de festa do mundo. Stewart, o segundo. Não sei quem foi ou quem deixou de ir. Um clipe com imagens históricas dos 75 anos da F-1 foi apresentado. Isso posto, aos carros.

SAUBER C45 – A Sauber, oficialmente Stake F1 Team Kick Sauber, foi a primeira a subir ao palco. A ordem escolhida foi da pior para a melhor na classificação do Mundial de Construtores de 2024. Surgiram uns caras com tambores no tablado, tocando com baquetas iluminadas de verde. Meteram um clipe do carro andando à noite, com imagens da Lua. Não entendi nada. Alguém me disse que a pintura tem uma “temática astronômica”. Continuei sem entender nada. O carro se chama C45 porque Peter Sauber, fundador do time, sempre usou a inicial do nome de sua mulher, Christiane, para batizar os modelos de sua fábrica. Os novos donos mantiveram a tradição — mesmo quando corria como Alfa Romeo, os carros eram C-alguma-coisa. Não sei como será com a Audi, que é a nova proprietária da equipe. O nome Audi, aliás, não foi mencionado nenhuma vez. As quatro argolas não aparecem em lugar algum. No press-release do time, tampouco. Frases bobas foram mostradas no telão e no fim surgiram Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto ao lado do chefe Mattia Binotto. Cada um disse uma frase e foram embora. As cores inspiradas no uniforme do América Mineiro foram mantidas, e a pintura não é feia.

WILLIAMS FW47 – Criatividade não tem sido o ponto forte da Williams no layout de seus carros. Na semana passada andou em Silverstone “camuflada”. A camuflagem era igual à pintura apresentada hoje em Londres: tudo azul. O que não é necessariamente ruim. Ficou até elegante. O novo patrocínio master, da empresa australiana Atlassian (softwares de gestão, essas coisas), é a maior novidade. Além, claro, de Carlos Sainz. Finalmente um adulto para guiar seus carros. O clipe de abertura da apresentação, sob o slogan “Are you ready?” (muito original…), mostrou imagens antigas, dos tempos de glória do time: Mansell, Jones, Prost… James Vowles, o chefe, pegou o microfone, prometeu que a equipe entrou numa nova era e no fim tirou uma selfie com Sainz e Alexander Albon, o outro piloto. No telão, um QR code. Acho que era o Pix da Williams.

VISA CASH APP RACING BULLS VCARB 02 – Como se chama essa equipe? O clipe de abertura da apresentação, comandado por um influencer qualquer, fez essa pergunta nas ruas e ninguém soube responder. Continua sendo como no ano passado, pelo visto. O que significa que neste espaço seguirei com a linha Crédito ou Débito? e suas variáveis, porque não serei capaz de chamá-la de “VCARB”, que é como a Red Bull, dona da antiga Minardi, Toro Rosso e AlphaTauri, imagina que, um dia, ela será conhecida. “Até mudar de novo no ano que vem”, disse o apresentador do evento. Yuki Tsunoda e Isack Hadjar terão o carro mais bonito do grid. A pintura ficou ótima, com a prevalência do branco e os detalhes em vermelho e amarelo da marca de energéticos. Pelo menos foi a de que gostei mais. Se vai andar bem, já é outra história.

HAAS VF-25 – A sigla dos carros da Haas é a menos compreensível de todas, mas tem uma explicação. Lá em 2016, quanto o time estreou, o VF era de “very first”, o primeiro carro da linhagem da esquadra americana. Que vai para sua décima temporada na F-1. Ficou o VF, sempre acoplado ao ano em questão. Estamos em 25, já, quem diria… E o século começou outro dia! No vídeo de apresentação, o cantor Kane Brown leu um texto exaltando o “American way” da equipe, que tem um piloto francês, outro inglês, motor italiano, usa um túnel de vento alemão, é chefiada por um japonês e mantém uma parceria técnica com a igualmente nipônica Toyota — que mais dia, menos dia, vai acabar comprando o time. Seriam todos deportados por Donald Trump se vivessem, sei lá, na Carolina do Norte. Dos EUA, mesmo, vêm o patrocinador principal e o dono, Gene Haas. Esteban Ocon e Oliver Bearmam formam a dupla totalmente renovada para 2025.

ALPINE A525 – O nome-código dos carros da Alpine segue o 5 que batizava os antigos carros da marca francesa nas pistas, nos anos 60, com o ano em curso. A apresentação foi pavorosa, com um DJ (me disseram na live do YouTube que é o cara que compôs a música tema da F-1, confere?) saltitante fingindo mexer nuns botões que não tinham função nenhuma, já que por vezes ele abandonava a mesa e a música seguia tocando do mesmo jeito. O carro veio rosa e azul, sendo a primeira cor da BWT, sua principal patrocinadora. Mas cedo, a Alpine anunciou que o Mercado Livre será patrocinador da equipe, abrindo as portas para Franco Colapinto, o piloto reserva. Dizem que Jack Doohan tem seis corridas para mostrar serviço. Penso que já está demitido. Mas vai que dá um rabo monumental, faz um pódio, sei lá. Acho difícil, tais milagres acontecem muito raramente. Mas é bom lembrar que a equipe fez um pódio duplo em Interlagos no ano passado. Vai que… Gostei de ver o cão de seis patas (achei que era uma loba, estou corrigindo agora e aproveito para indicar um link com a história do logotipo) da Agip na tomada de ar, embora a Agip não se chame mais Agip, e sim ENI. Agip era acrônimo para Azienda Generale Italiana Petroli. ENI vem de Ente Nazionale Idrocarburi. Ambas ex-estatais. A ENI incorporou a Agip em 1998. Pierre Gasly é o que sobrou da Alpine de 2024, agora comandada por Flavio Briatore e se despedindo dos motores Renault, sua proprietária. A montadora francesa capitulou e vai usar motores Mercedes no ano que vem.

ASTON MARTIN AMR25 – Usando o tema musical dos filmes de 007, a Aston Martin apresentou um clipe de dois caras num jet ski chegando à O2 (acho que eram jet skis) vestindo terno e capacete. Corta para o interior da arena e aparecem Fernando Alonso e Lance Stroll no meio do povo, como se tivessem acabado de desembarcar dos veículos aquáticos. Pelo menos a equipe fez um vídeo de animação mostrando um pouco da história da marca nas pistas. Quando levantaram o caixote de telões, surgiram os pilotos depois da cantora nigeriana Tems, que eu não conhecia, mas canta pacas e é muito bonita. Ela fez seu número cercada de violinistas. A grande novidade da Aston Martin para 2025 é o projetista Adrian Newey, que nem apareceu nas imagens da transmissão. Pelo menos não vi. Mas acho que estava lá.

MERCEDES W16 – Depois de 12 temporadas seguidas, Lewis Hamilton não apareceu com a estrela de três pontas na apresentação de um carro da Mercedes. É uma nova era para o time alemão, que foi ousado ao escalar o estreante Kimi Antonelli, 18 anos, para seu lugar. No que isso vai dar? Não tem como adivinhar. O vídeo mostrado antes da revelação das cores do carro foi narrado por uma mulher e terminava com a frase estampada nos telões: “Every dream needs a team”. A Mercedes fala sempre, e muito, sobre trabalho em equipe. Vai precisar mais do que nunca. George Russell assume a posição de líder do time e será interessante ver como vai se comportar sem a presença sempre intimidatória de um multicampeão como Hamilton. O carro começa prateado e termina preto. Os macacões têm as três listras da adidas. Que se escreve assim mesmo, com “a” minúsculo.

RED BULL RB21 – Foi, de longe, a melhor apresentação. Estivéssemos falando de escolas de samba, e eu diria que a cena final era puro Joãosinho Trinta. Christian Horner apareceu sozinho no início para anunciar o que veríamos (foi muito vaiado) e chamou um clipe para “celebrar a cultura dos carros”. Afinal, é disso que se trata: corrida de carro. Apareceram vários modelos e marcas, e tribos urbanas e música idem, e todos seguindo um caminhão da Red Bull pelas estradas inglesas e ruas de Londres. Quando a carreta chega à O2, corta para dentro do evento e toda a galera entra dançando no palco ao lado de Max Verstappen e Liam Lawson. Mal dá para ver o carro. Os pilotos não disseram uma palavra sequer. Acabou. Recado dado.

FERRARI SF-25 – O clipe de abertura foi clichê: desenhos dos carros da Ferrari desde 1950, evoluindo junto com a F-1 em 75 anos até chegar ao modelo SF-25 que seria apresentado em seguida. “We belong to racing”, proclamou o time. Não precisavam fazer nada. Era só levantar o caixote e deixar Lewis Hamilton sozinho ao lado do carro, para ser aplaudido pelos sete minutos regulamentares. O inglês foi a grande estrela da festa, claro. Charles Leclerc vai ter de cortar um dobrado para se impor no time nessa nova situação. Mas vai ser interessante. Ele é bom, jovem, carismático, teremos uma disputa bem legal este ano. O carro? Bom, essa faixa branca aí na tomada de ar para destacar a HP, marca da minha impressora que às vezes me deixa louco (qual impressora não enlouquece a gente?), levou os fãs mais puristas a ficarem de cabelo em pé. O azul de fundo da IBM na asa traseira, também. Mas nos acostumamos. Carro bonito é o que vence corridas, já dizia Enzo Ferrari. Que, por sinal, nasceu num 18 de fevereiro como hoje.

McLAREN MCL39 – Campeã mundial de Construtores, a McLaren levou para o palco alguns de seus carros que ganharam títulos no passado, para celebrar sua história gloriosa. Dois deles de brasileiros, Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna. O time, ao lado da Aston Martin, é o único que manteve a dupla de pilotos: Lando Norris e Oscar Piastri. Pintura praticamente igual à do ano passado. Macacões também. Em time que está ganhando não se mexe, diz o ditado popular. Teoricamente, é o carro a ser batido.

E isso foi tudo. A festa foi encerrada com a banda Take That, as 24 etapas do calendário exibidas no telão e os 20 pilotos e os dez carros no palco. Chega de festa. De 26 a 28 deste mês, todos estarão no Bahrein para a pré-temporada. O Mundial começa no dia 16 de março na Austrália.

Como escreveriam os influencers, estou muito ansioso. E vocês?