A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (um gigante) – A morte de Eddie Jordan, na quinta-feira, deixou o paddock mais triste. Antes da largada, ontem em Xangai, todo mundo foi para a pista para fazer a última homenagem ao irlandês. Dos 20 pilotos titulares da F-1, apenas três eram nascidos quando Eddie estreou com sua equipe na categoria, em 1991: Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Nico Hülkenberg. Mas todos enfrentaram, e ainda enfrentam, a Aston Martin, sucessora do time. Essa é a definição exata da palavra “legado”.
Mas vamos ao “day after” do GP da China, como fazemos há décadas.
George Russell foi ao pódio pela segunda vez no ano e Kimi Antonelli, sexto colocado, ganhou a votação de “Piloto do Dia” do amigo internauta. Apesar de ter lidado bem com um assoalho danificado já na primeira volta, ficou espantado com a escolha. “Eu?”, perguntou pelo rádio. “Esquisito…” De fato, teve um monte de gente à sua frente na corrida para ser eleito. Meu voto, por exemplo, iria para Esteban Ocon, que terminou em quinto com a Haas. Isso sim é uma proeza.
Mas voltando à Mercedes, a equipe alemã chegou a 300 pódios com o terceiro lugar de Jorginho. Mais da metade deles, 153, cortesia de sir Lewis Hamilton. O segundo com mais taças? Podem se assustar à vontade: Valtteri Bottas, com 58. Hoje ele atua como coordenador da piscina de bolinhas da creche da fábrica, na Inglaterra.
A FRASE DE XANGAI
“Foi Lewis quem sugeriu trocar de posição. A transmissão da FOM colocou na TV só uma parte da conversa no rádio para fazer sensacionalismo.”
Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari
E esse, da frase aí em cima, foi o menor dos problemas da equipe italiana. Além de não repetir, nem de longe, a ótima performance da véspera — vitória de Hamilton na Sprint –, o time teve de amargar uma rara e humilhante desclassificação dupla, perdendo 18 pontos no Mundial. Charlinho estava com o carro 1 kg abaixo do peso mínimo. Tinha terminado em quinto. Lewis arrastou demais a prancha sob o assoalho, que teve um desgaste acima do permitido. A espessura da peça, medida em dois pontos, teria de ser de 9 mm, na pior das hipóteses. Num deles estava com 8,6 mm. No outro, 8,5 mm. Nesses casos, não há discussão. Quem está errado enfia o rabo entre as pernas e sai de mansinho.
Outro que foi punido por estar abaixo do peso mínimo, como informamos ontem, foi Pierre Gasly. E seu futuro ex-companheiro na Alpine, Jack Doohan, levou dez segundos de punição por manobras de defesa exageradas diante dos ataques de Isack Hadjar.
O NÚMERO DA CHINA
2ª
…vez na história que dois adolescentes marcam pontos juntos numa corrida: Antonelli, 18, e Bearman, 19. O critério adotado aqui contempla apenas pilotos com menos de 20 anos — “teens”, em inglês. A primeira vez que isso aconteceu foi no GP da Itália de 2017. Naquela prova, Stroll, 18, chegou em sétimo com a Williams e Verstappen, 19, em décimo com a Red Bull.
O diz-que-diz de ontem após a corrida voltou-se para Red Bull e Meu Cartão Tá Com Defeito. Depois de mais uma atuação desastrosa de Liam Lawson, a imprensa europeia voltou seus holofotes para Yuki Tsunoda. “Ele já corre no Japão!”, gritaram os sites e jornais — ainda existem jornais. O neozelandês, no entanto, ganhou um defensor. Ou mais ou menos isso, e vocês vão entender por quê. Refiro-me a Verstappen. Ele reconheceu que o carro deste ano é bem difícil de guiar, mesmo. Em outras palavras, Lawson não é tão ruim assim. “Mas tenho certeza que se ele for para a VCARB [é como tem sido chamada a filial] vai ser bem mais rápido”, acrescentou o holandês. Em outras palavras, é melhor sair, mesmo.
Lawson é um mala antipático e metido a besta, mas convenhamos… Queimar o rapaz depois de duas corridas parece meio exagerado. Ele não tem tido sequer um carro na mesma configuração de Max. Por isso acho que a saída mais sensata para a Red Bull, neste momento, é colocar Tsunoda no time principal e devolver Liam para a equipe B.
Agora, se continuar se arrastando e arrotando caviar depois de comer jiló, aí talvez não tenha jeito, mesmo. Em seu universo paralelo, na China, ele disse que é melhor que Tsunoda, que já ganhou dele na F-3 e na F-1 tem sido igual.
Tá é variando, o garoto.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da Williams, que em duas corridas, nesta temporada, já igualou todos os pontos que marcou no ano passado. São 17, 16 deles anotados por Alexander Albon. Carlos Sainz, que fez um pontinho na China graças às desclassificações de três carros à sua frente, ainda não se encontrou. Disse que está “intrigado” e “perplexo” com seu próprio desempenho na nova equipe. Mas vai melhorar, podem apostar.
NÃO GOSTAMOS… de Gabriel Bortoleto, que pela segunda corrida seguida comete um erro que compromete o resultado final. Na Austrália, rodou, bateu e abandonou. Na China, rodou sozinho na primeira volta, foi obrigado a trocar os pneus, despencou na classificação e ficou andando sozinho até o final, quando conseguiu passar seu companheiro Nico Hülkenberg — que se arrastava desde o início com o assoalho quebrado. OK, o carro é ruim e ninguém deve cobrar resultados da dupla da Sauber. Mas a F-1 como um todo não gosta muito de pilotos que erram com frequência. O brasileiro teve como ponto alto do fim de semana ter passado ao SQ2 na classificação da Sprint.