Blog do Flavio Gomes
F-1

CAMELÓDROMO (1)

SÃO PAULO (já usei?) – Tirando a McLaren, todo mundo anda meio tenso no paddock da F-1. A Red Bull porque o carro é um problema e todo mundo anda dizendo que Max Verstappen vai deixar a equipe. A Ferrari porque Lewis Hamilton não vira e a imprensa italiana já questiona sua contratação. A Mercedes […]

Norris: McLaren na frente em Jedá

SÃO PAULO (já usei?) – Tirando a McLaren, todo mundo anda meio tenso no paddock da F-1. A Red Bull porque o carro é um problema e todo mundo anda dizendo que Max Verstappen vai deixar a equipe. A Ferrari porque Lewis Hamilton não vira e a imprensa italiana já questiona sua contratação. A Mercedes até que vive dias mais calmos, mas se pergunta: quando vamos voltar a vencer? E tem a Aston Martin, numa draga desgraçada. E a Sauber, com um carro ruim e problemas sérios — Gabriel Bortoleto nem participou do segundo treino. E se olhar aqui e ali, é estreante que não sabe até onde vai no campeonato, é piloto rebaixado que não se encontra, é veterano dando sinais de cansaço, é recém-contratado de quem se esperava mais.

Mas a McLaren navega em mares tranquilos. Toda essa introdução gigantesca aí em cima, que não quer dizer nada, é pura embromação, para dizer que Lando Norris e Oscar Piastri ficaram com os melhores tempos no segundo treino livre para o GP da Arábia Saudita, que é o que importa — realizado à noite lá, no horário da classificação e da corrida. No primeiro, ainda com sol e calor do fim da tarde em Jedá, deu Pierre Gasly, da Alpine. Uma surpresa, claro.

Sol e calor, para não ficar numa coisa genérica, são 34°C de temperatura ambiente e quase 50°C no asfalto. De noite, 20h locais (a diferença de fuso horário para o Brasil é de seis horas), os termômetros caíram para 27-28°C, com 37°C no asfalto. A definição do grid, amanhã, acontece nesse horário (14h aqui). A largada, domingo, também. Serão 50 voltas.

Norris e Piastri ficaram se alternando na primeira posição do treino até faltarem 20 minutos para o final, quando todas as equipes colocaram pneus médios e bastante gasolina no tanque para simular situações de corrida. Aí a sessão foi interrompida com uma bandeira vermelha quando faltavam cerca de dez minutos para o final porque Yuki Tsunoda bateu no muro. Quando foi reiniciada, não deu nem tempo para voltas cronometradas; só para sair do box e treinar largada.

Verstappen, o terceiro colocado, ficou a 0s280 do líder do dia — ou da noite, para ser preciso. Tirou leite de camelo da areia do deserto. Mas não faz milagre. Charles Leclerc e Carlos Sainz, companheiros de jogos de gamão, ficaram em quarto e quinto.

Muitos pilotos deram lambidas nos muros da pista de Jedá, a terceira mais longa do calendário com seus 6.174 m de extensão (só perde para os 7.004 m de Spa e para os 6.201 m de Miami). É um circuito de rua-quase-permanente. Muito veloz, mais de 250 km/h de média, não perdoa muitos erros, com seus muros próximos.

O GP da Arábia Saudita foi disputado pela primeira vez em 2021. É um arranjo financeiro da F-1 com o governo ditatorial do país, que escolheu a petrolífera estatal Aramco para ser patrocinadora da categoria. A empresa, inclusive, é dona de boa parte das ações da Aston Martin, pretende comprar a equipe inteira e, segundo a imprensa italiana, já meteu na mesa do empresário de Verstappen uma proposta de US$ 300 milhões por três anos para tirar o holandês da Red Bull e enfiá-lo no time verde já em 2026.

A pista, batizada de Jeddah Corniche Circuit. “Corniche”, palavra francesa, é usada para descrever uma estrada ao longo de uma montanha ou de um penhasco, e tem um sentido turístico aplicado genericamente a orlas de cidades de praia. Quem vai de Nice para Mônaco, por exemplo, pode optar pela Haute (alta) Corniche, pegar a Moyenne (média) Corniche ou ainda a Basse (baixa) Corniche, minha preferida, que passa por Villefranche-sur-Mer, Beaulieu-sur-Mer e Cap-d’Ail. Nessas cidades costumo comprar frutas, cigarros Gauloises e tomar café Illy, que é italiano, mas na França dizemos “ilí”. E sempre que paro para tomar café, compro também o “Libé” para saber das últimas. Por vezes tomo um sorvete no Les Délices d’Aristée.

Tudo isso para dizer a vocês que “corniche” não é nome próprio como Tarumã ou Paul Ricard, se é que me entendem. A corniche em questão margeia o Mar Vermelho.

Sobre Bortoleto, descobriram um vazamento de gasolina dentro do cockpit. Tiveram de desmontar o carro e vão ter de trocar o chassi, a célula de sobrevivência onde se espetam as suspensões, motor, câmbio e asas. Na prática, seu carro terá de ser reconstruído para amanhã. É ruim, claro, porque ele perdeu a hora de treino noturno, embora conheça a pista porque já correu lá de F-2.